27 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DO TEATRO

teatro-2

Os portugueses e os brasileiros unem-se, hoje, numa festa de aniversário muito especial. Dia 27 de Março é o Dia Mundial do Teatro, data instituída em 1961, pelo Instituto Internacional do Teatro.

http://www.facebook.com/sotaques –  O Palco da cultura luso-brasileira .

#Sotaques #Brasil #Portugal #Sotaquesbrasilportugal #Portugueses#Brasileiros #Porto #lusobrasileira #Arlequim13 #Homemportuguês#photo #Cultura #Revista #Online #Revistaonline #Teatro #Artes #Comédia #Trama #Vida

O tempo fora do tempo – Tales Frey

1.jpg

Tânia Dinis, Exposição Imaginário Familiar, 2015.

Talvez seja justamente devido ao desenfreado bombardeio das imagens virtuais que a artista visual Tânia Dinis tenha se ocupado nos últimos anos em praticar o inverso, contrapondo relações isoladas com as partilhadas, contestando o atual descarte da experiência ao propor uma vivência pautada no toque sensível, no afeto em completa oposição ao insípido tato do touch screem, no encontro real como resistência à frieza da telepresença. O excesso dos estímulos e das informações diárias que aprisionam os seres humanos aos seus laptops ou aos seus telemóveis tem impulsionado a artista numa série de proposições fundamentadas num enérgico refúgio de um tempo turbulento, fugaz e raso, onde a partilha da memória pessoal ou alheia (fidedigna ou ficcional) são motivações para trocas reais sob manifestações de colossais riquezas afetivas.

Imaginário Familiar – exposição que esteve patente entre os dias 01 e 10 de julho deste ano na Sala Maior do Carmo’81 durante o evento Jardins Efémeros em Viseu – reuniu os trabalhos de vídeo Não são favas, são feijocas, Arco da Velha, lha das Bananeiras, Os teus Olhos, Lote 141802478871, 1970, além da série fotográfica Imaginário Familiar II e da performance Do Imaginário Familiar – Curva Ascendente.

2.pngTânia Dinis, Ilha das bananeiras – imagens de arquivo da Videoteca de Lisboa.

Desde os anos 1990, muitas(os) artistas contemporâneos diligenciam em prol da reminiscência ao evocarem memórias em possibilidades multifacetadas, desenterrando um passado para apresentarem um futuro diversificado, ostentando tempos sobrepostos que podem deslocar a já insensibilizada noção do “agora”. Tânia Dinis – como outras(os) posteriores a essa geração – é incisiva na sua persistente (e até obsessiva) evasão da configuração óbvia de usar o mínimo de tempo na materialização de seus trabalhos. Ela usa o tempo que for necessário, pois todos seus trabalhos exigem grande comprometimento com prazos nada curtos, nada condizentes ao nosso tempo. Películas em Super 8 e fotografias analógicas são provas de que ela busca uma fenda na lógica regulada na tão propagada combinação de palavras “falta de tempo”, que é tão característica do nosso mundo globalizado, pós-moderno, onde a velocidade é ininterrupta e quase sempre aderida sem ser contrariada.

Os questionamentos surgidos a partir da ordem cronológica como a de uma narrativa aristotélica e do espaço-tempo relacionado fielmente à temporalidade proposta pelas novas tecnologias são utilizados por Tânia Dinis de forma completamente subversiva quando essa artista dispõe contingências múltiplas de ordenações através de dispositivos já obsoletos, já considerados retros, já enquadrados numa estética vintage, sendo os suportes e os aparatos de imagem associados ao universo afectivo familiar. O tempo fora do tempo que Dinis suscita desacelera uma doentia corrida sem foco, sem ternura, desprovida de humanidade. Tânia não resgata um tempo que passou, mas sim um tempo que ainda nos pertence e que merece ser apreciado.

Tales Frey

________________

TALES FREY (Catanduva – SP, Brasil. 1982) vive e trabalha entre o Brasil e Portugal. Crítico de arte, performer, videoartista e encenador, realiza obras amparadas tanto pelas artes visuais como pelas cénicas. Actualmente, integra o programa de pós-doutoramento do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Em 2016, concluiu um doutorado em Estudos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra, onde desenvolveu a tese-projeto (Practice-led ResearchPerformance e Ritualização: Moda e Religiosidade em Registros Corporais. Fez Mestrado em Estudos Artísticos – Teoria e Crítica da Arte pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e uma especialização em Práticas Artísticas Contemporâneas pela mesma instituição. Sua formação é em Artes Cénicas com habilitação em Direcção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição onde manteve vínculo para cursar uma graduação em Indumentária na Escola de Belas Artes da UFRJ. Apresentou trabalhos artísticos na Argentina, no Brasil, no Canadá, na China, em Cuba, nos Estados Unidos da América, na Inglaterra, na Islândia na França, na Alemanha, na Malásia, no México, na Polônia, no Peru, em Portugal, na Sérvia, na Suécia e na Tailândia. Alguns de seus trabalhos integram permanentemente acervos como o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Instituto Municipal de Arte y Cultura de Puebla no México e a Pinacoteca João Nasser em Catanduva (SP, Brasil).

http://www.facebook.com/sotaques #Sotaques #Brasil #Portugal #Sotaquesbrasilportugal  #Portugueses #Brasileiros #Porto #Lusobrasileira #TalesFrey #SãoPaulo #Tempo #TâniaDinis #Lisboa

Teatros com Sotaques – Teatro Amazonas .

 TA.jpg
Teatro Amazonas é um teatro brasileiro localizado no largo de São Sebastião, no centro de Manaus, capital do Amazonas. O teatro, inaugurado em 1896, é a expressão mais significativa da riqueza de Manaus durante o Ciclo da Borracha. A orquestraAmazonas Filarmônica regularmente ensaia e se apresenta em seu interior. Destaca-se também pelo estilo eclético de sua estrutura e os detalhes únicos de sua cúpula, o que o torna um dos monumentos mais conhecidos do Brasil e consequentemente o símbolo mais proeminente de Manaus.
Interior_Teatro_Amazonas.jpg
Vista interna do teatro.
Teatro_Amazonas_Atualmente_02.jpg
http://www.facebook.com/sotaques ‪#‎Sotaques‬ ‪#‎Brasil‬ ‪#‎Portugal‬‪#‎Sotaquesbrasilportugal‬ ‪#‎Portugueses‬ ‪#‎Brasileiros‬ ‪#‎Porto‬ ‪#‎Lusobrasileira‬

Morre aos 75 anos o ator português Nicolau Breyner

Nicolau-Breyner-800x450Nicolau Breyner foi ator, realizador e argumentista português. Morreu esta segunda-feira aos 75 anos, na sequência de um ataque cardíaco. Uma das grandes figuras da televisão e do cinema português.

http://www.facebook.com/sotaques – A revista dos nossos artistas

‎Sotaques ‪#‎Brasil ‪#‎Portugal #NicolauBreyner #Teatro #Cinema #Televisão

O Teatro une no mesmo palco Portugal e o Brasil

image12

O dia mundial do Teatro nasceu, em 1961, por iniciativa do Instituto mundial do Teatro. A data passou a assinalar- se no dia 27 de Março, e tornou-se num dia de festa e de evocação de quem cria e quem assiste a este espectáculo a nível global.

No teatro encontram-se as raízes da humanidade. Os homens primitivos, ao desenhar figuras nas grutas, já estavam a representar cenicamente  figuras, com as suas luzes e sombras.

Para os portugueses e brasileiros, o Teatro sempre foi uma arte muito amada. Desde os Jesuítas, que encenavam peças com o intuito de comunicar e evangelizar as tribos de índios, no Brasil, que o palco se transformou numa segunda pele para os dois povos.

Criadores como Gil Vicente, Almeida Garrett, Fernando Pessoa, Nelson Rodrigues, Adriano Suassuna ou atores como Amélia Rey Colaço, Armando Cortez, Autran, Eunice  Muñoz, Paulo Autran, Fernanda Montenegro ou Marília Pera, e tantos outros, fizeram-nos vibrar com a sua criatividade. O público português e brasileiro, por sua vez, ama profundamente o Teatro.

Porque é a arte que une Portugal e o Brasil no mesmo palco. Sem ele, a nossa cultura não seria a mesma coisa.

Viva o teatro !

Rui Marques

www.facebook.com/sotaques – Entre em palco através do Sotaques !

#sotaques #Brasil #Portugal #RuiMarques  #DiaMundialdoTeatro

#sotaquesbrasilportugal

 

Beatriz Batarda vence o Festival de cinema luso-brasileiro da Feira

Beatriz Batarda

A atriz portuguesa Beatriz Batarda  venceu  o  prémio de Melhor atriz no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira.  A sua interpretação no filme “Yvone Kane”, de Margarida Cardoso, rodado em Portugal e em Moçambique, valeu-lhe este importante prémio luso-brasileiro de cinema.

Refira-se que esta é a  18.ª edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, um dos mais antigos e importantes prémios de cinema nacional, e uma referência nas relações culturais entre o Brasil e Portugal.

João Castro

www.facebook.com/sotaques – O filme da sua cultura, o filme da sua vida !

#sotaques #Brasil #Portugal #JoãoCastro #festivaldecinemadafeira #beatrizbatarda #sotaquesbrasilportugal

Livro ” O irmão alemão” de Chico Buarque vence prémio da APCA na Literatura

chico_buarque

São já conhecidos os resultados dos prémios da Associação Paulista de críticos de arte. Na literatura destaque para a obra “O irmão alemão” de Chico Buarque que recebeu o prémio de melhor romance .
Na arquitectura foi premiada a carreira do arquitecto Giancarlo Gasperini, no cinema foi eleito o filme “Praia do futuro” de Karim Ainouz, na música a crítica premiou o produtor Nelson Mota. No teatro foi reconhecido o trabalho de Laura Cardoso e, na área da televisão, foi premiada a novela da TV Globo “Amores roubados”.

 Allex Miranda, um ator que chegou ao seu Porto seguro

Allex Miranda2

O ator brasileiro Allex Miranda mostra a sua versatilidade na televisão e no Teatro no nosso país. Atualmente, actua na série da RTP na novela “Água de Mar”, além de ter um percurso artístico consolidado em algumas das mais importantes companhias teatrais portuguesas.

Leia esta entrevista com um ator que vê a cidade do Porto como um Porto seguro, onde estudou e cimentou muitas afinidades e ligações.

 P – O Allex  trabalhou tanto  no Brasil como em Portugal . Que semelhanças e diferenças encontrou nos dois países a nível artístico?

AM – Poucas foram as semelhanças encontradas, pois mesmo Portugal sendo o berço da língua portuguesa, a fonética entre os países lusófonos não é tão próxima como julgamos ser,  e muitos foram os trabalhos que não consegui angariar por conta disso.

A energia das contracenas também são completamente diferente da energia do artista brasileiro. Não quero dizer com isso que seja melhor ou pior, apenas saliento que são notórias as diferenças dos trabalhos feitos por artistas de cada país.
Outra gritante diferença é a falta de apoio na área da cultura que Portugal vem sofrendo –ao contrário do Brasil- e isso desestimula o artista que queira vir tentar fulgurar o seu trabalho em terras de além-mar.

P – Que balanço faz do seu percurso profissional e pessoal em Portugal?

AM – Penso que aos poucos o meu trabalho está a ser reconhecido e isso deve-se à minha determinação em querer sempre fazer o (meu) melhor possível nos trabalhos. Aqui em Portugal poucos são os atores negros que conseguiram singrar nesta nossa tempestuosa área teatral, mas com a minha imagem, a figura, a energia transportada na mesma, conjugadas à técnica que obtenho, dá-me vantagens perante outros atores e faz de mim o profissional que hoje sou .

Peço desculpas, mas não gosto de comentar sobre a minha vida pessoal.

P – Que atores ou encenadores portugueses mais admira ?

AM – António Durães, Já tive o prazer de trabalhar com ele e, para mim, é a perfeita junção de um excelente ator e de um extraordinário  encenador, pois este senhor consegue –aos meus olhos- criar com as simplicidades das suas encenações coisas belíssimas, mas dramaturgicamente muito poderosas.

P – Quais são os seus locais de eleição em Portugal?

AM- Gosto particularmente do Palácio de Cristal.

Como sou natural de um interior (Nazaré-Bahia), agrada-me tudo que esteja envolvido pela natureza e ao passear pelos seus jardins, sinto-me engolido pelas árvores, pela melodia das fontes, pelos sons dos animais que também ali transitam e como diz a letra de uma música do cantor Geraldo Azevedo, aquele local me transmite a “paz que eu gosto de ter”.

 P – Que palavras ou termos portugueses  mais o surpreenderam ?

AM- Posso citar a palavra que mais me surpreende: oxalá!

Ouço essa palavra, aqui em Portugal, por diversas vezes e faz-me mesmo muita confusão, por saber que algo tão poderoso possa a ser usado assim dessa forma descuidada. Vou tentar contextualizar a minha admiração: oxalá, aqui em Portugal, com “o” minúsculo, significa uma interjeição que exprime desejo (tomara), mas para mim, que sou do candomblé (religião Afro-Brasileira), a palavra Oxalá, com “O” maiúsculo, representa o orixá ( Umbanda) associado à criação do mundo e da espécie humana e que tenho um profundo respeito.

P –  Trabalha actualmente na novela “ Água de Mar”. Como está a correr essa experiência?

AM – Nesta fase inicial ainda estou a familiarizar-me com toda a estrutura montada para albergar a série, mas fui recebido por toda a equipa –sem exceção- como parte da “família” e isso ajuda-me imenso a desenvolver melhor o meu trabalho. O carinho e os conselhos que recebo a cada novo dia de gravação faz com que o trabalho e as contracenas, com os atores e “figurantes”, sejam desenvolvidas com uma maior cumplicidade e isso para mim é fundamental; um bom ambiente de trabalho.

P – Prefere trabalhar em Teatro ou Televisão ?

AM – Todos temos as nossas preferências, mas acredito que tudo em que me envolvo tem a importância daquele momento e por isso, seria uma falta de respeito para com uma, se elegesse uma entre as duas áreas.

P – Licenciou-se no ESMAE na cidade do Porto. Que memórias guarda do seu tempo de estudante ?

AM – Dos meus muitos “colegas-professores” e de tudo o que aprendi por lá. A ESMAE foi o meu primeiro contacto mais teórico com a arte da representação e que me exigia diariamente muito da pouca energia que tinha, -pois tinha que trabalhar para pagar os meus estudos e muitas vezes fazia diretas antes de algumas aulas práticas-. Mas a minha maior e mais grata lembrança da ESMAE é dos meus colegas, pois criamos uma laço muito forte e como passávamos muito tempo juntos, tornamo-nos numa família (com direito a brigas e tudo) e eu sempre dizia para eles, respeito muito todos os nossos professores, mas eu aprendi muito mais com eles, com tudo de certo e de errado que fazíamos juntos.

P – O que representa para si o Porto ?

AM – Literalmente um Porto seguro.

Tenho os meus contactos de trabalho, um trabalho artístico já reconhecido, os meus amigos, os meus lugares de grandes colóquios, belas casas de espetáculos, “o meu lugar de paz”, os meus professores, meus colegas da faculdade, e muitas, muitas histórias de todas as casas que já morei e de tudo o que já vive por lá.

P – Quais são os espaços culturais que mais gosta de visitar na cidade ? 

AM – As noites de Jazz no Café Concerto da ESMAE, O Café Pinguim, na baixa, onde são promovidas noites de leituras de poesias, O Espaço Compasso e o restaurante Galerias de Paris, onde se come muito bem, pode se deliciar com toda a decoração oriunda de diversos universos pessoais e no fim da note somos contemplados com um belíssimo baile, onde a multiplicidade cultural impera.

P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. O seu sotaque é tipicamente baiano ? Como o caracteriza ? 

AM – Não tenho um sotaque típico da Bahia.
Tenho o que pode ser chamado de “sotaque neutro”, pois por conta de trabalhos que desenvolvia em outros estados do Brasil, fiz um trabalho de “limpeza” do sotaque para angariar outros projetos e não me limitei a ser escolhido somente para papéis em que precisavam do sotaque baiano. Hoje, com o novo trabalho que desenvolvo aqui em Portugal sinto que o meu sotaque brasileiro está a sofrer algumas mutações, mas não considero isso um extravio de identidade, vejo como um expandir de horizontes linguísticos. 

P – Qual é o estado atual do Teatro baiano ?

AM – Como estou fora do Brasil há seis anos, o que sei do atual panorama teatral baiano é o que leio nos jornais (online) e confesso que estou meio incrédulo com tudo o que leio, porque uma coisa é saber qual é o estado de um estado e outra coisa é o que lemos sobre este estado, pois muito do que lá está descrito, é exposto de uma forma muito generalista e como eu sou de uma pequena parte da Bahia, sei que esse quadro não nos abrange na totalidade, como está descrito e por isso, não saberia responder –como esses jornais- de forma assertiva por todo um estado, quando só estou ciente de uma parte dele.

O que quero dizer é que o que leio, é que a Bahia está a receber muitos apoios para desenvolver novos projetos teatrais, muitos editais a serem desenvolvidos, e muitos artistas baianos estão a ser consagrados, mas, é sabido que alguns desses tantos projetos são “lançados já com nome de vencedores”, muitos dos artistas baianos têm singrar fora do seu estados por falta de apoio, enquanto os jornais vendem uma ideia utópica e muitos dos editas agora já são direcionados para trabalhos onde constam afrodescendentes, como se nós  negros não tivéssemos a capacidade de ganhar um projeto por conta da nossa arte, agora temos que ganhar algo por ser negros-baianos (…) gerando assim uma nova forma de Apartheid, o Apartheid cultural.

P – O que é que os baianos têm para desenvolver uma cultura tão rica nas múltiplas actividades artísticas ?

AM – Devemos isso ao que se chama hoje de “Colonização”.
Quando Salvador, capital da Bahia e primeira Capital do Brasil Colónia  recebeu a corte real, foi fecundada com todas as correntes artísticas que os seus escravizados traziam para a nossa terra e com o passar do tempo a necessidade tratou de unificar culturas tão distintas na língua, na cultura,  na religião e na sua complexa diversidade como as de Moçambique, Angola,  Guiné, Congo, na nossa cultura miscigenada e tão rica.
P –Devem-se  estimular mais as parcerias entre o teatro português e brasileiro ?

AM – Penso que se deve estimular toda e qualquer forma de arte.

Mas, como estamos neste contexto, sim, penso que ao estreitar ainda mais os laços entre Brasil e Portugal, através do teatro,  estaremos a contribuir para o fortalecimento da língua lusófona, e se o teatro for o fator que culminará nesse acontecimento, a arte lusófona, assim como a língua, será reconhecida como uma  grande força mundial. (…)

 P – Como vai ser a agenda do Allex nos próximos meses?

AM- Para já tenho um contrato com a série “Água de Mar” até Novembro, que é equivalente ao número de episódios encomendados, mas já é de conhecimento geral que a RTP pretende prolongar a longevidade da série, e isso pode ou não alterar o meu cronograma.

António Santos

www.facebook.com/sotaques – O Palco do seu Talento

 

Allex Miranda Allex Miranda4

‪#‎sotaques‬ ‪#‎teatro‬ ‪#‎Brasil‬ ‪#‎Portugal‬ ‪#‎sotaquesbrasilportugal‬ ‪#‎ator‬

João Mota é o homenageado no FESTLIP 2014

20120220003651_5LJ84X0874833N4OZUB7

O Festival de teatro de língua portuguesa que se realiza no Rio de Janeiro , este ano homenageia o encenador português João Mota .

João Mota é diretor do Teatro Nacional D. Maria II, fundador e director da companhia A Comuna – Teatro de Pesquisa e foi presidente da Escola Superior de Teatro e Cinema.

www.facebook.com/sotaques – O Palco da sua Cultura

 

O voo apaixonado de William Gavião pelo Teatro

William Gavião 04

Actor, encenador, professor, o brasileiro William Gavião é uma das vozes mais respeitadas no meio teatral português. Vivendo em Matosinhos, elege esta cidade e o Porto como lugares de eleição, já entranhou o sotaque português, casou com uma portuguesa, e sente que descobriu no nosso país uma velha paixão: a arte de ensinar o amor pelo Teatro.

P – William:  pode fazer uma breve apresentação do seu trabalho profissional?

WG – Me formei como actor no Brasil, na escola de teatro Martins Pena, Rio de Janeiro em 1986/7, a escola muito conceituada e a mais antiga da América Latina. Tive uma carreira consolidada como profissional no meu país, onde integrei diversos espectáculos e projectos teatrais.

Vim ao FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica) no Porto, em 1986, com um espetáculo premiadíssimo no Brasil, foi quando conheci Portugal e minha esposa. Retornei ao Brasil, onde ainda participei como actor em outros espetáculos, mas o Brasil vivia um momento muito difícil economicamente, onde a arte e a cultura, como de costume nestes momentos de crise, sofria brutalmente.

O país vivia uma de suas maiores crises políticas e sociais, qua agravava ainda mais qualquer vislumbre de futuro. Tinha ambições e planos maiores de poder criar outras oportunidades de vida  e,  se para isso, fosse necessário mudar de país e recomeçar tudo de novo, estava disposto a fazê-lo, tinha construído algumas pontes e amizades em Portugal, o caminho estava feito, as oportunidades surgiram, e não pensei duas vezes, vim para Portugal de armas e bagagens.

Sem medo de me reinventar, fui construindo aqui, do zero a minha carreira no teatro. Dei continuidade ao meu trabalho como actor, e em Portugal também me descobri como encenador e professor de teatro. Fundei a minha própria companhias de Teatro de pesquisa – Teatro Reactor de Matosinhos, onde dei continuidade no meu trabalho e pude, de forma autónoma,  ,construir meus espectáculos, projetos e parcerias com o Brasil, estreitando sempre os laços que nos unem e alimentam culturalmente estas duas pátrias, e lá se vão 22 anos de Portugal…

P – Vive desde 1992 em Portugal. Como foi a adaptação ao nosso país?

WG- Não posso dizer que tive uma adaptação difícil, pois a  minha mulher é Portuguesa, tive desde sempre toda uma estrutura familiar, da parte dela, que me apoiou e acolheu. Tive também a sorte de conhecer pessoas e artistas interessantes do meio artístico, e sobretudo construir amizades sólidas.

Pude construir e conquistar meu espaço pouco a pouco,  e assim continuar a exercer o teatro e dar corpo aos meus projetos. As saudades do Brasil sempre foram as mais saudáveis, as minhas escolhas de vida e mudança de país, nunca trouxeram me arrependimentos.

Pouco a pouco,  e com o passar dos anos e dos trabalhos, também criei raízes aqui, raízes que hoje se confundem, se entrelaçam com as de minha origem, raízes estas que me deram outra pátria para além da minha. Tornei- me hoje um homem duplamente patriado…e sei bem o profundo sentimento da frase de Caetano Veloso, que diz, “Minha Pátria é minha Língua..”

P – Que diferenças e semelhanças encontrou entre o Teatro português e brasileiro ?

WG – Talvez a maior diferença que tenha sentido,  é a duração de carreira dos espectáculos :  no Brasil podemos estar em cena até mais de 1 ano com um espectáculo :  quando este espectáculo  consegue algum reconhecimento de público  ou no mínimo 3 a 4 meses de temporada.

Em Portugal,  a carreira dos espectáculos é  mais curta ,  raramente chega a mais de 1 mês num mesmo espaço / teatro. Mas a cultura e os mecanismos teatrais em Portugal são diferentes, sempre houve subsídios e apoios para o teatro e suas estruturas, independente da justiça e equidade dos governos e organismos que os gerem.

Em  matéria da qualidade e do poder artístico e intelectual, não vejo diferenças, pelo contrário, o teatro português e alguns projetos e companhias em particular um pouco por todo país, fazem um trabalho teatral de extrema qualidade e com grandes actores. Destaco também as novas companhias, que atualmente, desenvolvem um teatro de grande preocupação do diálogo com a modernidade e com grande responsabilidade e envolvimento com a realidade que estamos inseridos.

Um teatro em sintonia com o seu tempo.

P – O que representam para o William, as cidades do Porto e de Matosinhos ?

WG – São ambas o berço que me acolheu. Duas cidades bem diferentes e igualmente belas, com encantos e recantos únicos. Tanto no Porto, como em Matosinhos, sentimos o peso da suas histórias e da sua gente, do poder avassalador de suas belezas naturais e patrimoniais, as ruelas, o Rio D’Ouro, o sol o mar de Matosinhos. A luz…a penumbra…as texturas…as cores…o cheiro…de tão diferentes cidades…inseridas e parte, ambas, do mesmo concelho, concelho do Porto !

Hoje Matosinhos tornou-se mais a minha cidade, pois nela resido e talvez seja bem suspeito para falar.

P – Quais são os seus lugares de eleição nestas cidades ?

WG- No Porto,  sem dúvida é a Ribeira com vista para rio D’Ouro. Em Matosinhos, gosto de Leça da Palmeira, da luz, as cores, sua costa, suas praias e o Museu da Quinta de Santiago.

P – Encontrou muitas diferenças entre o sotaque brasileiro e português ?

WG –Claro que sim…mas nada demais…que após alguns minutos a ouvir,  não habitue o ouvido e tudo fique natural, sem problema maior. O sotaque português e sua sonoridade, digamos ser um pouco mais dura, em comparação com o sotaque brasileiro, que é mais melodioso e musical.

Mas hoje, meu sotaque brasileiro esta mais aportuguesado, natural, depois de tantos anos. Um amigo meu, dramaturgo paulista, disse-me há pouco tempo, quando cá esteve, que não falo totalmente, nem com sotaque brasileiro e nem com sotaque português, falo com um terceiro sotaque, só não sei como lhe chamar.

P – Há alguma expressão ou palavras portuguesa que o tenha surpreendido?

WG – Prego em prato e a diferença no tratamento entre tu e você.

P – O William é ator e professor. Pode falar-nos um pouco mais da sua actividade docente  ?

WG – Ora bem, aí  está  uma competência que descobri em Portugal, uma facilidade de transmitir “conhecimento”, uma capacidade que estava adormecida, acredito que algo nato, que  já existia, nesta comunicação, neste desejo e felicidade de poder partilhar minha experiência de vida, que nunca esta separada de minha condição de actor.

Algo que fui potencializando ao longo dos anos. Ensinar é um ato de aprendizagem e generosidade infinda. O facto de que tudo aquilo que transmito, tenha vivido na pele, torna o ato da partilha e da troca de ensinamentos, uma experiência viva e única.

Um gesto de amor à  arte  e ao teatro que tenho vivido,  intensamente,  como professor. Creio que tornei me um actor melhor, um homem ainda melhor, aprendi a ver me melhor, vendo os outos.

 

P – Como olha para o ensino artístico em Portugal ?

WG – O ensino artístico em Portugal vem cada vez mais crescendo e criando raízes sólidas. Noto ao longo destes 22 anos que aqui estou, a enorme procura pelo aprendizado, nas mais diversas faixas etárias, pela experiência teatral, seja nas escolas de teatro, seja nas oficinas e Workshops que hoje alimentam esta enorme procura.

Um sinal muito positivo para o universo do teatro, um sinal de que hoje o teatro chega com mais força a muito mais pessoas, sejam elas amadoras, amantes, ou apenas curiosas pelo teatro. Hoje grande parte dos que procuram o teatro, sabem perfeitamente a complexidade, as inúmeras competências e feitos que arte pode surtir e fomentar no individuo. Potencializando o humano, numa libertação e descoberta de si mesmo, ante a vida e o mundo que o rodeia. O teatro é uma arma poderosa ante o pessimismo,  e os limites que a realidade e a  vida, muitas vezes,  nos impõem,  aprisionando-nos .

A arte e o teatro nos tornam mais fortes, críticos e atuantes ante a vida e nós mesmos.

P – E no Brasil ?

WG – O Brasil já tem uma grande cultura na procura do teatro, na arte da representação, muito à  custa da grande indústria do entretenimento e do áudio visual. Novas escolas de teatro surgiram e cresceram nas últimas décadas.

O teatro Brasileiro tem  um grande legado, no início do século, com as grandes companhias de teatro e actores que fizeram história no teatro, com o teatro de resistência política, na época da ditadura, e de todo processo que foi travado. O Teatro pode se estabelecer, crescer, criando bases sólidas e alimentando esta grande indústria da cultura e da arte,  um pouco por todo país.

Para não dizer da grande cultura dramatúrgica e dos novos autores,  que escrevem para teatro, novelas, cinema e outros formatos, uma verdadeira e valorosa safra de grandes autores e sobretudo grandes dramaturgos, a escreverem para teatro.

P – Criou o Projecto “ Salvé a língua de Camões. Em que consiste este projecto ?

WG – É um projecto da minha companhia Teatro Reactor Matosinhos que já vai no seu 10º ano em parceria com a Câmara de Matosinhos e o Museu da Quinta de Santiago. Este projeto acontece durante todo o ano, sempre à última quinta-feira do mês, no Museu.

É um projecto lusófono, que visa única e exclusivamente divulgar os novos autores e dramaturgos, poucos conhecidos entre nós, que escrevem em Língua Portuguesa, oriundos dos países lusófonos. Através de leituras dramatizadas dos textos teatrais destes autores,  contribuímos  para uma nova visão do teatro e da dramaturgia contemporânea de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal e Brasil.

Um projeto que criou parcerias com estes diversos países, que se estendem até  hoje, para além da escrita,  e que tem estimulado  um intercâmbio real em projetos e iniciativas culturais de grande valia para o fortalecimento da língua portuguesa e do teatro.

Deste projecto,  resultou em 2009, a  realização do 1º Festival Lusófono de Teatro Intimista, que tive a felicidade de conceber e realizar com o apoio da Câmara de Matosinhos, onde pudemos receber em Matosinhos companhias de teatro vindas destes países, no então recém aberto teatro Constantino Nery – Matosinhos.

Também  nos proporcionou apresentarmos   os nossos espectáculos no Brasil e em Cabo Verde. Este ano de 2014,  entramos no 11º ano do projeto, com inúmeras surpresas e parcerias…e a  aguardar pelas boas novas.

P – Quais são projectos em que está a trabalhar

WG – Neste momento, trabalho para a 11ª edição do Salvé a Língua de Camões, que começa em fevereiro de 2015, como disse anteriormente, com muitas novidades, colaborações e parcerias, para além da Câmara de Matosinhos e o Museu da Quinta de Santiago, os  nossos parceiros de costume.

Preparo um projeto de um novo espetáculo teatral adulto e para infância, e também acolheremos outros projetos vindos do Brasil. Como professor de teatro, virão novas oficinas de teatro, na ESAG (Escola Secundária Augusto Gomes), onde leciono a 4 anos, a continuação do meu trabalho de 9 anos a dar teatro para as crianças, nas escolas do ensino básico do concelho de Matosinhos, nas actividades de Enriquecimento Curricular.

Mais outros projectos estão a ser cozinhados nos melhores temperos…eu…estarei sempre em movimento ininterrupto…sempre inquieto….assim vive e voa este Gavião.

P – O que representa o Teatro para o William ?

WG – O teatro é o que me move, o que torna minha existência possível e útil. O teatro para mim é como uma missão, de servir, comungar e partilhar com meus semelhantes, de comunicar e dialogar com meu tempo. O teatro reconstitui, dota o Homem – na afirmação total de seu poder de comunicação, expressão, sociabilização, crítica e consolidação de sua identidade cultural, política e social.

O teatro é uma experiência divina, que leva mais do que uma vida inteira, para quiçá podermos alcança-lo, nas suas mais profundas entranhas. Precisaríamos voltar a nascer, recriarmo-nos, reinventarmos -nos para viver totalmente o teatro.

Isso tentámos  fazer, a cada noite, a cada momento que nos entregámos a esta arte.

Para resumir tudo isso, lembro – me de como os Gregos se saudavam uns aos outros antes de entrar em cena, naqueles anfiteatros: cada noite que entravam naquela arena e enfrentavam aqueles milhares de pessoas e imperadores na plateia, diziam simplesmente; “CONHEÇE-TE A TI PRÓPRIO!”. É exatamente isso que venho praticando a 50 anos….

 

Rui Marques

www.facebook.com/sotaques – Entre na rede que está a estimular as relações luso-brasileiras

 

William Gavião 01

A arte uniu William Gavião a Portugal

William Gavião 05

O teatro português e brasileiro sempre tiveram uma relação muito forte. Desde o Teatro de revista português que influenciou o teatro brasileiro, nos primórdios do século XX, até às companhias que circularam entre o Atlântico, ou os atores que trabalharam nos dois países. O actor e encenador brasileiro William Gavião é um exemplo bem sucedido dessa ponte cultural que urge fortalecer.

Para muitos actores, o palco é o lugar sagrado. Uma espécie de espaço religioso e cósmico que faz do actor um sacerdote,  que transmite à sociedade as verdades inconvenientes que ela procura esconder.

William Galvão vive há 22 anos em Portugal,  e conserva bem presente essa chama da arte teatral. Ouvi-lo nesta entrevista leva-nos a pensar  na importância das artes na ligação luso-brasileira, e da forma como ela quebra barreiras, junta homens e mulheres, aproxima-nos de um modo muito mais íntimo .

O seu trabalho em projectos como “ Salvé a  língua de Camões” é um notável exercício de enriquecimento da língua e da cultura. Criado pela sua companhia Teatro Reactor de Matosinhos, já vai na 11ª edição, com parcerias com a câmara municipal local e a Quinta de Santiago.

Um projecto que se prolonga durante um ano, e decorre na última quinta de cada mês na Quinta de Santiago. Consiste na leitura de textos dramatizados de autores de países como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde ou Guiné Bissau, e  tem proporcionado um intenso intercâmbio, com várias companhias teatrais desses países a virem a Portugal e, por exemplo, o Brasil e Cabo Verde a receberem estes espectáculos.

Em 2014, o projecto entra na sua 11ª edição, com novas parcerias e convidados. O que é uma óptima notícia para todos aqueles , como a revista Sotaques Brasil/Portugal, que acreditam na importância das artes como vínculo cultural entre os povos.

Além da sua actividade como actor e encenador, o nosso entrevistado descobriu em Portugal a sua vocação como docente. Como alguém que quer deixar um legado e transmitir às novas gerações a paixão pelo Teatro.

William Galvão é, sobretudo, um apaixonado por Portugal. Alguém que encontrou na arte que ama um elo de ligação ao nosso país.

Fortaleçamos esta união. Porque a arte e a língua unem-nos nesta tarefa comum: tornar a nossa cultura cada vez mais forte nas nossas fronteiras e fora delas.

Rui Marques

 

www.facebook.com/sotaques  – O Palco da sua Cultura

       Édipo como nunca o vimos !  

xxxx55

Isto é o teatro. Essa arte fugaz e mágica que permite jogar com as palavras, subverter o texto, recriá-lo, pensá-lo e transformá-lo em algo completamente diferente daquilo que é a leitura convencional.

“Édipo” é uma das maiores tragédias da história do teatro. Mas o texto de Sófocles tem, como qualquer texto, um potencial de releitura imenso: foi isso que vimos e ouvimos na brilhante recriação que a companhia Chapitô  apresentou, ontem à noite,  no âmbito do Fitei 2014.

No belíssimo espaço de arte que é o Mosteiro de São Bento da Vitória, o público ficou fascinado por um irreverente e original “ Édito”. Onde encontramos a ironia e o cómico da tragédia de um filho que mata o pai e casa com a mãe, e que se sente  prisioneiro  de uma situação absurda e caricata.

Os três atores em cena – Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas – não só mostraram dominar  a escola física e com um apurado trabalho circense do Chapitô, com uma  sucessão de acrobacias improváveis, como revelaram um tempo perfeito na combinação dos gestos e das palavras, dos silêncios e dos ruídos. Cómico e trágico, este “ Édipo” foi uma reinterpretação fresca e vibrante do clássico do grego Sófocles.

Este é o dom do grande teatro: pegar em qualquer texto, do mais clássico ao popular, e reescrevê-lo como se fosse uma nova obra moldada a partir do zero.

www.facebook.com/sotaques .

 

uso

R. Marques

#sotaques

#Brasil

#Portugal

#ruimarques

#teatro

#fitei2014

#chapitô

#édipo

 

                 Libertemo-nos dos cercos que nos rodeiam !

xxx54

A peça cubana  “ El cerco” do teatro del silencio,   com texto e encenação de Rúben Sicilia e interpretação de três atores – Mirta Capo, Yenly Betancourt e Rogel Ramírez – é um espectáculo de coragem. Representado no Teatro Rivoli, constando da programação do FITEI, é um emotivo apelo à luta pela liberdade, não apenas contra a opressão do regime cubano mas também contra a própria auto-censura.

Assistimos, no desenvolvimento da peça, às contradições das três personagens. Vemo-las a debater-se numa lixeira, primeiro contra o regime propriamente dito, e depois a combater entre elas, já que enquanto duas desejam fugir da Ilha num barco  – um homem e uma mulher – a outra torna-se funcionário do regime,  e responsável pela segurança alfandegária.

É brilhante o aproveitamento das luzes. Sobretudo no momento em que se encena a fuga das duas personagens, que deixam o palco e passam a falar com o público, enquanto a figura do recém empossado funcionário oscila a luz do seu candeeiro em busca dos foragidos.

Também merece aplauso a utilização criativa da música. Música cubana, russa, hip-hop cruzam-se numa cacofonia de sons que enriquece o espectáculo e aprofunda a sua mensagem primordial.

No final sentimos um impulso vital profundo. Um desejo de liberdade que trespassa todas as barreiras e censuras.

Libertemo-nos dos cercos que nos rodeiam ! Essa é a grande verdade que interiorizamos no final desta magnífica peça cubana.

www.facebook.com/sotaques – A vida é um palco com sotaques

 

R. Marques

 

el cerco

#sotaques

#Brasil

#Portugal

#ruimarques

#elcerco

#teatrodelsilencio

#fitei

FITEI não desiste, resiste como lugar de criação

10427325_10152013512347504_4531462884464702802_nA 37ª edição do FITEI – Festival internacional de teatro de expressão ibérica – arrancou ontem no Teatro Rivoli, no Porto, com uma prova de vitalidade e resistência. O Director geral do FITEI, Jorge Ribeiro defendeu que o FITEI não desiste, resiste no seu trabalho de divulgação cultural.

 

O FITEI começou esta quinta-feira com vários discursos dos responsáveis do evento. E uma visão comum: a condição de maior festival de teatro  expressão ibero-americana devia trazer consigo um maior apoio do Estado português.

Após a apresentação, em traços gerais, da programação do FITEI, o público assistiu à peça “ El sueno de la razon” da espanhola Companhia Ferroviaria, que recria os últimos meses de vida do pintor Francisco Goya. Uma peça inovadora que utiliza o ecrã para reproduzir pinturas do célebre artista espanhol, explorando os recursos tecnológicos como auxiliares do texto teatral.

Sem dúvida, uma bela proposta que mostra a importância do FITEI como laboratório de experimentação e criatividade do Teatro de expressão ibérica em todo o mundo.

www.facebook.com/sotaques – Teatro é vida em movimento

R. Marques

10342430_10151977446672504_5668073967336249965_n

#sotaques

#Brasil

#Portugal

#ruimarques

#teatro

#Fitei

A noite de José Saramago

 a_noite,_de_jose_saramago_no_teatro_trindade

         Equipa Sotaques presente na  peça A noite de José Saramago

A equipa Sotaques marcou presença em mais um evento cultural de grande relevância. Estivemos presentes na peça “A noite” de José Saramago, que está em cartaz no Teatro Rivoli no Porto.

Peça de Teatro que aborda as contradições ideológicas  de uma redacção de um jornal,   na noite prévia  ao 25 de Abril, foi o primeiro texto dramatúrgico de José Saramago. Do elenco fazem parte os atores Paulo Pires, Pedro Lima, Vítor Norte, Joana Santos, Sofia Sá da Bandeira, António Durães, Samuel Alves, Fábio Alves e Filipe Crawford.

www.facebook.com/sotaques – A vida é um palco com sotaques

www.sotaques.pt – Viva a cultura  e a língua !

R. Marques

#sotaques

#Brasil

#Portugal

#josesaramago

#anoite

 

 

 

 

 

 

Alexandre Borges

img-448281-alexandre-borgesA equipa do Sotaques conversou esta tarde com o ator brasileiro Alexandre Borges , que está em Portugal a apresentar o espectáculo ” Poema Bar ” .

Não perca brevemente a entrevista com uma das maiores estrelas da dramaturgia brasileira .

Alexandre Borges

 

Rui-alexandre

www.facebook.com/sotaques

#sotaques
#alexandreborges

A cena ou o labirinto da linguagem 

A Cena

Oito atores dividem um palco como animais aprisionados numa cadeia de palavras, que vão soltando, espontaneamente, no mundo. Todas elas falam porque se não falarem, cairão no vazio profundo, na inexistência.

Vivemos no labirinto da linguagem. Existimos porque falámos, mas essa existência é efémera e limitada às palavras que dizemos – Ludwig Witgenstein afirmava, sabiamente, que os limites da nossa vida eram os da nossa linguagem.

Entre estas personagens que se sucedem num carrossel de palavras, há uma que exemplifica esse paradoxo. É aquela, ironicamente, que dá as notícias, numa crítica cruel aos meios de comunicação social, e que gradualmente vai perdendo credibilidade, tornando-se um porta-voz da irrealidade, da invenção de novos factos cada vez mais fantasiosos.

Destaque-se, além naturalmente, do magnífico trabalho dos atores, da direcção da encenadora brasileira Renata Portas. Consegue, com um equilíbrio notável, aproveitando muito bem os jogos de linguagem, a diferença de sotaques, adoptar simultaneamente o texto original do francês Valère Novarina e recriar uma peça, indo buscar novas referências a Portugal e aos portugueses.

O verdadeiro encenador é também um (re)criador, alguém que insufla nova vida aos textos que adopta. Foi uma grande noite de teatro, e “ A cena” é uma deliciosa Peça sobre esse labirinto primordial, habitado por todos os homens e mulheres, chamado linguagem.

R. Marques

www.facebook.com/sotaques – A arte na internet 

Raul Solnado

Raul

Unanimemente reconhecido como um dos maiores nomes do humor português, começou a fazer teatro na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul (1947), profissionalizando-se em 1952.

Em 1953 estreia-se no teatro de revista com “Viva O Luxo”, apresentado no Teatro Monumental. Entra também em “Ela não Gostava do Patrão”.

Em 1960 torna-se primeiro actor na peça “A Tia de Charley” apresentada no Teatro Monumental. Participa no filme “As Pupilas do Senhor Reitor” (Prémio S.N.I.).
“A Guerra de 1908”, um sketch do espanhol Miguel Gila, adaptado para português por Solnado, é interpretado na revista “Bate o Pé”, estreada no Teatro Maria Vitória em Outubro de 1961. Entra também no filme “Sexta-feira, 13”.

O disco que reunia “A Guerra de 1908” e “A História da Minha Vida”, editado em Abril de 1962, bateu todos os recordes de vendas de discos.

Em 1962 entra em “Lisboa à Noite”, em cena no Teatro Variedades, onde interpreta os sketcks “É do Inimigo” e “Concerto do Inimigo”. É protagonista do filme neo-realista “Dom Roberto”, de José Ernesto de Sousa. Vence o Prémio de Imprensa para melhor actor de cinema.
Após 1963, faz teleteatro no Brasil, onde se apresentou em programas das TVs Record e Excelsior, e na RTP. “Vamos Contar Mentiras” é o grande espectáculo do ano de 1963. Torna-se em 1964 fundador e empresário do Teatro Villaret. A estreia foi em 1965 com “O Impostor-Geral” onde foi o protagonista.

Mariema e Raul Solnado recebem os Prémios de Imprensa para melhores actores de teatro de revista.

Em Maio de 1966 foi lançado o EP “Chamada Para Washington.”
O EP “Cabeleireiro de Senhoras” foi lançado em Dezembro de 1968. Em Janeiro de 1969 foi editada a compilação “O Irressistível Raul Solnado” que incluía alguns dos principais exitos editados anteriormente em EP (História do Meu Suicídio, Chamada para Washington, O Bombeiro Voluntário, A Guerra de 1908, O Cabeleireiro de Senhoras, História da Minha Vida).

No dia 24 de Maio de 1969 foi gravado o primeiro programa do “Zip-Zip”, no Teatro Villaret. A última emissão foi no dia 29 de Dezembro do mesmo ano. O programa da autoria de Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz foi um dos marcos desse ano.
Em Dezembro de 1969 é o protagonista de “O Vison Voador”.
A peça “O Tartufo de Moliére” é estreada em Janeiro de 1972. Ainda em 1972 participa na revista “Prá Frente Lisboa”. A canção “Malmequer” tornou-se um grande êxito popular.
Em 1974, fez quadros humorísticos de sucesso no programa Fantástico, da brasileira Rede Globo1
Em 1975 estrela o filme “Aventuras d’um Detetive Português”.
O programa “A Visita da Cornélia” é um grande sucesso da televisão portuguesa em 1977.

Com César de Oliveira adapta a Peça “Checkup” do dramaturgo brasileiro Paulo Pontes. “Isto É Que Me Dói” incluía no elenco Raul Solnado, Guida Maria, Helena Matos, Joel Branco, Cândido Mota, Luís de Mascarenhas e David Silva.

O single “Dá O Cavaquinho, Os Ferrinhos e a Pandeireta” de 1978 inclui dois temas de Luiz Miguel d’Oliveira: “É Tão Bom Sabe tão Bem” e “Viste O Lino?”.

Raul Solnado pertencia ao Grande Oriente Lusitano (GOL) desde meados da década de 1980, embora depois não tivesse sido muito activo.2

Repete o enorme êxito com a peça “Há Petróleo no Beato” de 1981. “Super Silva” foi outro êxito enorme.
Com Fialho Gouveia e Carlos Cruz apresenta na RTP o programa “E O Resto São Cantigas” onde foram recordados músicos e compositores da época áurea da música ligeira portuguesa.
No concurso televisivo “Faz de Conta” mostra todo o seu talento ao contracenar e improvisar com os concorrentes que lhe davam réplica.
Na televisão é o protagonista da sitcom “Lá Em Casa Tudo Bem” que dura vários meses.

Em 1993 participou, ao lado de Eunice Muñoz, na telenovela “A Banqueira do Povo” de Walter Avancini.
Raul Solnado faleceu no dia 8 de Agosto de 2009, vitima de doença cardiovascular e os seus restos mortais descansam no Cemitério dos Prazeres. Será para sempre um ícone do povo português e de Portugal.

http://www.facebook.com/sotaques

Walter Pinto – um ícone do Teatro de Revista Brasileiro

Walter Pinto – um ícone dWalter Pinto (Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 1913 — 21 de abril de 1994). Produtor e autor. Produtor dos maiores espetáculos de teatro de revista brasileiro,é responsável pela reformulação do gênero, nos anos 1940 e 1950.

Em 1940, com a morte prematura do irmão Álvaro, Walter Pinto assume a direção da Empresa de Teatro Pinto, que desde os anos 1920 se dedica ao teatro musicado. A Companhia Walter Pinto estreia com “É Disso que Eu Gosto”, de Miguel Orrico, Oscarito Brennier e Vicente Marchelli, título extraído da música que Carmem Miranda cantava, à frente do elenco, com Oscarito e Margot Louro. Durante toda a década de 1940, os espetáculos são quase que exclusivamente dirigidos por Otávio Rangel.

O produtor tira a ênfase do autor e dos primeiros atores para valorizar a espetacularidade da cena: escadas; luzes; grandes coreografias; efeitos de maquinaria; coros numerosos e grande orquestra garantem o sucesso dos espetáculos que se sucedem. Contrata coristas argentinas, francesas e até russas que atuam principalmente nas partes musicais, para as quais mantém um grupo de bailarinas. Durante a guerra, ensaia quadros patrióticos.

O tema do carnaval, pela óbvia semelhança do descompromisso, da musicalidade e do apelo ao corpo, é recorrente. Técnica e artisticamente, os espetáculos da Companhia Walter Pinto atingem, como se dizia em seu tempo, nível internacional. O cronista Carlos Machado cita o ator francês Paul Nivoix, sobre “Trem da Central”, de Freire Jr. e Walter Pinto, 1948: “Nunca imaginei que no Brasil houvesse um produtor de tal força para extasiar o público. O que acabo de ver em Trem da Central é digno de ser mostrado em qualquer parte do mundo sem receio de.ser superado”.

Na década de 1950, o produtor recebe durante quatro anos, três deles seguidos, o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, de melhor produtor de teatro musicado, categoria criada em conseqüência de seu trabalho e muito provavelmente a ele dedicada. Na mesma coluna, Carlos Machado publica: “O êxito de Walter Pinto é devido, sobretudo, a ele mesmo. Podem figurar nos letreiros luminosos os nomes de Oscarito, Virginia Lane, Grande Otelo ou Mara Rubia, as maiores atrações nacionais. De um momento para outro, esses grandes nomes […] são obrigados a sair do palco das revistas de Walter Pinto. Saem mas não fazem falta. O êxito é o mesmo… A explicação é óbvia: Walter Pinto apresenta uma revista em conjunto, e é o conjunto que se firma. Sua maior vitória está neste detalhe”. Viva o Teatro Brasileiro de todas as formas!

Nos anos 1960, o produtor passa a assinar também a direção e o texto dos espetáculos.

VIVA O TEATRO BRASILEIRODE TODOS OS GÊNEROS E FORMAS.

 

http://www.facebook.com/sotaques

Entrevista com a atriz Rita Ribeiro

50x501 “Há muitas Gisbertas à nossa volta”

Gisberta foi um dos maiores desafios da vida artística de Rita Ribeiro. A atriz falou à Revista Sotaques sobre esta peça, encenada pelo dramaturgo brasileiro Eduardo Brandão, que lhe tocou o coração de artista.

A História da transexual brasileira Gisberta Salce Júnior, tragicamente morta no Porto por um grupo de adolescentes, tem uma força que ultrapassa fronteiras, e pode chegar ao Brasil.

P – Qual foi o maior desafio que teve para interpretar a mãe da Gisberta ?

Rita Ribeiro – Interpretar este papel foi um dos maiores desafios da minha vida. Apaixonei-me pelo texto, porque era como uma carta fechada, que exigia de mim não só a vertente interpretativa, mas também tinha uma componente humanitária, de denúncia e reflexão sobre um episódio trágico. Foi como voltar à estaca zero e começar de novo.

P – Como surgiu esta Peça ?

Rita Ribeiro – Eu conheci o Eduardo Brandão na casa de um amigo comum, o Tiago Torres da Silva, num jantar e aí falamos na hipótese de trabalharmos em conjunto. Mais tarde, apresentou-me a ideia e achei interessante interpretar a mãe da Gisberta, que ama a filha ,apesar das diferenças, porque amar é aceitar o outro e não tentar que ele seja como nós queremos.

P- Conhecia a História da Gisberta ?

Rita Ribeiro – Conhecia o que li na comunicação social. É um episódio que nos faz tomar consciência de que existem muitas Gisbertas à nossa volta, e que temos de estar atentos a situações de discriminação e de intolerância.

P – Como foi a recepção do público do Porto ?

Rita Ribeiro – Foi extraordinário ver a sala cheia nos espectáculos: o público do Porto é muito afectuoso, e foi maravilhoso sentir a emoção das pessoas, que voltavam a casa com uma reflexão sobre este episódio que se passou na cidade.

P – A Rita Ribeiro é uma atriz com uma grande carreira no Teatro português. Como vê o panorama teatral na atualidade ?

Rita Ribeiro – Eu vejo o Teatro como a grande Escola de um ator. Estamos a atravessar uma fase tumultuosa, de grandes mudanças, mas não podemos perder o entusiasmo.

P – Sente que estava predestinada a ser atriz ?

Rita Ribeiro – Não acredito na predestinação. Nós somos construtores da nossa vida, e embora tenhamos dúvidas existenciais, ao longo do nosso percurso, tomamos as decisões que nos tornam mais felizes.

Ser atriz é uma escolha que encaro com serenidade e clareza.

P – Quem são as suas referências no Teatro português ?

Rita Ribeiro – A minha mãe e o meu pai são as minhas referências. O meu pai era um homem charmoso e bonito, um grande ator, tal como a minha mãe, que ainda é viva, e era igualmente uma atriz excepcional.

P – Que papéis gostaria de interpretar que nunca fez ?

Rita Ribeiro – O Agostinho da Silva dizia “não faças planos para a vida, porque podes estragar o que a vida tem preparado para ti”. Não tenho papéis de sonho, faço o meu trabalho com paixão e a vida acaba por abrir-me novas portas, novos projectos, novos papéis.

P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. Como é que é o seu sotaque ?

Rita Ribeiro – O meu sotaque é alfacinha. Mas é muito interessante este fenómeno dos sotaques: quando estou no Porto, por exemplo, começo a falar à moda do Porto.

Os Sotaques são como cantigas ou músicas. Na minha carreira, já tive de fazer um sotaque espanhol – para um papel na Relíquia – ou italiano – para interpretar a Maria Callas – e é sempre um desafio especial para um ator conseguir ser credível a falar outra língua.

P – Gisberta poderá ser representada no Brasil ?

Rita Ribeiro – Gostaria muito de fazer uma digressão, com esta peça, no Brasil. Não há brasileiro que não tenha um português na

família, e seria muito gratificante levar um espectáculo com esta qualidade para lá.

P – Para a Rita Ribeiro o Teatro é ….

Rita Ribeiro – O Teatro é a minha vida.

http://www.sotaques.pt – Entrevistas com alma e coração

R. Marques

#sotaques

#Brasil

#Portugal

#Ruimarques

#Teatro

 

 

Fernanda Montenegro vence Emmy internacional

fernanda_montenegroParabéns à grande Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro venceu o Emmy internacional pela novela Doce Mãe. O galardão foi atribuído em Nova Iorque, nesta segunda-feira, e é mais uma prova não só da a excelente atriz que é Fernanda Montenegro como da qualidade das novelas brasileiras.
Parabéns !!!!

www.sotaques.pt – A Revista da sua Cultura

R. Marques

Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia

1463116_634572976594779_1755003308_nNotícias com Sotaques 

Gabriela Amadeu obtém Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia

A sétima Edição do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva foi atribuída à escritora brasileira, Gabriela Amadeu pela obra “Luiz Gama ou o Diabo Coxo”.
O Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva 2013, tem um valor pecuniário de 15.000 euros, e é organizado conjuntamente pelo Instituto Camões de Portugal e pela Fundação de Artes ( Funarte) do Brasil.

www.sotaques.pt – Notícias com Sotaques

R. Marques

Um Teatro para todos – Actos à lá Gardé

994026_643336202373455_1203528203_n

A Comanhia Actos à lá Gardé, que apresentou no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, o seu espectáculo,  é uma caixa de surpresas. Nada é convencional ao longo da sua actuação, os actos sucedem-se de improviso, contando com a participação do público presente, e misturando influências do Teatro, do Circo e da Comédia.

Sete actores em Palco vão anunciando vários jogos teatrais, em que as pessoas participam e, a partir das escolhas que são feitas, desenvolvem performances que suscitam a emoção e o riso, a surpresa e a cumplicidade. Cada acto é um novo começar, uma página em branco que os actores tem de preencher com inteligência, rapidez e reflexos, sendo um desafio constante, superado com invulgar destreza.

O Teatro, nesta Companhia, alcança a sua maior utopia. Ser uma Arte de todos e para todos, democrática sem deixar de ser brilhantemente cómica e inovadora.

www.sotaques.pt – O Palco da sua Arte

Vencedores do Passatempo – Vá ao Teatro com o Sotaques.

1383678_618276848224392_877795175_nEm primeiro lugar, agradecemos a todos os que participaram no Passatempo Vá ao Teatro com o Sotaques.

Vencedores do Passatempo – Vá ao Teatro com o Sotaques.

Alexandre Queirós

Sofia Marcelino

José Roberto da Silva

 

www.sotaques.pt – Passatempos com Sotaques valem sempre a pena

 

Passatempo – Vá ao Teatro com o Sotaques

PrintPassatempo

Qual cidade portuguesa nasceu o dramaturgo Almeida Garrett?

Envie um email com a resposta e o seu nome para antonio.sotaques@gmail.com e receba 1 bilhetes duplo para espetáculo “Actos À Lá Gardé “sexta -feira, dia 11 de Outubro, às 22h00, no Teatro Sá da Bandeira.

www.facebook.com/sotaques

Ligados à corrente

1238334_10151680164934423_926437152_n

O Teatro tem uma caraterística que o torna, simultaneamente, frágil e profundamente poderoso: é uma arte  que (sobre)vive quase despojada de meios, que consegue conviver, saudavelmente, com outras artes. Ontem vimos esse espírito  de resistência contra a falta de recursos no espectáculo Rua da Alegria – Concerto para duas atrizes e dois músicos, Teatro a quatro –  no Teatro Carlos Alberto no Porto.

Inserido na Mostra de criações incógnitas – Corrente alterna – este encontro e desencontro de personagens e músicos no meio do deserto de perspectivas que é o Estado do Teatro em Portugal, fez-nos pensar, reflectir, emocionou-nos. De um lado, um pianista, do outro, um músico que tocava o Xilofone, em pano de fundo as sombras que se projectavam num fundo branco como figuras animadas, a circundar o palco três atrizes, uma delas a interpretar uma grávida, num discurso torrencial em que se fala da Rua da Alegria, onde muitas destas companhias condenadas à  morte prematura, resistem estoicamente e  se revelam contra um destino cruel e desesperdao.

Tambem muito interessante foi a analogia entre o Estado do Teatro e o Estado do país, ambos exilados no próprio país, ambos menorizados com os seus cidadãos a serem convidados, melhor, empurrados para a emigração. O aparecimento da mulher grávida, na parte final da peça, é um prenúncio de que algo tem de nascer no meio do desespero – é a lei do Teatro, da vida, do homem.

Ligados à Corrente estão estes atores e atrizes, estas companhias que só querem mostrar a sua arte, apesar de as autoridades lhes retribuirem com uma sistemática indiferença. A electricidade do Teatro, a ligação entre os atores e o público, nunca morrerá – por favor, não desliguem a tomada !!!

 

www.sotaques.pt – O Palco do seu talento

R. Marques

Passatempo – Corrente Alterna

1175415_10151647166824423_1986434552_n
Temos bilhetes duplos para os espectáculos da Corrente Alterna – Mostra de Criações Incógnitas, que decorrerá de 12 a 22 de Setembro no Teatro Carlos Alberto, e nas Praças Carlos Alberto e Praça da Batalha .

Espectáculos:

RuA dA ALEgRiA – CONCERTO pARAduAs ATRizEs EdOis MúsiCOs – TEATRO A QUATRO
18 SET | TeCA | Palco | qua 21:30

ARTE dE sER… – iMpRECAçãO A TEixEiRA dEpAsCOAEs – TEATROENSAIO
19 SET | TeCA | Palco | qui 21:30

CApiTALfuCk – PONTO TEATRO
20 SET | TeCA | Palco | sex 21:30

Responde à seguinte questão:

É natural do Porto uma grande figura da cultura portuguesa, que também foi um renovador do Teatro nacional, tanto na condição de legislador e dirigente como na de escritor e criador de peças teatrais.
Referimo-nos a:

a) Alexandre Herculano
B) Camilo Castelo Branco
C) Almeida Garrett

Envia-nos a tua resposta para o e-mail antonio.sotaques@gmail.com e habilita-te a ganhar um bilhete dublo .

www.facebook.com/sotaques

 

 

Teu corpo é meu texto

1012105_552707288103919_817852937_nTeu corpo é meu texto: o Corpo como linguagem teatral 

O espectáculo ” Teu corpo é meu Texto”, encenado ontem no Coliseu do Porto, mostra-nos o que sempre soubemos, mas dificilmente conseguimos traduzir artisticamente: que o Corpo é uma fala com vários significados que variam conforme os nossos gestos e actos. Com uma magnífica Christiane Torloni, quer na representação, que como voz off do espectáculo, ” Teu corpo é meu texto” exibiu uma companhia teatral formada por extraordinários actores com uma versatilidade imensa, capazes de nos impressionar com a sua destreza física e capacidade de representação.
A apoteose final, digna das melhores Óperas, com o recurso à música clássica, foi a cereja num delicioso bolo teatral. O público do Coliseu levantou-se em uníssono e os artistas, genuinamente artistas, foram aplaudidos durante largos minutos.
Longa vida ao grande Teatro !!! Longa vida aos actores que nos apaixonam !!!

www.sotaques.pt – Este site é um espectáculo

R. Marques

Namíbia Sim !!!!

img-336624-cenas-da-peca-namibia-nao - CópiaDefinitivamente, Namíbia Sim !!! A Peça brasileira escrita e protagonizada por Aldri Anunciação e Sérgio Menezes, com a Direcção de atores de Lázaro Ramos, que ontem subiu ao Palco do Teatro Nacional de São João no Porto, conquistou a plateia. Antes de mais, pela exploração dos recursos teatrais – desde a Voz -Off até ao vídeo ou às Luzes e Sombras – que foi feita de um modo inteligente, complementando o excelente texto escrito por Aldri  Anunciação.

Namíbia, Não !, espetáculo que abriu oficialmente o FITEI 2013, não é nada politicamente correcta. Nela dois primos, afectados por uma hipotética medida do Governo brasileiro de deportação dos indivíduos com melanina acentuada para África – e, eventualmente, a Namíbia esse destino terrível colonizado por alemães – fecham-se no apartamento onde discutem as questões raciais ou o lugar do negro na sociedade brasileira.

Mas nesta história não há heróis: o racismo pode vir de todo o lado, incluídos os protagonistas, racismo de cor, racismo económico, racismo cultural e social que todos mostrámos em situações limite, em suma, todas as cores do rascismo são dissecadas, analisadas, reflectidas.

Grande espetáculo e Grande Teatro aquele que vimos, ontem, no TNSJ. Só nos apetece dizer: longa vida ao FITEI, ao magnífico Teatro São João e ao Teatro Brasileiro, que tão boa saúde mostra com Peças tão brilhantes como esta.

http://www.sotaques.pt – Venha ver o Teatro à boleia do Sotaques

R. Marques

FITEI abre com o inconfundível Sotaque brasileiro

?????????????????

A 36ª Edição do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica- levanta o pano hoje sob o signo da parceria. Fruto de uma ligação forte e estabelecida com a FUNARTE – Fundação Nacional das Artes do Governo Brasileiro – será possível contornar a falta de apoios do Estado português, referida pelos responsáveis do Festival, e organizar um Evento onde haverá uma notável presença de Companhias e espetáculos do Brasil.

O primeiro ato oficial do FITEI 2013, inicia-se já hoje e amanhã às 21h30, no Teatro Nacional de São João,  com a prestigiada Peça “ Namíbia, Não!”, protagonizada pelos atores Aldri  Anunciação e Sérgio Menezes, encenada por Lázaro Ramos, que parte de uma hipotética medida do Governo brasileiro para deportar para África os habitantes com melanina acentuada. Para fugir a esta imposição, dois primos fecham-se num apartamento onde discutem, com humor,  a situação do afrodescendente brasileiro.

Ao todo serão 10 companhias brasileiras que participarão no FITEI 2013 entre 29 de Maio e 10 de Junho. Destaque-se, entre as várias propostas artísticas, a apresentação do espetáculo  “ Bethânia e as palavras” nos dias 7 e 8 de Junho,  pelas 21h30,  no TNSJ, uma oportunidade para rever este grande ícone da Música e da Cultura brasileira em Portugal.

Realce-se, ainda, a presença do FITEI no Serralves em Festa, através da performance “Traz Fusion” pela companhia francesa Jo Bithurne ( 8 de Junho, às 19h00, 9 de Junho às 16h30, em Serralves). Assim como o  espetáculo “Mix Tura” pela Allatantou Dance Company em torno das danças afro-cubanas e afro-brasileiras nos dias 1, 21h30, e 2 de Junho, 16h00, no Teatro Helena Sá e Costa.

O encerramento do Ano do Brasil em Portugal e do FITEI 2013 realiza-se na Praça D. João I, 9 e 10 de Junho às 22h00, com o espectáculo “Sua Incelencia, Ricardo III” do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (Natal, Rio Grande do Norte).

Não faltam, por isso, motivos para não ir ao Teatro no FITEI 2013 . A austeridade fica a porta – entremos e disfrutemos da Cultura.

www.sotaques.pt – O Palco onde desfila a Cultura

R. Marques

Sotaques acompanha Peça “Céu na Boca”

Céu na Boca11Como tem acontecido com o Ciclo de Teatro Brasileiro que está em cena em vários  Teatros da Cidade do Porto, no âmbito do FITEI, a Revista Online Sotaques Brasil/Portugal acompanha os múltiplos espetáculos em cartaz. Desta vez, vamos estar presentes peça “ Céu na Boca”, com a Direção Artística e a Coreografia de Henrique Rodovalho e produção da Quasar Companhia de Dança.

Como o próprio nome deixa antever, “ Céu na Boca” é uma reflexão coreografada de fenómenos com os Buracos Negros, movimentos estelares e explosões gravitacionais. Em Palco, a Quasar companhia de Goiânia que faz 25 anos, procura transmitir essa dialéctica que existe entre o Céu – território do ideal, do inatingível – e a Boca – metáfora da realidade palpável.

Vamos falar da Peça que irá ser apresentada no Teatro Carlos Alberto, em 23 e 24 de Maio,  e também com os protagonistas. Esteja atento(a) !!!

www.sotaques.pt – Venha ao Teatro através do Sotaques

R. Marques

FITEI 2013 apresentado no Porto

fiteiRegrasF_1No passado dia 16 de maio , no belíssimo salão nobre do Teatro Nacional de São João, que o FITEI 2013,  – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica – que decorrerá entre 29 de Maio e 10 de Junho,  entrou em cena. O carismático Festival – cumpre a sua 36ª edição- terá este ano uma programação mais reduzida, em virtude da falta de apoios do Estado, que foi alvo de várias críticas por parte do Diretor Artístico do Evento, Mário Moutinho.

Apesar disso, fruto de uma Parceria com a Funarte – Fundação Nacional de Artes do Governo Brasileiro – a programação terá uma forte presença de companhias de Teatro Brasileiro. Nesse âmbito, destaca-se o Ciclo Nelson Rodrigues com Peças como “ Vestido de Noiva” ou “ Toda a Nudez será castigada”, entre outras. Além disso, haverá dois espetáculos a salientar, fora do espaço do Teatro Nacional de São João onde se realizarão a maioria dos Eventos, uma performance artística  apoiada pelo Instituto Francês  que será apresentada no Serralves em Festa, e  a realização de um espetáculo de Dança afro-cubana em parceria com o Teatro Helena Sá e Costa.

Após a Conferência de Imprensa, ocorreu  o primeiro ato do FITEI 2013, com uma apresentação na Praça da Batalha de uma performance da Companhia brasileira “ Clowns de Shakespeare”. A Revista Sotaques Brasil/Portuguesa deseja o maior sucesso para esta edição  e votos de continuidade  com o bom trabalho à organização do FITEI.  

 www.sotaques.pt – Venha ao Teatro através do Sotaques

  Paulo César

 

                                   

 

Valsa n.º 6 de Nelson Rodrigues

????????Valsa n.º 6

O Sotaques assistiu, ontem, à peça “Valsa n.º 6 de Nelson Rodrigues” um monólogo protagonizado pela atriz brasileira Luisa Thiré, no Teatro Nacional São João.

Um belíssimo monólogo tendo como pano de fundo a música de Chopin, uma mulher assassinada aos 15 anos fala-nos do lado de lá da morte, esforçando-se, entre lembranças desconexas e alucinações, por reconstituir a sua história e assim se libertar do passado.

Valsa n.º 6 de Nelson Rodrigues, foi aplaudida de pé pelo público portuense. No final, o sentimento geral era de satisfação pela qualidade da peça, a riqueza do figurino, a empatia com os espectadores e o talento da atriz.

Sotaques Brasil/Portugal – o melhor meio para divulgar a arte em Língua portuguesa www.sotaques.pt

Arlequim Desconhecido

27 de Março: Dia Mundial do Teatro

                                                  Uma Arte que é a própria VidaPorto__s_Theatre_III_by_sculptedfailure

O Teatro é a Luz e a Sombra que acompanha todo o Homem desde a Pré-História. O  primitivo Homem das cavernas desenhava esboços de si e da Natureza, nas grutas e assim se reflectia, pela primeira vez, num palco improvisado, manifestando, rudimentarmente, o esboço primário dessa Arte de representação suprema que é o Teatro.

Posteriormente, já nas grandes Civilizações Clássicas como a Grega, o Teatro fazia parte integrante da Polis e do sentimento de profundo apego à cidade, aos seus valores políticos, morais  e culturais,  que uniam  os gregos. Desde as mais simples procissões em honra do Deus Dionisos – chamadas Ditirambos – à prodigiosa e complexa produção teatral de pioneiros da criação como Ésquilo, Sófocles, Eurípedes ou Aristófanes, foi  uma Escola de virtudes que glorificou  os feitos gregos e atenuou  as rivalidades entre as Nações Estado,  que coabitavam em Terras Helénicas.

No Fim da Idade Média e início do Renascimento, em Portugal, um nome elevou-se acima de todos os outros. Gil Vicente, considerado por muitos não só o pai do Teatro português, mas também Ibérico – já que também escrevia peças em castelhano. Nascido em 1644, a primeira obra de Gil Vicente, “ Auto da Visitação” foi representada na Corte perante o Rei D. Manuel I e D. Maria, na noite de 8 de Junho de 1502,  para festejar o nascimento do filho, o futuro D. João III, e os seus Autos, entre os quais, o “ Auto da Barca do Inferno” ou “ Auto da Barca do Purgatório”, nunca deixam de criticar a ordem social e religiosa dominante.

Outro nome fulcral na introdução da Cultura Renascentista em Portugal e na renovação do Teatro português, foi António Ferreira. Vivendo entre 1528 e 1569, notabilizou-se por escrever a primeira Tragédia do classicismo português, “ A Castro”, baseada nos amores fatais que uniram D. Pedro e D. Inês.

Já nos séculos XVIII e XIX, ocorre   uma enorme Revolução quer na Linguagem, quer nas próprias Instituições do Teatro português. No epicentro da mudança está João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett.

Simultaneamente, criador e autor de peças emblemáticas como “ Frei Luís de Sousa” ou “ Falar a Verdade a mentir” ou como ideólogo de novas Entidades como o Teatro Nacional de D. Maria ou o Conservatório de Arte Dramática.

No século XX português, atravessado por essa espinha cravada na Cultura e Criatividade nacionais  chamada Salazarismo, o Teatro não deixou  crescer e ganhar novas formas. Salientam-se, entre outros, autores como Raul Brandão, José Régio, José Cardoso Pires, Luís de Stau Monteiro  ou Bernardo Santareno,  actores

 

 

inesquecíveis como Ribeirinho, Vasco Morgado, António Silva, Amélia Rei Colaço, Eunice Munhoz, Ruy de Carvalho,   Luís Miguel Cintra ou Encenadores como o imortal António Pedro, imortalizado por Edgar Pêra no documentário “ O Homem Teatro” , Jorge Silva Duarte e Diogo Infante  e tantos outros – aqui deixo a minha homenagem a todos os que trabalham no Teatro, sejam profissionais ou amadores.

Do outro lado do Atlântico, no Brasil, o Teatro propagou-se  como veículo de comunicação e  evangelização dos Jesuítas. Foi um modo de dialogar com os Índios e divulgar o Cristianismo – são deste período, no século XVI, as obras do Padre Manuel Nóbrega “ Diálogo, conversão do gentio”, de 1557,  o “ Auto da Pregação Universal “, em 1567 e  “O auto de São Lourenço”, em 1586, ambas escritas pelo Padre José de Anchieta.

No século XIX, com a transferência da Corte para o Brasil, o Teatro ganhou nova vida. Nome incontornável é o do actor João  Caetano, impulsionador  da formação dos actores brasileiros e figura  ligada  a duas peças emblemáticas do Teatro brasileiro como “ António José” ou o “ O poeta e a Inquisição”.

A brilhante geração romântica de fins do século XIX e princípios do século XX, com ícones como Machado de Assis, José de Alencar ou  Castro Alves, também contribuiu com várias  obras para este género tão nobre e especial. Com uma escrita que abandonava  o romantismo mais ultra-montano e acolhia o realismo e a crítica social como pilares.

Finalmente, o século XX,  acentua essa tendência. Com Mestres do Realismo crítico como o inevitável  Nelson Rodrigues, Aruna Suassena ou Arnaldo Jabor e, claro, magníficos actores como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Marília Pera ou António Fagundes.

Em síntese, o Teatro, em Portugal, no Brasil, no Mundo, está de parabéns. A Arte da Vida, do Homem que se olha a si próprio, que se espelha na Linguagem e no Espaço ao longo dos Tempos,  está para durar, apesar de todas as  crises e de todos os certificados de Óbito, claramente exagerados, sobre a sua morte eminente: o Teatro  é eterno como o Homem que se interroga, todos os dias, pelo seu destino neste Planeta.

www.sotaques.pt – O Palco da sua Cultura

R. Marques

Efemérides com Sotaques: Marília Pera

marília-PêraEfemérides com Sotaques: aniversário de Marília Pera 

Nesta terça-feira, 22 de Janeiro, fez 70 anos uma das grandes Damas da interpretação brasileira: a incontornável Marília Pera. No Teatro, na Televisão ou no Cinema o nome dela é sinónimo de talento e versatilidade.

Filha de actores, Maria Marzullo Pêra nasceu a 22 de Janeiro de 1943, e começou muito nova – entre os 14 e os 20 anos – a participar como bailarina em vários musicais. Mais tarde, afirma-se como actriz em papéis memoráveis como o de Carmen Miranda, Maria Callas ou Coco Chanel, ao mesmo tempo que faz os primeiros papéis em novelas da Globo.

Ao longo das décadas, Marília Pera têm-se evidenciado uma actriz completa, que canta magnificamente, e que domina todos os géneros. O Sotaques Brasil/Portugal presta a merecida homenagem a uma actriz única e admirável e deseja que continue, por muitos anos, a maravilhar o público brasileiro e português.

http://www.sotaques.pt – O Palco do seu Talento

R. Marques

Emília Silvestre : uma atriz total que tem o Teatro no sangue

Emília .Silvestre

Entrevista com Sotaques a Emília Silvestre :  uma atriz total que tem o Teatro no sangue

É uma das grandes referências do Teatro português. Emília Silvestre compõe em “ Casas Pardas” uma espantosa personagem: a granítica Maria do Carmo, uma mãe fria e distante cuja única preocupação é manter as aparências, sacrificando tudo e todos se for necessário.

Entrevistamos Emília Silvestre, uma atriz total que experimentou, brilhantemente, todos os os géneros – Teatro, Cinema e Televisão. Mas que gosta de estar em Casa – e a sua Casa é o Teatro onde vai  continuar a receber o público,  como boa anfitriã,  e a  proporcionar-lhe  momentos inesquecíveis e personagens únicas

P – Em “ Casas Pardas interpreta três personagens – a mãe, Maria do Carmo, a Mulher II e uma das Carpideiras. Como correu este desafio ?

Emília Silvestre – É sempre estimulante para um ator fazer várias  personagens diferentes na mesma Peça. Sobretudo quando há uma certa perversidade nelas, designadamente na Maria do Carmo, que é uma esposa com um casamento infeliz, de fachada, e à  Mulher II, uma figura retrógrada.

P – Concorda que as personagens más são as mais estimulantes para os atores ?

Emília Silvestre – Adoro fazer personagens más, porque sinto que puxam mais  pelo ator, obrigam-no a ter uma elasticidade maior, a ser mais completo, a exprimir-se mais profundamente.

P  – O contexto temporal de “ Casas Pardas” situa-se nos anos finais do Salazarismo. Que recordações tem dessa época ?

Emília Silvestre – Guardo boas memórias porque era ainda criança. Lembro-me dos meus avôs, do ambiente familiar

P – E em relação à Peça  “ Casas Pardas” como foi o trabalho para materializar  o texto ?

Emília Silvestre – Foi um desafio permanente: isso vê-se no texto que é muito exigente e difícil, e nós sentimos que tínhamos de passar essa reflexão, esse espírito de indagação sobre esse período para o público.

Por outro lado, este é um Espetáculo visto muito sobre o lado feminino. São sete mulheres em palco a representar personagens, portanto esse desafio foi ainda maior.

Também pesquisei outros Livros e Romances que abordam temas ligados ao Estado Novo, para compreender melhor a mentalidade de personagens como a Maria das Dores.

P – A Emília é natural do Porto. Gosta do Sotaque tripeiro e dos outros Sotaques ?

Emília Silvestre – Adoro o Sotaque tripeiro. É tão característico que gosto muito de ouvi-lo.

Mas também gosto de interpretar Sotaques – já fiz Peças em que tive de interpretar um determinado Sotaques e é um prazer para um ator poder fazer isso, porque desafia-o  a conhecer melhor a sua Língua, as diferenças no modo de falar das várias Regiões.

P – Conhece o Teatro Brasileiro ? Tem algum autor ou atriz brasileira que admire ?

Emília Silvestre – Autor diria que o Nelson Rodrigues, que tem Obras muito fortes e visuais. Enquanto atriz já tive a oportunidade de trabalhar com a Eva Wilma na Peça “ Turismo Infinito”, que já foi apresentada no Brasil, que é uma excelente atriz,  e outra grande referência do Brasil é a Fernanda Montenegro.

P – Gostava que esta Peça fosse representada no Brasil ?

Emília Silvestre –  Gostava muito. Já tive a oportunidade de trabalhar em Peças que foram apresentadas no Brasil e gostei imenso da experiência, do contacto com o público brasileiro.

P – Tem algum papel de sonho que gostasse de representar em 2013 ?

Emília Silvestre – Para o ano vou participar em  em duas peças que admiro muito – “ Dias Felizes” de Samuel Beckett e “ Macbeth” de Shaekspeatre onde vou interpretar Lady Macbeth.

São dois papéis magníficos que estou certa me vão dar grande satisfação fazer.

www.sotaques.pt – Entrevistas com Sotaques

R. Marques

“ Casas Pardas” que olham para as Janelas da Alma

148681_10151195748454423_1996914586_nSão Casas. Lugares de Habitação, de medos, de segredos, de seres fechados em labirintos infinitos que a História foi tecendo, cruelmente, mas em que elas se foram enredando como moscas prisioneiras da teia das conveniências sociais e políticas.

“ Casas Pardas”, a Peça que nasceu da vontade de traduzir o romance de Maria Velho da Costa de Nuno Carinhas e do trabalho literário de Luísa Costa Gomes, é um prodígio de economia e sapiência teatral. Nenhuma palavra é inútil, nenhuma personagem é irrelevante, nenhum gesto se perde no meio da História.

Melhor dizendo, das Histórias que cruzam uma família da Burguesia Lisboeta – com a sua tríade de Marias, nome tão português e tão característico do Portugal de Salazar, a matriarca fria e impassível, Maria do Carmo, as filhas,  a menina bonita e mal amada, Maria das Dores,  a irreverente Maria Elisa, o marido e o irmão – com as vidas das empregadas, dos amigos, , das carpideiras que choram a morte de todos os que gravitam à volta daquele pequeno mundo em tons de Farsa. A cena da Ceia  em que as personagens se juntam, usando uma pequena máscara que lhes esconde o olhar, é a perfeita síntese deste baile eterno de Fantasmas de um país que já morreu, mas que ainda revela sinais de vida.

Salazar não explica tudo. Nunca explicou: ele não passou de um pretexto para que uma sociedade corporizasse o seu reaccionarismo mais primário, os seus complexos de classe e hierarquia, o seu desejo profundo de viver em plena mediocridade de sonhos e ambições.

Cada personagem é, em si, uma Casa. Um espaço encerrado, circular, onde não flui a vida, onde tudo morre à nascença.

Todas elas sopram o  ar de  morte e podridão  desse Tempo decadente na figura da boneca de carne e osso que é Maria das Dores. Que se rebela num magnífico monólogo, mas que está irremediavelmente condenada: sempre será um sub-produto dessa sociedade familiar  que odeia a individualidade, a autonomia, o pensamento.

Vejamos essas Casas por dentro. Olhemos as Janelas da Alma do que fomos para perceber, através dos sinais que esta luminosa Peça de Teatro, de Vida, nos transmite  aquilo em que nos tornamos.

www.sotaques.pt – Teatro é vida com Sotaques

R. Marques

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nuno Carinhas, em Busca da Música da Língua Portuguesa

NunoCarinhas

Entrevista com Sotaques:  Nuno Carinhas,  em Busca  da Música da Língua Portuguesa

A Peça “ Casas Pardas” é uma revisitação de uma das obras-primas   da Literatura Portuguesa do século XX. Partindo da Obra homónima de Maria Velho da Costa, publicada em 1977, adaptada por Luísa Costa Gomes, fazemos uma viagem pelo Salazarismo através dos diálogos de várias personagens que se fecham  em Casas Pardas,  claustrofóbicas, onde tudo  funciona numa lógica aparentemente eterna e asfixiante.
Conversamos com Nuno Carinhas, Diretor do Teatro Nacional de São João, responsável pela Encenação do espectáculo, sobre esse Tempo passado cuja memória ainda nos fere, nos dias de hoje, e que é também uma homenagem à Música poderosa, incontornável, única que possui a Língua portuguesa,  e que o Teatro recupera como legado para o Futuro, para as Gerações vindouras.

P – Que contacto tinha com esta obra Literária de  Velho da Costa “ Casas Pardas”, escrita em 1977,  e como foi o desafio de traduzir este texto para o  Palco?

Nuno Carinhas – Este Projecto nasceu a partir da ideia do cruzamento de  vários autores,  traduzindo  textos emblemáticos da Literatura Portuguesa para a linguagem mais específica do Teatro – por isso, quisemos que o Jacinto Lucas Pires adaptasse o “ Nome de Guerra do Almada Negreiros e a Luísa Costa Gomes   “ Casas Pardas”, de Maria Velho da Costa.

Relativamente a “ Casas Pardas” é um Livro que admiro, um romance charneira na ficção nacional que além de espelhar esse Tempo cinzento e triste, o faz com um grande domínio da Linguagem e elegância.

P – Luísa Costa Gomes fala-nos de um Romance Teatral na abordagem da Obra. Concorda  com esta definição ?

Nuno Carinhas – Sem dúvida. É um romance teatral porque ensaia várias formas de Literatura no seu interior.

Isso fez com que sentíssemos que tínhamos em mãos um Texto invulgar , que devíamos respeitar ao máximo. Procuramos na Peça uma certa economia,  para que não houvesse repetições nem pleonasmos,  palavras ou  gestos a mais, para que o espectador fruísse a beleza dos diálogos e monólogos das várias personagens. 

P – “ Casas Pardas” aborda o Portugal anterior ao 25 de Abril. Que memórias guarda desse Tempo e como era a atividade Teatral então ?

Nuno Carinhas – Eu era relativamente jovem nesta altura e lembro-me que havia um crivo muito forte da parte da censura, existiam autores malditos, proibidos e tínhamos a presença constante dos censores no Teatro. Eles eram pessoas lá de casa, uns privilegiados, e claro,  essa  falta de liberdade prejudicava a nossa atividade.

P – Até que ponto o Portugal de Salazar, com as suas encenações – o próprio Ditador quando já estava doente, na cama, era visitado pelos ministros que o tratavam como se ainda estivesse no Poder – era uma gigantesca  Peça de Teatro no sentido mais profundo do termo ?

Nuno Carinhas  – Julgo que havia uma sensação de imutabilidade no regime. O Estado Novo condicionava a liberdade de expressão e de criação das pessoas, havia uma repressão surda que fazia com que  elas falassem  baixo e tivessem  medo do vizinho, do colega, sentiam-se constrangidas.  

P – A Revista Online Sotaques procura aproximar a Cultura Portuguesa e Brasileira. Aprecia o Teatro Brasileiro e algum autor em particular  ?

Nuno Carinhas – O Nelson Rodrigues é um nome incontornável porque é um autor com uma linguagem própria, mas também posso falar de outro criador como Ariano Suassuna, com um registo mais local. Creio que o Teatro brasileiro tem uma variedade de propostas e autores muito interessante.

P – Valorizamos a língua e a diversidade de Sotaques. Como cultor da palavra,  por excelência, que se dedicam à exploração do texto e da fala,  gosta de algum Sotaque português em particular ?

Nuno Carinhas –  Os Sotaques são essenciais porque nos mostram as possibilidades da Língua. Por exemplo, quando encenamos um Auto de Gil Vicente estamos a recuperar um Património Cultural da nossa forma de falar, das nossas origens. Nos Sotaques há essa musicalidade das palavras que enriquece a nossa ação como criadores. 

P – O Teatro Nacional de São João tem boas relações com o Brasil ?

Nuno Carinhas – Desde 2008, assinamos um Protocolo de colaboração com o Serviço Social de Comércio de São Paulo, no âmbito do qual temos desenvolvido várias parcerias.

No âmbito desse Protocolo,  o TNSJ já apresentou  no Brasil Peças como “ Turismo Infinito” ou  “ Sombras – A nossa tristeza é a nossa alegria” da autoria do Ricardo Pais, um tributo que junta   textos de  escritores como o Padre António Vieira, Garrett ou António Ferreira e o universo do Fado. Também já recebemos criações do SSCSP aqui .

P – As parcerias com o Brasil podem ser uma saída para a crise que atravessa o Teatro nacional  ?

Nuno Carinhas – São importantes para podermos fazer essa troca de experiências, de criatividade que é fulcral nesta conjuntura difícil.

P – O TNSJ tem um especial cuidado com os Projectos educativos ?

Nuno Carinhas – Procuramos que as Escolas possam ter um contacto regular com o Teatro Nacional de São João. Através da vinda dos professores e alunos para assistir aos ensaios, da organização de oficinas sistemáticas, de Masterclass,  enfim toda uma série de atividades que aproxima o Teatro aos jovens e que estimula a sua curiosidade e gosto.

P – 2013 está aqui ao virar da esquina. Que balanço profissional faz de 2012 e como projeta a  atividade do TNSJ  em 2013 ?

Nuno Carinhas – Faço um Balanço positivo e reconfortante  de 2012: realizamos os trabalhos que desejávamos e cumprimos o nosso papel de proporcionar uma programação de qualidade aos vários públicos.

Quanto ao próximo ano espero que,  apesar das conhecidas restrições orçamentais, possamos dar continuidade ao nosso trabalho. A Cultura e as artes são essenciais para o país,  e é fundamental termos estratégias comuns para valorizá-las.

www.sotaques.pt – O site que divulga a sua Cultura

R. Marques

Dama do teatro português – Emília Silvestre

Rui.Marques e Emília Silvestre

O Sotaques esteve à conversa com  a grande  dama do teatro português, a  atriz Emília Silvestre, que integra  o  elenco da Peça” Casas Pardas”,  um  espectáculo que revisita o Portugal de Salazar através da adaptação de Luísa Costa Gomes do romance de Maria Velho da Costa.

Conheça melhor uma das maiores atrizes do nosso país, com uma carreira extraordinária cheia de papéis marcantes no Teatro, Cinema e Televisão. Não se atrase porque o pano vai subir, e esta bela peça jornalística começa já esta sexta-feira.

ATT00033 (1)

www.sotaques.pt – O Cenário ideal para a sua Cultura

R. Marques

Nuno Carinhas – Teatro Nacional São João

 Rui.Marques e Nuno.Carinhas O Sotaques foi ao Teatro 

Não perca amanhã a entrevista com o Diretor do Teatro Nacional  São João, Nuno Carinhas , responsável pela  Encenação da peça “ Casas Pardas”, que está em exibição no TNSJ. Uma oportunidade única  para ouvir uma vozes mais prestigiadas do Teatro português sobre um espectáculo  que revisita um romance maior da Literatura portuguesa da autoria de Maria Velho da Costa, adaptado por Luísa Costa Gomes.

O anúncio está feito. Amanhã venha ao Teatro a convite do Sotaques !!!

www.sotaques.pt – Teatro é vida com Sotaques

R. Marques

Jorge Amado

Jorge Amado: o menino que sonhou o Brasil

Como uma das suas personagens mais vivas, a Gabriela que cheirava  a Cravo e Canela, Jorge Amado reinventou o Brasil, captando-lhe as nuances, as cores, os odores. O Brasil da Baía, mulato, negro, rico ou pobre, o Brasil da mistura, do café com leite cuja identidade se multiplica até ao infinito.

Nascido em Itabuna, no Sul da Baía, em 1912, Jorge Amado foi viver com a família para  Ilhéus. A infância, essa idade dourada para a imaginação e a literatura, alimentou-se desse espaço paradisíaco, capital do cacau e  de um Litoral exuberante, que beijava o Mar e preenchia os sonhos do jovem escritor.

A ida para a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, na década de 30, estimulou o seu  ativismo político. É nessa altura que começa a ligação ao partido comunista, tão brilhantemente sintetizada na extraordinária Trilogia” Os subterrâneos da liberdade”, denunciando a brutalidade do Regime de Getúlio Vargas.

Em vez de enveredar pela carreira jurídica, Jorge Amado trabalhou como jornalista. O que não estranha pois o seu primeiro trabalho tinha sido, aos 14 anos,  como repórter policial no Diário da Baía e, posteriormente, noutro jornal baiano “ O Imparcial”.

Os temas do romancista foram um prolongamento dos trabalhos como jornalista: aos 18 anos, em 1930,  vê publicado o seu primeiro livro “ O país do Cacau” e em 1933 sai “ Cacau”, ambos um retrato crítico  dos poderes instalados dos coronéis e da  desigualdade sociais e económicas entre classes sociais. Paralelamente ao seu percurso como romancista e jornalista, também foi deputado federal , em 1945, pelo partido comunista brasileiro, sendo o autor da emenda que garantia a liberdade religiosa.

Esta intensa militância política e literária,  não era bem vista pelos sucessivos Governos que tinham simpatias fascistas – nomeadamente o Estado Novo de Getúlio Vargas. E, Jorge Amado,  sofreu vários exilíos na década de 40 e 50, na Argentina e Uruguai,  e na Europa, em Paris e Praga.

Jorge Amado é um dos mais profícuos escritores brasileiros: no total escreveu 49 livros e viu a sua obra editada em 55 países. Venceu os maiores prémios literários em Língua portuguesa – entre os quais o  prémio Camões em 1995 ou o prémio Jabuti em  1955 e 1959.

Mas será para  sempre recordado pelos filhos que criou, as suas personagens, algumas imortalizadas na Televisão. Como Gabriela de “Gabriela  Cravo e Canela”, Dona Flor e Vadinho de “Dona Flor e os seus maridos” ou Pedro Bala e o Professor em “ Capitães de Areia”.

Um escritor com profundas ligações a Portugal – não só era amigo pessoal de José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues  e Mário Soares – como era visita constante da pastelaria Natário, em Viana do Castelo. Foi uma inspiração para muitos escritores portugueses, pela sua escrita forte e sensual, estética e ética.

Deixou-nos em 2001,  com o seu imenso olhar nostálgico de menino de Ilhéus. O menino que sonhou o Brasil !!!

www.sotaques.pt –O homem sonha, a obra nasce, o Sotaques divulga

R. Marques

Sotaques marca presença no espectáculo “ Canastrões”

O Sotaques assistiu, ontem, à peça “ Canastrões” protagonizada pelo ator brasileiro Paulo Gracindo Júnior e pelos filhos,  no Teatro Rivoli do Porto. Uma peça que homenageia o seu pai, Paulo Gracindo, é que é uma viagem pelo imenso universo poético de um dos maiores atores da História do Brasil.
“ Canastrões” foi um êxito, suscitando grandes aplausos do público portuense. No final, o sentimento geral era de satisfação pela qualidade da peça, a riqueza dos figurinos, a empatia com os espectadores e o talento dos atores.  
Sotaques Brasil/Portugal – o melhor meio para divulgar a arte em Língua portuguesa www.sotaques.eu

Pedro Cardoso e Diogo Infante: a nova Geração do Teatro

O Teatro vive de figuras carismáticas que arrastam multidões, que criam empatia com o público e que se vão renovando, geração a geração, herdando todo o legado que foi construído e afirmando a sua própria identidade. Pedro Cardoso e Diogo Infante são dois rostos da nova geração do Teatro que temos de conhecer melhor porque serão eles, num futuro próximo, que passarão o testemunho para as vindouras gerações porque o Teatro, como todas as artes, é imortal.

Pedro Cardoso
Há atores para os quais o Teatro é uma segunda, senão primeira, casa, um local onde regressam à infância feliz, à liberdade e criatividade sem barreiras. Pedro Cardoso é, sem dúvida, um deles como  podemos comprovar pela sua carreira.
Carioca nascido a 31 de Dezembro de 1962, primo do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, iniciou a sua vida no Teatro a trabalhar na iluminação das peça. Interessou-se pela linguagem teatral e decidiu avançar, em parceria com o ator Felipe Pinheiro, para a escrita e interpretação com peças  como “ Bar, doce bar”, “ C de canastra”, “ A besta” e “ A macaca”, trabalhando ambos igualmente como guionistas no programa TV Pirata.
Depois da morte por ataque cardíaco de Felipe Pinheiro, passou a escrever e atuar a solo. Nesta fase mais próxima de nós, destacam-se peças como “ O autofalante”, “ Os ignorantes” ou “ Todo o mundo tem problemas sexuais” com grande êxito no Brasil e em Portugal, onde costuma vir em digressão.
Pedro Cardoso também é um ator com grande sucesso na Televisão. Participa em grandes êxitos como guionista na “Comédia da Vida Privada” e  ator em  “ A  Grande família”  e, em 2008, foi  nomeado por esta série para o Emmy.

  
Diogo Infante  
Se há rosto que em Portugal se associa ao Teatro, na nova geração, é o de Diogo Infante. Diogo Nuno Infante de Lacerda nasceu em Lisboa, em 1967, estudou na Escola de Teatro e cinema desta cidade e começou a trabalhar na peça “ As sabichonas de Moliére” no Teatro Nacional D. Maria II, na década de 90.
Nas duas décadas seguintes,  protagonizou uma percurso fulgurante. Não só como ator em todos os grandes papéis clássicos , mas também como encenador – em peças de Harold Pinter ou Tenesse Williams entre outros – e também como Diretor artístico do Teatro Maria de Matos – entre 2006 e 2008 – e do Teatro Nacional D. Maria II – entre 2008 e 2011.
Tal como Pedro Cardoso, Diogo Infante também revela uma grande versatilidade – protagonizou várias séries e  novelas, na Televisão, e no cinema fez diversos filmes entre eles “ A sombra dos abutres”, de Leonel Vieira, que lhe valeu o prémio de melhor ator no Festival de Gramado.
Autor: Rui Marques

Raul Solnado e Paulo Autran: dois talentos sem idade

O Teatro é um espaço de prodigiosa metamorfose. Como a personagem de Gregor  na famosa obra de Kafka, o ator reinventa-se, torna-se outro, explora as múltiplas facetas que um ser humano possui – é como a borboleta que emerge da crisálida.

Raul Solnado e Paulo Autran marcaram o público português e brasileiro pela versatilidade mágica que mostravam em cada espetáculo. Foram magos da representação, porque afirmaram-se  como os heterónimos de Pessoa, tão diferentes uns dos outros na mensagem que nos legaram – e não será o próprio Fernando Pessoa, e os seus heterónimos, um exemplo de representação teatral, e uma homenagem à própria arte de criação de personagens infinitas que é o  Teatro ?


Raul Solnado

 

Façam favor de ser felizes !!! Foi  com este epitáfio nada triste, nem desconsolado que nos deixou Raul Solnado,  antes de morrer em 2009.

Lisboeta, nascido em 1929,  começou por fazer Teatro amador na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, profissionalizando-se em 1952. Estreou-se no Teatro de revista com a peça “ Viva o luxo” no Teatro Monumental, seguindo-se espetáculos como “ Ela não gostava do patrão” ou “Três rapazes e uma rapariga”, e a participação em vários filmes.
Foi com a rábula “ A guerra de 1908”, inspirada no cómico espanhol Gila, que Raul Solnado alcançou um grande sucesso na Revista “ Bate o pé” no Teatro Maria Vitória, em 1961. É também na década de 60 que cruza o Atlântico, atuando nos dois países,  e obtendo  grande sucesso no Brasil com o programa “ Raul Show …naldo” na TV Rio e “ Sete no sete” na Record – destaque-se igualmente, em 1973, a presença de Raul Solnado ao lado de  Chico Anysio na inauguração do programa dominical “ Fantástico”, uma das maiores referências da Televisão brasileira.
Em 1969 a sua popularidade dispara-se com a emissão do programa “ Zip, Zip”, no Teatro Villaret, junto com Fialho Gouveia e Carlos Cruz. Na década de 70 também apresenta o Concurso da RTP “ A visita da Cornélia” e, nos anos 80,  apresentou junto com Fialho e Cruz o programa “ E o resto são cantigas”, que revelou grandes nomes da música ligeira portuguesa.
Morreu em 2009, mas sempre com uma ligação profunda ao Teatro – clássico, cómico e de revista. Também foi um benemérito desta arte – foi Diretor da Casa do artista até à sua morte, Instituição que fundou  com Raul Cortez, para proteger os atores na velhice. 
Paulo Autran
Paulo Paquet Autran nasceu no Rio de Janeiro, em 1922,  e mudou-se muito jovem para São Paulo. Formou-se em Direito e participou em várias peças como amador até que se estreou profissionalmente com a peça “ Um Deus dormiu lá em casa”.
Embora namorasse, ao longo da sua carreira, com o cinema e a televisão – com participação em notáveis filmes como “ Terra em Transe” de Glauber Rocha ou telenovelas de grande êxito como “ A Guerra dos sexos”, ao lado de Fernanda Montenegro – a paixão reservou-a para o Teatro, que foi realmente o amor da sua vida.
Todos os grandes clássicos como “ Antígona”, “Otelo”, “ O avarento” ou “Édipo Rei” foram por ele protagonizados com insuperável brilhantez. “ O avarento” em 2006 foi a sua última peça – morreu no ano seguinte – aquele que foi considerado o senhor dos palcos e que, em 2011, foi declarado por lei patrono do Teatro brasileiro.
Autor: Rui Marques

Os criadores do Teatro português e brasileiro

Os criadores do Teatro português e brasileiro

O Teatro é, simultaneamente, uma arte intuitiva e reflexiva. A intuição é obra do ator que tem de expressar, num palco, a verdade de um Texto, e é um ato de reflexão na medida em que  resulta de uma história contada por um criador, de alguém que imagina um espetáculo.
Neste texto vamos falar de alguns dos grandes criadores do Teatro português e brasileiro. Figuras que transcenderam o próprio Teatro – porque o Teatro se transcende naturalmente a si próprio, é uma visão global da sociedade, muito maior que o espaço delimitado pelo palco – e que fizeram dele a grande Escola de atores, que maravilharam gerações e gerações em Portugal e Brasil.

 

Gil Vicente
Em Portugal tudo começa com ele. É o primeiro grande dramaturgo português e, segundo várias opiniões, o primeiro ibérico – porque escrevia  também em castelhano.
Desconhece-se se nasceu em Guimarães ou Barcelos,  e a data de nascimento mais provável a que os estudos apontam é de 1490. Sabe-se que era poeta, músico, ator e encenador e, dizem alguns historiadores,  que seria também ourives, autor da Custódia de Belém – essa hipótese é reforçado pelo grande domínio que Gil Vicente mostra, nas suas peças,  dos termos técnicos da ourivesaria.
O que é indesmentível é o seu talento para o Teatro – escreveu a sua primeira peça em Castelhano “Auto da Visitação” também conhecido como “Monólogo do Vaqueiro”, que foi representada na Corte ao rei  D. Manuel I e D.Maria e à viúva de D. João II, D. Leonor , celebrando o nascimento do seu filho D. João – futuro D. João III – na noite e 8 de Junho de 1502. A partir desse momento, torna-se responsável dos eventos palacianos, desenvolvendo a sua criatividade e inovando com um Teatro crítico da sociedade portuguesa e das grandes diferenças sociais entre classes.
A sua obra reflecte a passagem de uma rígida sociedade medieval para uma sociedade moderna, crítica, em que os textos satíricos e os escritores  põem em causa a ordem dominante – basta lembrarmo-nos de autores como Erasmo, Damião de Góis, o próprio Camões, que surgem, no século XVI,  como os rostos de uma modernidade que não se compadece com os cânones do medievalismo estático e reverencial. Obras como o “Auto da barca do Inferno”, “Auto da Índia” , “Auto da Fama”  ou “ Floresta dos enganos” revelam-nos um autor livre e perspicaz, cujo legado marca um antes e um depois na História do Teatro Português.

 

 Almeida Garrett
Conta-se que o grande Historiador português, Alexandre Herculano passeava em Lisboa, pela rua, quando viu um volume numa livraria que lhe chamou a atenção. Viu de relance a obra, que não estava assinada com o nome do autor, identificou-a,  e disse sem hesitação que aquele era um livro de Almeida Garrett, um homem com um talento tão  invulgar que já nem sabia  o que fazer com tanta genialidade.
Génio é uma palavra que assenta que nem uma luva a João Baptista da Silva Leitão  de Almeida Garrett. Natural do Porto – no ano de 1799 – Almeida Garrett desde muito novo manifestou não só uma enorme inteligência e talento literário, como uma convicção inabalável na causa Liberal.
Participou ativamente na Revolução liberal de 1820, lutou contra o Golpe da Vilafrancada dado pelas forças de D. Miguel e acabou exilado em França e  Inglaterra, regressando em 1832 na expedição de D. Pedro IV – D. Pedro I do Brasil – na companhia de outros vultos como Alexandre Herculano, que desembarcou no Mindelo, em Vila do Conde, e que venceu as tropas miguelistas no cerco do Porto, restaurando o liberalismo em Portugal.
O Teatro ocupa um lugar central na vida de Almeida Garrett. Foi enquanto estudava Direito na Universidade de Coimbra que encenou a peça “Catão”,  e  nunca deixou de ser, não só um grande criador Teatral,  como um lutador incansável pela  valorização desta arte.
É a ele que se deve o impulso para construir o Teatro Nacional D.Maria II e a criação do Conservatório de arte dramática. Excelso orador parlamentar, autor de obras primas da Literatura portuguesa como “ Viagens na minha Terra” ou os poemas “ Camões” “ Dona Branca”  ou “ Folhas Caídas”, escreveu a peça “ Frei Luís de Sousa”, uma história de um homem que regressa da batalha de Alcácer Quibir, e que é uma evocação da traumática derrota de D. Sebastião.
Provavelmente a peça mais emblemática da história do Teatro Português de um homem que, também nesta arte, mostrou uma genialidade única.

 

Os Jesuítas: os pais do Teatro no Brasil
As primeiras peças de Teatro no Brasil foram escritas no século XVI pelos Jesuítas. A companhia de Jesus  que se instalou em terras brasileiras, após a chegada dos portugueses, tinha como principal missão catequizar os índios e encontrou no Teatro um veículo propício  para a evangelização. 
Reconhecendo nas tribos locais um gosto especial pela música, a dança e a oratória – um dos episódios mais caricatos da expedição de Pedro Álvares Cabral foi  quando um dos elementos da mesma, Diogo Dias, começou a tocar a gaita que trouxe de Portugal, dançando com os índios – os Jesuítas sentiram que a acção teatral facilitaria a comunicação,  a educação religiosa e a transmissão da palavra sagrada.
As primeiras peças foram escritas em tupi, português ou espanhol, e versavam sobre temas como o amor ou o temor a Deus com personagens como anjos, demónios ou imperadores. O Padre Anchieta destacou-se na escrita de peças como o “Auto da pregação universal”, escrito entre 1567 e 1570 , ou  “ Na festa de S. Lourenço”, sobre o mistério, e os atores eram índios, padres jovens, mamelucos e brancos.  
Registe-se a título de curiosidade que o Teatro era então matéria obrigatória ensinada   nas humanidades, nos Colégios  da Companhia de Jesus. Só estavam proibidas as personagens femininas nas peças para evitar o empolgamento dos jovens padres.  
Nelson Rodrigues
Nelson Falcão Rodrigues nunca deixou ninguém indiferente. Afinal é dele a frase “ toda a unanimidade é burra” e  sempre se afirmou como uma personalidade vincada, um autor com imenso talento, e um dramaturgo que marcou o Teatro brasileiro.
Nascido no Recife em 1912, foi viver para o Rio de Janeiro em 1916, e já adulto começou a trabalhar no Jornal “ A manhã”, passando mais tarde pelo “ Globo” pelo “ O Jornal” . Afirmou-se como um cronista extraordinário a fazer  a cobertura policial,  a escrever deliciosas críticas sobre o futebol, e até a escrever folhetins de novela sob o pseudómino “ Susana Flag”.
O êxito deste folhetim que apresentou no “ O Jornal” levou-o a escrever a sua terceira peça “ Álbum de família”. Antes já tinha escrito “ A mulher sem pecado”, sem grande sucesso”, e “ Vestida de noiva”, que causou sensação e escândalo na sociedade brasileira pela crítica que fazia à família convencional e aos preconceitos sociais e sexuais.  
É autor de várias peças de teatro, romances, contos, crónicas futebolísticas, e em todos os géneros deixou uma herança que ainda hoje se faz sentir na Literatura brasileira. Nelson Rodrigues ou como ele se definiu para a posteridade : “ sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura … o buraco da fechadura é a minha óptica de ficcionista … sou e sempre fui um anjo pornográfico desde menino”.
 Autor: Rui Marques

Homenagem a Chico Anysio

Hoje queremos homenagear Chico Anysio, que morreu na semana passada, deixando saudades a um público que o amava como a poucos humoristas. Era admirado no Brasil e em Portugal,  e considerado pelos seus pares como uma grande referência no humor, na capacidade de improvisar e na criatividade incessante – inventou  mais de 200   personagens, ao longo da sua carreira.
Nascido em Maranguapé, no Ceára, em 1930, a história de Francisco Anysio de Paula Filho é marcada,  aos 8 anos, pela  mudança do Ceará para o Rio de Janeiro, com a mãe e os três filhos . O pai ficou no Ceára para tentar recuperar as finanças da família – devido a um incêndio na Empresa de autocarros que este tinha – e o jovem Chico faz-se à vida desde muito novo.
Chega a estudar  Direito mas a vocação artística é mais forte – concorre a um teste para a Rádio Guanavara, em 1940, e fica em segundo atrás de Sílvio Santos, passando a imitar vozes e a atuar em programas de amor. Muda para a Rádio Mayrink Veiga onde escreve três programas semanais e nasce a sua personagem mais célebre – a Escolinha do Professor Raimundo.
Ao êxito na Rádio da Escola do Professor Raimundo  segue-se uma versão na Televisão,  no final dos anos 50,   e chega à TV Globo nos anos 70 . Na década de 90, o programa ganha autonomia e torna-se num  ponto de encontro entre cómicos da velha guarda e a nova geração do humor brasileiro .  
Entre as personagens mais célebres que criou contam-se, além do Professor Raimundo, Painho, Bento Carneiro, Bozó ou Zé Tamborim. Também apresentou outros programas de Televisão  como Chico Anysio Show, Chico Total ou Chico City.
Além de escrever e interpretar as suas personagens, Chico Anysio compunha músicas, pintava e escreveu contos e peças de Teatro. Em 2009 foi o tema da Escola Unidos do Anil, no Rio de Janeiro com o enredo “ Chico Total !!Sou Anil e Faço Carnaval”.
Uma homenagem justíssima para aquele a que o Jornal O Globo chamou “ o pai do humor brasileiro”, quando deu a notícia da sua morte.  
Autor: Rui Marques

Fernanda Montenegro e Eunice Munõz: o grande Teatro no feminino

Fernanda Montenegro e Eunice Munõz: o grande Teatro no feminino
Fernanda Montenegro é provavelmente a atriz brasileira mais reconhecida e respeitada do século XX e XXI. Para isso contribuiu uma carreira impar que começou pelo Teatro, passou pela Televisão e pelo Cinema, e a levou à nomeação para o Óscar de melhor actriz em 1998, e a vencer, na categoria de melhor filme, os Festivais de cinema de Berlim e o Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro com Central do Brasil, realizada por Walter Sales.
Arlette Pinheiro Esteves Torres, que depois adoptou o nome artístico de Fernanda Montenegro, nasceu no Rio de Janeiro em 1929. A  sua ligação ao Teatro vem da adolescência, pois inscreveu-se aos 15 anos num Concurso para locutoras na rádio MEC, foi aceite e começou a  trabalhar como locutora e, posteriormente,  a fazer rádio novelas.
Em 1950 inicia a sua carreira nos palcos teatrais com a peça “  Alegres canções na Montanha”, ao lado do marido Fernando Torres. Paralelamente também começa a trabalhar na TV Tupi do Rio de Janeiro – é a primeira actriz contratada por esta emissora – e entre 1951 e 1953 participa em 80 peças exibidas nos programas “ Retrospectiva do Teatro Universal” e “ Retrospectiva do Teatro Brasileiro”.
Fernanda Montenegro teve uma extraordinária carreira no Teatro, Televisão e Cinema. No Teatro interpretou os grandes dramaturgos brasileiros e estrangeiros – Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes  Augusto Boal, Tchekov, Beckett, Harold Pinter – no cinema para além do grande êxito que foi “ Central Brasil” participou em inúmeros filmes – e na Televisão deixou a sua marca em novelas   como “ A Guerra dos sexos”, ao lado de outra grande figura  da representação brasileira, Paulo Autran, “Cambalacho” , “ Sassaricando” ou a mais recente “ As Brasileiras”.
Eunice Muñoz teve a melhor Escola de aprendizagem teatral que uma atriz poderia desejar. Nascida em 1928, na Amaraleja, no  Alentejo profundo, veio estudar para o Conservatório em Lisboa, iniciando a sua vida profissional na Companhia de Teatro Rey Colaço/ Robles Monteiro em 1941 com a peça “ Vendaval” no Teatro Nacional D. Maria II.
Amélia Rey Colaço é considerada, por unanimidade,  a mais importante atriz portuguesa da primeira metade do século XX, e a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro era, naquela época,  a grande referência em termos de grupos teatrais. Por isso, essa passagem de testemunho entre Amélia Rey Colaço e Eunice Muñoz, foi muito importante para a sua afirmação como actriz.
Compatibiliza os seus trabalhos no Teatro Nacional com a participação  em peças no  Teatro de Variedades, ao lado de Vasco Santana e Miriam Casimiro. Tal como Fernanda Montenegro , atua  no cinema em filmes como “ Camões” de Leitão Barros, que lhe valeu ,em 1946,  o prémio do Secretariado nacional de informação para melhor actriz de cinema do país.  
Os paralelismos entre Eunice Munõz e Fernanda Montenegro não acabam aqui : ambas possuem um infindável número de peças teatrais com os grandes autores nacionais e estrangeiros – Eunice interpretou, por exemplo, várias peças de Almeida Garrett ou José Régio, entre outros autores nacionais – foram reconhecidas pelos seus trabalhos no cinema e deixaram-nos personagens inesquecíveis nas novelas – destaque para a figura de Dona Branca inspirada num caso real, interpretada por Eunice Muñoz, na novela “ A Banqueira do povo” de Walter Avancini em 1993.
Mas o que as une mais, para além de serem da mesma geração – com um ano de diferença – é o talento polifacético que revelam. E que só as grandes atrizes e actores conseguem ter com tanta exuberância e riqueza no Teatro, Cinema e Televisão.  
Autor: Rui Marques

Semana do Teatro

Grande semana do Teatro no Sotaques com homenagens a Chico Anysio,  Raul Solnado, Almeida Garrett, Nelson Rodrigues, Fernanda Montenegro e Eunice Munõz
Caros amigos e amigas do Sotaques:
O espetáculo vai começar. Nesta semana tão especial para uma das artes mais queridas aquém e além do Atlântico, em Portugal e no Brasil – o Teatro – queremos fazer uma sentida homenagem também a duas grandes  figuras que muito devem à representação teatral – os humoristas  Chico Anysio, falecido a semana passada, e Raul Solnado que morreu em 2009, a dois autores emblemáticos da História do Teatro português e brasileiro – Almeida Garrett e Nelson Rodrigues, e às duas grandes damas do Teatro português e Brasileiro – Eunice Muñoz e Fernanda Montenegro.
O Teatro que é não só uma arte como uma mãe de artes- a Televisão e o cinema são devedoras da Escola que forjou e continua a forjar grandes actores, e que é o espaço onde o actor tem de provar o seu talento e a sua veracidade perante o público, sem intermediários. Mas desenvolver um Teatro é igualmente uma prova de civilização para qualquer Nação: como escreveu o  pai fundador do Teatro Nacional e autor de uma  das peças mais comoventes do Teatro Português “ Frei Luís de Sousa”, Almeida Garrett : “o Teatro é um grande meio de civilização,  mas não prospera onde a  não  há”.
A grande dama do Teatro brasileiro, Fernanda Montenegro, resumiu deste modo tão simples, numa entrevista,  o que procura quando trabalha no Teatro: “o nosso critério não é escolher  papéis, mas procurar peças que queiram dizer alguma coisa; fazer Teatro é um destino”. Portanto, caros amigos, preparem-se porque a peça vai começar e vão gostar de assistir a esta grande semana do Teatro no Sotaques.
Autor: Rui Marques

Um actor para todas as idades


Ruy de Carvalho fez ontem 85 anos. Oito décadas de intensa dedicação à nobre arte de representar – com papéis marcantes no teatro, no cinema e televisão – que o tornaram no actor mais admirado de  Portugal. 
Nascido  em Lisboa a 1 de Março de 1927 em Lisboa, Ruy Alberto Rebelo Pires de Carvalho começou a sua aventura teatral como amador  em 1942, no grupo Mocidade Portuguesa, dirigido por uma das grandes referências do cinema português do século XX, Ribeirinho. 
Entre 1945 e 1950 estudou no Conservatório, iniciando o seu percurso profissional em 1947 no Teatro Nacional, na Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro. Passou por várias companhias de Teatro, tornando-se num rosto que os portugueses associaram imediatamente ao género  Teatro, um pouco à imagem do que aconteceu com  António Silva como a face mais reconhecível do cinema português.   
Interpretou todos os grandes autores estrangeiros – Shaeskspeare, Tchekov, Tennesse Wiliams – e portugueses – Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Luís de Stau Monteiro. No cinema também participou em filmes de Manuel de Oliveira como “Quinto Império – Ontem” como hoje ( 2004) ou ” Non ou a vã glória de mandar” ( 1990), e em várias séries de televisão. 
Oito décadas de vida, de teatro de um actor que continua no activo com novos Projetos e que não se quer retirar tão cedo.

Autor: Rui Marques

Um ator tem que ser aplaudido

Sérgio Pedro Corrêa de Britto (Rio de Janeiro, 29 de junho de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2011) foi um consagrado ator, diretor, apresentador e roteirista de cinema, televisão e teatro brasileiro

Considerado um dos maiores atores do país, Sérgio Britto foi responsável pela direção de Ilusões Perdidas, primeira telenovela produzida e exibida pela TV Globo. Apesar de seu pioneirismo na televisão, foi o teatro que o consagrou.

Sérgio Britto, filho de Lauro e Alzira. Seu pai era funcionário público e sua mãe, dona de casa. Sérgio vivia com eles e o irmão Hélio. Uma típica família da Vila Isabel daquela época: todos religiosos, tradicionais e conservadores.

A idéia de ser ator não passava por sua cabeça, tanto é que chegou a cursar até o sexto ano de medicina, na Faculdade da Praia Vermelha. Mas foi no teatro universitário amador, fazendo o papel de Benvoglio em Romeu e Julieta, que Sérgio descobriu que o teatro seria sua vida. No ano de 1945 abandonou a medicina para se dedicar à sua paixão.

Pioneiro da televisão brasileira, é criador, diretor e ator do Grande Teatro Tupi, no ar por mais de dez anos. Com elenco no qual se destacam Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Natália Thimberg, Manoel Carlos, Fernando Torres, Zilka Salaberry, Aldo de Maio e Cláudio Cavalcanti, o teleteatro apresenta sob o seu comando repertório de mais de 450 peças dos maiores autores nacionais e estrangeiros. Depois de seis anos na extinta TV Tupi, o Grande Teatro transfere-se, para a TV Rio e depois, por seis meses, para a TV Globo – um programa formador de plateia, referência na história da televisão e do teatro brasileiros.

Sérgio dirigiu ‘A muralha’, de Ivani Ribeiro, baseada no romance de Dinah Silveira de Queiroz. A novela tinha no elenco Fernanda Montenegro, Mauro Mendonça, Rosamaria Murtinho, Stênio Garcia e Nathalia Timberg.

Em 1959, formou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, com Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli, Alfredo Souto de Almeida e Fernando Torres.

Em 1978, fundou o Teatro dos Quatro, junto com Paulo Mamede e Mimina Roved.

Em 1982, juntamente com fonoaudióloga Glorinha Beutenmuller, inaugura a CAL(Casa de Arte das Laranjeiras), que hoje é considerada uma das escolas mais conceituadas na preparação do ator no Brasil.

Apresentou o programa semanal Arte com Sérgio Britto, na TV Brasil.

Morreu no dia 17 de dezembro de 2011 aos 88 anos de idade, no Rio de Janeiro, devido a problemas cardiorrespiratórios.