Cultura Urbana com SOTAQUES

Hernanay

Noite de brisa morna e céu estrelado em uma viela modestamente iluminada da Terra Firme, bairro da periferia da cidade de Belém do Pará, Norte do Brasil. Bandeirolas “de São João” enfeitam a frente de estreitas casas de alvenaria e palafitas de madeira, apoiadas umas nas outras na ruazinha que serpenteia ao infinito. Crianças correm de um lado ao outro apreciando o movimento e soltando foguetinhos barulhentos. É início da “quadra junina” e a rua está cheia. Vai ter boi-bumbá, quadrilha, dança afro, forró, toadas, tecnomelody e comes e bebes.

Mãe Ray é quem comanda a festa. Moradora do bairro desde que aquelas ruas eram ainda pontes improvisadas de madeira, que se equilibravam sobre “igarapés” e alagados. Lá, ela assentou sua Casa de Mina a mais de 35 anos. E junto com a manifestação religiosa de matriz africana, ela também passou a organizar todo tipo de atividade cultural. Fundou “quadrilhas juninas” (grupos de danças típicas da chamada “quadra junina” no Brasil), organizou um grupo de dança afro chamado “Guerreiros de Obaluaê” e é muito conhecida por ser “botadora” boi-bumbá.

A história do folguedo do boi-bumbá no Brasil se perde nos séculos de nossa formação colonial, na presença negra e indígena e no desenvolvimento das culturas populares de grupos marginais. De norte a sul do país encontramos diversos tipos de “bois”, com características regionais próprias. No estado do Pará a brincadeira recebe o nome de “boi-bumba”, expressão que faz alusão provável à palavra africana bumba: “instrumento de percussão, tambor, que pode derivar do quicongo mbumba, bater”, como nos diz o folclorista Vicente Salles no livro “O negro na formação da sociedade paraense”. No caso de Mãe Ray, o folguedo adquire formas bem particularidades. Além do “boi”, propriamente dito, ela cria outros “bichos” como o “cavalo-bumbá”, o “gato-bumbá”, o “cachorro-bumbá” e o “pássaro-bumbá”.

Naquele dia a festa era dedicada ao “batizado” do Boi Atrevido, novo bumbá que passaria a ser administrado por dois jovens moradores do bairro, Kauê Silva e Josy Alves. Os dois haviam sido incumbidos por Mãe Ray de assumirem o folguedo e o colocarem na rua, para “fazer um trabalho atuante no bairro visando estabelecer uma relação sociocultural criativa e independente”, como me contou Kauê Silva. A honrosa e difícil missão foi dada aos dois jovens quando eles conheceram Mãe Ray durante as atividades da “Primeira Conferência Livre de Cultura da Terra Firme”, realizada em março de 2017. A conferência, por sua vez, foi organizada por vários grupos culturais e estudantis do bairro e buscava conectar novos e velhos agentes da cultura periférica em um projeto de afirmação política e cidadania.

Na noite do batizado do Boi Atrevido, além dos moradores do bairro, muitas pessoas de outras áreas estavam presentes; gentes de outras periferias e até mesmo algumas pessoas do “centro” de Belém. Presentes também indivíduos ligados a outros grupos de cultura, bois, grupos de dança, coletivos culturais, juventude atuante no movimento negro, movimento estudantil, hip hop, etc. Em suma, estava presente uma nova geração de ativistas culturais e políticos do bairro da Terra Firme, que nos últimos anos tem exercido a cidadania a partir de atuação em ocupações de escolas, em coletivos de ativistas, conectados nas redes sociais e na rua com os debates públicos, políticos e comportamentais ocorridos no Brasil dos últimos anos.

Aquele evento era representativo das formas que as culturas urbanas assumem em Belém do Pará no dias atuais. Nos últimos anos inúmeros movimentos de ocupação urbana, que envolvem ativismo cultural e ativismo político, ao mesmo tempo, se fizeram presentes na cidade. Alguns desses podem ser citados rapidamente, como é o caso do Batuque do Mercado de São Brás e da Batalha de São Brás, que ocorriam em um bairro não muito distante de onde o Boi Atrevido foi “batizado”.

O Batuque do Mercado de São Brás era realizado às sextas-feiras na Praça Floriano Peixoto (conhecida por todos apenas como Praça do Mercado de São Brás). Uma região marcada pela presença de muitos moradores de rua, violência urbana e exclusão, grande fluxo de pessoas e veículos, às proximidades do Terminal Rodoviário de Belém do Pará. O evento se caracterizava pela ocupação extraoficial da praça pública por artistas, músicos, poetas, intelectuais, etc., onde também ocorriam ocasionais apresentações de bois-bumbás, carimbós, hip hop, etc. E muitas vezes eram realizadas edições temáticas que rememoravam datas políticas importantes como, por exemplo, o “Batuque da Consciência Negra”, feito em parceria com o movimento negro às proximidades do 20 de Novembro, data que lembra a morte de Zumbi dos Palmares e simboliza a luta dos negros e negras pela liberdade no Brasil.

No mesmo espaço ocorria também um movimento ligado à cultura hip hop que ficou conhecido como Batalha de São Brás. Tratava-se da reunião de jovens MCs, acompanhados de uma caixa de som, que disputavam as melhores rimas a partir de temas escolhidos na hora. A Batalha de São Brás aos poucos passou a reunir uma juventude que vinha de vários bairros da periferia de Belém e tornou-se em poucos anos um dos pontos de encontro centrais da cultura hip hop dentro da cidade e da região.

Muitos desses movimentos mais cedo ou mais tarde sofreram algum tipo repressão por parte dos poderes oficiais, com a presença ostensiva da polícia militar e guardas municipais que quase sempre incompreendiam tais manifestações e as reprimiam. Isso causou um enfraquecimento de alguns desses eventos, tendo levado ao fim de parte deles, mas, ao mesmo tempo, levou à expansão e migração para outras áreas da cidade, assim como, ao surgimento e consolidação de vários artistas que hoje vivem da música, do rap e permanecem atuando em Belém e outras regiões.

Em todos esses eventos ocorria uma intervenção político-cultural efetiva no espaço urbano, uma espécie de re-apropriação da cidade, uma re-publicização do espaço público deteriorado. Efetivamente as culturas urbanas e as culturas populares e periféricas não desaparecem. Nem mesmo com a repressão policial, o preconceito e a estigmatização feita sobre elas pelo pensamento hegemônico. A cidade é tomada de tempos em tempos por velhos e novos movimentos político-culturais que se manifestam pela territorialização e re-territorialização da cidadania ou, melhor dizendo, pela “tomada” do espaço público, onde se diz, através de arte, de folguedos como o boi-bumbá, dos batuques, da música, do rap, dos corpos e performances “marginais”, que a cidade deve ser de todos e todas.

No caso de Belém do Pará, assim como ocorre em muitas outras cidade do Brasil, as culturas urbanas, e as culturas populares e periféricas em particular, reconstroem-se e se reconectam. Seja quando um grupo de hip hop se manifesta nas praças com suas batalhas de MCs, seja quando um batuque incorpora as demandas políticas da sociedade e relembra as grandes lutas populares. E, mais significativo ainda, quando uma Mãe de Casa de Mina da periferia da cidade, batiza um novo boi-bumbá, entrega-o a novos “amos”, bem mais jovens, que terão a tarefa de conectar gerações, manter a tradição ao mesmo tempo em que renovam as manifestações populares e as festas de rua da periferia.

Estabelece-se nesses casos um diálogo cada vez mais necessário entre o velho e o novo, a tradição e a globalidade, a luta pelo direita à cidade e à cidadania entre várias gerações das periferias urbanas do Brasil. As culturas urbanas são antes de tudo formas de uso cidadão da cidade. E, muitas vezes, alertam para as cisões sociais, para as marginalidades e desigualdades e dão voz aos sujeitos e sujeitas que de outra forma não se fariam ouvir pela cultura hegemônica.

 

Tony Leão da Costa.

Historiador, professor da Universidade do Estado do Pará, integrante do Boi Marronzinho e Boi da Terra (bairro da Terra Firme), ex-organizador do Batuque do Mercado de São Brás, ativista cultural em Belém do Pará.

|Hernany Fedasi

 

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Luzes Mecânicas

Foto-Suellen-suky

Aos ventos que hão de vir;
Arrastando o ar miscigenado,
Em DNA singular, Candango,
Onde a urbis é o inspirar.
Alenta-se os monumentos,
Da Catedral a Torre Digital,
Excede-se o natural,
Da Ponte JK aos Ministérios.
Ascende vermelho-pungente,
Barro que adentra a cosmopolita
Noite que cega, luzes mecânicas.
Além das asas sul e norte,
E eixos desconcertantes, paira,
Há algo utópico, centros brasilienses

|Pablo Santos

|Foto : Suellen Suky

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Sozinha na Multidão Tecnológica

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É interessante o fato de as vezes estarmos juntos ou estarmos sozinhos. O conceito de “ter amigos” e/ou não ter ninguém.

Eu ontem chamei meu namorado para ver um filme, ele disse que precisava estudar. Certo.

Eu moro sozinha, logo pensei então em chamar umas amigas para virem a minha casa e papearmos, bebermos algo, qualquer coisa assim. Liguei para cinco amigas diferentes, cada qual deu uma desculpa.

Era uma terça-feira, mas mesmo assim achei que nada custava dar uma passada aqui em casa. Eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. Mas naquele momento em que eu queria companhia, sinceramente minha mente se voltou para poucos. Meu namorado, algumas amigas.

Ah, sim, tem aquela tia minha que sempre vai comigo fazer compras e que às vezes aparece aqui em casa, ela é solteirona, é hiperativa e muito legal. Liguei para ela e depois de mil desculpas ela me disse que não podia, pois tinha consulta no dia seguinte logo cedo. Quem mais? Pais morando longe, as opções iam ficando cada vez menores.

Lembrei-me de um professor da faculdade que sempre dava em cima de mim. Eu tenho namorado, claro, mas o tal professor é gente muito fina, educado, só passaria dos limites se eu deixasse. Liguei para ele e ele disse que infelizmente estava preparando uma prova para aplicar no dia seguinte.

Não me restou muita coisa a fazer, a não ser sair para a rua sozinha e assim fui. Andei pelas ruas próximas ao meu apartamento e vi muita gente pelos bares, praças, a grande maioria com telefones celulares e equipamentos eletrônicos em uso. Postando, compartilhando, comunicando-se. Mas vi poucos grupos juntos, unidos, rindo, brincando ou mesmo brigando. Sentei em um banco, fiquei a olhar quem passava. Poucos casais de mãos dadas, poucas amigas abraçadas e rindo como eu fazia quando era adolescente. Menos ainda pais, mães e filhos andando de mãos dadas como uma família unida. Fui ficando cada vez mais triste.

Que mundo é esse que temos tantos ―contatos‖ e na verdade vivemos sozinhos em nós mesmos?

Cansei e voltei para casa, já passava da meia noite. Tomei banho e antes de dormir fui ver se tinha algum e-mail importante no meu computador. Lembrei de também olhar meu Facebook e lá estavam mais de 190 recados de ― felicidades‖.

Eu não disse a você? Pois é, eu estava procurando companhia pois era meu aniversário. Mas nesse momento percebi que eu não estava sozinha. Eu estava unida a vários ―amigos‖ do Facebook que, avisados por um sistema automático, me desejavam ― toda a felicidade, amor e amizade do mundo‖.

|Rô Mierling

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Microconto : Bairro de Silicone

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Américo Fitas é especialista em informática. Conhece todos os computadores pelo número de série. Navega nas redes sociais seguindo o aroma a chip torrado que cada máquina emite. Uns computadores cheiram a solidão, outros a expiação e os demais a vaidade.
Um dia, após teclar todas as letras e números possíveis, os dedos mirraram, os olhos escureceram e a coluna dobrou-se . A Direcção-Geral de Saúde obrigou todos os cidadãos a apanhar ar. Mas já era tarde de mais! Ninguém dizia a verdade, nem conseguia encarar o vizinho de frente…

| Jon Bagt

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Paola Giometti , A Fera Intrínseca

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Paola Giometti nasceu em São Paulo, Capital, em 1983. É graduada em Biologia, mestre e doutoranda em Ciências. Colaborou com a Revista Mundo dos Super-heróis na edição 57 com uma matéria sobre o papel da mulher nos quadrinhos. Em eventos sobre a cultura nerd, Paola é cosplayer da personagem Lara Croft, sua heroína nos games e HQs desde a infância. Publicou o livro O Destino do Lobo e O Código das Águias da série Fábulas da Terra, além de ter participado das coletâneas literárias Xeque-mate, Horas Sombrias, Aquarela, Círculo do Medo, King Edgar Hotel, Legado de Sangue, Outrora e Sede, todas da Andross Editora. Paola não só participou com contos das coletâneas Fogo de Prometeu, Céus de Chumbo, Outrora, Sede como também foi a organizadora dessas antologias.

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Produção de utensílios de pedra, domínio do fogo e aquisição da linguagem; uma das conquistas fundamentais do homem primário adquiridas por entre os milhões de anos. E foi em decorrência desses conhecimentos que ele, o homem, passou a defender-se dos animais ou caçá-los, cozinhando seus alimentos, aquecendo-se ao fogo e disseminando a experiência entre gerações. A necessidade levou o homem a domesticar alguns animais. Temos como exemplo inicial os lobos; seres humanos e selvagens teriam vivido lado a lado durante um longo tempo, numa relação onde os animais forneciam mantimentos, prestavam serviços de transporte, serviam de estimação ou até para fins ornamentais. Como resultado da manipulação do homem sobre animais, podemos hoje, considerar por análises genéticas, os cães como descendentes dos lobos encontrados entre 15 e 36 mil anos atrás no oeste Europeu e Sibéria. É nessa ambientação fria, milenar e animalesca que conversamos com a escritora Paola Giometti; bióloga por formação, conduz um minucioso processo de pesquisa técnica antes de escrever suas fábulas, como em suas obras: “O Destino do Lobo”, “O Código das Águias” e o recente conto “A Inconfundível Canção”.

 

 Sotaques: fábulas, geralmente, possuem uma lição de moral ao final da narrativa; o que podemos extrair de “O Destino do Lobo e “O Código das Águias”?

 Paola Giometti: diferente das fábulas clássicas, onde a lição de moral é dirigida ao público infantil, esses dois livros possuem lições de moral mais voltadas para os jovens e adultos. O Destino do Lobo vai abordar a nossa responsabilidade como domesticador e a dependência dos cães por nós. O Código das Águias já vai questionar o quanto estamos dispostos a abandonar a nossa liberdade em prol de algo maior. A importância da amizade e da família, o respeito pelos que já foram, também são assuntos tratados paralelamente. 55

Sotaques: escreveu em primazia seu romance aos 11 anos de idade e, desde então, deixou por aí uma pilha de livros publicados. O que demonstra seu aprimoramento na escrita hoje?

Paola Giometti: meu aprimoramento na escrita se deve por conta do incansável exercício de leitura de inúmeros gêneros da literatura, bem como o devorar de livros que ensinam técnicas de escrita (como a importância das viradas nas histórias, personagens fortes etc) e roteirização para cinema. Essas práticas são ótimas parceiras do escritor. ~

Sotaques: como definiria a premissa da série “Fabulas da Terra”?

Paola Giometti: a série Fábulas da Terra traz três histórias independentes sobre diferentes animais selvagens (o lobo, a águia-dourada e o bisão-americano) e que também apresentam crossovers, pois um ambiente ou animal pode aparecer mais de uma vez em outro livro. Isso enriquece o universo criado e oferece ao leitor uma ideia de cronologia. Ao final dos livros, certamente o leitor terá ampliado o seu conhecimento sobre o reino animal, já que os comportamentos dos personagens, as descrições, são todas inspiradas no mundo selvagem real com uma pitada de fantasia.

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Sotaques: em “O Destino do Lobo”, por exemplo, alguns personagens possuem características bem marcantes. Há algum significado por trás dessas personalidades?

Paola Giometti: sim. Nesse livro, os lobos foram todos inspirados nos meus cachorros. Quem já teve muitos cães sabe que cada animal tem uma personalidade diferente. Em O Destino do Lobo temos lobos idosos e que melhor entendem as situações; lobos impetuosos e que não gostam de conversa; lobos curiosos e estabanados; lobos fortes e que inspiram respeito. No total, temos 8 lobos com características distintas.

 

Sotaques: no primeiro volume do “Fábulas da Terra”, em “O Destino do Lobo”, há um momento solene que é sobre como os lobos compreendem a hora da refeição. O que essa parte em específico significa a você?

Paola Giometti: na vida selvagem, os animais não desperdiçam comida e todos dependem direta ou indiretamente uns dos outros para sobreviverem. Na nossa sociedade o ato de comer quase virou uma atividade relacionada ao entretenimento e diversão, esquecendo- se que alguém teve que morrer para nos satisfazer. Acho que se todos pensássemos assim, talvez não houvesse desperdício. Na hora de comer, quase todos os animais fazem uma reverência ao alimento: eles abaixam a cabeça para pegá-lo. Não podemos esquecer que também somos animais, e esse ato também praticamos: nós abaixamos nossas cabeças na direção do prato.

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Sotaques: como funciona o processo de pesquisa e quanto seu conhecimento da ciência tem contribuído em suas obras?

Paola Giometti: o fato de ser da área científica me proporcionou um conhecimento de onde buscar as informações corretas e verdadeiras sobre os animais. A vantagem de ser bióloga me faz observadora, pois consigo melhor aproveitar o cenário com os fatores climáticos, vegetação e os relacionar com os comportamentos animais. Faço um levantamento de artigos científicos e vídeos na internet que sejam relacionados ao comportamento do animal que vou expor. Acredito que tentar usar a fantasia num modo mais próximo da realidade pode deixar a história mais atraente, rica em situações que vão fazer o leitor não se sentir enganado ou diante de uma história absurda e forçada.

Sotaques: logo na capa do livro lemos: “Com ilustrações da autora”. Qual a sensação de desenhar em seu próprio livro?

Paola Giometti: no início eu não estava muito segura de que isso era uma boa ideia, pois não sou profissional apesar de que conseguia fazer algumas coisas bonitas. Mas o Edson Rossatto, que é meu companheiro e também é escritor, me encorajou a seguir esse caminho e acabei indo fazer cursos de desenho em academias de arte. Minha ideia é sempre refazê- los a cada nova edição, pois assim sempre teremos um desenho mais aprimorado do que o da edição anterior. Sempre é um grande orgulho para o escritor também poder ilustrar o seu trabalho.

Sotaques: em “O Código das Águias”, o que constrói o sentido da falcoaria na visão das águias?

 Paola Giometti: o sentido que a falcoaria na visão das águias, em meu livro, é o abandono da liberdade por uma causa maior. O companheirismo e a fidelidade são importantes na falcoaria, pois uma águia, se descobre que está sem amarras, pode ir embora por livre e espontânea vontade. 57 Sotaques: não pude deixar de notar a exacerbada presença feminina em suas obras, tendo como exemplo Kushi, protagonista de “O Destino do Lobo” e Tuska do mesmo universo. Você se considera feminista? Paola Giometti: eu não me considero feminista, pois acredito que ser feminista é uma forma de discriminação de gênero, da mesma forma que o machista faz. A escolha de uma fêmea protagonista (Kushi) e de uma mentora (Tuska) foi pelo simples fato de que as mulheres têm uma sensibilidade para o espiritual maior do que os homens, além do que costumam ser mais preocupadas com seus filhotes e o destino deles.

Sotaques: o conto do filhote Julieta, no início de “A Inconfundível Canção”, nos deixa a questão: até quanto tempo aproximadamente um cão sente falta da mãe?

Paola Giometti: é inevitável que um filhote sinta muita falta de sua mãe pelo menos até o terceiro ou quarto mês de vida (no caso dos que são adotados). Ele associou o cheiro e a presença dela, a sua sobrevivência e completa dependência. Mas depois que ele percebe poder buscar seu alimento e se aventurar por aí, vai perdendo esse sentimento de dependência pela mãe e a tendência é se ligar no ser humano.

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Sotaques: Lara Croft e Supergirl; quando começou sua experiência cosplayer? Frequenta muitos eventos nerds?

 Paola Giometti: costumo ir a muitos eventos nerds e sempre vou de cosplay. Quando o Anime Friends nem era um evento conhecido, eu já frequentava. Ia de Jill Valentine do Resident Evil 1 e Mamba Negra, do Kill Bill. Mas a Lara Croft foi a minha heroína mais importante, pois me ajudou numa época em que eu me sentia um nada e passava por uma crise de depressão. Depois, o Edson me motivou a ser a Supergirl, desenvolvendo a roupa para mim, pois diziam que eu lembrava um pouco a atriz do seriado. Assisti a todos os episódios e acabei virando fã, afinal, a personagem é bem carismática.

Sotaques: o que você pode nos adiantar de lançamento seu nesse ano de 2017?

Paola Giometti: em agosto será lançado O Chamado dos Bisões: uma história que foi inspirada nas migrações familiares. Terá como protagonista um filhote de bisão que fica para trás durante uma jornada migratória. Como o livro se encontra em processo de edição, ainda não é possível contar muitos detalhes — apenas que haverá um forte crossover com os personagens de O Destino do Lobo.

Sotaques: nos dê três dicas de escrita.

Paola Giometti: 1- Leia muito o estilo literário que quer começar a escrever, pois é preciso aprender a falar a língua do seu público. 2- Estude livros como “Story” de Robert McKee; “A Jornada do Escritor” de Christopher Vogler e “O Poder do Mito” de Joseph Campbell. 3- Escrever com o coração é importante. No entanto, deve-se pensar no seguinte: o leitor irá comprar o seu livro, ler a sua história e tem que sair satisfeito. Se ele sentir que perdeu tempo com o seu livro, ele nunca irá indicá-lo a ninguém. Portanto, escrever só com o coração e intuição não basta. Tem que estruturar bem o texto e sair dos clichês.

 

Sotaques: organizou e participou de algumas coletâneas literárias da Editora Andross; qual a sensação de presenciar o interesse pela escrita através dos escritores inscritos no projeto?

Paola Giometti: a parte que mais gosto no processo de produção dos livros da Andross é a ajuda e orientação aos autores que se inscreveram. Não são apenas os melhores contos a serem selecionados. Nós damos a oportunidade de o autor aprender e crescer com críticas e sugestões, reescrevendo o seu conto ou produzindo um novo. Oriento cada autor, quando necessário, e o resultado muitas vezes é surpreendente. Eu me sinto realizada por poder mediar a primeira publicação de muitos autores. Estar num livro é como deixar a sua marca para a posteridade.

 

| Pablo Santos

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MICROCONTO: NARCISO INVERTIDO

 

foto-javier-bocanegra-hNarciso tirava fotos às mulheres dos talhantes. Gostava de coleccionar estampas eróticas ainda a cheirar a tripas e a leite. Guardava-as em sacos de plástico na arca congeladora. Numa noite de Reis, Narciso pediu a Zeferino que lhe emprestasse a mulher para uma sessão alumiada à vela. O carniceiro esquartejou a máquina fotográfica com o cutelo e num gancho pendurou os desejos de Narciso…

| Jon Bagt

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 Carrossel do Amor

 

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Santos Júnior dedilha notas tropicais na guitarra portuguesa à luz das estrelas. O vinho abundante escorre entre os pináculos das dunas. Mulheres temporariamente sós deslizam os olhos sobre homens imprudentemente ruidosos. Cada pegada na areia é uma promessa de um beijo salgado. Júnior percorre intensamente as ondas e os acordes chicoteiam as palavras soltas. As letras tingem a praia com conchas de amor, mas a melodia afoga-se na espuma cardíaca dos cavalos marinhos…

| Jon Bagt

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O pescador enlatado

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Microconto

Luís Sargaço era pescador. O mar andava revolto. A faina não dava mais que quatro robalos, dois lumes, cinco passas e três voltas ao bilhar grande. Manuela era pequena como à sardinha. Trabalhava na lota e vendia o bacalhau a quem lhe desse mais sal. Luís lançou-se finalmente ao mar. Manuela observou uma noz no infinito. Arranjou o cabelo com um pente de coral, estendeu o bacalhau na corda da roupa e esperou o regresso do príncipe das marés…
|Jon Bagt

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IN-LIBRIS Páginas de Encontro

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O nome é In-Libris e situa-se na Rua do Carvalhido, número 194, uma zona sobretudo habitacional, cujos estabelecimentos comerciais consistem maioritariamente em mercearias, confeitarias, lojas de chineses e boutiques de roupa. O mote são os livros antigos, o alfarrabismo e a arte. A In-Libris aparece, pois, como uma pérola cultural, rara e preciosa, um lugar fora do contexto em que se encontra, uma espécie de oásis que passa a princípio despercebido, mas que nos encanta assim que entramos.

Paulo Ferreira, cujo pai já se dedicava ao alfarrabismo, e Paula Ferreira criaram este lugar de encanto em 1996, inicialmente na esfera virtual, área em que foram pioneiros, uma vez que foram os primeiros a disponibilizar um website como montra para os seus livros. Entretanto, já passaram  por vários locais, nomeadamente pela Rua Formosa e pela Rua da Torrinha, tendo-se agora estabelecido no Carvalhido.

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Em conversa com o repórter da Sotaques, Paulo e Paula explicaram a sua visão e a experiência que querem transmitir a quem visita a In-Libris. O primeiro ponto a ter em conta é a criação dum ambiente intimista e confortável que parte de pormenores aparentemente sem importância mas que fazem toda a diferença: luzes fluorescentes são impensáveis, a iluminação deve ter uma temperatura cromática natural e acolhedora; o soalho é de madeira maciça; as estantes Olaio têm o certificado de qualidade da marca;  o mobiliário é escolhido como se fosse destinado à sua própria casa e toda a decoração do espaço é pensada de forma a transmitir uma sensação calorosa e familiar. Procura-se que seja um local de encontro, de conversas, sem ruídos e distracções, onde a prioridade é a vivência do espírito que se quer comunicar. Depois, há uma atenção à forma como os livros são dispostos, usando um método a que Paulo chama de livraria-jardim. Ao contrário daquilo a que o público está habituado, as obras, que são peças raras e até únicas, não estão organizadas por secções, mas sim duma forma aparentemente caótica que permite ao visitante “passear-se” pelo jardim de livros à procura do que pretende e, mais importante, ter agradáveis surpresas! “O livro ou está ali ou não está” e, na sua proliferação de assuntos, seria limitativo condicioná-lo apenas a um tema. “A In-Libris não é uma livraria para procurar livros, é uma livraria para encontrar livros”.

Como complemento ao alfarrabismo, e reflectindo as muitas áreas de interesse do casal, os livros são enquadrados por inúmeras obras artísticas e, uma vez que a In-Libris é também uma galeria de arte, há sempre uma exposição patente. Aquando da nossa visita, por exemplo, estava exposto o ciclo “Arqueologias”, de Avelino Sá, um conjunto de “desenhos, ruínas, micro-paisagens, arqueografias, lugares de exílio, onde o tempo e a memória nos traem e atraem. Lugares de atracção e repulsão, por onde se traçam os mapas de uma terra sem tempo, de uma memória sem chão, de um desenhar sem fim”.

Numa perspectiva pessoal, a In- Libris reveste-se de fascinação para todos aqueles que têm nos livros lugares de encantar por excelência! Todavia, e depois dessa primeira motivação, as várias dimensões do espaço vão surgindo: é um sítio onde vamos para partilhar paixões, para ouvir histórias, para admirar arte, para aprender, para sair da azáfama do quotidiano. O Paulo e a Paula Ferreira são obviamente pessoas apaixonadas pelo que fazem, com visões próprias e que gostam genuinamente de comunicar. Enquanto falavamos sobre a livraria, a conversa fluiu e viajou até assuntos tão variados como o sistema educativo, as múltiplas referências ao burro na literatura e na sabedoria popular, livros banidos e liberdade, o futuro do livro impresso (em relação ao qual estamos todos optimistas!) e a dificuldade que as actuais formas de registo trarão aos historiadores de amanhã, entre outros. A In-Libris é um lugar de encanto que proporciona lugares de encanto: as letras, o espaço, a arte, a conversa, as ideias, e, com sorte, cavaquinhas para acompanhar e o cheiro de folhas de limonete.

Sugestão de outro lugar de encantar por Paulo Ferreira: Restaurante Torreão. R. das Virtudes, 37. Situado num torreão medieval da Muralha Fernandina, este restaurante está ligado à SAOM , envolve um projecto de economia social e resulta da evolução de um restaurante pedagógico de elevada qualidade.

Texto | António Granja

Fotos: Rita Soares

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“ Olimpo de Cartão”

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Amélia via as cores das cadeiras do estádio enquanto enxugava o pano verde e amarelo no mastro senhorial. A água escorria para uma cuba e Luís avançava mais um metro , saltando de um assento para outro apoiado numa só perna. Ao fim de duas léguas , finalmente, pousou as pernas sobre o regaço de Amélia. A chama extinguiu-se , os rostos iluminaram-se e Amélia nunca mais despejou o balseiro …

|Jon Bagt

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INSTRUÇÕES PARA O FAROLEIRO

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Alguém deveria estar atento
sempre de vigia sempre
alguém deveria subir ao farol
e esperar a Primavera.

Se fosse noite
a insónia do faroleiro
estaria a postos
para a receber
se fosse dia
o farol é alto
alto como os castelos
mais alto que o mar
mais alto que os navios
mais alto que esta expectativa apreensiva
e anunciaria a chegada
a todas as serras a todos os mares a todos os navios
antes que as nuvens
viessem escondê-la.

Com os matos é diferente.
Os matos sim não precisam de faróis
porque o grito das giestas
põe a montanha alertada
enquanto nos homens
não há grito nem alerta
neles a Primavera rebenta por dentro
é loucura sem gestos
clamor sem voz
revolta sem bandeira
prelúdio cegueira sufocação
pressentimento pressentimento
voo sem asa
ideia sem perfil raiva doce desejo antecipadamente exausto

por isso é preciso reconhecê-la
e dizer-lhe és tu
é preciso espertá-la
e dizer-lhe sê tu
é preciso ir ao seu encontro
e dizer-lhe apressa-te
é preciso instigá-la incendiá-la disturbá-la
é preciso possuí-la
com uma volúpia súbita e demorada

é preciso não ter medo.

Fernando Namora

Leia mais em : https://issuu.com/sotaques/docs/setembro16

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Livros com Sotaques – Perfume dos Laranjais – Sada Ali

 

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Perfume dos Laranjais é um romance da escritora brasileira Sada Ali  .

São Paulo – 1968

A grande cidade vive um dos mais tristes períodos da história do Brasil: a ditadura militar.

Neste contexto, o idealismo das jovens Vitória e Camila e do jornalista Justo. A presença de Pedro José – vida e profissão respirando justiça.

Minas Gerais – São João del Rei. As belas fazendas – o poder dos coronéis, a riqueza das tradições e crenças do século passado.

Neste romance, o alento do amor concede uma trégua à violência e à crueldade dos anos de chumbo.

É um livro de ficção que não parece ficção! Seus personagens confundem-se com tipos que lembram seres humanos que constroem suas vidas com o sofrimento do preconceito racial e o peso das tradições da sociedade patriarcal brasileira.

Mesmo neste ambiente muitas vezes duro e sofrido, o amor fulgura sob vários ângulos.

A obstinação e a força do amor de Helena e Armando; o significado do amor também ao ser humano em Vitória e Pedro. O amor pela comunidade, pelo próprio “eu”, pela família – o amor romântico do jovem, a energia erótica do amor passional e o amor maduro, pleno e refletido.

 Perfume dos Laranjais – Segundo Volume – Vitória

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No segundo volume o leitor irá se emocionar com a história de amor e preconceito vivida por Davi e Olga.

Reviverá o peso dos anos de chumbo, a força do AI-5; o altruísmo e ousadia dos operários e estudantes na luta contra a ditadura política. O cerco à imprensa na pessoa do jornalista Justo; a música irreverente dos Beatles e a busca pelo amor livre.

O reencontro entre Coronel Riomar e os filhos: Pedro e Armando, na Fazenda Talismã. O amor incestuoso entre Vitória e Pedro.

O desfecho para Norma, Júlia, Tatá, Olívia e Helena.

Teria sido o amor entre Armando e Helena, eternos? Teria resistido aos desencontros e frustrações pessoais?

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  Livros com Sotaques: A Selva de  Ferreira de Castro

  A Selva de  Ferreira de Castro, ilustrada por Portinari

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As obras-primas são uma surpresa. Às vezes do sofrimento mais profundo pode nascer  um grande livro.

Ferreira de Castro, o escritor português autor do livro “A Selva”, emigrou para o Brasil quando tinha 12 anos. Foi em pleno seringal, na Amazónia, que trabalhou durante quatro anos, recolhendo os testemunhos vivos e as imagens desse tempo que, mais tarde, reproduziria através da escrita.

Romance estético, por excelência, a Selva conta-nos a história de Alberto, um jovem português que embarca rumo ao Seringal Paraíso, com sonhos de fortuna. O que vai encontrar é a dureza de uma vida de trabalho árduo, sem direitos, e com escassas perspectivas de futuro.

Na edição comemorativa dos 25 anos de “A Selva”, o artista brasileiro Cândido Portinari ilustrou alguns momentos do livro como “O seringueiro”, “O cemitério” ou ” O incêndio” enriquecendo-o com o virtuosismo das suas imagens.

Rui Marques

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Matilde Campilho Festival de Paraty

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A escritora portuguesa Matilde Campilho foi quem mais vendeu livros nesta edição 2015 do Festival de Paraty (FLIP).

Paulo César, Brasil
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Vidas Secas – Graciliano Ramos

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Livros com Sotaques – Vidas Secas – Graciliano Ramos

Vidas Secas é o quarto romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938, publicado originalmente em 1938 pela editora José Olympio. As ilustrações na primeira edição foram feitas pelo artista plástico Aldemir Martins

Obra

A obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na infância sobre a vida de retirantes, na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra Baleia, estes são considerados os personagens mais famosos da literatura brasileira.2

Escrito em terceira pessoa, Graciliano não focaliza os efeitos do flagelo da seca através da crítica, mas em narrar a fuga da família, a desonestidade do patrão e arbitrariedade da classe dominante, impossibilitada de adquirir o mínimo de sobrevivência.

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Dia Mundial do Livro

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” Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies. ”

Machado Assis

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Real Gabinete Português de Leitura

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Real Gabinete Português de Leitura – Rio de Janeiro – Brasil

O Real Gabinete Português de Leitura , tradicional biblioteca e instituição cultural lusófona, localiza-se na rua Luís de Camões, número 30, no centro da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Encontra-se tombado pelo Instituto Estadual do Património Cultural.

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Lançamento do Livro ” Daqui em diante” Clarice Pacheco

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Sotaques na apresentação da obra da escritora brasileira, Clarice Pacheco

Marcámos presença, ontem à tarde, na apresentação do livro ” Daqui em diante”, da autoria da escritora brasileira, Clarice Pacheco. A obra, publicada pela editora Cordão de leitura, foi divulgada no restaurante Book, na cidade do Porto.

Clarice Pacheco falou na ligação forte que tem a Portugal e ao Porto – com ligações familiares de antepassados portugueses e múltiplas viagens e estadias no nosso país. Sobre o livro, contou-nos que é um relato das suas vivências ao longo do seu percurso pessoal e profissional,  e pela viagem espiritual que a fez conhecer o mundo, do Sertão brasileiro até cidades como o Rio de Janeiro, Paris, Roma ou Lisboa.

Estivemos, mais uma vez, ao lado dos escritores brasileiros e portugueses,  acompanhando  as relações literárias e emocionais que estabelecem com o pais irmão.

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Rui Marques

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Obra “O irmão alemão” de Chico Buarque vendida em Portugal

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Hoje já está à venda o primeiro livro da editora brasileira, Companhia das letras em Portugal. Trata-se do romance “O irmão alemão” de Chico Buarque, baseado numa história real – Chico descobriu muito jovem que tinha um irmão alemão e, mais tarde, investigou a história desse familiar que desconhecia.

João Castro

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Sete cartas a um jovem filósofo

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A obra “Sete cartas a um jovem filósofo” é um exemplo da filosofia dialogante de Agostinho da Silva. Uma filosofia sem mestres nem ídolos, alicerçada num pensamento aberto e universalista, que encara o outro, não como um inimigo ou um inferior, mas como alguém que nos ajuda a evoluir no mundo.

Agostinho da Silva postulava um pensamento com profundas raízes socráticas. Não é por acaso que a sua tese de doutoramento versava sobre as civilizações clássicas: existia nele uma pulsão criativa e inclusiva, que se materializava em diálogos abertos, sem pretensas verdades absolutas, estimulando a construção de novos saberes e conhecimentos.

Ao longo da sua vastíssima obra, esta visão universalista do que é o conhecimento foi tomando forma. Obras como “Diário de Alceste” ou “Sete cartas a um jovem filósofo” mostravam um pensador que, mais do que apontar os caminhos do saber, optava  por colocar novas perguntas que brotavam da dúvida, e abriam um leque de possibilidades que nos ajudavam a tomar decisões  no nosso quotidiano.

As grandes questões do mundo nascem  das tomadas de decisão ética do homem. São concretas e reais, e não abstrações mais ou menos inúteis, que formulamos  para nosso mero deleite intelectual.

Por exemplo, numa das sete cartas que envia aos jovens filósofos, o  autor critica a palavra tolerância. Diz ele, e com fundamentação, que a tolerância representa uma ideia diabólica travestida de celestial, já que tolerar alguém é suportá-lo e não respeitá-lo integralmente.

Noutra passagem das cartas defende que a vida é uma extraordinária aventura. E que vivemos num estado de semi-consciência, porque se tivéssemos plena consciência de todas as suas potencialidades, explodiamos.

Também descobrimos, neste livro, um Agostinho da Silva que pensa para além do seu meio intelectual. Noutra carta escreve ele que ser arrebatado pela arte, por qualquer forma artística implica ficar prisioneiro numa moldura, e ser excluído da vida, pois viver é quebrar todas as molduras e regressar à lei da Selva.

A relação mestre/discípulo convencional não convence Agostinho. Escreve ele que os seus discípulos, a existirem, são aqueles que discordam dele, porque aprenderam que o essencial é não se conformarem .

Publicadas em 1945, estas cartas traçam o perfil de um intelectual crítico com todos os intelectualismo e formalismos que amordaçavam a sociedade portuguesa. São estes dogmas que nos impedem de pensar e mudar, porque o pensamento e a ação são as duas faces da mesma moeda, reflexo um do outro.

O magnetismo desta obra reside em que, apesar de ser endereçada aos jovens filósofos, ela dirige-se para o mundo, para a polis, para a sociedade. À imagem da filosofia de Agostinho da Silva: uma filosofia que não se fechava nas estreitas salas da Universidade, mas que se abria ao outro, e a tudo aquilo que o outro trazia para a evolução do nosso pensamento.

João Castro

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        Livros Digitais independentes: uma nova forma de aproximar escritores e leitores

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Num mercado influenciado por modismos editoriais, é um grande desafio para novos escritores conseguir, ao menos, uma simples avaliação por parte das editoras. Ou se escreve o que o mercado pede, ou nada feito! Isso fere a liberdade de quem escreve, pois impede que cada autor(a) desenvolva seu estilo próprio, e assim cative seu público leitor.

A liberdade de expressar sensações, emoções, reflexões entre outras coisas é fundamental para aqueles que entendem a Literatura como uma “razão de ser”, para aqueles que mantêm uma relação de amor com as palavras, e para aqueles que entendem o sentido transcendente de todas as Artes.

Uma alternativa viável a todas as pessoas que sonham alcançar o reconhecimento literário,  é lançar livros digitais  de forma independente e divulgá-los nas redes sociais. É o que faz a professora, poetisa e escritora Maria Cleide da Silva Cardoso Pereira, que por meio do seu projeto de incentivo à leitura e à escrita, divulga suas obras literárias de modo a conquistar leitores, e incentivar novos escritores.   Formada em Letras pela Universidade Federal do Pará, Maria Cleide menciona que, desde a infância,  tinha paixão pela leitura. As suas  grandes influências foram on seu avô materno, Josué, a quem sempre chamou de pai, e a  sua mãe, Águeda. Ambos liam e declamavam poesias, com muita expressividade e sentimento. Isso foi marcante para a trajetória  da futura escritora.

Os  seus primeiros versos surgiram em 1990 e foram dedicados à mãe. A menina apreciava escrever no  seu diário e, a cada dia, registrava suas impressões sobre a vida, as pessoas e os acontecimentos.

Em 1994, começou a compor as primeiras canções autorais e a fazer paródias das  músicas que gostava. Ela relembra um episódio em que se divertia com os primos, cantando juntos uma paródia de um grande sucesso dos Beatles.

Também cita alguns momentos da adolescência, em que vendia as  suas poesias de amor para as amigas, que ofereciam os poemas apaixonantes aos namorados, em datas especiais. “Fazia um grande sucesso e era bem divertido, pois era eu mesma quem os escrevia e minha letra não era bonita! (risos).

Foi uma fase óptima!”. comenta a escritora. No entanto, ela também revela que se  arrependeu de algumas coisas: “Por causa de uma briga que tive com um antigo namorado, queimei os meus diários e agendas que continham minhas mais queridas poesias.

Noutro  momento, fui um tanto ingénua e tive de sofrer com  o roubo de meus textos. Foi horrível, uma pessoa se passou por amiga, roubou a minha criação e até venceu um concurso com minha obra. Houve até prémio em dinheiro!”

Dona de uma personalidade forte e carismática, Maria Cleide desenvolveu um estilo próprio, que é a marca registrada de todos os seus textos. A sua  escrita é intensa, envolvente e polissémica.

Toda sua produção literária é divulgada virtualmente,  e inclui contos, crónicas, cartas, discursos, pensamentos, letras de música e, lógicamente,  poesias! Infantis, religiosas, sociais, eróticas, líricas e amorosas… cada poesia carrega um universo particular e desperta diversas sensações nos  seus leitores. “Escrever é um acto de amor, é uma busca pela eternidade almejada, é ser livre de todas as convenções para seguir o rumo da poesia latente ao nosso redor. Escrever é contemplar o Divino Mistério presente em tudo, é entender o porquê de ‘No início, era o Verbo’, é tornar uníssonas as vozes que ecoam pelo espaço a nos lembrar de que a vida nunca termina.” comenta.

Maria Cleide ou MCSCP (o seu acrónimo), publica os  seus textos em diversos sites literários: Recanto das Letras, Luso-Poemas, Mar de Poesias, O Melhor da Web, Autores.com.br entre outros. Também integra a Associação Internacional Poetas del Mundo e o Portal Cá Estamos Nós (CEN), a maior ponte literária entre Brasil e Portugal. Muitas de suas poesias e alguns de seus contos foram publicados nas antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. A autora já obteve reconhecimento nacional por meio de concursos literários.

Recebeu os Prémios Sarau Brasil e Rima Rara, ambos em 2013. Também participa das antologias virtuais do portal CEN.

“Eu sempre gostei de escrever e meu sonho era publicar um livro, não sabia como nem quando, mas tinha certeza de que conseguiria”, afirma. Em 2009, ao participar do Fórum Social Mundial que decorreu  em Belém do Pará,” tive a oportunidade de declamar uma de minhas poesias”.

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Foi aí que o seu  sonho começou a tomar forma,  contactando  com muitas pessoas quea  ajudaram a seguir em frente: “uma moça  indicou-me  o site Recanto das Letras e eu comecei a postar minhas poesias”, recorda  a aurora.

“Na época, eu estava  noiva de um professor e escritor chamado Fábio Calliari, cujo pseudónimo era Filício Albara, e  incentivei-o  também apublicar seus textos” .” O Recanto foi uma grande experiência para nós:ficávamos radiantes com o número de leituras dasnossas obrase o nosso grande sonho era publicar os nossos livros, um dia, relata a escritora.

Eu torcia pelo sucesso dele e ele, pelo meu. Ele criou um blog fantástico e recebia milhares de visitas. Mas a vida separou-nos  e, tempos depois, casei-me com meu melhor amigo, João, com quem cursei Letras na universidade. Depois de dez anos de amizade, casamo-nos e tivemos nosso querido Elias.

Os sonhos nunca morrem e, mesmo à distância, eu desejava muito que Fábio conseguisse publicar os seus livros infantis. No entanto, sua morte prematura o impediu de editar a obra. Foi um choque para mim. Eu já não falava com mais ninguém davnossa antiga turma de amigos, nem falava com a família dele. Soube do ocorrido por meio de uma mensagem enviada pelo Facebook.

Chorei compulsivamente, lamentando pelo sonho que ele não conseguiu realizar. Quando ele morreu, eu já não escrevia mais, nem publicava nada no Recanto. Então, tudo voltou de repente.

Meu filho passou a ser minha inspiração e uma nova fase literária despontava.

Passei a escrever tudo o que sentia e pensava. Hoje, o meu recanto conta com mais de 300 textos. Também comecei a participar em  concursos literários, o que me ajudou a publicar meus poemas e contos. No total, são 13 livros que guardo com carinho: 10 com poesias e 2 com contos.

Nos últimos tempos,  percebi uma tendência muito forte: inúmeras pessoas usam celulares para realizar downloads de e-livros. A partir daí, surgiu a ideia de lançar as minhas obras de forma independente e gratuita, no intuito de estimular a leitura e a produção escrita autoral. Assim, organizei meu material e publiquei 3 e-livros por meio do Recanto das Letras.

O primeiro, foi a monografia com a qual recebi nota máxima ao fim de minha graduação: O universo simbólico da obra O Saci: um estudo junguiano sobre a obra infantil de Monteiro Lobato; o segundo, foi o meu livro de poesias religiosas: Versos que edificam a alma: a fé em poesia e, por fim, publiquei meu livro de pensamentos e poesias: Jardim de Pensamentos: cultivando sementes da alma.

Tenho estimulado a prática da leitura e da escrita de um modo dinâmico, inovador e interativo. Recebo comentários de meus textos e troco ideias com outros escritores. Incentivo parentes, amigos e alunos a divulgarem suas obras literárias virtualmente. Para mim, não há sonho impossível. Afinal, as Escrituras Sagradas revelam que ‘tudo é possível ao que crê’.

Gosto de lutar por meus objetivos e sei que quem semeia, colhe os frutos do seu trabalho. Sou pós-graduada em Gestão de Pessoas e sei o quanto é importante estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de todos que nos cercam. Por isso,os  meus textos conversam com a alma, inspiram atitudes positivas, elevam a autoestima e estimulam pensamentos repletos de unidade e sinergia, afinal, somos interdependentes.” Para ler as produções literárias da autora, basta aceder seu perfil literário no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autores/mariacleidescp.

A todas as pessoas que desejam, um dia, publicar o próprio livro, a escritora recomenda:

“eu sugiro que cada pessoa busque o meio que lhe for mais conveniente; eu  optei por distribuir minha obra de forma independente e gratuita para facilitar o acesso e tornar a leitura mais dinâmica.

Há muitos sites literários confiáveis e de cadastro gratuito. Não é necessário ter muito dinheiro quando se tem vontade e criatividade.

Há quem opte por fazer livros artesanais e de excelente qualidade. O fato é: todos precisamos realizar os sonhos que nos motivam e dão sentido à nossa vida.

Outro conselho: nunca devemos queimar nossas poesias! Elas são expressões de nosso eu-lírico, e revelam-nos muitas coisas ao longo dos anos. De resto, desejo a todos muito sucesso!

Abraços carinhosos e poéticos!

Maria Cleide

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Um patriota brasileiro com sangue português

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A ligação de Agostinho da Silva ao Brasil foi absolutamente marcante no seu percurso biográfico. Durante mais de vinte anos – entre 1947 e 1969 – o intelectual português teve uma acção catalisadora em áreas do pensamento, do meio universitário e das múltiplas atividades culturais, fazendo do Brasil uma segunda pátria.

Não nos enganaremos se dissermos que Agostinho da Silva foi a personalidade portuguesa mais determinante no Brasil, durante o século XX. Determinante porque não se limitou à docência académica, preferindo ter um papel de grande dinamizador da cultura brasileira.

A sua influência na evolução do ensino universitário brasileiro é extraordinária. Esteve na génese de quatro Universidades brasileiras – as Universidades Federais de Brasília, de Goiás, de Paraíba e de Santa Catarina – bem como na criação de vários Centros de estudos e Cursos.

Tudo começou em 1947, quando veio viver para São Paulo, em ruptura com o Estado Novo de Salazar. Mais tarde mudou-se para a Serra da Itatiaia, onde viveu com a segunda mulher, Judith Cortesão – o matrimónio teve seis filhos – convivendo com o casal Dora e Vicente Ferreira da Silva e com os modernistas brasileiros.ags

Entre 1948 e 1952 vive e ensina no Rio de Janeiro. Curiosamente ensina disciplinas científicas como Entomologia, Parasitologia e Zoologia no Instituto Oswaldo Cruz, ao mesmo tempo que dá aulas na Faculdade Fluminense de Filosofia, e que colabora com outro ilustre exilado português, Jaime Cortesão, na investigação histórica sobre a figura de Alexandre de Gusmão.

Na década de cinquenta instala-se no Estado da Paraíba – em 1952 – ajudando a criar a Universidade Federal de Paraíba (João Pessoa) e leccionando História antiga e geografia física. Espírito irrequieto organiza, em conjunto com Jaime Cortesão a exposição sobre os 400 anos da fundação da cidade de São Paulo, em 1954.

Da Paraíba vai para Santa Catarina. Neste Estado brasileiro não só é um dos fundadores da Universidade Federal de Santa Catarina como desempenha funções como Diretor da Cultura do Estado, trabalhando na Direcção-geral do Ensino Superior do Ministério da Cultura.

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Apesar desta actividade permanente, continua a escrever. Nesta década são publicadas obras como “Um Fernando Pessoa”, “Ensaio sobre uma teoria do Brasil” ou ” Reflexão à margem da Literatura portuguesa”.

A etapa seguinte deste nómada intelectual universal situa-se na Bahia. Junta-se em 1959  a Eduardo Lourenço – outra referência intelectual nacional -e  ensina Filosofia do Teatro , desenvolvendo um projecto que visa dar a conhecer o legado negro na cultura brasileira –  neste âmbito, funda o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Baía.

Na última década em que viveu no Brasil, Agostinho da Silva esteve ligado à fundação da Universidade de Brasília. Em 1962 foi um dos impulsionadores da criação do Centro de Estudos portugueses nesta Instituição brasileira.

Em 1963 viajou como bolseiro da Unesco e deu aulas em Tóquio. Conheceu também Macau, Timor e os Estados-Unidos.

Os últimos anos em solo brasileiro foram vividos entre a Cachoeira e Salvador da Bahia. Nesta cidade fundou o Centro de Estudos Paulo  Dias Adorno e idealizou o Museu do Atlântico Sul.

Estas são umas brevíssimas notas sobre a relação umbilical entre Agostinho da Silva e o Brasil. Muito mais haveria para contar sobre Agostinho da Silva.

Um patriota brasileiro com sangue português !

Paulo César

 

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Ilha dos Amores – Queria que os Portugueses

 

poeasis01Encante-se com  a poesia livre de Agostinho da Silva

Nesta edição de janeiro da revista Sotaques, na rubricas “Ilha dos Amores”, conhecemos melhor a poesia de Agostinho da Silva. Poesia de liberdade, de compromisso, com uma enorme carga metafísica e filosófica.

Na poesia de Agostinho da Silva há um prolongamento do seu pensamento. Como um voo leve e pleno  de uma ave rumo ao Sol, rumo ao Sul, rumo ao ideal.

 

Queria que os portugueses

 

Queria que os portugueses

tivessem senso de humor

e não vissem como génio

todo aquele que é doutor

 

sobretudo se é o próprio

que se afirma como tal

só porque sabendo ler

o que lê entende mal

 

todos os que são formados

deviam ter que fazer

exame de analfabeto

para provar que sem ler

 

teriam sido capazes

de constituir cultura

por tudo que a vida ensina

e mais do que livro dura

 

e tem certeza de sol

mesmo que a noite se instale

visto que ser-se o que se é

muito mais que saber vale

 

até para aproveitar-se

das dúvidas da razão

que a si própria se devia

olhar pura opinião

 

que hoje é uma manhã outra

e talvez depois terceira

sendo que o mundo sucede

sempre de nova maneira

 

alfabetizar cuidado

não me ponham tudo em culto

dos que não citar francês

consideram puro insulto

 

 

se a nação analfabeta

derrubou filosofia

e no jeito aristotélico

o que certo parecia

 

deixem-na ser o que seja

em todo o tempo futuro

talvez encontre sozinha

o mais além que procuro.

 

 Agostinho da Silva

 

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A filosofia do espírito santo que iluminava Agostinho da Silva

ES01 Compreender Agostinho da Silva implica perceber a importância que tinha a filosofia do espírito santo no seu pensamento. Uma filosofia espiritual que teve e tem uma profunda influência no modo como vemos a evolução histórica de Portugal e do Brasil.

Agostinho da Silva tinha uma natureza intrinsecamente religiosa e providencialista. Não de uma religiosidade formal, mas de uma crença que via na história sinais de permanente mudança, de um sentido último que se materializava através da acção dos homens.

Nesse sentido, é exemplar o testemunho que ele dá na obra “Agostinho por si próprio” ao realizador de cinema António Escudeiro, e que só foi publicada após a sua morte,  em 2006. Nesse livro em forma de entrevista, o filósofo fala da ligação umbilical que os portugueses têm em relação ao Espírito Santo: ele vê nessa Entidade uma força que move o povo português, que lhe estimula os dons mais generosos, a sua capacidade, associando-o ao movimento dos Descobrimentos portugueses.

Agostinho da Silva assinala que o culto do Espírito Santo, celebrado nos Açores, se expandiu para o mundo. E que era essencial que o culto não fosse uma mera festa anual, repetida com os mesmos símbolos, mas que se torne num novo tempo, numa nova filosofia de vida que pratiquemos quotidianamente.

A este respeito dizia Agostinho que o homem “era o único ser que nascia de graça e passava a vida a ganhá-la”. Tinha a certeza do advento da idade do espírito santo que faria a síntese da Santíssima Trindade e permitiria ao homem ser plenamente humano e imaginativo.

Elogiava o povo português e o povo brasileiro como povos que possuíam essa imaginação e vontade de criar. Criticava quem achava que a produtividade era o fim último da humanidade, porque essa forma de pensar desvalorizava o imprevisível, a criatividade, as ideias que existiam no mundo.

A filosofia do Espírito Santo não colidia, porém, com as crenças locais. Noutro enxerto desta entrevista publicada em  livro e em vídeo, contava a história de franciscanos alemães que não compreendiam os rituais do enterro da população negra na Bahia.

Sugeria aos franciscanos que  tinham de boiar e não de nadar. Ou seja tinham de respeitar a cultura local, em vez de impor a sua própria cultura.

As festas do Espírito Santo têm  uma grande importância nos Açores. Segundo as fontes históricas, estas festas terão origem medieval, em 1321, quando o convento franciscano de Alenquer sob a protecção da rainha Isabel de Portugal e Aragão, passou a celebrar o Divino Espírito Santo, arrecadando bens para a população mais carenciada.

Nos Açores a festa é celebrada anualmente cinquenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecostes quando o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os Apóstolos, segundo o Antigo Testamento. No Brasil a tradição foi levada pelos portugueses, e é celebrada em Estados como Santa Catarina e a Bahia.

João Castro

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Livraria Lello, uma das 15 livrarias com mais estilo do mundo

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A livraria Lello foi considerada uma das 15 livrarias com mais estilo do mundo pela edição de janeiro da revista Travel +Leisure. Nesta publicação destacam-se pormenores como a escadaria vermelha em espiral ou a beleza e história do espaço, colocando-a entre as mais belas livrarias mundiais ao lado da Shaekspeare and co de Paris ou a Dominicanen de Maastrich.

Os microcontos de Jon Bagt

 

Jon BagtConheça melhor os textos do nosso colaborador, Jon Bagt

Os microcontos de Jon Bagt  impressionam pela liberdade de escrita, pela criatividade, pela surpresa permanente. Saiba mais sobre este colaborador da revista Sotaques no seu site https://jonbagt.weebly.com/ e na sua página do Facebook www.facebook.com/pages/Jon-Bagt/1405946302984018?fref=ts e delicie-se com os seus textos.

Carlos Reis

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Carrossel do Amor

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Santos Júnior vive junto à praia. Arranca acordes tropicais da guitarra portuguesa ao fim da tarde. A hora é da galera.

Homens e mulheres de todas as raças, cores e feitios rodeiam Júnior. A cerveja abundante escorre entre os lábios e as pernas dos banhistas. A espuma do dia,  prepara a noite de amor louco. A lua samba com o sol.

As formas redondas da lua decoram o céu. Surgem novas geometrias de prazer. Os corpos fintam-se uns aos outros. As almas esperam que as estrelas mudem de posição táctica.

A bola roda no céu. O sol tenta resistir. Santos agarra-se à viola e mantém a equipa focada, para que o sol se afunde no mar. O esférico acaba no fundo das redes de um barco de pesca.

A noite avança sobre o dia, mas a festa continua. As estrelas surgem no firmamento como bandeiras feitas de mil cores, feitas do mesmo pó dos grãos de areia.

As almas vibram com aparição da escuridão. A noite é feita de mil olhos. Cada um imagina novos campos de flores.

Os banhistas perfumados são personagens de uma novela. Santos Júnior hipnotiza a galera com o seu virtuosismo. Dedilha as ondas. A lua cheia ilumina os corpos dos veraneantes.

Enrolam-se na areia. É a carne que vale. O mar beija a praia, vai e vem, chega e volta a partir. A noite não tem fim e o prazer não apaga toda a dor, como  se toda a garota vertesse as lágrimas salgadas do oceano,  enquanto dança em redor do eterno carrossel do amor …

Jon Bagt

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Passatempo Vou Seduzir-te

passatempo

 

Participa no passatempo da revista Sotaques e ganha livros da escritora Maria Antónia Jardim. Escritora, pintora e docente universitária, Maria Antónia Jardim tem uma escrita que explora a imaginação e o poder da metáfora e da palavra para mudar o mundo.

O último livro da autora ” Vou Seduzir-te ” com o pseudónimo Anaoásis, situa-se numa cidade conhecida como a cidade luz cujo símbolo mais emblemático é a Torre Eiffel.

Estamos a falar de :

  1. a) Londres
  2. b) Nova Iorque
  3. c) Londres

Envia a tua resposta para o nosso facebook http://www.facebook.com/sotaques ou para o correio electrónico antonio.sotaques@gmail.com, junto com um número de contacto.

A revista Sotaques anunciará os vencedores do passatempo e contactará os premiados.

Participa !

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Museu da língua portuguesa homenageia Agustina Bessa-Luís

Agustina

O museu de língua portuguesa, em São Paulo, exibe desde o dia 15 de Dezembro até ao dia 1 de Março de 2015, uma retrospectiva sobre a escritora portuguesa Agustina Bessa -Luís. A exposição “Vida e obra de Agustina” foi concebida pela escritora Inês Pedrosa e pelo realizador de cinema João Botelho.
É uma óptima oportunidade para o público brasileiro conhecer melhor esta grande escritora portuguesa, com muitos leitores dentro e fora de Portugal.

Paulo César, Brasil

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Ferreira Gullar é imortal da Academia das Letras brasileiras

Ferreira Gulagr

Já o sabíamos, mas agora veio a consagração oficial.José Ribamar Ferreira, que conhecemos pelo pseudónimo literário Ferreira Gullar, é desde o dia 5 de Dezembro membro da Academia das Letras do Brasil.
Cidadão e poeta, escritor de múltiplos talentos, Ferreira Gullar nasceu em São Luís do Maranhão, em Setembro de 1930. É autor de uma obra poética extraordinária onde sobressai o célebre “Poema sujo”, que escreveu no exílio, no qual criticava a Ditadura militar brasileira.
Ferreira Gullar passa a ocupar a cadeira 37 da Academia de letras, a qual já foi ocupada por outros poetas célebres como Tomás Gonzaga ou João Cabral de Melo Neto.

Paulo César, Brasil

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Eça é que é Eça

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Eça é que é Eça, aniversário do nascimento do grande escritor português Eça de Queiroz

Foi na  nortenha Póvoa do Varzim, a 25 de Novembro de 1845, que nasceu José Maria Eça de Queiroz. O pai, José Maria Teixeira de Queiroz, nascera no Rio de Janeiro em 1820, era magistrado do reino e grande amigo do rival literário do autor dos Maias, Camilo Castelo Branco, a mãe, Carolina Pereira D’Eça era natural de Monção, no Alto-Minho.

Bacharel em Direito em Coimbra, Eça foi cônsul em vários países Cuba, Inglaterra, França. Em Coimbra também cresceu a sua indomável vocação literária, e a sua afinidade com Antero de Quental e Oliveira Martins, a famosa Geração de 70, que desejava reformar o país.

Na literatura, no jornalismo, na crónica de costumes – leiam-se as “Farpas”  escritas a duas mãos com Ramalho Ortigão- Eça deixou a sua impressão literária invulgar.Obras como “Os Maias”, “O crime do padre Amaro”, “O primo Basílio”, ” A capital”, traçaram retratos intemporais dos vícios da sociedade portuguesa.

114 anos após a sua morte – em 1900- não podemos observar e analisar profundamente Portugal sem ler os seus livros. Eça é que é Eça …..

 

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R.Marques

 

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Os Lusíadas, um livro onde se lê Portugal

 

ExifJPEGOs grandes clássicos são aqueles livros que se leem sempre de forma diferente. Ler um livro é como mergulhar num mar de significados, e ” Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões são um livro infinito e nunca acabado.

Há duas epopeias na epopeia que escreveu Camões. Uma é a obra propriamente dita, a outra são as enormes dificuldades que o grande poeta português teve para escrevê-la.

Camões não foi propriamente um bem amado pela coroa. Viveu sem grandes recursos, e o seu espírito rebelde e insubmisso – envolveu-se num duelo em Lisboa, recebendo ordem de prisão- terá precipitado a sua ida para o Oriente à procura da fortuna que lhe era negada na  pátria. Sabe-se que embarcou no Tejo, na frota de Pedro Álvares Cabral, em Março de 1553, passou por Ceuta – onde terá perdido o olho direito num confronto –  e chegou a Goa no ano seguinte.

Alistou-se no exército do vice-rei Dom Afonso de Noronha, e acompanhou o seu sucessor  Dom Pedro de Mascarenhas, combatendo os mouros no mar vermelho. Foi neste período que começou a escrever Os Lusíadas.

Os relatos históricos contam que foi preso no Oriente – desconhece-se  se por dívidas ou textos satíricos que terá escrito sobre a corrupção dos governantes. Em 1561, o novo governador, Dom Francisco Coutinho pobretão  e protege-o, nomeando-o Provedor mor dos defuntos e ausentes em Macau – segundo algumas teses redigiu uma parte significativa da sua obra-prima numa gruta, que ficou associada ao seu nome.

Na viagem de regresso a Goa, o navio em que viajava naufragou e Camões teve de resgatar, literalmente, o manuscrito de “Os Lusíadas” do mar Mekong. Um episódio de um simbolismo profundo, já que o mar é o grande interlocutor do poeta,  no relato da viagem à Índia da frota de Vasco da Gama – este momento foi lembrado por Camões na redondilha “ Sobre rios que sobem”, uma das obras centrais da riquíssima lírica camoniana, tão ou mais rica que a sua inspiradíssima épica.

Resgatado do mar foi-lhe dada  nova ordem de prisão em Malaca.  Voltou a Portugal e, finalmente, conseguiu ver publicada a sua obra em 1572, sob a protecção do rei  D. Sebastião.

Apesar da grandeza intrínseca da obra, os seus ecos silenciaram-se com a perda da independência em 1580. Camões, curiosamente, morre nesse ano, em condições económicas precárias, um sinal do fim de um tempo glorioso do país.

Dos Lusíadas pode-se dizer tudo e não se pode dizer nada. Pode-se dizer tudo porque se trata de uma obra monumental – dez cantos onde Camões transforma a viagem à Índia numa epopeia à altura da Odisseia e da Eneida, as duas grandes epopeias da Antiguidade clássica – e não se pode dizer nada,  já que são tantas as leituras que se podem fazer que nenhuma palavra que se diga pode sintetizar este magnífico texto.

Camões, príncipe dos poetas portugueses, está para além de todos nós. Nenhum ensaio o abarca, nenhum pensador o explica.

É como um daqueles milagres inexplicáveis, daqueles fenómenos da natureza fulgurantes que fascinam os leitores e elevam os povos além de si próprios.

Reler eternamente Camões, relê-lo nos seus múltiplos ângulos , é uma tarefa gigantesca. E “ Os Lusíadas” são esse navio em forma de papel que nos levará como povo  para o Futuro, para um Portugal maior e melhor, um Portugal que se poderá ver integralmente  reflectido no  espelho da História da humanidade   com lúcido  e  justo  orgulho.

 

Rui Marques

 

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    Livro póstumo de Saramago

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Livro póstumo de Saramago lançado no dia 27 de Outubro no Brasil

Já se conhece a data de lançamento no Brasil da obra ” Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas” de José Saramago. O livro póstumo do Nobel português irá estar disponível para o público brasileiro a partir do dia 27 de Outubro .

Romance inacabado de José Saramago, conta-nos os dilemas morais de um funcionário de uma fábrica de armas que detesta a sua profissão. Aguardasse com enorme expectativa este lançamento já que Saramago é um dos escritores mais admirados pelos leitores brasileiros.

 

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Paulo César, correspondente da revista Sotaques no Brasil

 

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Panteão acolhe Sophia de Mello Breyner

Sophia Andresen

O Panteão nacional  recebe esta quarta-feira  os restos mortais da poetisa portuguesa, Sophia de Mello Breyner. A cerimónia de trasladação decorrerá esta tarde , e a escritora ficará ao lado de outras personalidade da cultura e da vida nacional como Aquilino Ribeiro e Humberto Delgado.

Falar de Sophia é referir a busca incessante da pureza das palavras, do fio condutor que liga o olhar ao mundo, o poema à essência das coisas, que une o homem e o mar. Essa conexão vital, única, que faz da linguagem uma estrada que todo o ser humano percorre em busca de si próprio.

Obras como “ Canto sexto” ou “ Coral” são etapas desse caminho de profunda depuração poética. Mas Sophia ultrapassa a poesia ao escrever livros de contos tão admiráveis como “ Contos exemplares” ou clássicos da literatura infantil como “ A fada oriana” ou o “ Cavaleiro da Dinamarca.

A verdade que está inscrita em cada palavra que dizemos é, no fundo, a grande lição de Sophia. Essa verdade sábia e simples que nos aproxima mais da nossa alma.

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R. Marques

Livro “Carioca lifestyle de A a Z”


Livro “Carioca lifestyle de A a Z”Livro “Carioca lifestyle de A a Z”  revela a linguagem do carioca para estrangeiros

O livro “ Carioca lifestyle de A a Z” do publicitário brasileiro  André  Eppinghaus. A viver no Rio de Janeiro, o autor aproveitou a Copa do mundo para mostrar 49 vocábulos do “ carioquês”, desvendando os segredos do léxico carioca para os estrangeiros que visitam a cidade maravilhosa.

Além do glossário, a obra apresenta imagens do Rio de Janeiro.

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R. Marques

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Maria Velho da Costa vence Prémio APE de Vida Literária

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A escritora Maria Velho da Costa recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de escritores, no valor de 25000 euros. O prémio é um reconhecimento da longa trajectória da autora com livros tão marcantes para a Literatura portuguesa como Myra, Casas Pardas e Missa In Albis, além do seu ativismo cívico e democrático já que é autora, em conjunto com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno da célebre obra Novas Cartas Portuguesas, que abalaram o Estado Novo, tendo o processo judicial desencadeado contra as escritoras merecido a reprovação da Comunidade Internacional.

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R. Marques

Um abraço da Língua Portuguesa a José Saramago

José  Saramago  no  SESC“Quando o tempo levantou, passada uma semana, partiram Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas para Lisboa, na vida tem cada um sua fábrica, estes ficam aqui a levantar paredes, nós vamos a tecer vimes, arames e ferros, e também a recolher vontades, para que com tudo junto nos levantemos, que os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer, isso mesmo fizemos com o cérebro, se a ele fizemos, a elas faremos, adeus minha mãe, adeus meu pai”

Citação do Memorial do Convento de José Saramago

Hoje e amanhã vão ser Dias de José Saramago na Revista Sotaques Brasil/Portugal. Amanhã celebra-se o aniversário do nascimento do Nobel português da Literatura – nasceu a 16 de Fevereiro de 1922 e faleceu a 18 de Junho de 2010 – e queremos prestar-lhe a devida Homenagem pelo que deu a Portugal e à Língua Portuguesa, espalhada pelos quatro cantos do Mundo.
A vida e obra de José de Sousa Saramago, é um milagre de superação permanente . Nascido na Golegã, Azinhaga, no dia 16 de Novembro de 1922, numa família de pais e avôs agricultores, acompanha os pais aos dois anos a Lisboa, onde viverá os anos da Infância e da Juventude e grande parte da Idade adulta.
Por dificuldades económicas, não consegue seguir estudos universitários, entrando para a Escola Técnica e começando a trabalhar como Serralheiro mecânico. Não deixa, porém, de ser um ávido leitor, frequentando a Biblioteca Municipal de Lisboa, no Palácio de Galveias.
Com 25 anos, publica o primeiro romance “ Terra do Pecado” em 1944. A recepção à primeira obra não é entusiástica, e o segundo livro “ Clarabóia”, é rejeitado pelas Editoras, só sendo publicado em 2011, após a morte do escritor.
Mas, apesar disso, Saramago persiste. Conjuga trabalhos na Editoral Estudos da Cor e como Director do Diário de Notícias com a publicação dos livros de poemas “ Provavelmente alegria” ( 1970) e “ O Ano de 1993” (1975).
A década de 70 marca um antes e depois na História de Portugal e de José Saramago. Em 25 de Abril de 1974, o país liberta-se da tenebrosa Ditadura de António de Oliveira Salazar, e Saramago retoma aos caminhos da ficção com “ Manual de Caligrafia” (1977) e “ Levantados do Chão” (1980), onde encontramos os grandes temas da sua obra: a crítica às desigualdades sociais, a defesa dos mais fracos, a reivindicação do Humanismo e da Solidariedade como valores primordiais nas relações entre os homens.
“ Memorial do Convento”, publicado em 1982, estabelece definitivamente o nome de Saramago na constelação dos grandes escritores portugueses. Neste clássico da Literatura nacional, Saramago tece uma brilhante narrativa histórica, situada no início do século XVIII, na qual convivem personagens reais como o Rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão com figuras imaginárias como Blimunda e Baltazar, cujas histórias se vão entrecruzando num Memorial que celebra a construção do Palácio de Mafra.
Os anos 80 e 90 são os da explosão meteórica do fenómeno literário Saramago. Obras como “ O Ano da morte de Ricardo Reis” (1984), “ Jangada de Pedra” (1986), “ O Evangelho segundo Jesus Cristo” (1991) – que desencadearia uma polémica que levou o escritor a mudar-se de Lisboa para a Ilha espanhola de Lanzarote – Ensaio Sobre a Cegueira (1995) e Todos os Nomes (1997) , projectam o autor para uma dimensão planetária.
O Nobel da Literatura, obtido em 1998, é o primeiro de um escritor de Língua Portuguesa e foi antecedido pelo Prémio Camões ( 1995), o maior galardão atribuído a autores que escrevem em português. No novo século, sucedem-se “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), “Todos os Nomes” (1997)e as “As Intermitências da Morte” (2005).
A Morte, em 18 de Junho de 2010 , acontece em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde vive com a escritora e jornalista Pilar del Rio, e é apenas um capítulo de uma História prodigiosa de persistência e talento. José Saramago resistiu a todas as contrariedades e conseguiu o reconhecimento da Literatura universal.
Hoje e amanhã e todos os Dias, a Língua Portuguesa, os cidadãos que a escrevem e falam, os Governos, os seus agentes públicos e privados em todo o Mundo – como exemplifica a fotografia que acompanha este artigo – tem o dever de abraçar José Saramago.
A Língua Portuguesa deve-lhe esse acto de gratidão eterna !!!

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R. Marques

A melhor versão de Ana Santiago

Ana Santiago Foto2013Revista Sotaques capta a melhor versão de Ana Santiago 

A Revista Sotaques Brasil/Portugal entrevistou Ana Santiago, autora do livro ” Qual é a sua melhor versão”, formadora e consultora de relações públicas, que apresentou o seu livro naANJE na cidade do Porto, na passada quinta-feira. A autora é professora universitária e autora do Blogue VIP do Semanário Expresso, e falou connosco sobre os segredos de uma vida bem sucedida a nível profissional e pessoal, vencendo os fantasmas da crise.
Na próxima segunda-feira mostramos a melhor versão de Ana Santiago, numa entrevista onde também falamos do Brasil. Não perca !!!!

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Veja o Vídeo com Sotaques desta semana

1043874_540259306009425_293267172_nOs Maias. Um Livro imortal comentado pelo jornalista e poeta Rui Marques.

Valter Hugo Mãe com novo livro

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O escritor português, Valter Hugo Mãe, volta à ficção com um novo romance “ A desumanização”. Um  livro que surpreende o leitor pelo cenário – a Islândia – país que o autor visitou e que lhe serviu de paisagem natural e cultural, visto pelos olhos de uma menina islandesa, que é  a narradora improvável  do livro.

Recorde-se que o escritor venceu o ano passado, em cerimónia realizada em São Paulo,  o Grande Prémio Portugal Telecom, atribuído a obras escritas  português e  publicadas no Brasil,  com a obra “ A Máquina de fazer espanhóis”. E que, este ano, consta da lista de 12 finalistas do mesmo prémio com o romance “ O filho de Mil homens”.

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R. Marques

Passatempo Ser Serrano

946562_4994955359051_576406218_nResponda corretamente à seguinte questão e habilite-se a ganhar um exemplar do livro “Ser serrano – Os Filhos da Serra” do escritor Michael Gonçalves.
Responda corretamente à seguinte questão.

Arganil é uma vila portuguesa localizada no distrito de:

a) Braga
b) Coimbra
c)Lisboa
Envia-nos a tua resposta para o e-mail antonio.sotaques@gmail.com e habilita-te a ganhar um exemplar deste fascinante romance.

O site que divulga a sua Cultura.

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Sotaques entrevista Michael Gonçalves

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Sotaques entrevista Michael Gonçalves, autor da Obra “ Ser Serrano”

A Revista Online  Sotaques Brasil/Portugal entrevistou o escritor Michael Gonçalves, a propósito da sua quarta Obra “ Ser Serrano”. Marcou presença, no dia 26 de Julho, na Avenida dos Aliados, na apresentação do Livro “ Ser Serrano” que decorreu na Feira do Livro “ Letras da Avenida”,   na Baixa do Porto.

Quarta obra de Michael Gonçalves, “ Ser Serrano – Vol. I Os filhos da Terra” é uma viagem interior e exterior de dois primos pelo cenário mágico da Serra do Açor. Sobre esta Obra e outros assuntos, falamos com o autor numa entrevista imperdível Aguardem.

Estejam atentos porque vale a pena ler !!!

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R. Marques

Livro com Sotaques ” Desde que o Samba é Samba”

desde_samba_e_samba Livro com Sotaques desta semana é ” Desde que o Samba é Samba” do escritor brasileiro Paulo Lins. Simultaneamente, é uma História do Samba e uma ironia do destino.

Uma História do Samba porque acompanha a vida do pioneiro da primeira Escola de Samba, Estácio de Sá, e uma ironia do destino porque o autor morou na Rua Estácio de Sá e foi um seguidor apaixonado da Escola de Samba criada pelo mentor do Samba.

Também é uma Obra que aproxima Portugal e o Brasil, já que através da leitura descobrimos que a origem da família de Estácio de Sá encontra-se em Portugal, mais precisamente em Évora. Os trópicos e o calor juntam os brasileiros e os portugueses através do Samba.
Em síntese: ” Desde que o Samba é Samba” de Paulo Lins é uma óptima sugestão de leitura para este Verão. Com um Samba à mistura na praia, de preferência !!!

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Baú dos Sotaques abre-se para a imaginação das crianças

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Foi um dos Eventos mais especiais do Festival Ritmos Mundo 2013. Rui Marques e António Bernardini da Revista online Sotaques Brasil/Portugal dinamizaram, no passado dia 6 de Julho, no Jardim do Morro em Vila Nova de Gaia, uma pequena intervenção poética em que as crianças foram as protagonistas.

O Baú dos Sotaques, cheio de poemas, foi a porta de entrada para o universo da imaginação e da leitura. As crianças não só leram os poemas, como nos ensinaram que a criatividade só precisa de estímulos para frutificar.

E, sobretudo, que as crianças são os nossos melhores leitores e ouvintes. Os mais adultos !!!

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R. Marques

 

Nuno Júdice vence o Prémio Rainha Sofia

NJ_bioO poeta português Nuno Júdice venceu  o Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. O prestigiado galardão literário premeia a obra de um escritor vivo bem como a sua contribuição  para  o património cultural Ibero-Americano.

Atribuído pelo Património Nacional espanhol e pela Universidade de Salamaca, o Rainha Sofia está dotado com 42.100 euros, celebrando a sua XXII Edição. É considerado o mais reputado galardão no Universo Sul-Americano.

A Revista Sotaques Brasil/Portugal congratula-se com mais esta prova da vitalidade e da força da Poesia portuguesa no mundo.

 

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R. Marques 

“A Filha do Papa”

images (3)   Livros com Sotaques:  “A Filha do Papa” de Luís Miguel Rocha

Um dos escritores que mais tem abordado as questões da Igreja e do Vaticano, é o português Luís Miguel Rocha. O seu último livro, “ A filha do Papa”  tornou-se um dos livros mais vendidos na lista do New York Times, abordando a figura controversa do Papa Pio XII  e as suas ligações ao anti-semitismo.

Este é o sexto livro de Luís Miguel Rocha, que antes já tinha publicado “ O último Papa” sobre a misteriosa morte do Papa João Paulo I e “Bala Santa” que abordava o atentado contra João Paulo II, ambas obras com vincada temática religiosa. O que não espanta já que Luís Miguel Rocha, antes de se dedicar à escrita, trabalhou na Produtora que filmava as Missas da TVI, canal português que teve uma inspiração católica quando foi fundado.

É o nosso Livro com Sotaques a ler com atenção.

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R. Marques

Clube de Leitura Bertrand

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Sotaques presente no Clube de Leitura Fantástica

A Revista Sotaques Brasil/Portugal esteve presente no Clube de Leitura Bertrand, coordenado por Rui Baptista. O Evento realiza-se nos primeiros sábados de cada mês na Livraria Bertrand doGrand Plaza, no Porto, e é uma oportunidade para os amantes da Literatura Fantástica debaterem um livro sobre esta temática.

www.sotaques.pt – Pare, Escute, Leia o Sotaques !!!

R. Marques

 

Sotaques em Revista

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Reveja, nos próximos dias , vários conteúdos que a Revista Online Sotaques publicou ao longo do ano. Passe o Ano Sotaques em Revista e releia alguns dos nossos Textos, Entrevistas e Eventos mais significativos.

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R. Marques

 

Prémio Leya 2012

Nuno-CamarneiroNuno Camarneiro ganha o prémio Leya 2012

O escritor Nuno Camarneiro venceu o prémio Leya 2012, no valor de 100.000 euros. O anúncio foi feito esta semana e o premiado foi galardoado pela obra “ Debaixo do Céu”, consagrado por um Júri presidido pelo poeta e escritor Manuel Alegre.
Nuno Camarneiro é natural da Figueira da Foz, onde nasceu há 35 anos, e reside em Aveiro. Doutorado em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra e em Ciência aplicada ao Património Cultural em Florença , é actualmente investigador na Universidade de Aveiro e Professor na área do Restauro na Universidade Portucalense do Porto.
Publicou em várias revistas e colectâneas antes de se estrear, em 2010, com o romance “ No meu peito não cabem pássaros”. “ Debaixo do céu”, o seu segundo livro é uma viagem pelo “ Purgatório” de várias personagens isoladas num Condomínio – assim o define o seu autor.

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R. Marques

“ Amor entre mulheres II”

       0001    Sotaques participou no  Evento “ Amor entre mulheres II”

O Sotaques Brasil/Portugal foi representado pelo seu membro, António Bernardini na mesa do  Evento de apresentação da obra  “ Amor entre mulheres II” da escritora Katherine Mateus,  que decorreu  na Casa Barbot, em Vila Nova de Gaia, no sábado, 8 de Dezembro,  pelas 15h00. António Bernardini destacou na sua intervenção a qualidade da Obra de Katherine Mateus e o prazer da nossa Revista Online  se associar a este Evento cultural.

Saudamos a nossa  Ritmos e Temas, organizador do Evento e divulgadora  da obra de Katherine Mateus, e a própria autora pela magnífica tarde cultural que passamos juntos, com um público atento e presente em apreciável número.

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R. Marques