Calçada Portuguesa

underground01A calçada portuguesa ou mosaico português (ou ainda pedra portuguesa no Brasil) é o nome consagrado de um determinado tipo de revestimento de piso utilizado especialmente na pavimentação de passeios, de espaços públicos, e espaços privados, de uma forma geral. Este tipo de passeio é muito utilizado em países lusófonos.

A calçada portuguesa resulta do calcetamento com pedras de formato irregular, geralmente em calcário branco e negro, que podem ser usadas para formar padrões decorativos pelo contraste entre as pedras de distintas cores. As cores mais tradicionais são o preto e o branco, embora sejam populares também o castanho e o vermelho, azul cinza e amarelo. Em certas regiões brasileiras, porém, é possível encontrar pedras em azul e verde. Em Portugal, os trabalhadores especializados na colocação deste tipo de calçada são denominados mestres calceteiros.

O facto de a rocha mais comum para estabelecer o contraste seja de cor negra, faz com que se confunda a rocha mais utilizada, o calcário negro, com basalto. De facto, existe calcário de várias cores. O basalto apenas é utilizado nas ilhas, onde é abundante, sendo aí os desenhos executados em calcário branco. Quando é basalto, distingue-se pelo maior mate e pela sua maior irregularidade no corte, pois este é muito mais rijo. Simplesmente não é possível executar com o martelo, os detalhes técnicos dos motivos elaborados presentes na calçada lisboeta.

A calçada à portuguesa, tal como o nome indica, é originária de Portugal, tendo surgido tal como a conhecemos em meados do século XIX. Esta é amplamente utilizada no calcetamento das áreas pedonais, em parques, praças, pátios, etc. No Brasil, este foi um dos mais populares materiais utilizados pelo paisagismo do século XIX, devido à sua flexibilidade de montagem e de composição plástica. A sua aplicação pode ser apreciada em projetos como o do Largo de São Sebastião, construído em Manaus no ano de 1901 e que inspirou o famoso calçadão da Praia de Copacabana (uma obra de Roberto Burle Marx) ou nos espaços da antiga Avenida Central, ambos no Rio de Janeiro.

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Entrevista com DJ Moreno

Moreno (1)DJ Moreno é uma das grandes referências artísticas alentejanas com uma Projecção a nível nacional e internacional. Nesta entrevista que concedeu à Revista Sotaques Brasil/Portugal, conhecemos melhor este músico que consegue juntar o respeito pelas tradições e um olhar optimista e criativo para o Futuro.
Que inventa o Futuro, em cada nova música, em cada nova mistura, sem perder o Sotaque da inconfundível Cultura alentejana.

P –Évora está em destaque este mês na Revista Online Sotaques Brasil/Portugal. O que significa esta cidade na vida e no percurso profissional do Moreno ?

R – Évora para mim significa passado, presente e possivelmente futuro. Adoro a cidade onde nasci, cresci e se for possível gostaria de continuar, neste momento tenho alguns projectos por aqui em que estou a trabalhar mas o futuro ninguém sabe.

P – O que é que, quem chega a Évora pela primeira vez, não pode perder ?

R – O primeiro conselho que eu dou a quem vêm a Évora é que não venha só um dia, é uma cidade turística e património mundial, com vários monumentos e edifícios antigos, é fácil perdermo-nos na beleza e hospitalidade.

P – O Moreno é um dos Disc Jockeys mais promissores do país. Sempre sentiu vocação para trabalhar nesta área artística ?

R – Antes de responder não posso deixar de agradecer o elogio na introdução e respondendo à pergunta concretamente; não era daquelas ideias que tinha quando era pequeno, sou sincero, nem quando saia com os amigos mas quando começei a trabalhar a noite surgiu a oportunidade, houve pessoas a quem hoje agradeço muito, que na altura acreditaram em mim, me apoiaram e ao olhar para trás acho que fiz bem e espero que as pessoas que me apoiaram se orgulhem de mim.

P – O que mais o apaixona no seu trabalho e aquilo que menos gosta?

R – O que mais me apaixona é a possibilidade de ver o retorno do meu trabalho logo ali, quando o estou a fazer, apesar de termos todo um trabalho de pesquisa e organização, fora da altura em que estamos a fazer o “set”: quando estamos frente a frente com o público, temos feedback do que fazemos, temos uma reacção imediata da parte de quem está a ouvir, e isso é muito gratificante.
Por outro lado, e como não só coisas boas, são por vezes as constantes deslocações , isto é, fazer o que faço permite-me conhecer muita gente e muitos locais or todo o país, o que eu gosto muito, gosto de conhecer pessoas, locais, culturas, no entanto as viagens, por vezes, tornam-se cansativas e esse por vezes é o ponto negativo.

P – Quais são as suas referências musicais na sua área ?

Em Portugal para mim existe uma referência indiscutível na música electrónica que é o DJ Vibe, se olharmos para a carreira dele e se virmos como foi progredindo ao longo dos anos, sempre fiel a ele próprio e sem se deixar influenciar pelas tendências do público, das Editoras, das casas, é de dar muito valor, não só por o fazer mas por o fazer e no final ser a referência que é no mundo da música electrónica.

P – Como se definiria como Disc-Jockey ?

R – Como Disc-Jokey sempre me defini como um Disc-Jokey que trabalha muito para casa, sempre fui residente durante a semana e aos fins de semana trabalho com várias casas e isso dá-me algum conhecimento do público e facilidade para o perceber.

P – A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal procura valorizar as diferenças de Sotaque em Portugal e no Brasil. O que acha do Sotaque alentejano ?

R – O sotaque alentejano penso que é o sotaque mais carismático do nosso país, toda gente conhece e toda gente sabe imitar o sotaque alentejano.

P – E do Sotaque brasileiro ?

Para mim o sotaque brasileiro é quase como se fosse cantado, por vezes se retirarmos o significado das palavras e ficarmos só com a sonoridade parece que é uma melodia.

P – Já trabalhou com Disc Jokeys brasileiros ? Como correu a experiência?

R -Conheço alguns DJs brasileiros que vivem no Brasil, outros que vivem em Portugal, falo com alguns, mas ainda não surgiu oportunidade de trabalharmos juntos.

P – Gostava de mostrar a sua música no Brasil?

R – Claro que sim, o Brasil é um mercado cada vez mais apetecível, tem muito público, é o foco de muitos mercados agora pelo seu desenvolvimento nos últimos anos, toda gente sabe que os brasileiros são um povo que gosta muito de tudo quanto é festa e além disso para nós portugueses é um mercado onde não existe uma barreira linguística o que pode facilitar.

P – Profissionalmente qual é a pista de dança ou de Discoteca dos seus sonhos, onde desejaria mostrar o seu trabalho musical ?

R – Apesar de existirem “locais sagrados” cada vez mais me identifico com as pessoas que gerem os espaços e conceitos, porque os locais estão lá mas são o fruto da criação de alguém.

P – O que representa a música para o Moreno ?

R – Neste momento a música é “um dos elementos mais importante da minha vida”, juntamente com as pessoas que tenho mais perto de mim, isto porque eu sinto que tenho o prazer de trabalhar numa área que gosto, faço aquilo que gosto, o que cada vez é mais difícil e por isso trabalho todos os dias para que possa continuar a fazê-lo.

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R Marques

Santa Luzia celebrada em Portugal e no Brasil

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13 de Dezembro é o Dia de Santa Luzia. Uma Santa que não tem fronteiras e é celebrada em Portugal – Viana do Castelo é o caso mais significativo com a magnífica Basílica que se ergue na topo da Montanha da cidade – como no Brasil com festas de Santa Luzia em localidades como Luís António, em São Paulo, Baturité no Ceará ou Feriado Municipal como acontece nas povoações de Santa Luzia em Minas Gerais e de Santa Luzia na Paraíba.

A proliferação de terras com o nome de Santa Luzia, no Brasil, mostra a devoção que existe relativamente a esta Santa. Santa Lúcia de Siracusa ou Santa Luzia nasceu numa família rica e conta-se que se deslocou com a mãe, que sofria de graves hemorragias internas, à cidade de Catânia para visitar a Igreja onde se encontrava o corpo de Santa Águeda, que morrera por não se converter aos ídolos.
Lúcia adormeceu junto à Igreja, e terá ouvido o chamamento de Santa Águeda para que se dedicasse aos mais desfavorecidos. Esse episódio fez com que Lúcia e a mãe se dedicassem a ajudar os mais desfavorecidos, o que motivou a raiva do Imperador romano Diocleciano.

Primeiro foi feita prisioneira: no cativeiro foram usadas todas as artimanhas para convertê-la ao paganismo e desviá-la da fé cristã.
Queimaram-na e não morreu, então um soldado, a mando do imperador arrancou-lhe os olhos mas quando lhos ia entregar, nasceram-lhe dois novos olhos. Finalmente, o Imperador mandou decepar a cabeça de Santa Luzia no momento em que dizia “adoro a um só Deus verdadeiro, e a ele prometi amor e fidelidade”.

Por isso, Santa Luzia é a Santa da Visão, protectora dos oftalmologistas e daqueles que tem problemas de vista.

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R. Marques

1 de Novembro em Portugal

Dia-de-Finados-velasO Dia dos fieis é comemorado dia 1 de Novembro em Portugal 

Como é tradição o Dia de todos-os-Santos celebra-se em Portugal a 1 de Novembro e no Brasil comemora-se o Dia dos fieis a 2 de Novembro. É costume hoje a ida de milhares de portugueses aos cemitérios para velar pelos seus mortos, em vez do Dia 2, enquanto no Brasil essa tradição se cumpre nesta data.
A todos aqueles que honram os seus mortos numa data tão especial, em Portugal e no Brasil, enviamos uma calorosa saudação. A Morte não vence aqueles que honram a memória dos seus !!!!

R. Marques

Sotaques no Portugal Fashion

IMG_0051A Revista Sotaques está presente, como sempre, nos grandes Eventos que marcam as tendências em Portugal e no Brasil. Até sábado iremos estar no Portugal Fashion 2013, contando em primeira mão as grandes novidades da Moda nacional aos nossos seguidores em todo o Mundo.

Esteja atento porque o Sotaques está na Moda !!!

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R. Marques

Luan Santana afirma-se como ídolo em Portugal

shows-do-luan-santana-agenda-datasFoi com um espectáculo de luz, música e comunicação permanente com o público que Luan Santana confirmou a sua condição de ídolo em Portugal. O espectáculo do Coliseu do Porto não só revisitou  antigos êxitos como “Química do Amor” ou “ Um beijo” e apresentou  novas canções como “ Sogrão caprichou”, num Concerto onde a projecção de um Teaser com imagens do novo DVD “O nosso Tempo é hoje” assegurava um espectáculo visualmente deslumbrante.

Para além disso, antes e durante o Concerto, houve uma comunhão total entre Luan Santana e o público que encheu o Coliseu. Comunhão ao cantar as músicas, ao dança-las, ao querer estar próximo do seu ídolo, que nunca deixou de estar ali, em carne e osso, a mostrar aos seus fãs que também os respeita.

Já existem petições no Facebook com milhares de fãs para que Luan Santana regresse a Portugal. Esse é o destino dos ídolos e Luan Santana é, definitivamente, um ídolo musical incontornável no nosso país.

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R. Marques

Sotaques com nova imagem

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Neste 7 de Setembro de 2013 comemoram-se dois anos desde que a Revista Online Sotaques Brasil/Portugal foi criada. Para celebrar esta data tão especial decidimos mudar a nossa imagem, reformular o nosso logótipo e torna-lo mais apetecível para os nossos seguidores em Portugal e no Brasil.

Com um estilo moderno, apostando na valorização da criatividade e na cultura, a Revista Online Sotaques Brasil/Portugal consolida-se assim como um meio de comunicação e cultura essencial para os portugueses e brasileiros. Isto sem descurar o crescente interesse de outras nacionalidades, de África à América do Norte e Sul.
O Sotaques é, cada vez mais, um meio de informação, comunicação e cultura global. Estamos em múltiplas plataformas – Internet, Rádio ( através do programa Sotaques da Rádio Manobras que é emitido todas as terças entre as 18h00 e as 19h00) – e crescemos continuamente todos os dias.

Acompanhe-nos nesta Viagem sem fim nesta aventura da criatividade e da cultura luso-brasileira. Há sempre lugar para mais um no Navio Sotaques !!!

www.sotaques.pt – Uma Revista com estilo

Livro com Sotaques ” Desde que o Samba é Samba”

desde_samba_e_samba Livro com Sotaques desta semana é ” Desde que o Samba é Samba” do escritor brasileiro Paulo Lins. Simultaneamente, é uma História do Samba e uma ironia do destino.

Uma História do Samba porque acompanha a vida do pioneiro da primeira Escola de Samba, Estácio de Sá, e uma ironia do destino porque o autor morou na Rua Estácio de Sá e foi um seguidor apaixonado da Escola de Samba criada pelo mentor do Samba.

Também é uma Obra que aproxima Portugal e o Brasil, já que através da leitura descobrimos que a origem da família de Estácio de Sá encontra-se em Portugal, mais precisamente em Évora. Os trópicos e o calor juntam os brasileiros e os portugueses através do Samba.
Em síntese: ” Desde que o Samba é Samba” de Paulo Lins é uma óptima sugestão de leitura para este Verão. Com um Samba à mistura na praia, de preferência !!!

www.sotaques.pt – Leia o Mundo na Página do Sotaques

Festival Ritmos Mundo 2013

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Sotaques foi parceiro de comunicação do Festival Ritmos Mundo 2013

Foi com muito prazer que nos associámos, como parceiros de comunicação, ao Festival Ritmos Mundo 2013. Um Evento que decorreu entre 1 e 7 de Julho de  2013, em seis espaços culturais nobres de Vila Nova de Gaia, e que fomos  acompanhando  ao longo dos dias.

Sucederam-se vários Eventos culturais em áreas como a Música, o Cinema, a Poesia ou a Dança. Juntaram-se artistas portugueses e brasileiros em novas parcerias e espectáculos, num Evento inédito em Portugal, e que fez juz ao lema da Revista Online Sotaques Brasil/Portugal – ser uma Ponte cultural entre Portugal  e o Brasil.

Aos parceiros do Festival, patrocinadores, amigos, aos espaços que nos acolheram, um muito obrigado pela colaboração neste trabalho conjunto. À Ritmos e Temas, organizadora do Evento, um até já,  porque estamos certos de que a semente que foi lançada agora, germinará e colheremos novos frutos no Futuro.

Porque quando nos juntámos, somos muito mais fortes. E Portugal e o Brasil podem e devem juntar-se muito mais vezes.

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R. Marques

Sotaques renova a Imagem na Primavera

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A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal aproveita os ares da Primavera e renova a sua imagem. Proximamente, para além da Face visível que apresentamos – o site www.sotaques.pt e as várias ligações às redes sociais – iremos ter, mensalmente/bimensal, a Revista Sotaques em formato PDF, disponível para a leitura dos nossos leitores e seguidores, em Portugal, no Brasil e em vários locais do Mundo onde somos seguidos.

Uma Revista que valorizará sempre um Tema principal, e que versará, como é o Mote do nosso Projecto, criar novas Pontes entre Brasil e Portugal nas várias áreas da Cultura. Não faltarão novidades e surpresas, crónicas, seguimento de artistas e espectáculos, várias secções e rubricas, e entrevistas com figuras carismáticas da ligação luso-brasileira – a começar pelo nosso primeiro entrevistado ….

Além disso, a nossa Revista participará, activamente, como Parceira do Programa “ Sotaques” com Bernardino Guimarães, no 91.5 F.M da Rádio Manobras, todas as terças entre as 18h00 e as 19h00. Sentimos que faz todo o sentido que empreendamos esta viagem pelos Sotaques do Mundo, reafirmando-nos também nas Ondas da Rádio, como um meio de comunicação com uma vocação universal e cosmopolita.

A Primavera Sotaques será plena de novidades, crescimento e consolidação . E você, caro leitor e seguidor, prepare-se porque o melhor está para vir !!!!

www.sotaques.pt – Primavera Sotaques, Estação de Cultura e Inteligência ao seu Serviço

R. Marques

José Cid

                

José Cid

 Espectáculo de sabedoria musical de José Cid

A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal marcou, presença num muito especial Concerto de José Cid. Um dos músicos com uma trajectória mais longa em Portugal, desde o mítico Quarteto 1111 até às baladas da carreira a solo, reinventou-se mais uma vez e deu ao público uma performance plena de sabedoria musical e bom gosto.

Além dos clássicos da sua autoria  como “ Cai Neve em Nova Iorque”, José Cid recriou ícones do Jazz tradicional como “ Cry me a River” ou “ Stormy Weather”, que fazem parte do seu último trabalho discográfico. Em síntese: uma noite em que o artista mostrou-se em plena forma criativa, exibindo uma saúde artística que parece inesgotável.

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R. Marques

 

27 de Março: Dia Mundial do Teatro

                                                  Uma Arte que é a própria VidaPorto__s_Theatre_III_by_sculptedfailure

O Teatro é a Luz e a Sombra que acompanha todo o Homem desde a Pré-História. O  primitivo Homem das cavernas desenhava esboços de si e da Natureza, nas grutas e assim se reflectia, pela primeira vez, num palco improvisado, manifestando, rudimentarmente, o esboço primário dessa Arte de representação suprema que é o Teatro.

Posteriormente, já nas grandes Civilizações Clássicas como a Grega, o Teatro fazia parte integrante da Polis e do sentimento de profundo apego à cidade, aos seus valores políticos, morais  e culturais,  que uniam  os gregos. Desde as mais simples procissões em honra do Deus Dionisos – chamadas Ditirambos – à prodigiosa e complexa produção teatral de pioneiros da criação como Ésquilo, Sófocles, Eurípedes ou Aristófanes, foi  uma Escola de virtudes que glorificou  os feitos gregos e atenuou  as rivalidades entre as Nações Estado,  que coabitavam em Terras Helénicas.

No Fim da Idade Média e início do Renascimento, em Portugal, um nome elevou-se acima de todos os outros. Gil Vicente, considerado por muitos não só o pai do Teatro português, mas também Ibérico – já que também escrevia peças em castelhano. Nascido em 1644, a primeira obra de Gil Vicente, “ Auto da Visitação” foi representada na Corte perante o Rei D. Manuel I e D. Maria, na noite de 8 de Junho de 1502,  para festejar o nascimento do filho, o futuro D. João III, e os seus Autos, entre os quais, o “ Auto da Barca do Inferno” ou “ Auto da Barca do Purgatório”, nunca deixam de criticar a ordem social e religiosa dominante.

Outro nome fulcral na introdução da Cultura Renascentista em Portugal e na renovação do Teatro português, foi António Ferreira. Vivendo entre 1528 e 1569, notabilizou-se por escrever a primeira Tragédia do classicismo português, “ A Castro”, baseada nos amores fatais que uniram D. Pedro e D. Inês.

Já nos séculos XVIII e XIX, ocorre   uma enorme Revolução quer na Linguagem, quer nas próprias Instituições do Teatro português. No epicentro da mudança está João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett.

Simultaneamente, criador e autor de peças emblemáticas como “ Frei Luís de Sousa” ou “ Falar a Verdade a mentir” ou como ideólogo de novas Entidades como o Teatro Nacional de D. Maria ou o Conservatório de Arte Dramática.

No século XX português, atravessado por essa espinha cravada na Cultura e Criatividade nacionais  chamada Salazarismo, o Teatro não deixou  crescer e ganhar novas formas. Salientam-se, entre outros, autores como Raul Brandão, José Régio, José Cardoso Pires, Luís de Stau Monteiro  ou Bernardo Santareno,  actores

 

 

inesquecíveis como Ribeirinho, Vasco Morgado, António Silva, Amélia Rei Colaço, Eunice Munhoz, Ruy de Carvalho,   Luís Miguel Cintra ou Encenadores como o imortal António Pedro, imortalizado por Edgar Pêra no documentário “ O Homem Teatro” , Jorge Silva Duarte e Diogo Infante  e tantos outros – aqui deixo a minha homenagem a todos os que trabalham no Teatro, sejam profissionais ou amadores.

Do outro lado do Atlântico, no Brasil, o Teatro propagou-se  como veículo de comunicação e  evangelização dos Jesuítas. Foi um modo de dialogar com os Índios e divulgar o Cristianismo – são deste período, no século XVI, as obras do Padre Manuel Nóbrega “ Diálogo, conversão do gentio”, de 1557,  o “ Auto da Pregação Universal “, em 1567 e  “O auto de São Lourenço”, em 1586, ambas escritas pelo Padre José de Anchieta.

No século XIX, com a transferência da Corte para o Brasil, o Teatro ganhou nova vida. Nome incontornável é o do actor João  Caetano, impulsionador  da formação dos actores brasileiros e figura  ligada  a duas peças emblemáticas do Teatro brasileiro como “ António José” ou o “ O poeta e a Inquisição”.

A brilhante geração romântica de fins do século XIX e princípios do século XX, com ícones como Machado de Assis, José de Alencar ou  Castro Alves, também contribuiu com várias  obras para este género tão nobre e especial. Com uma escrita que abandonava  o romantismo mais ultra-montano e acolhia o realismo e a crítica social como pilares.

Finalmente, o século XX,  acentua essa tendência. Com Mestres do Realismo crítico como o inevitável  Nelson Rodrigues, Aruna Suassena ou Arnaldo Jabor e, claro, magníficos actores como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Marília Pera ou António Fagundes.

Em síntese, o Teatro, em Portugal, no Brasil, no Mundo, está de parabéns. A Arte da Vida, do Homem que se olha a si próprio, que se espelha na Linguagem e no Espaço ao longo dos Tempos,  está para durar, apesar de todas as  crises e de todos os certificados de Óbito, claramente exagerados, sobre a sua morte eminente: o Teatro  é eterno como o Homem que se interroga, todos os dias, pelo seu destino neste Planeta.

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R. Marques

Prémio FAPAS

lixxxParabéns a Luís Henrique Pereira pelo prémio FAPAS

A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal deseja enviar as suas felicitações ao Jornalista da RTP, Luís Henrique Pereira, e a toda a equipa do programa “ Vida Anima em Portugal e no Mundo” pelo prémio FAPAS (Fundo para  a Protecção dos animais selvagens), que foi atribuído no dia 27 de Fevereiro no Parque Biológico de Gaia . É um oportuno reconhecimento a um profissional incansável  que, através do documentário e da reportagem sobre a natureza, nos lembra a precariedade dos ecossistemas e a necessidade de os tratarmos com equilíbrio.

A todos os que trabalham no programa “Vida Animal”, e mais especificamente ao Luís que tivemos o prazer de entrevistar na Revista Sotaques, endereçamos as nossas felicitações e desejámos que persistam com o bom trabalho.

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R. Marques

O Sotaques leva-o a ver o Fantasporto 2013

429037_10151229900763215_1644652075_nO Fantasporto 2013 vai começar na segunda-feira e, como não podia deixar de ser, o Sotaques tem de entrar neste filme. Um Filme de sucesso que relata a criatividade daqueles que transformaram um Festival de Terror local  que dava os primeiros passos, nos anos 80, num fenómeno de popularidade, em Portugal e no estrangeiro, considerado pela Revista Variety um dos cinco maiores do mundo.

Nesta longa-metragem, plena de êxitos e de aplausos  da crítica e do público, que consagrou ícones da História do cinema como “ Blade Runner” ou “ Braindead”, não podia falta a Revista Sotaques. Por isso, faremos uma cobertura do Festival e mostraremos,  nesse grande cinema contemporâneo  que é a Internet, esta película  que é um  exemplo da força cultural do Norte país e da cidade do Porto.

Venha daí ver o Fantasporto 2013 com o Sotaques !!!

www.sotaques.pt – Veja o Fantasporto no Canal Sotaques

R. Marques

David Fonseca

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Sotaques divulga espectáculo musical de David Fonseca

A Revista online Sotaques Brasil/Portugal vai marcar presença no Concerto de  David Fonseca intitulado  “ Seasons: raising; falling” que se celebrará no próximo dia 9 de Março, às 21h30, no Coliseu do Porto. Assim os leitores do Sotaques vão conhecer em primeira mão os pormenores da nova aventura musical de um dos artistas mais criativos e inovadores das últimas décadas em Portugal.

De facto, David Fonseca dispensa apresentações. Músico que tem desenvolvido um percurso pautado pela coerência e o gosto por um estilo criativo e sem medo dos riscos, primeiro no grupo “ Silence 4” e posteriormente na carreira a solo, é um artista respeitado dos dois lados do Atlântico, com admiradores em Portugal e no Brasil.

Por isso, tínhamos a obrigação de estar com David Fonseca. Porque desejamos estar ao lado da música portuguesa de qualidade, facilitando a Ponte cultural entre portugueses e brasileiros.

www.sotaques.pt – O site dos Eventos com Sotaques da Língua Portuguesa

R. Marques

Deolinda editam novo Disco em Março

DeolindaOs Deolinda um dos grupos portugueses mais aclamados, em Portugal e no estrangeiro, regressam em Março com um novo Disco “ Mundo pequenino”. O sucessor dos  premiados “ Canção  ao lado” e  “ Dois selos e um carimbo”, foi produzido pela Banda e  pelo conceituado produtor britânico, Jerry Boys, vencedor de seis prémios Grammys.

Grupo que combina a tradição da música portuguesa com letras acutilantes que abordam o quotidiano – por exemplo, na emblemática música sobre a precariedade “ Que parva que sou” – os  Deolinda tornaram-se, em pouco tempo, num fenómeno de popularidade, que ultrapassou fronteiras. Aguarda-se, com expectativa, mais este  Disco da banda portuguesa que conquistou o mundo com a sua música ligada às raízes da cultura nacional.

www.sotaques.pt – Música com tradição e modernidade no seu site

R. Marques

O mais antigo jornalista do mundo

phpThumb E esta, hein?  O Sotaques homenageia o mais antigo jornalista do mundo

Nasceu em Vera Cruz, Aveiro, uma das grandes referências da História da  Televisão portuguesa – o inesquecível Fernando Pessa. Um Jornalista que nunca se reformou, sempre esteve no ativo, com as suas extraordinárias crónicas, cheias de ironia,  em que denunciava a falta de civismo e acabava, invariavelmente,  com a icónica frase “ e esta, hein” ? .

Foi considerado o Jornalista mais velho do mundo e teve uma vida centenária – nasceu em 15 de Abril de 1902 e morreu a 29 de Abril de 2002. Viveu os dois primeiros anos em Aveiro, mudando-se para Coimbra onde passou a infância e adolescência.

Trabalhou na área dos Seguros, em Portugal e no Brasil, antes de tentar a sua sorte num Concurso para locutor na  Emissora Nacional, em 1934. Venceu o Concurso e tornou-se o primeiro locutor da Rádio estatal, quatro anos depois foi para Londres trabalhar na secção brasileira da BBC, onde viveu em direto os bombardeamentos alemães na segunda guerra mundial – foi na capital inglesa , curiosamente, que conheceu a sua esposa, a brasileira  Simone de Alice Roufier.

Regressado a Lisboa vê-lhe vedada a reentrada na Emissora Nacional – devido à popularidade crescente da BBC que não era bem vista pelo Regime. Volta a trabalhar nos Seguros e  a fazer locução e drobagens em Documentários  de Manoel de Oliveira como “ O último temporal – cheias do Tejo” ou “  Portugal já faz automóveis”.

Mais tarde, em 1957, entra para a RTP,  e começa uma carreira que ganha a admiração geral. As suas reportagens na cidade de Lisboa, onde capta com um olhar atento e acutilante as contradições dos políticos, dos cidadãos, tornam-no num fenómeno de popularidade.

Entrou para os quadros da RTP em 1976, com 74 anos. Continuou a trabalhar até 1993,  e foi considerado o Jornalista mais velho do mundo em actividade.

Morreu em 2002 já com cem anos. Foi agraciado a nível  internacional pela Inglaterra com a Ordem do Império Britânico – pelo seu trabalho na BBC – e nacional com a Ordem do Infante D. Henrique e a Ordem do Mérito por Ramalho Eanes e Mário Soares.

www.sotaques.pt – Onde o Jornalismo é uma forma de Arte

R. Marques

 

Cantar as Janeiras

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Uma das tradições mais vivas em Portugal, na quadra natalícia e de fim de ano, é cantar as Janeiras. Grupos de pessoas percorrem as ruas, batem às portas, e cantam canções típicas da época, recebendo em troca as sobras de Natal – sobretudo doces ou dinheiro – das pessoas.

No fim do percurso, o grupo divide o pecúlio recolhido. Julga-se que esta tradição tem origem romana, já que para os romanos  Janeiro era consagrado a Janus,   Deus das portas e passagens e  porteiro dos céus, e os romanos saudavam-se nesta época para afugentar os maus espíritos das suas casas.

Em Portugal,  as Janeiras  fazem  parte integrante destas Festividades  tão especiais e prolongam-se de 24 de Dezembro, véspera do nascimento de Jesus até dia 6 de Janeiro, Dia de Reis. Também já foram imortalizadas pela música popular portuguesa através da  música de Zeca Afonso “ Natal dos Simples” .

www.sotaques.pt – Tradição e Modernidade com Sotaques

2013 cheio de novos Sotaques

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A Revista Online Sotaques quer agradecer aos seus leitores pelo acompanhamento que fizeram aos nossos conteúdos. Crescemos convosco, em Portugal e no Brasil, aumentamos a audiência, tornamo-nos numa referência incontornável nas relações entre portugueses e brasileiros.

Mas queremos fazer mais e melhor. Ser uma força positiva, optimista, que mostre a Força da nossa Cultura e Língua e de todos aqueles que a valorizam.

2013 vai ser um Ano cheio de novos Sotaques, novos conteúdos, que  estamos certos merecerão um renovado interesse dos nossos leitores. Viaje connosco e atravesse esta Ponte Cultural sólida e  poderosa que continuará a levar  o melhor de Portugal ao Brasil e do Brasil a Portugal !!!

www.sotaques.pt – Atravesse a Ponte Cultural que une Portugal e o Brasil

R. Marques

Alexandre Borges na Casa Saramago

Foto - Alexandre Borges
Alexandre Borges dá recital memorável na Casa Saramago

Ontem à noite o ator brasileiro Alexandre Borges, um artista  muito querido em Portugal,  proporcionou ao público que o foi ver à Casa Saramago um espectáculo inesquecível. Cruzando os textos e poemas de grandes  figuras  da Literatura  portuguesa e brasileira como Fernando Pessoa, o seu heterónimo Álvaro de Campos, José Saramago  e Vinícius de Moraes, o ator emocionou o público com uma leitura cuidada e mágica.

Foi uma grande noite para a Língua Portuguesa que cruzou os mares do Atlântico,  na voz forte e quente de Alexandre Borges.

www.sotaques.pt – Ouça a doçura da Língua Portuguesa

R. Marques

Jornalismo de excelência em nome da Mãe Natureza

0000 Entrevista com Sotaques: Luís Henrique Pereira, Jornalismo de excelência   em nome da Mãe Natureza

Ninguém fez mais pela divulgação televisiva  da vida natural em Portugal, nas últimas décadas, do que Luís Henrique Pereira. Este jornalista da Televisão Pública, nascido na cidade do Porto em 1970,  é o autor do programa “ Vida animal” da RTP, o único programa das Televisões portuguesas que, em permanência, nos revela as singularidades das várias espécies animais em Portugal e fora do nosso país.

O Sotaques falou com este repórter  global dos ecossistemas naturais, que mostra nesta conversa a sua paixão pela Amazónia e o Brasil, a sua ligação a ícones dos documentários como o mítico David  Attenborought,  e o seu compromisso firme em continuar a fazer Serviço público e aproximar os cidadãos da sua Mãe , a Natureza.

P –  “Vida Animal em Portugal e no Mundo” é um programa singular no contexto da Televisão Portuguesa. Como surgiu a ideia do programa e por que etapas passou até ser materializado?

L .H. Pereira – Desde muito pequeno que tenho fascínio pelos animais, pela vida selvagem. Recordo-me de ir para a que chamo de “Selva Urbana”, uma vez que nasci na cidade do Porto, e nos jardins capturar os animais mais variados entre abelhas, escaravelhos, formigas entre outros, devia ter nessa altura uns 8,9 anos. A ideia era só uma: observá-los mais de perto. Nessa altura,  coleccionava cromos de borboletas, mamíferos, insectos, peixes, enquanto que os meus amigos coleccionavam cromos de futebolistas ou corredores de Fórmula 1.

A seguir,  veio a fase dos livros que mais me marcaram. São exemplo disso :  “O Grande Livro dos Oceanos”, “A Vida na Terra” e o Planeta Vivo” de Sir David Attenborough, livros como “Os animais da Terra”,  as mais variadas Enciclopédias  da vida animal, tudo isso eu devorava.

Lembro-me de me levantar cedo, por volta das 7 da manhã,  aos fins-de-semana, para entrar nesse mundo encantatório que existia dentro dessas milhares de páginas dos mais variados autores como Jane Goodall,  que durante 40 anos,  estudou o comportamento dos chimpanzés em Gombe, na Tanzânia, Gerald Durrel, famoso divulgador e naturalista,  assim como o grande Félix Rodríguez de la Fuente. Outro dos meus adoráveis autores era, sem dúvida alguma,  Jacques-Yves Cousteau e o seu admirável “Mundo Submarino”.

Ora,  nos anos 70, 80 passavam na televisão algumas séries feitas por grandes cadeias internacionais de televisão como é o caso da BBC e,  em concreto,  a série de 13 episódios,  idealizada por Sir David Attenborough,  intitulada “A Vida na Terra”. Um sucesso mundial visto por mais de 500 milhões de telespectadores, em praticamente todo o mundo.

Lembro-me de nessa altura, ainda  não existiam  os primeiros vídeo gravadores, eu gravava junto ao altifalante do televisor o áudio dos programas com um gravador,  para a seguir reproduzir a narração e os sons,  a fim de “rever” as imagens do programa ou série.

Respondendo mais directamente à pergunta: entrei na RTP em 1994. De vez em quando,  lá ia fazendo um ou outro trabalho relacionado com a vida selvagem. Sempre entendi que a televisão, neste caso a RTP,  deveria ter desde o seu início uma unidade de História Natural, o que nunca aconteceu.

O “Vida Animal em Portugal e no Mundo”,  nasce como uma primeira série,  que juntava vários mini documentários em várias partes do país e do mundo. A partir daí,  deu-se a metamorfose e,  desde 2008,  que temos o PRIMEIRO PROGRAMA DA HISTÓRIA DE TODA A TELEVISÃO EM PORTUGAL DE PRODUÇÃO NACIONAL E EM CONTINUIDADE sobre vida animal, sobre vida selvagem.

Alimenta noticiários na RTP 1, o próprio programa na RTP Informação e RTP Internacional…enfim, praticamente é visto em todo o mundo,  através também dos canais e das antenas internacionais da RTP. No espaço de 5 anos,  já produzimos 140 documentários, entre formatos de 20 a 25 minutos e (a maior parte) formatos que não ultrapassam os 10 minutos.

A ideia, a minha ideia é acabar os meus dias a fazer documentários sobre a vida selvagem. É esse o meu grande objectivo em termos profissionais.

P – As questões relacionadas com a biodiversidade acompanharam a sua formação jornalística e pessoal ? Desde quando são temas que lhe interessam ?

L.H.Pereira – Posso dizer que desde sempre. Estudei na área de saúde, no Secundário,  que era a única que dava acesso à Biologia, ora eu sempre quis ser biólogo, mas a matemática não deixou, como costumo dizer, mas ainda bem.

Perdeu-se o biólogo,  ganhou-se o jornalista, um conservacionista, um naturalista e investigador, licenciado em Ciências da Comunicação (com média de 15 valores),  e com um Projeto Científico Final de Graduação intitulado “Vida Selvagem em Documentário”, que me valeu 19 valores como nota final.

Vai de resto agora ser passado a livro, também ele um guia pioneiro para os que querem enveredar por este mundo,  uma vez que se trata de uma recolha exaustiva dos conselhos e das técnicas dos mais prestigiados produtores,

realizadores, guionistas e autores de documentários da vida selvagem em todo o mundo. Muita bibliografia e outra tanta filmografia. Quase dois anos de trabalho de investigação e pesquisa.

P – Quem foram os seus modelos ou referências televisivas que o estimularam a desenvolver este programa?

L.H.Pereira –  Sem dúvida,  a escola da BBC, o chamado formato “Blue-Ship”: é uma filosofia  em que   há claramente o  máximo de ética, de espera, de brio, e da procura DA imagem, não DE UMA imagem. Sir David Attenborough,  que já tive o prazer de entrevistar em exclusivo para a RTP,  foi desde sempre para mim “A referência”.

A ideia de levar o espectador ao cenário e não o cenário ao espectador. Esse é ,para mim,  o maior desafio e quando é bem  conseguido, a maior das conquistas.

P – Como vê o estado da conservação da Vida Animal em Portugal?

L.H. Pereira – Não temos grande tradição no que à conservação da natureza diz respeito, ao contrário, por exemplo,  dos nossos vizinhos espanhóis. “Conseguimos” extinguir praticamente o Lobo Ibérico do nosso território, a Águia-real no Parque Nacional da Peneda Gerês, o Lince Ibérico…e  por aí fora.

Não há efectivamente, em minha opinião,  uma Legislação que possa, por exemplo, dissuadir os caçadores furtivos, os nossos Parques Naturais carecem de vigilância mais apertada, há na minha opinião tudo ou quase tudo por fazer e o que se faz…pelos vistos é raro resultar. É com muita mágoa que o digo, acreditem! Muita.

P – Quais são as espécies animais ameaçadas no nosso país? Sente que as autoridades têm desenvolvido um trabalho meritório na sua preservação?

L. H. Pereira – Infelizmente há muitas. Vou dar dois exemplos em que o Estado pouco ou nada interveio no sentido de “dar a mão”,  no sentido de salvar duas espécies. A Primeira é uma ave, o Priolo que só existe na Ilha de S. Miguel, nos Açores, o outro,  o cagarro, também ele ave,  que se encontra em território açoriano, depois a rola-brava que a sobre – caça quase fez desaparecer.

Entre as muitas Entidades que lutaram e  continuam a lutar,  para evitar que espécies como estas não desapareçam para sempre do nosso território  está, por exemplo,  a “Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves”, a “Associação Ambientalista Quercus”, entre outras.

Têm muito trabalho feito no terreno,  e lá vão pressionando os governantes a olharem com mais atenção as temáticas ambientais.

P – Tem uma ligação forte ao Brasil e um conhecimento das paisagens naturais mais conhecidas mundialmente como o Amazonas. O Brasil é um país especial em termos de riqueza natural de espécies animais e vegetais?

L.H. Pereira – Quando estamos a falar,  por exemplo,  da Floresta Amazónia, estamos a falar de algo que sabemos muito importante, mas que conhecemos muito mal. Seis milhões de quilómetros quadrados de verde, o tamanho de meia Europa…inacreditável !!!

Acredita-se que só estejam descobertas apenas 20 por cento das espécies de animais e plantas que lá habitam. Fantástico.

A Amazónia Brasileira,  onde tive o grande prazer de estar e conhecer apenas “uma ínfima gotinha”, assim como a Amazónia Colombiana e Peruana, são um MUNDO. Não há palavras para descrever tanta maravilha junta, não se conseguem encontrar palavras. Impossível.

P – A Revista Online  Sotaques aposta na divulgação dos vários Sotaques portugueses e brasileiros. Ao longo das suas reportagens, em Portugal e no Brasil, qual foi o Sotaque que mais o surpreendeu ?

L.H.Pereira – O sotaque nordestino, gosto particularmente de sotaques também aqui em Portugal, sou também um apaixonado por vozes! Enfim uma outra paixão “oculta”.

P – E o Sotaque do Luís Henrique Pereira?  É tipicamente tripeiro ou tem outras influências?

L. H.Pereira – Repare:  eu fiz rádio e tenho ampla formação na colocação de voz, respiração, postura etc. Mesmo nascido no Porto há muita gente que garante que nasci em Lisboa! Mas eu acho que o meu sotaque é praticamente inexistente, em todos os sentidos.

P – Que paisagem, em Portugal e no estrangeiro, mais o deslumbrou no decorrer do programa ou nas suas viagens como turista?

L . H. Pereira -Respondo com uma palavra:Amazónia 

P – O Luís trabalha na redacção do Porto da RTP, nos estúdios localizados no Monte da Virgem, em Gaia. O Porto e Vila Nova de Gaia são bons exemplos a nível de respeito pela diversidade natural e animal?

L.H.Pereira  –  Resido em Gaia e em Espinho. Em Gaia tem havido nos últimos anos um esforço enorme em prol do ambiente e da educação ambiental.

No espaço de 8 anos, por exemplo,  80 por cento do saneamento estava por fazer. Hoje rara será a habitação que não o tem. O Parque Biológico de Gaia tem-se expandido, tem implementado um enorme esforço na criação de novos espaços verdes na cidade.

As melhores praias de Portugal  são as de Vila Nova de Gaia, no que à qualidade das areias e das águas diz respeito.

Para trás,  há um imenso trabalho ligado ao saneamento e construção de ETAR´s,  que depois vem dar ao concelho bandeiras azuis, acho que são 17 praias para 17 bandeiras azuis. Gaia é, de facto,  um bom exemplo no que à preservação ambiental diz respeito,  e também na  à constituição de novos projetos ambientais.

P – Que locais, no Porto e em Gaia, recomenda para os amantes da natureza fazerem uma visita?

L.H.Pereira  – Em Gaia  desde logo o Parque Biológico e a obra que lá está,  que remete o visitante também para a restante obra ambiental no Concelho. A Reserva Natural Local do Estuário do Douro, a primeira a nascer em Portugal.

No Porto, a Zona da Foz e o Parque da Cidade,  a par de outros Jardins maravilhosos como a casa Andresen e a Quinta da Macieirinha, junto à Sé,  por exemplo. Outros dos meus locais de eleição é o Passeio Alegre e as suas palmeiras,  que nos remetem para um exotismo tropical encantatório.

Era, de resto, o lugar predilecto do falecido poeta portuense Eugénio de Andrade.

P – Que opinião tem das paisagens do Douro e da região Duriense?

L.H. Pereira – Apaixonei-me eternamente pelo Douro, especialmente pelo “Canyon” do Douro Internacional. Absolutamente recomendável! Imperdível. Mágico!!!! 

P – Relativamente aos animais que filmou. Qual ou quais foram os que mais o impressionaram?

L.H. Pereira –Adoro aves, por isso diria que, se fosse um animal,  adoraria ser uma Águia-real ou então um golfinho, animais que filmei e que observei em estado selvagem com tempo e paixão.

P – Existem lugares onde gostaria de gravar o seu programa e aonde ainda não foi. Quais?

L. H. Pereira – Muitos…Muitos…Muitos. Deixo apenas dois exemplos: Bornéu e Papua Nova Guiné, para ver “cara a cara” as maravilhosas aves do paraíso.

P – Se lhe pedissem para fazer um programa que representasse o Planeta Terra como um todo, qual seria o lugar que escolheria para filmar?

L.H. Pereira – Boas parcelas dos fundos marinhos, uma vez que pelos visto conhecemos melhor o espaço do que as nossas profundezas oceânicas e,  por outro lado,  todas as zonas de Montanha que me fascinam,  e que remetem também não só para a vida selvagem mas para a História Natural,  para as alterações de que o planeta foi alvo ao longo de muitos milhões de anos.

P – O que representa a natureza para si?

L.H.Pereira – A Mãe…como todos lhe chamamos. Dela fazemos parte. Só que nunca demos conta disso.

R. Marques

http://www.sotaques.pt

Sotaques entrevista jornalista da RTP

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Entrevista com Sotaques com o Jornalista da RTP, Luís Henrique Pereira

Não perca na próxima segunda-feira uma entrevista que fizemos com o Jornalista da RTP, Luís Henrique Pereira, autor e apresentador do programa “ Vida Animal”. Saiba tudo sobre o único programa da Televisão em Portugal, dedicado às temáticas das espécies animais, e conheça melhor o seu autor, um amante da Amazónia que revela, a cada resposta, a sua profunda paixão e compromisso com a divulgação e preservação da Mãe Natureza.

www.sotaques.pt – Entrevistas com Sotaques, entrevistas com alma e coração

R. Marques

 

 

Katherine Mateus, retrato de uma escritora apaixonada

Foto EntrevsitaEntrevistas com Sotaques: Katherine Mateus, retrato de uma escritora apaixonada

É um  jovens valores da Literatura portuguesa mas também  é, claramente, uma mulher apaixonada. Pela escrita, pelas pessoas, pela música, pela vida.

Acompanhe-nos nesta viagem, com Sotaques,  pelo universo de uma escritora que procura, antes de mais, a Liberdade como máxima para a  escrita e a existência.
P – O que é diferencia ” O amor entre mulheres”  de todas as outras relações?

R – Julgo que o amor é universal. O que quis mostrar nesta obra “ Amor entre mulheres II”  é que há duas fases na relação amorosa – uma primeira de paixão intensa e uma segunda em que o amor entra na rotina, começamos a notar os pequenos pormenores.

Interessa-me muito esse outro lado, mais cruel, do amor do qual evitamos falar.

P- O que é o amor para a Katherine Mateus  ?

R – O amor é um sentimento vital. Não é um mar de rosas nem um conto de fadas como muitas vezes se retrata, mas é algo que nos torna mais humanos.

Para mim,  quer na escrita, quer na vida, o amor é uma presença forte que sinto em tudo o que faço.

P- Da sua biografia ressalta o facto de ter nascido na Venezuela. Essa origem reflectiu-se a nível da sua escrita e filosofia de vida  ?

R – Talvez o facto de vir de um país com mais calor, com uma mentalidade mais aberta tenha influenciado a minha escrita. Acho que em Portugal ainda há uma sociedade muito estereotipada,  e os meus livros procuram mostrar os temas polémicos que ninguém quer abordar devido à moralidade vigente.

P – Mantêm ligações com a Venezuela ? 

R – Sai da Venezuela quando ainda era criança, mas mantenho ligações familiares lá.

P- Como surgiu a escrita na sua vida ? Foi uma vocação ou uma descoberta tardia ? 

R – Mais ou menos. Quando era criança gostava de ler histórias,  mas julgo que foi a partir da adolescência, com a leitura obrigatória dos Maias de Eça, que comecei a ficar encantada com as frases e a desejar, intimamente, escrever.

Mais tarde fui escrevendo e guardando o que escrevia na gaveta. Até que um dia decidi arriscar e mostrar os meus escritos. 

P – Está a escrever algum livro novo ? 

R – Sim. O tema que escolhi é o da violência doméstica que, infelizmente, só se fala uma vez por ano, muitas vezes quando já é muito tarde. Quero mostrar neste novo livro os dois lados – o do agressor e da vítima – e fazer despertar consciências para uma questão que tem de ser sempre debatida e confrontada.

P- O que é que a inspira para escrever ? 

R – Inspira-me sobretudo o mal que há na sociedade. Olho à minha volta e sinto um grande mal estar em relação a determinados temas, e procuro abordá-los sem preconceitos, de um modo radical, que acho que é salutar.

Escrever é uma forma de expressar essa reação perante situações com as quais não concordamos.

P – Que escritores ou escritoras foram referências  para si ? 

R- Antes de mais Júlio Dinis. Já li e reli várias vezes a “ Morgadinha dos Canaviais”, aliás,  vivo num local perto de onde ele se terá inspirado para escrever a Obra.  Admiro muito também  António Lobo Antunes, a forma de escrita tão especial, e igualmente o José Luís Peixoto.

P- O Sotaques valoriza a Língua e as suas diferenças. A Katherine sentiu muitas diferenças no seu Sotaque, pela influência da Venezuela,  quando veio viver para Portugal ? 

R – Como referi numa resposta anterior, vim muito nova para Portugal por isso não senti tanto essa diferença no Sotaque.

P- Que Sotaques portugueses admira ? 

R – Talvez por ser do Norte sempre me chamaram mais  a atenção os Sotaques do Norte – o Sotaque tripeiro, de Trás-Os-Montes e do Minho- embora também ache curiosos outros Sotaques como o Alentejano ou o Açoriano.

P- E Sotaques brasileiros ? 

R – Adoro o Sotaque brasileiro. Parece-me tão musical, os brasileiros falam a cantar e adorava falar com Sotaque brasileiro. 

P – O Brasil é um país onde gostaria de apresentar os seus Livros ? 

R – Gostava imenso. Tenho família em Copacabana e,  além disso,  teria uma certa curiosidade como os brasileiros reagiriam à minha escrita e aos temas de que falo.

P – Fora da Literatura como é a  Katherine Mateus ? Que atividades desenvolve ? 

R – Tenho uma ligação forte à música e a outras formas culturais. O ensino e a pedagogia são também atividades que me fascinam pela importância que a formação artística tem no desenvolvimento dos mais jovens.   

P- Como vê Portugal, atualmente,   na área cultural e literária ?

R – Estamos a atravessar um momento complicado. Para mim, o essencial é que perdemos as referências éticas e morais ao subordinar tudo à economia.

Não vivemos bem connosco próprios e temos de nos reencontrar. Nesse sentido, a Cultura desempenha um papel fundamental nessa busca interior de saídas para a crise.  

P- Uma escritora sonha com os seus livros ou só pensa neles quando os escreve ?

R – Já me aconteceu a meio da noite acordar e pensar numa frase, numa situação, num momento que ocorreu durante o dia, que achei que seria interessante aparecer num livro.

Quando escrevemos,  ficamos mais atentos ao que nos rodeia. A Literatura, no fundo, alimenta-se das nossas experiências pessoais.

 P- Que Livro ideal  gostava de escrever no Futuro ? 

R – Não tenho propriamente um livro ideal em mente. Gostava de continuar a escrever,  e que cada vez mais  leitores se identificassem com os temas que abordo.

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R. Marques

“Jonas Vai Morrer” de Edson Athayde

jonas capa 2 2ª edição

Livros com Sotaques: “ Jonas Vai Morrer ” de Edson Athayde

O nosso  Livro com Sotaques desta semana  é a obra de Edson Athayde “ Jonas vai  morrer”. Uma obra escrita no âmbito de uma residência artística em Guimarães Capital Europeia da Cultura  deste criativo e publicitário brasileiro, com uma carreira de sucesso em Portugal e Brasil, e uma ligação muito forte ao nosso país.

Guimarães é precisamente o palco onde se desenrola a acção da narrativa. Pedro  nasce e vive em Guimarães e sofre de um problema de falta de memória, sendo confrontado com a descoberta de uma obra escrita sobre  uma personagem  chamada Jonas.

A única informação que possuímos é  que Jonas irá morrer e vamos assistindo à investigação quase  policial  de Pedro sobre esta invulgar personagem, sobre o misterioso narrador do livro, ao mesmo tempo que assistimos a uma reflexão de Pedro sobre si próprio. É um livro com Sotaques cuja leitura recomendamos.

R. Marques

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Restauração da Independência

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1 de Dezembro dia da Restauração da Independência

A Restauração da Independência é a designação dada à revolta dos portugueses, iniciada em 1 de Dezembro de 1640, chefiados por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou

 por todo o país, contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da 4.a Dinastia Portuguesa que parte da casa de Bragança. É comemorada anualmente em Portugal por um feriado no dia 1 de Dezembro. É considerado o dia da Independência.

Fonte. Wikipedia

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A Bahia e as Beiras

O mês de Novembro vai ser marcado pela relação muito especial que existe e, muitos portugueses e brasileiros desconhecem, entre a Bania no Brasil e as Beiras em Portugal. Antes de mais, pelo facto de Pedro Álvares Cabral, o comandante que aportou ao Brasil em 1500, em Porto Seguro na Bania  ser natural de Belmonte, no Distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa, mas também pela emigração desta Região portuguesa para a Baía.

As Beiras abrangem cidades como Coimbra, Aveiro, Leiria, Santarém, Tomar ou Castelo Branco abrangendo do Litoral ao Interior português. A Baía é um Estado com uma História riquíssima, com a mais extensa Zona marítima do Brasil e o sexto maior PIB do país.

Vamos falar da Literatura, das Cidades,  da Gastronomia, da História, da Cultura, da Língua. De tudo o que nos liga e faz com que, estando tão longe, estamos tão perto um dos outros,

Ao longo deste mês,  vamos revelar as linhas da História desconhecida que se cozem entre estas duas Regiões. Esteja atento(a) porque não vão faltar surpresas !!!

 www.sotaques.pt – Páginas de História viva com Sotaques 

           

 

R. Marques

Livros com Sotaques

“ El Imperio eres tu ” de Javier Moro 

O Livro com Sotaques desta semana dedicado ao Rei D. Pedro I é a obra do escritor espanhol  Javier Moro “El Imperio eres tu”. Uma obra que venceu o mais prestigiado prémio literário espanhol, o Prémio Planeta, em 2011,  e que lança um olhar peculiar, exterior à análise que os historiadores portugueses e brasileiros   fazem sobre a vida de D. Pedro.

Uma vida cheia de contradições entre o homem e o Rei, o homem que teve sucessivas amantes, contraditório, e o Monarca que respeitou as Cartas Constitucionais  e lutou pela liberdade no Brasil e em Portugal,  numa era de Reis absolutos. Essa riqueza biográfica é a que torna D. Pedro numa personagem única e,  que merece ser não só tema de obras de Literatura como objeto de filmes, de reportagens, de uma visão mais aprofundada.

Aqui fica a nossa recomendação,  de um Livro com Sotaques,  que nos mostra as luzes e as sombras de D. Pedro I. Junto com um desafio: precisamos todos de conhecer melhor quem  foi D.Pedro, porque só assim nos conheceremos melhor enquanto povos e indivíduos.  

 www.sotaques.pt –  Descubra os novos Mares da Cultura que ligam Portugal ao Brasil  

 R. Marques 

Patubatê: muito mais que uma Banda de música, uma Escola de vida

A música é muito mais que a música. É uma Escola de valores sociais, educativos, ecológicos, é sobretudo  um meio para nos afirmarmos como cidadãos.

Um exemplo claro desta filosofia de vida, é o grupo Brasileiro Patubatê: constituído por cinco músicos, a banda nasceu em 1999, em Brasília, com o objectivo de aliar a educação e formação – através de Oficinas onde ensinam a reciclar os instrumentos que são usados nos Concertos – com os espetáculos onde tudo, desde latas a baldes e peças de automóveis, serve como letra de música de  uma sinfonia perfeita e sustentável.

O Sotaques falou com este grupo de  invulgar criatividade e, quis saber quais os segredos de um conjunto,  que foi a banda de música que representou Brasília na Arena Sócio- Ambiental no Evento Ecológico  global Rio + 20, e que tem conquistado a admiração dos amantes da Música em todo o mundo.

 

P –Estiveram em Portugal, em Setembro, para atuarem em vários espetáculos . Que balanço fazem dessa digressão ? 

R – Fazemos um balanço muito positivo: foi uma oportunidade para difundirmos a Cultura Brasileira de uma forma não tradicional e surpreendente para o público Português. Além dessa forma inusitada, procuramos passar os conceitos das nossas Oficinas, que é uma forma de interação com o público, e onde ficam a conhecer melhor o nosso trabalho.

O público português foi muito receptivo quer à nossa música, quer à mensagem social e ecológica que as nossas Oficinas representam e, por isso, sentimos muito apoio e carinho.  

P – Que impressão tem do público português ?  

R -Um público muito agradável, educado e atento ao que fazemos. Um pouco tímido, diferente do Brasileiro, mas vão interagindo à medida que vamos apresentando o Show. 

P – Os valores ecológicos são incontornáveis na vossa música. Como surgiu esta consciência no vosso percurso musical ?  

R– Desde o início, em 1999, temos essa preocupação de usar material reaproveitado para a confeção da nossa arte. Queremos provar que podemos fazer música, artes plásticas e cênicas, utilizando formas alternativas. Conseguimos desde o início utilizar recursos baratos e às vezes até gratuitos, reaproveitar material que iria para o lixo ou material que tem uma outra utilidade e fazer disso a nossa arte. 

P – Atuaram na arena ecológica da Conferência Rio 2012, interpretando o hino brasileiro. Como correu a experiência e que balanço fazem da própria Conferência do Rio ?  

R – A Conferência deixou muito a desejar no âmbito governamental, mas ficamos muito contentes de saber que existem várias Organizações Não Governamentais que estão agindo de maneira contundente na sociedade. Foi uma emoção ímpar tocar num  Evento de tamanha importância,  e contribuir um pouco para a formação de uma nova consciência mundial. 

P – A educação é fundamental na vossa performance musical – através das oficinas  em que se fazem os próprios instrumentos que se vão tocar. Como vêem o papel da educação e formação musical na evolução dos jovens, sobretudo daqueles  de classes mais desfavorecidos ?  

R – De acordo com as nossas experiências  pelo mundo  fora, vemos que a formação musical e artística têm desenvolvido um  papel de suma importância na formação dos jovens, pois exalta valores e conceitos que, no mundo de hoje, se têm perdido um pouco. Trabalhamos valores como  o respeito ao próximo, a valorização do trabalho em grupo, a cooperação entre os indivíduos,  e tudo isso voltado para a  realidade de cada comunidade onde passamos. Procuramos incentivar os jovens, que são menos favorecidos, a fazer o seu próprio trabalho, com os recursos que estão ali no seu dia a dia,  e não ficar à espera  do momento ou da situação ideal para que isso aconteça.

P – O Sotaques Brasil/Portugal aposta no aprofundamento da ligação entre os criadores portugueses e brasileiros. Gostavam de desenvolver parcerias com músicos portugueses ?  R – Sim, gostaríamos muito de desenvolver um trabalho onde os  músicos portugueses pudessem contribuir um pouco para a música do PATUBATÊ. Costumamos dizer que a música do PATUBATÊ é uma música do Mundo,  e estamos abertos para aprender novas linguagens e sotaques.

P  São naturais de Brasília. Como está o panorama musical na capital do Brasil ?  

R – Nos últimos anos,  o panorama musical Brasiliense tem melhorado muito! Estamos exportando vários trabalhos pelo mundo a fora,  e importando muita música de qualidade. Os artistas de Brasília têm uma Associação de Artistas, chamada Ossos do Ofício – Confraria das Artes, que tem desenvolvido um trabalho muito importante de divulgação da Cultura Brasiliense para o mundo. 

P – Os habitantes de Brasília possuem um Sotaque  particular ? Quais são as suas características ?  

R – Ainda não temos um sotaque específico de Brasília, por ser uma cidade de apenas 52 anos e o povo que lá vive ser de várias regiões do país. Ainda temos muitas pessoas de outros locais do mundo, por termos as Embaixadas todas lá e então o sotaque ainda está sendo formado. 

P- O que acham do Sotaque português ?  

R – É um sotaque muito interessante. Costumamos dizer que é um Português bem “ dizido” ( Rsrsrsrs ). Não falamos como os portugueses, perdemos muito do que falam, mas admiramos bastante. 

P – Qual vai ser a vossa agenda nos próximos meses e que objectivos gostavam de atingir em 2013, através da vossa música ?  

R – Estamos com shows marcados em alguns estados do país como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Goiás, Rio Grande do Sul e em nossa capital, mas além desses shows temos os nossos projetos de Oficinas Itinerantes, Oficinas com os Catadores de Lixo e Formação da Banda dos mesmos, projeto para a Copa do Mundo no Brasil e o lançamento do DVD “ RUÍDO SONORO”, em Outubro no Brasil e em 2013 em Portugal e países em que o PATUBATÊ passar e for convidado. O DVD foi gravado na construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, onde serão realizados jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014.

ww.sotaques.pt – Tocamos  a Sinfonia da sua Cultura

 R. Marques

Sabores e Paladares – Bacalhau à Braz

Sabores e Paladares de Lisboa : Bacalhau à Braz

O Bacalhau é um dos pratos que têm suscitado a criatividade culinária dos portugueses. Por exemplo, no Porto nasceram  o Bacalhau à Gomes de Sá e o Bacalhau à Zé do Pipo, criados por dois cozinheiros da cidade Invicta  que baptizaram esses pratos com o seu nome, enquanto em Lisboa foi criado o Bacalhau à Braz por um  um Taberneiro do Bairro Alto chamado Braz.

Consiste na junção de Bacalhau desfiado, batata frita e ovo mexido sendo muito popular em Portugal e em Macau. A sua fama já atravessou fronteiras e é consumido em muitos restaurantes espanhóis.

R. Marques

www.sotaques.pt – Saboreie uma bela  refeição no melhor menu da Internet

Parceiros com sotaques

Parceria entre Sotaques e Raquel Melo

O Sotaques estabeleceu uma Parceria com Raquel Melo. A nossa nova parceira tem créditos firmados nas áreas do marketing digital e da valorização empresarial nas redes sociais.

Nascida em Cantanhede em 1977, Raquel Melo  é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, complementada  por uma Licenciatura em Estatística e Gestão da informação na  (ISEGUI/Universidade Nova de Lisboa) e, um Mestrado em Publicidade e Marketing,  na Escola Superior de Comunicação Social  de Lisboa.

Profissionalmente,  trabalhou como Jornalista na TSF e ,  actualmente,  é responsável pelo  marketing e a  ligação às redes sociais na Multinacional Mecalux-Logismarket em Portugal, além de desenvolver o blogue http://www.raquelmelo.com e o site http://www.b2bnetwriters.pt/ sobre estas temáticas.

É, portanto, com satisfação que anunciamos esta parceria com uma profissional reconhecida no meio do empreendedorismo e marketing digital nas redes sociais. Uma área que representa o presente imediato para as Empresas, em Portugal e no Brasil,  e para o desenvolvimento das nossas economias.

Sotaques Brasil/Portugal e Raquel Melo – Parceiros com o Sotaque do empreendedorismo nacional na economia global.

Semana Joanina

Semana Joanina no Sotaques

Esta é uma semana muito especial para Portugal e o Brasil por causa das Festas de São João. Em Portugal, o São João comemora-se, sobretudo no Norte do país, nas cidades do Porto e de Braga e, no Brasil, são várias as localidades onde o São João está arraigado.

Falaremos, nos próximos dias, na origem histórica desta festa tão importante no calendário cristão. Mas também traçaremos o paralelismo entre o São João que se celebra em Portugal e o Brasileiro, que já faz parte da história e da identidade de várias regiões brasileiras.

Estejam atentos porque não vão faltar motivos de Festa e celebração no Sotaques.

Sotaques Brasil/Portugal  – uma festa da nossa cultura e identidade comum.

 

Chico Buarque de Holanda

Aniversário de um génio da Música e da Literatura

Chico Buarque de Holanda faz hoje 68 anos. Chico,  o génio das letras, das músicas entoadas por gerações, admiradas e cantadas  por outros grandes nomes da música popular como Caetano Veloso ou Maria Bethânia, Chico,  o escritor que venceu os mais importantes prémios literários do Brasil. Carioca nascido em 19 de Junho de 1944, era filho do grande historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda e, desde a juventude, sentiu uma grande atracção pela música e pela literatura.

Escreveu o primeiro conto aos 18 anos e lançou-se, na música, em 1966,  com o seu primeiro Álbum “ Chico Buarque” e, venceu o Festival de música popular brasileira,  com a música “ A Banda”. A partir daí afirmou-se como um dos ícones da música brasileira e de língua portuguesa.

Músicas como “ Construção”, “ Que será, que será”, “ A Banda” ou “ Tatuagem” fazem parte do património musical brasileiro, suscitando uma grande admiração no Brasil, em Portugal e um pouco por todo o mundo. Revelam não só um grande cantor mas um exímio compositor e um combatente corajoso  pela Liberdade – Chico contestou, abertamente, a Ditadura militar.

A par da sua carreira musical, está a sua afirmação como escritor. Venceu três prémios Januti, um dos mais importantes prémios literários brasileiros – em 1992 com “ Leite Estorvo”, em 2004 com “ Budapeste” e em 2010 graças a “ Leite Derramado”.

Como Fernando Pessoa, Chico Buarque tem o dom dos génios. O de multiplicar o seu talento em várias áreas, ser várias pessoas ao mesmo tempo – músico, escritor, mito cultural vivo da Língua portuguesa.

R. Marques

Dois talentos do humor português

O humor excepcional de Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl

Podemos ouvi-los nas manhãs da Rádio comercial, um na sua rubrica “ Mixórdia de temáticas” e o outro na “Caderneta de cromos”. Dois talentos do humor português,  que se revelam legítimos herdeiros de Raul Solnado ou Herman José.

Ricardo Araújo Pereira ficou mais conhecido do público brasileiro por uma  entrevista que deu, este ano, no programa do Jô,  onde mostrou toda a sua irreverência. Nascido em Lisboa em 1974, licenciou-se em comunicação social na Universidade Católica,  tendo começado a trabalhar como Jornalista na redacção do Jornal de Letras e Artes – entrevistou, por exemplo, o escritor chileno Luís Sepúlveda,  que disse que aquela tinha sido a melhor entrevista que lhe fizeram na vida.

Posteriormente, entrou como argumentista na agência criativa produções fictícias, começando a colaborar mais directamente com Herman José nos programas “ Herman 98”, “Herman 99” da RTP  e o “Programa do Herman” na SIC. Também passa a actuar em palco no programa “ Levanta-te e ri” e,  é neste meio, que conhece Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis, que passarão a ser os seus parceiros no Projecto Gato Fedorento.O sucesso alcançado, primeiro na Sic Radical e, mais tarde, na RTP e SIC, transformam Ricardo Araújo Pereira num ícone do humor em Língua portuguesa. Este ano foi convidado para o Festival de humor Risadaria de São Paulo, entrevistado por Jô Soares e conquistou o público brasileiro com a mesma brilhantez com que é admirado em Portugal.

Nuno Markl é amigo e colega de Ricardo Araújo Pereira. Também começou a trabalhar como Jornalista na Rádio  Correio da Manhã e na Rádio comercial – foi nesta estação que apresentou o seu programa “ O homem que mordeu o cão”, que teve grande sucesso e foi transmitido na TVI e representado em Teatros.

Paralelamente à Rádio, Markl apresentou, ao lado de Fernando Alvim, o programa “ O perfeito anormal”, no qual actuaram em várias ocasiões os Gatos fedorentos. Passou pela Antena 3,  antes de regressar à Rádio Comercial onde apresenta a “ Caderneta de cromos”, uma divertida colecção de figuras dos anos 80 e 90, ligadas à música, à banda desenhada, à Televisão e Cinema, que é acompanhada por uma legião de fãs.

Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl são a prova viva de que os portugueses são um povo com muito sentido de humor.

R. Marques

 

Camões: o canto de um imenso Portugal

Foi assim. Como um milagre terreno, impossível: um país pequeno, periférico, empurrado pela vizinha Castela, que se fez ao mar à procura de si próprio, da sua identidade.

Luís Vaz de Camões foi o cantor dessa epopeia. O bardo que sentiu na pele essa viagem contra todos os Adamastores, todos os monstros que os geógrafos da época julgavam povoar os mares e que, também ele, viajou por entre os  poemas,  levando a Pátria a mares nunca antes navegados.

Da vida de Camões,  permanecem algumas lacunas biográficas: julga-se que nasceu em Lisboa em 1524, pensa-se que terá adquirido  sólidos conhecimentos de Latim, Literatura e História e,  segundo alguns especialistas, estudado  na Universidade de Coimbra. Certo é que começou a sua carreira, como poeta lírico, na corte de D. João III, onde um amor frustrado o terá levado a alistar-se como militar, em África, onde perdeu um olho numa batalha.

Regressado a Portugal teve um altercado com um servo do Paço e foi preso. Perdoado parte para o Oriente, vive com sobressalto várias contrariedades, e inicia a sua obra prima: os Lusíadas.

Nunca Portugal foi tão grandioso como nos Lusíadas. À imagem das grandes epopeias clássicas – a Ilíada e a Odisseia – estamos perante uma aventura monumental de um povo que se lança ao mar, vence os Deuses, as intempéries, a morte iminente, sobrevive às armadilhas do destino e se realiza, magistralmente, dando novos mundos ao mundo, abrindo caminhos entre Continentes, iniciando a Globalização.

Note-se que nos Lusíadas, ao contrário dos outros épicos clássicos, não faltam momentos de dúvida, de humana preocupação. Prima também a retórica sobre a acção, a linguagem é rainha e as palavras ganham vida, introduzindo uma modernidade que,   se tornará uma das características mais notáveis do Renascimento,  e do homem da Renascença.

Camões morre em Portugal a 10 de Junho  1580, curiosamente ou talvez não, após a perda da independência do país de Espanha,  decorrente da calamitosa derrota em Alcácer Quibir. Mas o seu Canto de um Portugal que se agiganta e que cresce, contra as adversidades, e o maior património cultural que os portugueses possuem.

É o canto de um imenso, infinito, belo e miraculoso Portugal.

R. Marques

Euro 2012

    Portugal com grandes expectativas no Euro 2012

Inicia-se hoje, na Polónia, o Campeonato da Europa de 2012. Um campeonato organizado  conjuntamente, entre a Polónia e a Ucrânia, e que é aguardado com muita expectativa em Portugal.

A Selecção portuguesa tem ganho cada vez mais prestígio no futebol europeu e mundial – a nível Europeu já foi finalista uma vez e semifinalista duas vezes, a nível mundial acumula duas meias finais no campeonato do Mundo – em 1966 e 2006. Por outro lado, na equipa portuguesa joga aquele que é, indiscutivelmente, o melhor jogador da Europa – Cristiano Ronaldo – e, para muitos o melhor do mundo,  e jogadores de grande qualidade que jogam nas melhores equipas europeias.

Por todas estas razões, apoiemos Portugal rumo ao título. Força Portugal !!!

R. Marques