Cultura Urbana com SOTAQUES

Hernanay

Noite de brisa morna e céu estrelado em uma viela modestamente iluminada da Terra Firme, bairro da periferia da cidade de Belém do Pará, Norte do Brasil. Bandeirolas “de São João” enfeitam a frente de estreitas casas de alvenaria e palafitas de madeira, apoiadas umas nas outras na ruazinha que serpenteia ao infinito. Crianças correm de um lado ao outro apreciando o movimento e soltando foguetinhos barulhentos. É início da “quadra junina” e a rua está cheia. Vai ter boi-bumbá, quadrilha, dança afro, forró, toadas, tecnomelody e comes e bebes.

Mãe Ray é quem comanda a festa. Moradora do bairro desde que aquelas ruas eram ainda pontes improvisadas de madeira, que se equilibravam sobre “igarapés” e alagados. Lá, ela assentou sua Casa de Mina a mais de 35 anos. E junto com a manifestação religiosa de matriz africana, ela também passou a organizar todo tipo de atividade cultural. Fundou “quadrilhas juninas” (grupos de danças típicas da chamada “quadra junina” no Brasil), organizou um grupo de dança afro chamado “Guerreiros de Obaluaê” e é muito conhecida por ser “botadora” boi-bumbá.

A história do folguedo do boi-bumbá no Brasil se perde nos séculos de nossa formação colonial, na presença negra e indígena e no desenvolvimento das culturas populares de grupos marginais. De norte a sul do país encontramos diversos tipos de “bois”, com características regionais próprias. No estado do Pará a brincadeira recebe o nome de “boi-bumba”, expressão que faz alusão provável à palavra africana bumba: “instrumento de percussão, tambor, que pode derivar do quicongo mbumba, bater”, como nos diz o folclorista Vicente Salles no livro “O negro na formação da sociedade paraense”. No caso de Mãe Ray, o folguedo adquire formas bem particularidades. Além do “boi”, propriamente dito, ela cria outros “bichos” como o “cavalo-bumbá”, o “gato-bumbá”, o “cachorro-bumbá” e o “pássaro-bumbá”.

Naquele dia a festa era dedicada ao “batizado” do Boi Atrevido, novo bumbá que passaria a ser administrado por dois jovens moradores do bairro, Kauê Silva e Josy Alves. Os dois haviam sido incumbidos por Mãe Ray de assumirem o folguedo e o colocarem na rua, para “fazer um trabalho atuante no bairro visando estabelecer uma relação sociocultural criativa e independente”, como me contou Kauê Silva. A honrosa e difícil missão foi dada aos dois jovens quando eles conheceram Mãe Ray durante as atividades da “Primeira Conferência Livre de Cultura da Terra Firme”, realizada em março de 2017. A conferência, por sua vez, foi organizada por vários grupos culturais e estudantis do bairro e buscava conectar novos e velhos agentes da cultura periférica em um projeto de afirmação política e cidadania.

Na noite do batizado do Boi Atrevido, além dos moradores do bairro, muitas pessoas de outras áreas estavam presentes; gentes de outras periferias e até mesmo algumas pessoas do “centro” de Belém. Presentes também indivíduos ligados a outros grupos de cultura, bois, grupos de dança, coletivos culturais, juventude atuante no movimento negro, movimento estudantil, hip hop, etc. Em suma, estava presente uma nova geração de ativistas culturais e políticos do bairro da Terra Firme, que nos últimos anos tem exercido a cidadania a partir de atuação em ocupações de escolas, em coletivos de ativistas, conectados nas redes sociais e na rua com os debates públicos, políticos e comportamentais ocorridos no Brasil dos últimos anos.

Aquele evento era representativo das formas que as culturas urbanas assumem em Belém do Pará no dias atuais. Nos últimos anos inúmeros movimentos de ocupação urbana, que envolvem ativismo cultural e ativismo político, ao mesmo tempo, se fizeram presentes na cidade. Alguns desses podem ser citados rapidamente, como é o caso do Batuque do Mercado de São Brás e da Batalha de São Brás, que ocorriam em um bairro não muito distante de onde o Boi Atrevido foi “batizado”.

O Batuque do Mercado de São Brás era realizado às sextas-feiras na Praça Floriano Peixoto (conhecida por todos apenas como Praça do Mercado de São Brás). Uma região marcada pela presença de muitos moradores de rua, violência urbana e exclusão, grande fluxo de pessoas e veículos, às proximidades do Terminal Rodoviário de Belém do Pará. O evento se caracterizava pela ocupação extraoficial da praça pública por artistas, músicos, poetas, intelectuais, etc., onde também ocorriam ocasionais apresentações de bois-bumbás, carimbós, hip hop, etc. E muitas vezes eram realizadas edições temáticas que rememoravam datas políticas importantes como, por exemplo, o “Batuque da Consciência Negra”, feito em parceria com o movimento negro às proximidades do 20 de Novembro, data que lembra a morte de Zumbi dos Palmares e simboliza a luta dos negros e negras pela liberdade no Brasil.

No mesmo espaço ocorria também um movimento ligado à cultura hip hop que ficou conhecido como Batalha de São Brás. Tratava-se da reunião de jovens MCs, acompanhados de uma caixa de som, que disputavam as melhores rimas a partir de temas escolhidos na hora. A Batalha de São Brás aos poucos passou a reunir uma juventude que vinha de vários bairros da periferia de Belém e tornou-se em poucos anos um dos pontos de encontro centrais da cultura hip hop dentro da cidade e da região.

Muitos desses movimentos mais cedo ou mais tarde sofreram algum tipo repressão por parte dos poderes oficiais, com a presença ostensiva da polícia militar e guardas municipais que quase sempre incompreendiam tais manifestações e as reprimiam. Isso causou um enfraquecimento de alguns desses eventos, tendo levado ao fim de parte deles, mas, ao mesmo tempo, levou à expansão e migração para outras áreas da cidade, assim como, ao surgimento e consolidação de vários artistas que hoje vivem da música, do rap e permanecem atuando em Belém e outras regiões.

Em todos esses eventos ocorria uma intervenção político-cultural efetiva no espaço urbano, uma espécie de re-apropriação da cidade, uma re-publicização do espaço público deteriorado. Efetivamente as culturas urbanas e as culturas populares e periféricas não desaparecem. Nem mesmo com a repressão policial, o preconceito e a estigmatização feita sobre elas pelo pensamento hegemônico. A cidade é tomada de tempos em tempos por velhos e novos movimentos político-culturais que se manifestam pela territorialização e re-territorialização da cidadania ou, melhor dizendo, pela “tomada” do espaço público, onde se diz, através de arte, de folguedos como o boi-bumbá, dos batuques, da música, do rap, dos corpos e performances “marginais”, que a cidade deve ser de todos e todas.

No caso de Belém do Pará, assim como ocorre em muitas outras cidade do Brasil, as culturas urbanas, e as culturas populares e periféricas em particular, reconstroem-se e se reconectam. Seja quando um grupo de hip hop se manifesta nas praças com suas batalhas de MCs, seja quando um batuque incorpora as demandas políticas da sociedade e relembra as grandes lutas populares. E, mais significativo ainda, quando uma Mãe de Casa de Mina da periferia da cidade, batiza um novo boi-bumbá, entrega-o a novos “amos”, bem mais jovens, que terão a tarefa de conectar gerações, manter a tradição ao mesmo tempo em que renovam as manifestações populares e as festas de rua da periferia.

Estabelece-se nesses casos um diálogo cada vez mais necessário entre o velho e o novo, a tradição e a globalidade, a luta pelo direita à cidade e à cidadania entre várias gerações das periferias urbanas do Brasil. As culturas urbanas são antes de tudo formas de uso cidadão da cidade. E, muitas vezes, alertam para as cisões sociais, para as marginalidades e desigualdades e dão voz aos sujeitos e sujeitas que de outra forma não se fariam ouvir pela cultura hegemônica.

 

Tony Leão da Costa.

Historiador, professor da Universidade do Estado do Pará, integrante do Boi Marronzinho e Boi da Terra (bairro da Terra Firme), ex-organizador do Batuque do Mercado de São Brás, ativista cultural em Belém do Pará.

|Hernany Fedasi

 

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Luzes Mecânicas

Foto-Suellen-suky

Aos ventos que hão de vir;
Arrastando o ar miscigenado,
Em DNA singular, Candango,
Onde a urbis é o inspirar.
Alenta-se os monumentos,
Da Catedral a Torre Digital,
Excede-se o natural,
Da Ponte JK aos Ministérios.
Ascende vermelho-pungente,
Barro que adentra a cosmopolita
Noite que cega, luzes mecânicas.
Além das asas sul e norte,
E eixos desconcertantes, paira,
Há algo utópico, centros brasilienses

|Pablo Santos

|Foto : Suellen Suky

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BRASIL NOSSO DE CADA DIA

Pablo Gomes-

Vejam a situação.
No Brasil a coisa tá assim:
A verdura com agrotóxico,
A carne foi maquiada,
A água contaminada,
A galinha tem hormônio,
É peixe envenenado,

 É lixo no esgoto entulhado,
Nem urubu tá dando conta
De comer tanta podridão,
Ele que é um cara trabalhador,
Disse que de comer lixo já se cansou.
A podridão não está só na rua,
Ta dentro da casa que é minha e sua,
Onde decisões são tomadas.
No Brasil tá tudo atrapalhado,
 
Virou barco a deriva, leme quebrado,
Sem direção…o que fazer?
Ainda penso e acredito na EDUCAÇÃO.
Temos o direito de nesse Brasil viver.
E ver nossas crianças em paz crescer.
Ah um milagre!
Tão oferecendo um terreno no céu,
Mas, como comprar?
No Brasil tá difícil, ainda moro de aluguel.
Sou assalariado, e até o meu roçado
Não vai bem, sem chuva morreu ressecado.
É, ta ficando complicado,
O estrangeiro parou de importar carne,
Por ganância de quem queria
Mias um pouquinho de trocado.
Quero chegar no hospítal 
E encontrar medicação,
Quero sair a noite sem medo de ladrão,
Quero ver meu filho ter boa educação,
E ver o professor se orgulhar da profissão.
Eu quero!
|Hernany Fedasi
Texto: Márcia Wayna Kambeba
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BRASIL NÃO TÃO VARONIL

 

Ro_

Um país com uma área geográfica imensa.
Um país onde se plantando tudo dá.
Um país com talentos, culturas e artes das mais variadas.
Um país com climas diversos, para todos os gotos.
Um país com sabores incríveis e gente maravilhosa.
Um país em crise.
Um país com corrupção.
Um país com fome, saúde precária e falta de investimento na
educação.
Um país carente de afeto e melhor administração.
São dois países? Não, apenas um.
APENAS UM BRASIL.

|Rô Mierling

 

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MICROCONTO: RUA SUJA

MMalheiro- Microconto

Carlos Roberto afia a faca. O boi ouve música. O cavalo dança. Alberta bebe aguardente. O Juiz olha o relógio, levanta a pistola e um foguete respinga com o pó dos anjos. A cana atinge o cavalo, a navalha foge das mãos de Carlos, Alberta bate com a mão no peito e o boi amansa os cornos nos códigos anotados pelo Magistrado …

|Jon Bagt

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Sozinha na Multidão Tecnológica

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É interessante o fato de as vezes estarmos juntos ou estarmos sozinhos. O conceito de “ter amigos” e/ou não ter ninguém.

Eu ontem chamei meu namorado para ver um filme, ele disse que precisava estudar. Certo.

Eu moro sozinha, logo pensei então em chamar umas amigas para virem a minha casa e papearmos, bebermos algo, qualquer coisa assim. Liguei para cinco amigas diferentes, cada qual deu uma desculpa.

Era uma terça-feira, mas mesmo assim achei que nada custava dar uma passada aqui em casa. Eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. Mas naquele momento em que eu queria companhia, sinceramente minha mente se voltou para poucos. Meu namorado, algumas amigas.

Ah, sim, tem aquela tia minha que sempre vai comigo fazer compras e que às vezes aparece aqui em casa, ela é solteirona, é hiperativa e muito legal. Liguei para ela e depois de mil desculpas ela me disse que não podia, pois tinha consulta no dia seguinte logo cedo. Quem mais? Pais morando longe, as opções iam ficando cada vez menores.

Lembrei-me de um professor da faculdade que sempre dava em cima de mim. Eu tenho namorado, claro, mas o tal professor é gente muito fina, educado, só passaria dos limites se eu deixasse. Liguei para ele e ele disse que infelizmente estava preparando uma prova para aplicar no dia seguinte.

Não me restou muita coisa a fazer, a não ser sair para a rua sozinha e assim fui. Andei pelas ruas próximas ao meu apartamento e vi muita gente pelos bares, praças, a grande maioria com telefones celulares e equipamentos eletrônicos em uso. Postando, compartilhando, comunicando-se. Mas vi poucos grupos juntos, unidos, rindo, brincando ou mesmo brigando. Sentei em um banco, fiquei a olhar quem passava. Poucos casais de mãos dadas, poucas amigas abraçadas e rindo como eu fazia quando era adolescente. Menos ainda pais, mães e filhos andando de mãos dadas como uma família unida. Fui ficando cada vez mais triste.

Que mundo é esse que temos tantos ―contatos‖ e na verdade vivemos sozinhos em nós mesmos?

Cansei e voltei para casa, já passava da meia noite. Tomei banho e antes de dormir fui ver se tinha algum e-mail importante no meu computador. Lembrei de também olhar meu Facebook e lá estavam mais de 190 recados de ― felicidades‖.

Eu não disse a você? Pois é, eu estava procurando companhia pois era meu aniversário. Mas nesse momento percebi que eu não estava sozinha. Eu estava unida a vários ―amigos‖ do Facebook que, avisados por um sistema automático, me desejavam ― toda a felicidade, amor e amizade do mundo‖.

|Rô Mierling

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ARTE, CULTURA E TECNOLOGIA

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Neotides Benedito é Licenciada em Letras-Português e Especialista em Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas. Mora nos Estados Unidos, onde Ensina Português como Língua Estrangeira (PLE), como Segunda Língua (PSL), como Língua de Herança (PLH). Sempre com o suporte da tecnologia.

No final da década de 80, eu visitei num único dia, dois museus europeus em cidades diferentes, andei por seus corredores, parei em frente a obras de arte, só não sentei em frente delas para contemplação porque já estava sentada em frente ao computador, vendo, pela primeira vez, um museu virtual. Esta lembrança me fez pensar nas possibilidades da tecnologia na minha atividade profissional.

Se entendemos que cultura é o ambiente construído pela humanidade, que arte é a manifestação estética nesse ambiente, e que tecnologia é o resultado da busca por novas maneiras de fazer, fica claro que as três caminham e interagem e fazem trocas entre si, ao longo da trajetória do ser humano.

No campo educacional, temos exemplos candentes do poder da tecnologia para a disseminação da arte e da cultura. Podemos citar dois momentos do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.(**)

Em 2015, Luís da Câmara Cascudo, estudioso da cultura popular brasileira, ganhou uma exposição inédita, “O Tempo e Eu (e VC)”, que interagia com os visitantes através de sons, cheiros, paisagens, gestos, experimentos e costumes, a partir dos conteúdos biografia, danças, oralidade, crenças, cozinha brasileira, com base na obra desse autor. Destaque-se o parênteses do título, que estabelece a “prosa” entre o escritor e o visitante (ou seria entre o visitante e você? Ou entre o tempo e nós? Nós quem? – questão metalinguística… sem esquecer a forma como hoje se escreve “você” em internetês).

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Em outro exemplo, o Museu abordou o universo do esporte mais popular do Brasil (e também uma forte expressão da nossa cultura) na exposição “Futebol na Ponta da Língua”. No “acervo”, o rico repertório de comunicação do futebol, com regras e códigos, os bordões dos locutores, os textos literários a que deu origem, as frases memoráveis, os seus termos profissionais e gírias, a sua representação na literatura: Mário de Andrade, Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Carlos Drummond de Andrade, estavam entre os “convocados”. Foi um jogo e tanto, em que só houve vitória!

E, não resistindo ao impulso de mais um exemplo, nas décadas de 60 e 70, época em que vigorava o regime militar, circulou um tipo especial de correspondência via correios: a “arte postal”, que possibilitou a difusão de dados do meio artístico, alcançando um grande público. Hoje, ainda temos os correios, mas temos também as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação). Imaginem só as possibilidades!

Os educadores têm agora, à sua disposição, uma terminologia nova e sempre crescente, que inclui cinema em 3D, totem multimídia, “instalações”, “performances”, webmuseu, cibermuseu, museu digital ou virtual. Também temos conversas com vídeo pela internet, obras reproduzidas em alto relevo para vivências táteis de pessoas com deficiência visual, experiências sensoriais que alcançam os cinco sentidos. A todo instante surgem novos aplicativos, novas tecnologias digitais, novas maneiras de fazer. Mais fácil se torna difundir a arte e a cultura, mais fácil se torna ensinar línguas estrangeiras.

Sigamos então, neste século XXI, abertos à diversidade e ao multiculturalismo, à inclusão e à construção de um mundo melhor e mais fraterno, onde cada indivíduo possa espraiar o seu olhar para além das barreiras entre diferentes culturas, transcender seu nicho cultural e caminhar ao encontro da sua própria natureza, derrubando muros e construindo pontes. Reais ou virtuais.

Texto: Neotides Benedito

| Hernany Fedasi

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Paola Giometti , A Fera Intrínseca

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Paola Giometti nasceu em São Paulo, Capital, em 1983. É graduada em Biologia, mestre e doutoranda em Ciências. Colaborou com a Revista Mundo dos Super-heróis na edição 57 com uma matéria sobre o papel da mulher nos quadrinhos. Em eventos sobre a cultura nerd, Paola é cosplayer da personagem Lara Croft, sua heroína nos games e HQs desde a infância. Publicou o livro O Destino do Lobo e O Código das Águias da série Fábulas da Terra, além de ter participado das coletâneas literárias Xeque-mate, Horas Sombrias, Aquarela, Círculo do Medo, King Edgar Hotel, Legado de Sangue, Outrora e Sede, todas da Andross Editora. Paola não só participou com contos das coletâneas Fogo de Prometeu, Céus de Chumbo, Outrora, Sede como também foi a organizadora dessas antologias.

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Produção de utensílios de pedra, domínio do fogo e aquisição da linguagem; uma das conquistas fundamentais do homem primário adquiridas por entre os milhões de anos. E foi em decorrência desses conhecimentos que ele, o homem, passou a defender-se dos animais ou caçá-los, cozinhando seus alimentos, aquecendo-se ao fogo e disseminando a experiência entre gerações. A necessidade levou o homem a domesticar alguns animais. Temos como exemplo inicial os lobos; seres humanos e selvagens teriam vivido lado a lado durante um longo tempo, numa relação onde os animais forneciam mantimentos, prestavam serviços de transporte, serviam de estimação ou até para fins ornamentais. Como resultado da manipulação do homem sobre animais, podemos hoje, considerar por análises genéticas, os cães como descendentes dos lobos encontrados entre 15 e 36 mil anos atrás no oeste Europeu e Sibéria. É nessa ambientação fria, milenar e animalesca que conversamos com a escritora Paola Giometti; bióloga por formação, conduz um minucioso processo de pesquisa técnica antes de escrever suas fábulas, como em suas obras: “O Destino do Lobo”, “O Código das Águias” e o recente conto “A Inconfundível Canção”.

 

 Sotaques: fábulas, geralmente, possuem uma lição de moral ao final da narrativa; o que podemos extrair de “O Destino do Lobo e “O Código das Águias”?

 Paola Giometti: diferente das fábulas clássicas, onde a lição de moral é dirigida ao público infantil, esses dois livros possuem lições de moral mais voltadas para os jovens e adultos. O Destino do Lobo vai abordar a nossa responsabilidade como domesticador e a dependência dos cães por nós. O Código das Águias já vai questionar o quanto estamos dispostos a abandonar a nossa liberdade em prol de algo maior. A importância da amizade e da família, o respeito pelos que já foram, também são assuntos tratados paralelamente. 55

Sotaques: escreveu em primazia seu romance aos 11 anos de idade e, desde então, deixou por aí uma pilha de livros publicados. O que demonstra seu aprimoramento na escrita hoje?

Paola Giometti: meu aprimoramento na escrita se deve por conta do incansável exercício de leitura de inúmeros gêneros da literatura, bem como o devorar de livros que ensinam técnicas de escrita (como a importância das viradas nas histórias, personagens fortes etc) e roteirização para cinema. Essas práticas são ótimas parceiras do escritor. ~

Sotaques: como definiria a premissa da série “Fabulas da Terra”?

Paola Giometti: a série Fábulas da Terra traz três histórias independentes sobre diferentes animais selvagens (o lobo, a águia-dourada e o bisão-americano) e que também apresentam crossovers, pois um ambiente ou animal pode aparecer mais de uma vez em outro livro. Isso enriquece o universo criado e oferece ao leitor uma ideia de cronologia. Ao final dos livros, certamente o leitor terá ampliado o seu conhecimento sobre o reino animal, já que os comportamentos dos personagens, as descrições, são todas inspiradas no mundo selvagem real com uma pitada de fantasia.

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Sotaques: em “O Destino do Lobo”, por exemplo, alguns personagens possuem características bem marcantes. Há algum significado por trás dessas personalidades?

Paola Giometti: sim. Nesse livro, os lobos foram todos inspirados nos meus cachorros. Quem já teve muitos cães sabe que cada animal tem uma personalidade diferente. Em O Destino do Lobo temos lobos idosos e que melhor entendem as situações; lobos impetuosos e que não gostam de conversa; lobos curiosos e estabanados; lobos fortes e que inspiram respeito. No total, temos 8 lobos com características distintas.

 

Sotaques: no primeiro volume do “Fábulas da Terra”, em “O Destino do Lobo”, há um momento solene que é sobre como os lobos compreendem a hora da refeição. O que essa parte em específico significa a você?

Paola Giometti: na vida selvagem, os animais não desperdiçam comida e todos dependem direta ou indiretamente uns dos outros para sobreviverem. Na nossa sociedade o ato de comer quase virou uma atividade relacionada ao entretenimento e diversão, esquecendo- se que alguém teve que morrer para nos satisfazer. Acho que se todos pensássemos assim, talvez não houvesse desperdício. Na hora de comer, quase todos os animais fazem uma reverência ao alimento: eles abaixam a cabeça para pegá-lo. Não podemos esquecer que também somos animais, e esse ato também praticamos: nós abaixamos nossas cabeças na direção do prato.

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Sotaques: como funciona o processo de pesquisa e quanto seu conhecimento da ciência tem contribuído em suas obras?

Paola Giometti: o fato de ser da área científica me proporcionou um conhecimento de onde buscar as informações corretas e verdadeiras sobre os animais. A vantagem de ser bióloga me faz observadora, pois consigo melhor aproveitar o cenário com os fatores climáticos, vegetação e os relacionar com os comportamentos animais. Faço um levantamento de artigos científicos e vídeos na internet que sejam relacionados ao comportamento do animal que vou expor. Acredito que tentar usar a fantasia num modo mais próximo da realidade pode deixar a história mais atraente, rica em situações que vão fazer o leitor não se sentir enganado ou diante de uma história absurda e forçada.

Sotaques: logo na capa do livro lemos: “Com ilustrações da autora”. Qual a sensação de desenhar em seu próprio livro?

Paola Giometti: no início eu não estava muito segura de que isso era uma boa ideia, pois não sou profissional apesar de que conseguia fazer algumas coisas bonitas. Mas o Edson Rossatto, que é meu companheiro e também é escritor, me encorajou a seguir esse caminho e acabei indo fazer cursos de desenho em academias de arte. Minha ideia é sempre refazê- los a cada nova edição, pois assim sempre teremos um desenho mais aprimorado do que o da edição anterior. Sempre é um grande orgulho para o escritor também poder ilustrar o seu trabalho.

Sotaques: em “O Código das Águias”, o que constrói o sentido da falcoaria na visão das águias?

 Paola Giometti: o sentido que a falcoaria na visão das águias, em meu livro, é o abandono da liberdade por uma causa maior. O companheirismo e a fidelidade são importantes na falcoaria, pois uma águia, se descobre que está sem amarras, pode ir embora por livre e espontânea vontade. 57 Sotaques: não pude deixar de notar a exacerbada presença feminina em suas obras, tendo como exemplo Kushi, protagonista de “O Destino do Lobo” e Tuska do mesmo universo. Você se considera feminista? Paola Giometti: eu não me considero feminista, pois acredito que ser feminista é uma forma de discriminação de gênero, da mesma forma que o machista faz. A escolha de uma fêmea protagonista (Kushi) e de uma mentora (Tuska) foi pelo simples fato de que as mulheres têm uma sensibilidade para o espiritual maior do que os homens, além do que costumam ser mais preocupadas com seus filhotes e o destino deles.

Sotaques: o conto do filhote Julieta, no início de “A Inconfundível Canção”, nos deixa a questão: até quanto tempo aproximadamente um cão sente falta da mãe?

Paola Giometti: é inevitável que um filhote sinta muita falta de sua mãe pelo menos até o terceiro ou quarto mês de vida (no caso dos que são adotados). Ele associou o cheiro e a presença dela, a sua sobrevivência e completa dependência. Mas depois que ele percebe poder buscar seu alimento e se aventurar por aí, vai perdendo esse sentimento de dependência pela mãe e a tendência é se ligar no ser humano.

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Sotaques: Lara Croft e Supergirl; quando começou sua experiência cosplayer? Frequenta muitos eventos nerds?

 Paola Giometti: costumo ir a muitos eventos nerds e sempre vou de cosplay. Quando o Anime Friends nem era um evento conhecido, eu já frequentava. Ia de Jill Valentine do Resident Evil 1 e Mamba Negra, do Kill Bill. Mas a Lara Croft foi a minha heroína mais importante, pois me ajudou numa época em que eu me sentia um nada e passava por uma crise de depressão. Depois, o Edson me motivou a ser a Supergirl, desenvolvendo a roupa para mim, pois diziam que eu lembrava um pouco a atriz do seriado. Assisti a todos os episódios e acabei virando fã, afinal, a personagem é bem carismática.

Sotaques: o que você pode nos adiantar de lançamento seu nesse ano de 2017?

Paola Giometti: em agosto será lançado O Chamado dos Bisões: uma história que foi inspirada nas migrações familiares. Terá como protagonista um filhote de bisão que fica para trás durante uma jornada migratória. Como o livro se encontra em processo de edição, ainda não é possível contar muitos detalhes — apenas que haverá um forte crossover com os personagens de O Destino do Lobo.

Sotaques: nos dê três dicas de escrita.

Paola Giometti: 1- Leia muito o estilo literário que quer começar a escrever, pois é preciso aprender a falar a língua do seu público. 2- Estude livros como “Story” de Robert McKee; “A Jornada do Escritor” de Christopher Vogler e “O Poder do Mito” de Joseph Campbell. 3- Escrever com o coração é importante. No entanto, deve-se pensar no seguinte: o leitor irá comprar o seu livro, ler a sua história e tem que sair satisfeito. Se ele sentir que perdeu tempo com o seu livro, ele nunca irá indicá-lo a ninguém. Portanto, escrever só com o coração e intuição não basta. Tem que estruturar bem o texto e sair dos clichês.

 

Sotaques: organizou e participou de algumas coletâneas literárias da Editora Andross; qual a sensação de presenciar o interesse pela escrita através dos escritores inscritos no projeto?

Paola Giometti: a parte que mais gosto no processo de produção dos livros da Andross é a ajuda e orientação aos autores que se inscreveram. Não são apenas os melhores contos a serem selecionados. Nós damos a oportunidade de o autor aprender e crescer com críticas e sugestões, reescrevendo o seu conto ou produzindo um novo. Oriento cada autor, quando necessário, e o resultado muitas vezes é surpreendente. Eu me sinto realizada por poder mediar a primeira publicação de muitos autores. Estar num livro é como deixar a sua marca para a posteridade.

 

| Pablo Santos

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MICROCONTO: NARCISO INVERTIDO

 

foto-javier-bocanegra-hNarciso tirava fotos às mulheres dos talhantes. Gostava de coleccionar estampas eróticas ainda a cheirar a tripas e a leite. Guardava-as em sacos de plástico na arca congeladora. Numa noite de Reis, Narciso pediu a Zeferino que lhe emprestasse a mulher para uma sessão alumiada à vela. O carniceiro esquartejou a máquina fotográfica com o cutelo e num gancho pendurou os desejos de Narciso…

| Jon Bagt

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Desejos Concretizados

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Fecho meus olhos. Inspiro bem devagar e expiro. Várias vezes e sinto meu corpo relaxar.

De longe vem o barulho dos fogos. Em muitos lugares do mundo sei que as pessoas estão comemorando a chegada de um novo ano.

E o que isso representa? 365 dias para fazer um novo ano.

E quais são os nossos desejos? Saúde, paz, sucesso, felicidade.

Desejos comuns, mas essenciais. Mas enquanto permaneço de olhos fechados, três grandes desejos vêm a minha mente além dos essenciais com os quais contamos para chegar ao final de mais um ano.

DESEJO 1:  Conhecer lugares distantes e exóticos.

DESEJO 2: Ler mais livros do que assistir televisão ou navegar pela internet.

DESEJO 3: Escrever de forma que minha escrita ajude a estimular a leitura, informar e divertir muitas pessoas, compartilhando meu mundo com outras mentes pelo mundo afora.

 

Inspiro, respiro, expiro. Mais uma, duas, três vezes, de forma controlada e compassada.

Abro meus olhos. É um novo ano: 2017.

Dou um sorriso tímido a mim mesma e puxo minhas cobertas me aconchegando a minha cama. Tenho 11 anos de idade e minha mãe não me deixa ficar acordada até muito tarde, nem hoje, na noite da virada de ano. Mas estou feliz. Quem sabe um dia, meus desejos se realizam. Quem sabe…

|Rô Mierling

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Singularidade: o avanço nas mãos de protótipos

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Uma questão nunca se tornou tão corriqueira, “o que nos torna seres humanos”?

O processo de evolução dirige-se vorazmente à singularidade; máquinas inteligentes logo vão nos permitir conquistar nossos maiores desafios, não apenas a cura de doenças, mas o fim da pobreza e da fome. A cura do planeta, e a criação de um futuro melhor para todos nós.

Expressar emoções e ter autoconsciência são habilidades que, em breve, não será privilégio do homem, porém, a pergunta que permeia é: quando a inteligência artificial irá superar a inteligência humana? Bem, esses e outros questionamentos acerca de nosso futuro, podem ou não ser vislumbrados através do conto de Fernando F. Morais, em “O Despertar Cyberpunk”, coletânea “Fogo de Prometeu (Andross Editora, 2016)”.

Sejam eles pró ou contra tecnologia, os Hackers invadiram as obras cinematográficas. De onde surgiu a ideia do termo “Surfista da Grade”, e oque acha da atuação dos programadores atuais perante os usuários de código aberto?

Fernando F. Morais: bem, assim como William Gibson encontrou o termo “cowboy” para se referir aos hackers de Neuromancer, eu também estava procurando algo para ser usado da mesma forma. Para criar o termo “Surfista da Grade”, utilizei a velha expressão do início dos anos 2000 “surfar na web” e busquei em Tron a palavra “grade”, que no filme é referenciado como a fronteira digital em que os programas ficam. Na história, quis ampliar o sentido da palavra “grade” para me referir à rede global de computadores. Em um mundo cada vez mais conectado, a demanda por programas de livre acesso cresce no mesmo ritmo que as empresas desenvolvedoras de software querem lucrar com programas de alta performance. A questão dos programas com direitos autorais é que eles, geralmente, alcançam maior público por conta do dinheiro que as grandes empresas investem e pelos inúmeros testes pelos quais passam antes de serem lançados no mercado, garantindo uma maior qualidade.  Já os programas de código aberto podem sair em benefício daqueles que buscam melhorias que todos os usuários buscam, mas que as empresas raramente fazem. Outro peso para a balança dos programas de código aberto é a produção colaborativa de um produto que pode ser distribuído de forma universal e gratuita. Pessoalmente, eu não me vejo muito qualificado para falar a respeito disso, pois envolve filosofias muito mais complexas, às quais não  sou muito familiarizado.

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Supondo que pudéssemos mensurar a quantidade suficiente para a criação de uma consciência perfeita, quantas mentes brilhantes você sugere para  tal?

Fernando F. Morais: um número não alcançado ainda pela matemática e um pouco mais. A perfeição é algo impossível.

Pode-se levar um longo tempo até que neurocientistas e especialistas  alcance o sucesso para o procedimento de transferência mental, mas, assim como o personagem Ian, você estaria preparado para esse processo?

Fernando F. Morais: acho que ninguém estaria (nem o próprio Ian estava). Dentro do meu ponto de vista, um processo desse tipo resultaria em total fracasso. A transferência de consciência seria algo tão complexo no mundo real que, mesmo com séculos de esforço e empenho, a ciência apenas colheria frustração.  Pense em tudo que envolve tal feito
científico; os padrões cerebrais teriam de ser copiados com total  exatidão; os fatores psicológicos  e biológicos teriam que ser recriados em um software dentro de um processador infinitamente mais complexo do que os que temos atualmente. Isso tudo sem contar o  fato de que seria preciso conhecer o cérebro humano de uma maneira que apenas Deus conseguiria.  A inspiração: “É difícil escrever esta nota, pois não me lembro ao certo como tive a ideia para esse conto…

Na verdade, essa história faz parte de um universo de ficção científica que comecei a criar há pouco mais de um ano. Penso constantemente nas histórias desse mundo e os personagens que o compõem. Na trama do Ian, especificamente, veio até mim de forma quase cem por cento natural. É claro, tive muitas influências que colaboraram para o processo de criação.  Na época em que escrevi a história (início de 2016), eu estava simplesmente obcecado pela temática  cyberpunk. Isso já vinha de anos, mas se intensificou a partir daí. Foi a mesma época na qual comecei a assistir a série Ghost in the
shell: stand alone complex (1989).Outra grande fonte para mim foi a obra de William Gibson, Neuromancer (1984). Essas histórias a respeito de como os seres humanos conseguem interagir com a tecnologia em seus respectivos universos, me fizeram elaborar minha própria ideia de simbiose entre homens e máquinas. Juntando as ideias que já tinha
com as novas vindas de Ghost in the shell e Neuromancer, consegui criar a história que me levou à minha primeira publicação profissional.”

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Reger uma nação não é simples, você acha que uma máquina apenas com superinteligência seria capaz de estabilizar a economia de um país?

Fernando F. Morais: essa pergunta me fez lembrar de “O conflito evitável”, um dos contos que compõem o livro Eu, Robô, de Isaac Asimov. No conto de Asimov, as máquinas projetam a economia e produção humana, de uma forma que gere um equilíbrio global e não cause conflitos. O fato de as máquinas não possuírem uma forma de consciência como a humana as torna obsoletas para agirem de forma a modificar nossas vidas em um nível político. Uma máquina poderia sim estabilizar a economia de um país, mas a que preço? Talvez cortando benefícios sociais, regrando gastos e controlando as contas de cada indivíduo no país. Quando são pessoas que fazem isso, as coisas são feitas pensando na qualidade dos cidadãos de uma nação (ou pelo menos é assim que deveria ser). È interessante o quão imprevisível pode ser o caminho para que o escritor alcance o desenvolvimento do escrever.

Quando surgiu o interesse pela escrita, e por que ficção científica?

Fernando F. Morais: sempre gostei de criar histórias, e a escrita surgiu apenas após os meus dezessete anos. Pelo que me lembro, histórias de ficção-científica sempre estiveram presentes na minha vida desde a infância. Aos dez anos de idade eu era obcecado por ciborgues e robôs por causa dos filmes do Robocop dos anos de 1980 e 1990. É claro, também havia os desenhos animados como Batman do futuro e Projeto Zeta (alguém se lembra?). Com o tempo fui adquirindo outras referências. Graças a trabalhos que tive de fazer no ensino médio, criei um gosto por escrever as histórias que surgiam na minha mente. Mas podem vocês, leitores, imaginar um escritor que não lê? Este era eu aos meus dezessete anos. Nessa mesma época comecei a escrever a minha primeira história, era uma ficção científica que abordava manipulação genética e criação de super humanos. A ideia da história pode até ter sido boa, mas a escrita era horrível! O importante é que não foi um daqueles projetos que você começa animado e depois joga no fundo da gaveta, eu continuei escrevendo ao mesmo tempo que mergulhava em livros de ficção científica e fantasia.
Estou nessa até hoje. Processo de escrita: Escrever é uma arte, não um dom. Há quem possa discordar da minha afirmação, total ou em parte, mas o processo de criação de uma história requer muito mais que uma simples inspiração (concordo que seja muita válida e importante essa parte), porém, o escritor não vive apenas de inspiração. Ter uma boa ideia não é suficiente para se tornar um bom escritor. Se me perguntarem qual é o segredo para se tornar um grande escritor, direi o seguinte: “Não sei! Ainda não sou um grande escritor”.  Mas há duas coisas que acho fundamentais a qualquer escritor: prática e
persistência.”  Como leitor de sua obra, digo que foi um pouco angustiante, senão
doloroso, ver Sebastian e Arthur Cline sob a posse da consciência.

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Você pretende dar continuação, ou seja, entregar a “alma” de Ian? (risos).

Fernando F. Morais: na verdade, ainda não sei se a história terá continuidade eu já tenha a ideia. A história de Ian se passa em um universo que estou criando composto de várias histórias que montam uma linha do tempo e levam tudo a final. Ian seria uma peça essencial para a construção da história que tenho em não tenho certeza se darei continuidade especificamente a essa história. Eu desenvolver mais contos parecidos para dar ao leitor mais peças para montar o responder algumas perguntas dos leitores como, por exemplo, o que acontece depois? que aconteceu? Para onde vai a consciência de Ian? Gostaria muito de responder através de novas histórias.

Com a língua em constante processo de desenvolvimento, o que tem a dizer neologismos como o termo “presidenta”?

Fernando F. Morais: é natural que uma língua sofra modificações através do tempo, a criação e incorporação de novos termos. No Brasil, há uma pequena polêmica palavra “presidenta”. Alguns acham feia ou incorreta a estrutura do termo, enquanto relacionam a repulsa ao fato de a presidenta Dilma Roussef ter feito um pedido referida com a utilização da palavra em sua forma de gênero feminino. Não estou a presidenta afastada, mas a utilização de tais termos pode ir além de uma no processo linguístico, o argumento pode estar na luta das mulheres, por exemplo, mercado profissional e uma sociedade ainda muito machista. A palavra “presidenta” ela já existe há décadas e é reconhecida pelo nosso país na forma padrão da debate pode ser longo e envolve questões mais amplas do que uma simples mudança linguístico do português.

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Sobre o autor: Fernando F. Morais nasceu em Brasília, Distrito Federal, em 1995. do curso de Letras e professor de inglês. O Despertar Cyberpunk, por Fernando F. Morais, é um conto de “Fogo de fantásticos. Organizado por Paola Giometti e publicado sob Andross Editora, SP, continuidade ou não, embora  criando aos poucos, a um ponto só no mente, mas ainda espero conseguir o quebra cabeça e depois? E antes, o responder essas perguntas dizer a respeito de tempo, assim como polêmica ao redor da enquanto que outros público para ser estou aqui defendendo uma simples mudança exemplo, contra um
presidenta” não é nova, da língua. Enfim, o mudança no processo 1995. É acadêmico
Prometeu: contos SP, 2016.

|Pablo Santos

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“A mulher em seu estado natural é a arte que en-canta a humanidade.”

 

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Foto: Hernany Fedasi Escultura: Francisco Chagas

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer
circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa,
no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia,
meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que
estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é…Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha
vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que
acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é
ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas
para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é
o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu
mesmo.

| Hernany Fedasi

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Realidade que seduz.

Rô.JPEG

Sedução – termo originado do latim seductio, representa a ação de conduzir, levar, encaminhar alguém a determinado ato.

No geral a sedução é atrelada ao amor, ao sexo, ao tesão, a luxúria.

E quando somos seduzidos para outros caminhos não inerentes ao sexo e seus fatores relativos, mas que igualmente nos seduz?

Pode a sedução não ser exclusivamente sexual?

Pode sim!

A vida nos seduz, um bom vinho nos envolve, a literatura nos encaminha rumo a sabedoria, todos são atos de uma sedução que o destino nos mostra.

Quando adentrei a literatura, escolhi uma faceta literária sombria e realista para mostrar ao leitor a vida real, seus problemas e desafios mais cruéis e dramáticos de forma que seduzo o leitor encaminhando-o ao perigo, a morte, ao drama, ao sangue que verte da ferida aberta nos punhos, nos corações e nas mentes. O leitor pode experimentar essas facetas sombrias da vida sem estar em perigo. É a sedução da escrita e da leitura.

Seduzimos o leitor com nossas ideias, imaginação, histórias, personagens, uns ardentes e calientes, outros realistas e ferozes.

Pode a sedução ser muito mais que um beijo, um toque, um orgasmo.

Pode a sedução ser conhecimento, leitura, vivência, viagens, lugares, pessoas e novos rumos.

Porque nos sentirmos limitados a um só sentido de uma palavra tão ampla?

Quando escrevo sobre um assassinato, uma morte, um drama, o leitor se sente “seduzido” pelo perigo do enredo, onde em sua zona de conforto, pode experimentar novos sentidos como medo, cautela, pavor e adrenalina, e quando o livro termina, tudo volta ao normal e o leitor está seguro. Mas agora, ele é uma vítima, sem mesmo saber. Vítima da sedução do perigo, do real, do arriscado oriundo das múltiplas possibilidades da literatura.

E sempre que ele desejar uma nova dose dessa sedução, poderá ler um novo livro, tenso, denso e feroz, onde o perigo é latente, mas somente lá fora. Ou não.

|Rô Mierling

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MICROCONTO: GIN TÓNICO

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António Casinhas perfumava-se, raspava os calos e bebia gin. Assobiava às meninas, posava para os pintores, rasgava cartas de amor e escrevia bilhetinhos para encontros fortuitos atrás da pinacoteca. Carlos Botas imitava Damas famosas à noite e de dia untava formas numa pastelaria. Numa madrugada, Botas deixou o batom nas casinhas de António e as suas plumas encheram-se de pêlos.

| Jon Bagt

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 Carrossel do Amor

 

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Santos Júnior dedilha notas tropicais na guitarra portuguesa à luz das estrelas. O vinho abundante escorre entre os pináculos das dunas. Mulheres temporariamente sós deslizam os olhos sobre homens imprudentemente ruidosos. Cada pegada na areia é uma promessa de um beijo salgado. Júnior percorre intensamente as ondas e os acordes chicoteiam as palavras soltas. As letras tingem a praia com conchas de amor, mas a melodia afoga-se na espuma cardíaca dos cavalos marinhos…

| Jon Bagt

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O gosto cítrico da vida

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Sinto o gosto das frutas cítricas quando penso nos trópicos, no Brasil e nas suas praias e cores. Não moro mais lá, mas a raiz brasileira ainda pulsa em mim. O gosto das suas frutas cítricas, laranja, tangerina, limão. Elas amargam minha boca, minhas têmporas latejam e minha boca enche de água.

Ahhh, o cítrico. Cheiro cítrico, gosto cítrico. Amo o cítrico.

Meus amigos sempre me diziam que eu era amarga, mas na verdade acho que eu sou cítrica, em meu cheiro e gosto.

Minhas lágrimas são cítricas assim como meu suor. Quando me corto, o gosto do sangue que se vai de mim é igualmente cítrico. Sei porque já experimentei.

Quando a vida me dá uma paulada e eu caio, o cítrico vem aos meus olhos, meu coração e minha vida se enche desse amargo. Que não é ruim, é apenas amargo.

Porque tudo tem que ser doce para ser bom? Por acaso é ilegal gostar do amargo?

Uns preferem o branco, outros o preto, uns preferem o dia, outros a noite.

Uns tem vida doce, outros, amarga.

Eu sou cítrica, porque minha vida não é doce. Tenho lutas, desafios, loucuras e delírios, e em todos esses momentos o cítrico me vem à mente, como o gosto de um limão fresco, cortado e sangrado, exprimido na minha boca.

Um sabor desafiador que me vem e indaga se posso mesmo suportá-lo. E eu digo, sim. Posso gostar do limão, com suas amarguras e acidez. Porque não vejo no cítrico um mal e sim um desafio.

Fazer uma limonada com os limões que a vida nos dá, e ainda melhor do que esperar sempre o doce gosto do morango que pode não vir, ou ainda nos enjoar.

Cítrica: a vida, assim como as frutas tropicais. Cítricas: as lágrimas, o sangue, o suor, as lutas e a dor.

Cítrica: eu.

Rô Mierling

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Fados com Sabor a Brasil

dddO Fado é a canção nacional portuguesa. Terá surgido no séc. XIX, entre prostitutas e marinheiros. Há também quem diga que veio dos árabes e o certo é que a música árabe e o fado têm muitas vezes sonoridades semelhantes. O que se sabe sem qualquer dúvida é que era uma canção das gentes simples, que versava sobre a vida do quotidiano, sobre os amores e desamores do dia-a-dia.

Foi com Amália Rodrigues que a poesia mais erudita chegou ao fado. Cantou Camões, Almada Negreiros, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos, entre muitos outros. E não tardou também a incluir no seu reportório poemas de autores brasileiros.  Temos, por exemplo, o belíssimo poema “Soledad” de Cecília Meireles, do qual não se conhece nenhum versão de estúdio, mas que Amália cantou várias vezes ao vivo e que os Amália Hoje interpretaram durante o projecto com o mesmo nome.

Houve vários outros fadistas que seguiram o exemplo de Amália e têm usado textos de poetas brasileiros para os seus fados. Temos até o “Fado Tropical”, escrito e interpretado por Chico Buarque. Esta partilha é mais um sinal da ligação forte que une os dois países; é mais um motivo para comunhão de culturas; é mais um laço que nos torna irmãos.

 

Poema: Canção

Autor: Cecília Meireles

Intérpretes: Amália Rodrigues, Dulce Pontes, Gonçalo Salgueiro, Maria de Fátima, etc.

Notas: Cantado pela primeira vez por Amália Rodrigues, musicado por Alain Oulmain,  alteraram o nome para “Naufrágio”.

 Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

– depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar

 

Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.

 

O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo

meu sonho, dentro de um navio…

 

Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.

 

Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas.

 

Poema: Mãe Preta

Autor: “Piratini” (Antônio Amábile)

Intérpretes: Maria da Conceição, Dulce Pontes, etc.

Notas: A versão original foi interpretada, pela primeira vez em Portugal, por Maria da Conceição. Entretanto, a letra foi censurada pelo regime e deixou de se ouvir. Em “Barco Negro”, Amália retoma a melodia com um novo poema de David Mourão-Ferreira, naquele que se tornaria um dos seus fados mais célebres.

 

Pele encarquilhada, carapinha branca,
gandola de renda caindo na anca,
embalando o berço do filho do sinhô,
que há pouco tempo a sinhá ganhou.

Era assim que Mãe Preta fazia.
Tratava todo o branco com muita alegria.
Enquanto na sanzala Pai João apanhava,
Mãe Preta mais uma lágrima enxugava.

Mãe Preta, Mãe Preta!

Enquanto a chibata batia no seu amor,
Mãe Preta embalava o filho branco do sinhô.

 

Poema: Saudades do Brasil em Portugal

Autor: Vinicius de Moraes

Intérpretes: Amália Rodrigues, Carminho, Kátia Guerreiro, etc.

Notas: Vinicius de Moraes compôs esta letra propositadamente para Amália Rodrigues, a qual a interpretou numa das suas famosas tertúlias em que o poeta brasileiro esteve presente.

 

O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar
Que existe entre nós dois pra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer a dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão que não tem fim

Ausência tão cruel, saudade tão fatal!
Saudades do Brasil em Portugal!

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer, desolador, na voz do vento,
Sou eu em solidão pensando em ti,
Chorando todo o tempo que perdi!

 

Poema:Fado Tropical

Autor: Chico Buarque e Ruy Guerra

Intérpretes: Chico Buarque, etc.

Notas: Poema que versa sobre a História brasileira,  sobre as raízes portuguesas do Brasil e sobre a relação entre os dois países.

 

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial”

| António Granja

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 RÔ MIERLING    Escreve para revista Sotaques Brasil Portugal

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Gaúcha, escritora, roteirista e antologista. Autora de “Contos e Crônicas do Absurdo”, “Íntimo e Pessoal”, “Quando as Luzes se Apagam”, “Diário de uma Escrava”, “Cicatrizes da Escravidão” e muitos outros. Coordenadora em mais de trinta coletâneas de contos nos mais diversos assuntos, entre o dramático e o sinistro, do paranormal ao crime sádico.

A autora atua na divulgação e incentivo de leitura e escrita junto a diversos projetos como PEGAÍ. Atualmente está lançando um livro pela Darkside Books e outro pela Editora Abril junto a Revista Mundo Estranho.

A autora está escrevendo seu sétimo livro e divide seu tempo entre Buenos Aires, Porto Alegre e Rio de Janeiro.        

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O pescador enlatado

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Microconto

Luís Sargaço era pescador. O mar andava revolto. A faina não dava mais que quatro robalos, dois lumes, cinco passas e três voltas ao bilhar grande. Manuela era pequena como à sardinha. Trabalhava na lota e vendia o bacalhau a quem lhe desse mais sal. Luís lançou-se finalmente ao mar. Manuela observou uma noz no infinito. Arranjou o cabelo com um pente de coral, estendeu o bacalhau na corda da roupa e esperou o regresso do príncipe das marés…
|Jon Bagt

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IN-LIBRIS Páginas de Encontro

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O nome é In-Libris e situa-se na Rua do Carvalhido, número 194, uma zona sobretudo habitacional, cujos estabelecimentos comerciais consistem maioritariamente em mercearias, confeitarias, lojas de chineses e boutiques de roupa. O mote são os livros antigos, o alfarrabismo e a arte. A In-Libris aparece, pois, como uma pérola cultural, rara e preciosa, um lugar fora do contexto em que se encontra, uma espécie de oásis que passa a princípio despercebido, mas que nos encanta assim que entramos.

Paulo Ferreira, cujo pai já se dedicava ao alfarrabismo, e Paula Ferreira criaram este lugar de encanto em 1996, inicialmente na esfera virtual, área em que foram pioneiros, uma vez que foram os primeiros a disponibilizar um website como montra para os seus livros. Entretanto, já passaram  por vários locais, nomeadamente pela Rua Formosa e pela Rua da Torrinha, tendo-se agora estabelecido no Carvalhido.

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Em conversa com o repórter da Sotaques, Paulo e Paula explicaram a sua visão e a experiência que querem transmitir a quem visita a In-Libris. O primeiro ponto a ter em conta é a criação dum ambiente intimista e confortável que parte de pormenores aparentemente sem importância mas que fazem toda a diferença: luzes fluorescentes são impensáveis, a iluminação deve ter uma temperatura cromática natural e acolhedora; o soalho é de madeira maciça; as estantes Olaio têm o certificado de qualidade da marca;  o mobiliário é escolhido como se fosse destinado à sua própria casa e toda a decoração do espaço é pensada de forma a transmitir uma sensação calorosa e familiar. Procura-se que seja um local de encontro, de conversas, sem ruídos e distracções, onde a prioridade é a vivência do espírito que se quer comunicar. Depois, há uma atenção à forma como os livros são dispostos, usando um método a que Paulo chama de livraria-jardim. Ao contrário daquilo a que o público está habituado, as obras, que são peças raras e até únicas, não estão organizadas por secções, mas sim duma forma aparentemente caótica que permite ao visitante “passear-se” pelo jardim de livros à procura do que pretende e, mais importante, ter agradáveis surpresas! “O livro ou está ali ou não está” e, na sua proliferação de assuntos, seria limitativo condicioná-lo apenas a um tema. “A In-Libris não é uma livraria para procurar livros, é uma livraria para encontrar livros”.

Como complemento ao alfarrabismo, e reflectindo as muitas áreas de interesse do casal, os livros são enquadrados por inúmeras obras artísticas e, uma vez que a In-Libris é também uma galeria de arte, há sempre uma exposição patente. Aquando da nossa visita, por exemplo, estava exposto o ciclo “Arqueologias”, de Avelino Sá, um conjunto de “desenhos, ruínas, micro-paisagens, arqueografias, lugares de exílio, onde o tempo e a memória nos traem e atraem. Lugares de atracção e repulsão, por onde se traçam os mapas de uma terra sem tempo, de uma memória sem chão, de um desenhar sem fim”.

Numa perspectiva pessoal, a In- Libris reveste-se de fascinação para todos aqueles que têm nos livros lugares de encantar por excelência! Todavia, e depois dessa primeira motivação, as várias dimensões do espaço vão surgindo: é um sítio onde vamos para partilhar paixões, para ouvir histórias, para admirar arte, para aprender, para sair da azáfama do quotidiano. O Paulo e a Paula Ferreira são obviamente pessoas apaixonadas pelo que fazem, com visões próprias e que gostam genuinamente de comunicar. Enquanto falavamos sobre a livraria, a conversa fluiu e viajou até assuntos tão variados como o sistema educativo, as múltiplas referências ao burro na literatura e na sabedoria popular, livros banidos e liberdade, o futuro do livro impresso (em relação ao qual estamos todos optimistas!) e a dificuldade que as actuais formas de registo trarão aos historiadores de amanhã, entre outros. A In-Libris é um lugar de encanto que proporciona lugares de encanto: as letras, o espaço, a arte, a conversa, as ideias, e, com sorte, cavaquinhas para acompanhar e o cheiro de folhas de limonete.

Sugestão de outro lugar de encantar por Paulo Ferreira: Restaurante Torreão. R. das Virtudes, 37. Situado num torreão medieval da Muralha Fernandina, este restaurante está ligado à SAOM , envolve um projecto de economia social e resulta da evolução de um restaurante pedagógico de elevada qualidade.

Texto | António Granja

Fotos: Rita Soares

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“ Olimpo de Cartão”

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Amélia via as cores das cadeiras do estádio enquanto enxugava o pano verde e amarelo no mastro senhorial. A água escorria para uma cuba e Luís avançava mais um metro , saltando de um assento para outro apoiado numa só perna. Ao fim de duas léguas , finalmente, pousou as pernas sobre o regaço de Amélia. A chama extinguiu-se , os rostos iluminaram-se e Amélia nunca mais despejou o balseiro …

|Jon Bagt

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INSTRUÇÕES PARA O FAROLEIRO

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Alguém deveria estar atento
sempre de vigia sempre
alguém deveria subir ao farol
e esperar a Primavera.

Se fosse noite
a insónia do faroleiro
estaria a postos
para a receber
se fosse dia
o farol é alto
alto como os castelos
mais alto que o mar
mais alto que os navios
mais alto que esta expectativa apreensiva
e anunciaria a chegada
a todas as serras a todos os mares a todos os navios
antes que as nuvens
viessem escondê-la.

Com os matos é diferente.
Os matos sim não precisam de faróis
porque o grito das giestas
põe a montanha alertada
enquanto nos homens
não há grito nem alerta
neles a Primavera rebenta por dentro
é loucura sem gestos
clamor sem voz
revolta sem bandeira
prelúdio cegueira sufocação
pressentimento pressentimento
voo sem asa
ideia sem perfil raiva doce desejo antecipadamente exausto

por isso é preciso reconhecê-la
e dizer-lhe és tu
é preciso espertá-la
e dizer-lhe sê tu
é preciso ir ao seu encontro
e dizer-lhe apressa-te
é preciso instigá-la incendiá-la disturbá-la
é preciso possuí-la
com uma volúpia súbita e demorada

é preciso não ter medo.

Fernando Namora

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Há 80 anos morria em Lisboa o grande poeta Fernando Pessoa

Almada-Negreiros-Retrato-de-Fernando-Pessoa-1964No dia 30 de Novembro de 1935 morria aos 47 anos, em Lisboa, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa. O poeta que protagonizou, no século XX, o milagre da desmultiplicação poética – que foi, ao mesmo tempo, o futurista Álvaro de Campos, o citadino Ricardo Reis, o pastor Alberto Caieiro ou o diarista metafísico Bernardo Soares no livro do dessassosego, entre centenas de heterónimos criados pela sua fulgurante imaginação.

Todos eles foi Fernando Pessoa, o poeta português mais universal !

15 de Novembro de 1889 , Proclamação da República do Brasil

proclamacao-da-republica-2No dia 15 de Novembro de 1889 era implantada a República no Brasil. Nesse dia, um grupo de militares, chefiado pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituía o Imperador D. Pedro II, e instaurava a República Federalista do Brasil.

Do movimento faziam parte, além dos militares, membros da Maçonaria que viriam a constituir o primeiro Governo da República brasileira – não foi por acaso, certamente, que a divisa da República passou a ser “Ordem e Progresso”. A deterioração da situação económica do país, os índices gritantes de analfabetismo, as carências a nível de saúde e da educação, o progresso das Repúblicas vizinhas, motivaram uma reacção dos sectores progressistas que levou à mudança de regime, materializada na proclamação da República na Praça da Aclamação – actual Praça da República – no Rio de Janeiro.

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Livros com Sotaques – Vila Real – João Ubaldo Ribeiro

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Vila Real é um romance dotado de tensão e violência. Publicado originalmente em 1979, este livro de João Ubaldo Ribeiro é uma complexa metáfora dos conflitos rurais que respingam de sangue a história do Brasil. Ambientada nas imediações de uma pequena cidade fictícia do sertão nordestino, a narrativa descreve a luta de camponeses contra a “Caravana Misteriosa”, como apelidam uma empresa mineradora que lhes tomara as terras.

João Ubaldo Ribeiro faz em Vila Real um retrato da rústica imposição dos poderosos sobre os despossuídos, questão tão presente nos conflitos rurais. Ao mesmo tempo em que representa uma denúncia da perpétua injustiça social no campo e no sertão, o romance vai além. O autor mostra um olhar agudo sobre a miséria humana – e a esperança de superá-la.

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Biblioteca Joanina – Coimbra – Portugal

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A Biblioteca Joanina é uma biblioteca do século XVIII situada no Palácio das Escolas da Universidade de Coimbra, no pátio da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Apresenta um estilo marcadamente rococó, sendo reconhecida com uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias. Além de local de pesquisa de muitos estudiosos, o espaço é ainda frequentemente utilizado para concertos, exposições e outras manifestações culturais.

Em 2013 o jornal britânico The Telegraph, considerou a Biblioteca Joanina como “a mais espectacular do mundo”

A sua construção começou no ano de 1717, no exterior do primitivo perímetro islâmico, sobre o antigo cárcere do Paço Real, com o objectivo de albergar a biblioteca universitária de Coimbra, e foi concluída em 1728.

Apesar de ter sido construída no seguimento do projecto régio de reforma dos estudos universitários (consequência da difusão das correntes iluministas em Portugal), a Biblioteca Joanina é reconhecida como uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias.

O mestre de obras foi João Carvalho Ferreira. A decoração pintada só foi realizada alguns anos mais tarde, já nas vésperas da Reforma Pombalina: os frescos dos tectos e cimalhas foram executados por António Simões Ribeiro, pintor, e Vicente Nunes, dourador. O grande retrato do Rei é atribuído ao italiano Domenico Duprà e a pintura e douradura das estantes foi realizada por Manuel da Silva. O mobiliário, em madeiras exóticas, brasileiras e orientais, foi executado pelo entalhador Francesco Gualdini.

Exteriormente assemelha-se a um vasto paralelepípedo, onde se salienta o portal nobre, de estilo barroco, encimado por um grande escudo nacional do tempo do monarca que a mandou construir: D. João V.

Interiormente compõe-se de três salas que comunicam entre si através de arcos idênticos ao portal e integralmente revestidos de estantes, decorados a motivos chineses (na primeira sala em contraste ouro sobre fundo verde, na segunda, ouro sobre fundo vermelho e na última ouro sobre fundo negro).

Toda a sua arquitectura envolve um retrato de D. João V que, colocado na parede do topo do edifício, na última sala, funciona como “ponto de fuga” da biblioteca da Universidade de Coimbra, também chamada, noutros tempos, Casa da Livraria. A nave central da Joanina faz com que a sua estrutura se assemelhe à de uma capela, em que o retrato de D. João V ocupa o lugar do altar. A dourada moldura da tela imita uma cortina, que se abre para exibir, numa “esplendorosa composição alegórica”, o rei.

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  Livros com Sotaques: A Selva de  Ferreira de Castro

  A Selva de  Ferreira de Castro, ilustrada por Portinari

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As obras-primas são uma surpresa. Às vezes do sofrimento mais profundo pode nascer  um grande livro.

Ferreira de Castro, o escritor português autor do livro “A Selva”, emigrou para o Brasil quando tinha 12 anos. Foi em pleno seringal, na Amazónia, que trabalhou durante quatro anos, recolhendo os testemunhos vivos e as imagens desse tempo que, mais tarde, reproduziria através da escrita.

Romance estético, por excelência, a Selva conta-nos a história de Alberto, um jovem português que embarca rumo ao Seringal Paraíso, com sonhos de fortuna. O que vai encontrar é a dureza de uma vida de trabalho árduo, sem direitos, e com escassas perspectivas de futuro.

Na edição comemorativa dos 25 anos de “A Selva”, o artista brasileiro Cândido Portinari ilustrou alguns momentos do livro como “O seringueiro”, “O cemitério” ou ” O incêndio” enriquecendo-o com o virtuosismo das suas imagens.

Rui Marques

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Matilde Campilho Festival de Paraty

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A escritora portuguesa Matilde Campilho foi quem mais vendeu livros nesta edição 2015 do Festival de Paraty (FLIP).

Paulo César, Brasil
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Vidas Secas – Graciliano Ramos

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Livros com Sotaques – Vidas Secas – Graciliano Ramos

Vidas Secas é o quarto romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938, publicado originalmente em 1938 pela editora José Olympio. As ilustrações na primeira edição foram feitas pelo artista plástico Aldemir Martins

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A obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na infância sobre a vida de retirantes, na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra Baleia, estes são considerados os personagens mais famosos da literatura brasileira.2

Escrito em terceira pessoa, Graciliano não focaliza os efeitos do flagelo da seca através da crítica, mas em narrar a fuga da família, a desonestidade do patrão e arbitrariedade da classe dominante, impossibilitada de adquirir o mínimo de sobrevivência.

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Pero Vaz de Caminha, o cronista da viagem

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Pero Vaz de Caminha foi o cronista da viagem ao Brasil. Mas foi muito mais que isso: foi um jornalista antes do tempo, com uma invulgar capacidade de observação, e um romancista pela capacidade que revelou para descrever, como num quadro, as figuras, imagens e situações que marcaram o encontro entre os portugueses e os Índios Tupinins.

Nascido na cidade do Porto, em 1450, Pero Vaz de Caminha – ou Pedro Uaaz de Camjnha, no galaico-português ainda muito utilizado na época – era filho de Vasco Fernandes de Caminha, cavaleiro do Duque de Bragança. Essa proximidade com a alta nobreza fez com que herdasse do pai o cargo de mestre da balança da Casa da moeda – e escrivão que anotava o fluxo dos dinheiros da Instituição.

Em 1497 é incumbido, na qualidade de Vereador, de redigir os capítulos da cidade do Porto que seriam apresentados na cidade de Lisboa. Consta-se que o rei D.Manuel I, que o nomeara para o cargo, lhe tinha afecto profissional.

Terá sido a sua competência que o levou a ser escolhido como escrivão de Calecute. Em  Abril de 1500 já acompanhava o capitão-mor da frota portuguesa, Pedro Álvares, cabendo-lhe escrever a carta ao rei D.Manuel, que descrevia o encontro com o novo país e os povos indígenas.

A famosa carta, datada de 1 de Maio de 1500, relata a chegada a terra dos navegantes portugueses.  Nela conta-se, num estilo muito colorido, entre outros episódios que ” estavam quatro mulheres novas, que assim nuas não parecia mal ; e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência assim descobertas, que não parecia assim tão desvergonha” .

Este documento histórico foi inscrito, em 2005, no programa Memória do mundo da UNESCO. Pero Vaz de Caminha morreria nesse ano, em combate, na Feitoria de Calecute, a 16 ou 17 de Dezembro, após um ataque muçulmano.

Cronista de talento, Pero Vaz de Caminha, é comparável a Fernão Lopes. Ambos, em épocas diferentes da história portuguesa, deixaram-nos um estilo de relato mais romanceado, que nos estimula a imaginação e suscita a vontade de conhecermos as grandes figuras nacionais e os seus feitos.

Rui Marques

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Dia Mundial do Livro

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” Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies. ”

Machado Assis

Entre na rede que está a estimular as relações luso-brasileiras .

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Real Gabinete Português de Leitura

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Real Gabinete Português de Leitura – Rio de Janeiro – Brasil

O Real Gabinete Português de Leitura , tradicional biblioteca e instituição cultural lusófona, localiza-se na rua Luís de Camões, número 30, no centro da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Encontra-se tombado pelo Instituto Estadual do Património Cultural.

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Lançamento do Livro ” Daqui em diante” Clarice Pacheco

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Sotaques na apresentação da obra da escritora brasileira, Clarice Pacheco

Marcámos presença, ontem à tarde, na apresentação do livro ” Daqui em diante”, da autoria da escritora brasileira, Clarice Pacheco. A obra, publicada pela editora Cordão de leitura, foi divulgada no restaurante Book, na cidade do Porto.

Clarice Pacheco falou na ligação forte que tem a Portugal e ao Porto – com ligações familiares de antepassados portugueses e múltiplas viagens e estadias no nosso país. Sobre o livro, contou-nos que é um relato das suas vivências ao longo do seu percurso pessoal e profissional,  e pela viagem espiritual que a fez conhecer o mundo, do Sertão brasileiro até cidades como o Rio de Janeiro, Paris, Roma ou Lisboa.

Estivemos, mais uma vez, ao lado dos escritores brasileiros e portugueses,  acompanhando  as relações literárias e emocionais que estabelecem com o pais irmão.

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Rui Marques

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Cem anos da revista luso-brasileira Orpheu

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Há cem anos, um grupo de intelectuais portugueses e brasileiros juntavam-se para lançar uma ponte de modernidade entre Portugal e o Brasil. Na Direcção da revista Orpheu, constavam os nomes do português Luís de Montalvo e do brasileiro Ronald de Carvalho, o editor era António Ferro e, entre os entusiastas colaboradores, brilhavam personalidades polifacéticas como  Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro ou Amadeo de Sousa-Cardoso.

Na génese de Orpheu está uma necessidade de modernização da  jovem vanguarda  portuguesa e brasileira – nomeadamente na Literatura e na Pintura – que precisava de dar a conhecer a sua arte ao mundo. Essa vontade de aderir à contemporaneidade, e de estar a par das estéticas modernas, está bem expressa no manifesto que o grupo apresentava e que assinalava  ” comprar Orpheu é enfim ajudar Portugal de não ter tido senão a Literatura portuguesa; Orpheu é todas as Literaturas”.

A primeira edição publicou, entre outros textos, a “Ode triunfal” de Álvaro de Campos, heterónimo futurista de Fernando Pessoa, e o poema “16” de Sá-Carneiro. O público recebeu entusiasticamente a revista, que esgotou rapidamente, e causou um grande escândalo.

Só sairia, após esta primeira edição de 24 de Março de 1915, um segundo número em Junho de 1915. Apesar da sua efemeridade, Orpheu lançou as sementes de uma talentosa geração, liderada por Fernando Pessoa, que marcou a história da Literatura e da Arte do século XX.

Rui Marques

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D. Henrique, o navegador, nascia a 4 de Março de 1394

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Foi na cidade do Porto que nasceu, no dia 4 de Março de 1394, o infante D.Henrique. Aquele que, apesar de nunca ter sido rei, ficou para a história como D.Henrique, o navegador, uma das figuras centrais dos Descobrimentos portugueses.
Quinto filho da ilustríssima Dinastia de Avis, foi baptizado como Henrique em homenagem ao seu tio, Henrique de Lancaster. A sua mãe era Filipa de Lancaster, o seu pai, D.João I, e a sua geração, a Ínclita geração, estava predestinada a deixar a marca portuguesa no mundo.
É ele que está por trás da decisão de D.João I de avançar para a tomada de Ceuta. Também é dele o impulso da epopeia nacional através da Ordem de Cristo ou do enorme avanço científico, na arte de navegar, que promoveu a partir de Sagres, reunindo sábios e marinheiros das mais variadas origens.
Nunca foi rei, ironicamente. Mas foi um monarca dos mares, um infante santo, um predestinado que viu o que muitos ignoraram e que levou Portugal para lá do Bojador, para lá do medo dos Adamastores que travavam a expansão portuguesa.

R. Marques
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Matiné de amor pelo cinema no Fantasporto

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Ontem ao fim da tarde o Fantasporto foi o palco para um filme sobre a paixão pelo cinema. Os realizadores da película foram o escritor e jornalista brasileiro, Danyel Guerra e o especialista e académico português David Pinho Barros, especialista em história do cinema.
O guião seguiu as crónicas da obra ” Oito e Demy”, escrita por Danyel Guerra, e que relata os encontros reais e cinéfilos entre o autor e cineastas tão diversos como Julio Bressane, Jacques Demy, Manoel de Oliveira ou Frederico Fellini. David Pinho Barros destacou a heterodoxia destas crónicas – que juntam cinema, literatura, filosofia ou futebol numa saudável promiscuidade – enquanto Danyel Guerra usou o seu proverbial sentido de humor para assinalar o filme “O Leão da Estrela” de Artur Duarte, piscando o olho ao clássico futebolístico que decorreu nessa noite.
A matiné luso-brasileira – Danyel é brasileiro e David é português – finalizou com o público rendido à lição de humor, amor e culto do cinema.A plateia, presente no café concerto do Fantasporto, rendeu-se às imagens sedutoras projectadas por estes dois incansáveis amantes do cinema.
E a palavra fim não surgiu quando acabou a sessão. O cinema vive dentro daqueles que o vêem e não o esquecem, o cinema é uma arte imortal !
Rui Marques
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Obra “O irmão alemão” de Chico Buarque vendida em Portugal

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Hoje já está à venda o primeiro livro da editora brasileira, Companhia das letras em Portugal. Trata-se do romance “O irmão alemão” de Chico Buarque, baseado numa história real – Chico descobriu muito jovem que tinha um irmão alemão e, mais tarde, investigou a história desse familiar que desconhecia.

João Castro

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Sete cartas a um jovem filósofo

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A obra “Sete cartas a um jovem filósofo” é um exemplo da filosofia dialogante de Agostinho da Silva. Uma filosofia sem mestres nem ídolos, alicerçada num pensamento aberto e universalista, que encara o outro, não como um inimigo ou um inferior, mas como alguém que nos ajuda a evoluir no mundo.

Agostinho da Silva postulava um pensamento com profundas raízes socráticas. Não é por acaso que a sua tese de doutoramento versava sobre as civilizações clássicas: existia nele uma pulsão criativa e inclusiva, que se materializava em diálogos abertos, sem pretensas verdades absolutas, estimulando a construção de novos saberes e conhecimentos.

Ao longo da sua vastíssima obra, esta visão universalista do que é o conhecimento foi tomando forma. Obras como “Diário de Alceste” ou “Sete cartas a um jovem filósofo” mostravam um pensador que, mais do que apontar os caminhos do saber, optava  por colocar novas perguntas que brotavam da dúvida, e abriam um leque de possibilidades que nos ajudavam a tomar decisões  no nosso quotidiano.

As grandes questões do mundo nascem  das tomadas de decisão ética do homem. São concretas e reais, e não abstrações mais ou menos inúteis, que formulamos  para nosso mero deleite intelectual.

Por exemplo, numa das sete cartas que envia aos jovens filósofos, o  autor critica a palavra tolerância. Diz ele, e com fundamentação, que a tolerância representa uma ideia diabólica travestida de celestial, já que tolerar alguém é suportá-lo e não respeitá-lo integralmente.

Noutra passagem das cartas defende que a vida é uma extraordinária aventura. E que vivemos num estado de semi-consciência, porque se tivéssemos plena consciência de todas as suas potencialidades, explodiamos.

Também descobrimos, neste livro, um Agostinho da Silva que pensa para além do seu meio intelectual. Noutra carta escreve ele que ser arrebatado pela arte, por qualquer forma artística implica ficar prisioneiro numa moldura, e ser excluído da vida, pois viver é quebrar todas as molduras e regressar à lei da Selva.

A relação mestre/discípulo convencional não convence Agostinho. Escreve ele que os seus discípulos, a existirem, são aqueles que discordam dele, porque aprenderam que o essencial é não se conformarem .

Publicadas em 1945, estas cartas traçam o perfil de um intelectual crítico com todos os intelectualismo e formalismos que amordaçavam a sociedade portuguesa. São estes dogmas que nos impedem de pensar e mudar, porque o pensamento e a ação são as duas faces da mesma moeda, reflexo um do outro.

O magnetismo desta obra reside em que, apesar de ser endereçada aos jovens filósofos, ela dirige-se para o mundo, para a polis, para a sociedade. À imagem da filosofia de Agostinho da Silva: uma filosofia que não se fechava nas estreitas salas da Universidade, mas que se abria ao outro, e a tudo aquilo que o outro trazia para a evolução do nosso pensamento.

João Castro

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        Livros Digitais independentes: uma nova forma de aproximar escritores e leitores

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Num mercado influenciado por modismos editoriais, é um grande desafio para novos escritores conseguir, ao menos, uma simples avaliação por parte das editoras. Ou se escreve o que o mercado pede, ou nada feito! Isso fere a liberdade de quem escreve, pois impede que cada autor(a) desenvolva seu estilo próprio, e assim cative seu público leitor.

A liberdade de expressar sensações, emoções, reflexões entre outras coisas é fundamental para aqueles que entendem a Literatura como uma “razão de ser”, para aqueles que mantêm uma relação de amor com as palavras, e para aqueles que entendem o sentido transcendente de todas as Artes.

Uma alternativa viável a todas as pessoas que sonham alcançar o reconhecimento literário,  é lançar livros digitais  de forma independente e divulgá-los nas redes sociais. É o que faz a professora, poetisa e escritora Maria Cleide da Silva Cardoso Pereira, que por meio do seu projeto de incentivo à leitura e à escrita, divulga suas obras literárias de modo a conquistar leitores, e incentivar novos escritores.   Formada em Letras pela Universidade Federal do Pará, Maria Cleide menciona que, desde a infância,  tinha paixão pela leitura. As suas  grandes influências foram on seu avô materno, Josué, a quem sempre chamou de pai, e a  sua mãe, Águeda. Ambos liam e declamavam poesias, com muita expressividade e sentimento. Isso foi marcante para a trajetória  da futura escritora.

Os  seus primeiros versos surgiram em 1990 e foram dedicados à mãe. A menina apreciava escrever no  seu diário e, a cada dia, registrava suas impressões sobre a vida, as pessoas e os acontecimentos.

Em 1994, começou a compor as primeiras canções autorais e a fazer paródias das  músicas que gostava. Ela relembra um episódio em que se divertia com os primos, cantando juntos uma paródia de um grande sucesso dos Beatles.

Também cita alguns momentos da adolescência, em que vendia as  suas poesias de amor para as amigas, que ofereciam os poemas apaixonantes aos namorados, em datas especiais. “Fazia um grande sucesso e era bem divertido, pois era eu mesma quem os escrevia e minha letra não era bonita! (risos).

Foi uma fase óptima!”. comenta a escritora. No entanto, ela também revela que se  arrependeu de algumas coisas: “Por causa de uma briga que tive com um antigo namorado, queimei os meus diários e agendas que continham minhas mais queridas poesias.

Noutro  momento, fui um tanto ingénua e tive de sofrer com  o roubo de meus textos. Foi horrível, uma pessoa se passou por amiga, roubou a minha criação e até venceu um concurso com minha obra. Houve até prémio em dinheiro!”

Dona de uma personalidade forte e carismática, Maria Cleide desenvolveu um estilo próprio, que é a marca registrada de todos os seus textos. A sua  escrita é intensa, envolvente e polissémica.

Toda sua produção literária é divulgada virtualmente,  e inclui contos, crónicas, cartas, discursos, pensamentos, letras de música e, lógicamente,  poesias! Infantis, religiosas, sociais, eróticas, líricas e amorosas… cada poesia carrega um universo particular e desperta diversas sensações nos  seus leitores. “Escrever é um acto de amor, é uma busca pela eternidade almejada, é ser livre de todas as convenções para seguir o rumo da poesia latente ao nosso redor. Escrever é contemplar o Divino Mistério presente em tudo, é entender o porquê de ‘No início, era o Verbo’, é tornar uníssonas as vozes que ecoam pelo espaço a nos lembrar de que a vida nunca termina.” comenta.

Maria Cleide ou MCSCP (o seu acrónimo), publica os  seus textos em diversos sites literários: Recanto das Letras, Luso-Poemas, Mar de Poesias, O Melhor da Web, Autores.com.br entre outros. Também integra a Associação Internacional Poetas del Mundo e o Portal Cá Estamos Nós (CEN), a maior ponte literária entre Brasil e Portugal. Muitas de suas poesias e alguns de seus contos foram publicados nas antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. A autora já obteve reconhecimento nacional por meio de concursos literários.

Recebeu os Prémios Sarau Brasil e Rima Rara, ambos em 2013. Também participa das antologias virtuais do portal CEN.

“Eu sempre gostei de escrever e meu sonho era publicar um livro, não sabia como nem quando, mas tinha certeza de que conseguiria”, afirma. Em 2009, ao participar do Fórum Social Mundial que decorreu  em Belém do Pará,” tive a oportunidade de declamar uma de minhas poesias”.

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Foi aí que o seu  sonho começou a tomar forma,  contactando  com muitas pessoas quea  ajudaram a seguir em frente: “uma moça  indicou-me  o site Recanto das Letras e eu comecei a postar minhas poesias”, recorda  a aurora.

“Na época, eu estava  noiva de um professor e escritor chamado Fábio Calliari, cujo pseudónimo era Filício Albara, e  incentivei-o  também apublicar seus textos” .” O Recanto foi uma grande experiência para nós:ficávamos radiantes com o número de leituras dasnossas obrase o nosso grande sonho era publicar os nossos livros, um dia, relata a escritora.

Eu torcia pelo sucesso dele e ele, pelo meu. Ele criou um blog fantástico e recebia milhares de visitas. Mas a vida separou-nos  e, tempos depois, casei-me com meu melhor amigo, João, com quem cursei Letras na universidade. Depois de dez anos de amizade, casamo-nos e tivemos nosso querido Elias.

Os sonhos nunca morrem e, mesmo à distância, eu desejava muito que Fábio conseguisse publicar os seus livros infantis. No entanto, sua morte prematura o impediu de editar a obra. Foi um choque para mim. Eu já não falava com mais ninguém davnossa antiga turma de amigos, nem falava com a família dele. Soube do ocorrido por meio de uma mensagem enviada pelo Facebook.

Chorei compulsivamente, lamentando pelo sonho que ele não conseguiu realizar. Quando ele morreu, eu já não escrevia mais, nem publicava nada no Recanto. Então, tudo voltou de repente.

Meu filho passou a ser minha inspiração e uma nova fase literária despontava.

Passei a escrever tudo o que sentia e pensava. Hoje, o meu recanto conta com mais de 300 textos. Também comecei a participar em  concursos literários, o que me ajudou a publicar meus poemas e contos. No total, são 13 livros que guardo com carinho: 10 com poesias e 2 com contos.

Nos últimos tempos,  percebi uma tendência muito forte: inúmeras pessoas usam celulares para realizar downloads de e-livros. A partir daí, surgiu a ideia de lançar as minhas obras de forma independente e gratuita, no intuito de estimular a leitura e a produção escrita autoral. Assim, organizei meu material e publiquei 3 e-livros por meio do Recanto das Letras.

O primeiro, foi a monografia com a qual recebi nota máxima ao fim de minha graduação: O universo simbólico da obra O Saci: um estudo junguiano sobre a obra infantil de Monteiro Lobato; o segundo, foi o meu livro de poesias religiosas: Versos que edificam a alma: a fé em poesia e, por fim, publiquei meu livro de pensamentos e poesias: Jardim de Pensamentos: cultivando sementes da alma.

Tenho estimulado a prática da leitura e da escrita de um modo dinâmico, inovador e interativo. Recebo comentários de meus textos e troco ideias com outros escritores. Incentivo parentes, amigos e alunos a divulgarem suas obras literárias virtualmente. Para mim, não há sonho impossível. Afinal, as Escrituras Sagradas revelam que ‘tudo é possível ao que crê’.

Gosto de lutar por meus objetivos e sei que quem semeia, colhe os frutos do seu trabalho. Sou pós-graduada em Gestão de Pessoas e sei o quanto é importante estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de todos que nos cercam. Por isso,os  meus textos conversam com a alma, inspiram atitudes positivas, elevam a autoestima e estimulam pensamentos repletos de unidade e sinergia, afinal, somos interdependentes.” Para ler as produções literárias da autora, basta aceder seu perfil literário no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autores/mariacleidescp.

A todas as pessoas que desejam, um dia, publicar o próprio livro, a escritora recomenda:

“eu sugiro que cada pessoa busque o meio que lhe for mais conveniente; eu  optei por distribuir minha obra de forma independente e gratuita para facilitar o acesso e tornar a leitura mais dinâmica.

Há muitos sites literários confiáveis e de cadastro gratuito. Não é necessário ter muito dinheiro quando se tem vontade e criatividade.

Há quem opte por fazer livros artesanais e de excelente qualidade. O fato é: todos precisamos realizar os sonhos que nos motivam e dão sentido à nossa vida.

Outro conselho: nunca devemos queimar nossas poesias! Elas são expressões de nosso eu-lírico, e revelam-nos muitas coisas ao longo dos anos. De resto, desejo a todos muito sucesso!

Abraços carinhosos e poéticos!

Maria Cleide

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Um patriota brasileiro com sangue português

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A ligação de Agostinho da Silva ao Brasil foi absolutamente marcante no seu percurso biográfico. Durante mais de vinte anos – entre 1947 e 1969 – o intelectual português teve uma acção catalisadora em áreas do pensamento, do meio universitário e das múltiplas atividades culturais, fazendo do Brasil uma segunda pátria.

Não nos enganaremos se dissermos que Agostinho da Silva foi a personalidade portuguesa mais determinante no Brasil, durante o século XX. Determinante porque não se limitou à docência académica, preferindo ter um papel de grande dinamizador da cultura brasileira.

A sua influência na evolução do ensino universitário brasileiro é extraordinária. Esteve na génese de quatro Universidades brasileiras – as Universidades Federais de Brasília, de Goiás, de Paraíba e de Santa Catarina – bem como na criação de vários Centros de estudos e Cursos.

Tudo começou em 1947, quando veio viver para São Paulo, em ruptura com o Estado Novo de Salazar. Mais tarde mudou-se para a Serra da Itatiaia, onde viveu com a segunda mulher, Judith Cortesão – o matrimónio teve seis filhos – convivendo com o casal Dora e Vicente Ferreira da Silva e com os modernistas brasileiros.ags

Entre 1948 e 1952 vive e ensina no Rio de Janeiro. Curiosamente ensina disciplinas científicas como Entomologia, Parasitologia e Zoologia no Instituto Oswaldo Cruz, ao mesmo tempo que dá aulas na Faculdade Fluminense de Filosofia, e que colabora com outro ilustre exilado português, Jaime Cortesão, na investigação histórica sobre a figura de Alexandre de Gusmão.

Na década de cinquenta instala-se no Estado da Paraíba – em 1952 – ajudando a criar a Universidade Federal de Paraíba (João Pessoa) e leccionando História antiga e geografia física. Espírito irrequieto organiza, em conjunto com Jaime Cortesão a exposição sobre os 400 anos da fundação da cidade de São Paulo, em 1954.

Da Paraíba vai para Santa Catarina. Neste Estado brasileiro não só é um dos fundadores da Universidade Federal de Santa Catarina como desempenha funções como Diretor da Cultura do Estado, trabalhando na Direcção-geral do Ensino Superior do Ministério da Cultura.

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Apesar desta actividade permanente, continua a escrever. Nesta década são publicadas obras como “Um Fernando Pessoa”, “Ensaio sobre uma teoria do Brasil” ou ” Reflexão à margem da Literatura portuguesa”.

A etapa seguinte deste nómada intelectual universal situa-se na Bahia. Junta-se em 1959  a Eduardo Lourenço – outra referência intelectual nacional -e  ensina Filosofia do Teatro , desenvolvendo um projecto que visa dar a conhecer o legado negro na cultura brasileira –  neste âmbito, funda o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Baía.

Na última década em que viveu no Brasil, Agostinho da Silva esteve ligado à fundação da Universidade de Brasília. Em 1962 foi um dos impulsionadores da criação do Centro de Estudos portugueses nesta Instituição brasileira.

Em 1963 viajou como bolseiro da Unesco e deu aulas em Tóquio. Conheceu também Macau, Timor e os Estados-Unidos.

Os últimos anos em solo brasileiro foram vividos entre a Cachoeira e Salvador da Bahia. Nesta cidade fundou o Centro de Estudos Paulo  Dias Adorno e idealizou o Museu do Atlântico Sul.

Estas são umas brevíssimas notas sobre a relação umbilical entre Agostinho da Silva e o Brasil. Muito mais haveria para contar sobre Agostinho da Silva.

Um patriota brasileiro com sangue português !

Paulo César

 

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Ilha dos Amores – Queria que os Portugueses

 

poeasis01Encante-se com  a poesia livre de Agostinho da Silva

Nesta edição de janeiro da revista Sotaques, na rubricas “Ilha dos Amores”, conhecemos melhor a poesia de Agostinho da Silva. Poesia de liberdade, de compromisso, com uma enorme carga metafísica e filosófica.

Na poesia de Agostinho da Silva há um prolongamento do seu pensamento. Como um voo leve e pleno  de uma ave rumo ao Sol, rumo ao Sul, rumo ao ideal.

 

Queria que os portugueses

 

Queria que os portugueses

tivessem senso de humor

e não vissem como génio

todo aquele que é doutor

 

sobretudo se é o próprio

que se afirma como tal

só porque sabendo ler

o que lê entende mal

 

todos os que são formados

deviam ter que fazer

exame de analfabeto

para provar que sem ler

 

teriam sido capazes

de constituir cultura

por tudo que a vida ensina

e mais do que livro dura

 

e tem certeza de sol

mesmo que a noite se instale

visto que ser-se o que se é

muito mais que saber vale

 

até para aproveitar-se

das dúvidas da razão

que a si própria se devia

olhar pura opinião

 

que hoje é uma manhã outra

e talvez depois terceira

sendo que o mundo sucede

sempre de nova maneira

 

alfabetizar cuidado

não me ponham tudo em culto

dos que não citar francês

consideram puro insulto

 

 

se a nação analfabeta

derrubou filosofia

e no jeito aristotélico

o que certo parecia

 

deixem-na ser o que seja

em todo o tempo futuro

talvez encontre sozinha

o mais além que procuro.

 

 Agostinho da Silva

 

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Microconto: Vintage Existenz

Jon Bagt

Tadeu Izubiarco não tinha telemóvel. Não tinha computador. Não tinha internet. Num dia de inverno, recebeu um cartão de um velho amigo, emigrado para a  casa ao lado, na rua de sempre. O cartão trazia escrito no verso, um número de telemóvel, 991517634, um endereço electrónico e uma morada de uma loja de informática. Tadeu respondeu ao amigo: “… Nove pessoas passam à tua entrada todos os dias: O padeiro, o leiteiro, o ardina, o cobrador de impostos, o jardineiro, o motorista do trinta e sete, o filho da vizinha, a vizinha e o homem que carrega o lixo. Há nove meses que não te vejo. Há um ano que deixaste o emprego. Há cinco anos que casaste com o filho do teu pastor. Há um ano que não sais para levar o amor à vizinha do sétimo esquerdo. Há sete anos que não jogas na lotaria. Há seis meses que não entras num templo. Há três anos que não reparas que a Humanidade enlouqueceu. Há quatro dias que não vejo a luz acesa na tua casa. Desconfio que adoeceste e ninguém te avisou…”. Selou a carta, escreveu a morada e entregou ao carteiro. Por um dia, só por mais um dia, alguém levaria notícias de outro mundo ao amigo de Tadeu Izubiarco….

Jon  Bagt

Site do autor: http://jonbagt.weebly.com/

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A filosofia do espírito santo que iluminava Agostinho da Silva

ES01 Compreender Agostinho da Silva implica perceber a importância que tinha a filosofia do espírito santo no seu pensamento. Uma filosofia espiritual que teve e tem uma profunda influência no modo como vemos a evolução histórica de Portugal e do Brasil.

Agostinho da Silva tinha uma natureza intrinsecamente religiosa e providencialista. Não de uma religiosidade formal, mas de uma crença que via na história sinais de permanente mudança, de um sentido último que se materializava através da acção dos homens.

Nesse sentido, é exemplar o testemunho que ele dá na obra “Agostinho por si próprio” ao realizador de cinema António Escudeiro, e que só foi publicada após a sua morte,  em 2006. Nesse livro em forma de entrevista, o filósofo fala da ligação umbilical que os portugueses têm em relação ao Espírito Santo: ele vê nessa Entidade uma força que move o povo português, que lhe estimula os dons mais generosos, a sua capacidade, associando-o ao movimento dos Descobrimentos portugueses.

Agostinho da Silva assinala que o culto do Espírito Santo, celebrado nos Açores, se expandiu para o mundo. E que era essencial que o culto não fosse uma mera festa anual, repetida com os mesmos símbolos, mas que se torne num novo tempo, numa nova filosofia de vida que pratiquemos quotidianamente.

A este respeito dizia Agostinho que o homem “era o único ser que nascia de graça e passava a vida a ganhá-la”. Tinha a certeza do advento da idade do espírito santo que faria a síntese da Santíssima Trindade e permitiria ao homem ser plenamente humano e imaginativo.

Elogiava o povo português e o povo brasileiro como povos que possuíam essa imaginação e vontade de criar. Criticava quem achava que a produtividade era o fim último da humanidade, porque essa forma de pensar desvalorizava o imprevisível, a criatividade, as ideias que existiam no mundo.

A filosofia do Espírito Santo não colidia, porém, com as crenças locais. Noutro enxerto desta entrevista publicada em  livro e em vídeo, contava a história de franciscanos alemães que não compreendiam os rituais do enterro da população negra na Bahia.

Sugeria aos franciscanos que  tinham de boiar e não de nadar. Ou seja tinham de respeitar a cultura local, em vez de impor a sua própria cultura.

As festas do Espírito Santo têm  uma grande importância nos Açores. Segundo as fontes históricas, estas festas terão origem medieval, em 1321, quando o convento franciscano de Alenquer sob a protecção da rainha Isabel de Portugal e Aragão, passou a celebrar o Divino Espírito Santo, arrecadando bens para a população mais carenciada.

Nos Açores a festa é celebrada anualmente cinquenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecostes quando o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os Apóstolos, segundo o Antigo Testamento. No Brasil a tradição foi levada pelos portugueses, e é celebrada em Estados como Santa Catarina e a Bahia.

João Castro

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Escritor brasileiro Antônio Torres na Casa da América Latina

Antônio Torres na Casa da América

No próximo dia 22 de janeiro, a Casa da América Latina em Lisboa recebe o escritor brasileiro Antônio Torres. O evento está marcado para as 18h30, e consistirá num encontro literário onde o autor abordará  as “Relações Transatlânticas”, baseado no tempo em que viveu em Portugal.

Antônio Torres ganhou o prémio literário Jabuti em 2007 com o livro “No fundo da agulha”, e é reconhecido por  obras como o romance “Essa terra”. Ao longo da sua trajectória literária venceu, ainda, em 2000 o prémio Machado de Assis pela Academia de Letras, ocupando atualmente a cadeira desta Instituição,  que foi ocupada  por Jorge Amado.

Amigo de escritores portugueses como o poeta Alexandre O’Neil e de várias personalidades da cultura portuguesa, Antônio Torres promete uma conversa entretida e culta sobre as relações luso-brasileiras esta quinta-feira, ao fim da tarde.

 

João Castro

#sotaques #Brasil #Portugal #JoãoCastro #AntônioTorres #CasadaAméricaLatina #sotaquesbrasilportugal

 

Livraria Lello, uma das 15 livrarias com mais estilo do mundo

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A livraria Lello foi considerada uma das 15 livrarias com mais estilo do mundo pela edição de janeiro da revista Travel +Leisure. Nesta publicação destacam-se pormenores como a escadaria vermelha em espiral ou a beleza e história do espaço, colocando-a entre as mais belas livrarias mundiais ao lado da Shaekspeare and co de Paris ou a Dominicanen de Maastrich.

Os microcontos de Jon Bagt

 

Jon BagtConheça melhor os textos do nosso colaborador, Jon Bagt

Os microcontos de Jon Bagt  impressionam pela liberdade de escrita, pela criatividade, pela surpresa permanente. Saiba mais sobre este colaborador da revista Sotaques no seu site https://jonbagt.weebly.com/ e na sua página do Facebook www.facebook.com/pages/Jon-Bagt/1405946302984018?fref=ts e delicie-se com os seus textos.

Carlos Reis

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Os Maias, um clássico português

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O escritor italiano Italo Calvino dizia no famosíssimo ensaio  “Porque ler os clássicos” que um clássico é um livro ao qual sempre regressámos, descubrindo novos significados, novas releituras.Por outras palavras, um clássico é um livro inesgotável, uma obra aberta para sempre e, nessa ordem de ideias, “Os Maias” de Eça de Queiroz  são, inegavelmente, um clássico português com dimensão mundial .

Comecemos pelo fim. Carlos da Maia e o seu amigo João da  Ega, reencontram-se em Lisboa, depois de anos de separação, passeiam numa rua da cidade e falam, nostalgicamente,   da vida que falharam, dos sonhos de juventude que não cumpriram.

Subitamente vêem a afastar-se “O americano” – o eléctrico – e lançam-se numa corrida desenfreada para apanhá-lo. Fazem-no não por qualquer ideal renovado, pelo fogo de juventude que se reacende na sua alma, mas pela promessa de um “prato de paio com ervilhas”   que os aguarda, algures, na capital.

Esta cena final, tão cómica como trágica, é a súmula perfeita da narrativa. Nela condensam-se todas as contradições da geração de Eça que desejava, ardentemente, ser europeia, mas que se rendia, impotente, às circunstâncias quotidianas e à vidinha sem grandes aspirações, entre festa e festa, exibindo uma riqueza tão pretensiosa como efémera.

Há muitas razões para gostar de “Os Maias”. As minhas prendem-se com a ligação umbilical entre o prazer e o pecado, que percorre todo o romance – Carlos insiste em dormir com Maria Eduarda, mesmo depois de saber que ela é sua irmã, uma revelação que não o dissuade de quebrar um dos grandes tabus da sociedade portuguesa do século XIX, o incesto.

A procura do prazer transgressor funciona, para as personagens dos Maias, como a única felicidade possível. Carlos usa o seu consultório de médico recém formado para “receber”  a Condessa de Gouvarinho, Ega mascara-se de Mefistófeles num baile de máscaras para impressionar Raquel Cohen e afrontar o seu marido, o poeta Tomás de Alencar, o maestro Cruges, o roliço dandy Dâmaso Salcede ou o menino prodígio burguês Eusebiozinho, mergulham numa sucessão narcotizante de almoços e jantares ou idas furtivas a Sintra, com as suas espanholas, procurando esquecer a sua existência medíocre, repetitiva, absolutamente falhada.

Aqueles que não apreciam o romance, apontam-lhe como principal defeito o excessivo número de páginas. Uma crítica absurda : nenhum capítulo, nenhuma palavra é escrita em vão por Eça, toda a narrativa é uma riquíssima viagem arqueológica sobre uma sociedade, um país, uma forma de ser e estar cujas ressonâncias comportamentais chegaram até aos dias de  hoje.

Eça pertence à estirpe dos grandes génios do romance oitocentista. À linhagem nobre dos Balzac, dos Stendhal, dos Victor Hugo, dos Alexandre Dumas – pai e filho – dos Machado de Assis – que lia e admirava .

Harold Bloom, crítico literário norte – americano, coloca-o na restricta lista dos génios portugueses – ao lado de Camões e Fernando Pessoa – com dimensão global. Obras como “Os Maias”, “O crime do padre Amaro”, “A Cidade e as Serras” ou “O primo Basílio”, colectâneas de textos jornalísticos como as prodigiosa “Farpas”, escritas com Ramalho Ortigão ou magníficos contos como “Singularidades de uma rapariga loura”,  constituem um corpo literário abundante em quantidade e qualidade, invulgar em qualquer tempo e lugar.

Publicados em 1888, no Porto, “Os Maias” são um brilhante retrato dos vícios ancestrais que estão entranhados na identidade portuguesa. E são, claro está, um dos livros da minha vida.

Rui Marques

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Gabriela, a musa da sensualidade luso-brasileira

Gabriela

Ouvia-se  o tema de abertura da novela “Gabriela” composto por Doryal Caymmi e cantado por Gal Costa, e os olhares perdiam-se no corpo sensual de Gabriela Cravo e Canela, personagem do romance de Jorge Amado e da novela que apaixonou o Brasil e Portugal. Exibida pela primeira vez no Brasil, em 1975, e em Portugal em 1977, esta novela foi um fenómeno de popularidade que marcou a História da Televisão.

Quando se estreou na televisão portuguesa, em 1977, Portugal estava a sair, lentamente, da Ditadura militar. A censura, o produto mais tenebroso dos 40 anos do Estado Novo de Salazar, caia abruptamente e, com ela, assistia-se a uma libertação dos costumes, a uma maior tolerância para com os prazeres da vida.

A televisão era o meio onde essa mutação dos usos e costumes, se fazia sentir mais profundamente. E, sublinhe-se, o impacto de Gabriela foi transversal a todas as classes sociais e meios universitários, de tal forma que uma investigadora portuguesa, Isabel Ferin Cunha, escreveu um trabalho universitário chamado ” A revolução de Gabriela, o ano de 1977 em Portugal”.

Publicado em 2002, pelo Instituto de Estudos jornalísticos da Universidade de Coimbra, este estudo comparava a agenda de visionamento da telenovela Gabriela em quatro jornais – Diário de Notícias, Diário de Lisboa, Expresso e O Jornal – com a agenda mais geral da cultura portuguesa. Nesta investigação concluía-se que temas como a igualdade de direitos, os direitos das mulheres, a violência doméstica ou a luta contra o autoritarismo, muito presentes na narrativa da novela, tornaram-se familiares aos portugueses, que os discutiam abertamente.

Também se conta que o  Presidente da República, Ramalho Eanes, em 1977, confessava, numa entrevista ao inglês Sunday Times, que via a “Gabriela”. Assinale-se, aliás, que a Assembleia da República chegou a suspender uma sessão para que os deputados pudessem assistir à série.

A euforia à volta de ” Gabriela” na década de 70, obriga-nos a um olhar mais aprofundado sobre este fenómeno televisivo e social. Afinal o que a tornava tão especial ?

Em primeiro lugar, o respeito que a telenovela revela  pelo original de Jorge Amado. Criada por Walter Durst e dirigida por Walter Avancini,destacam-se nela os diálogos ricos entre as personagens, os cenários bem construídos que recriam o interior da Baía em 1925, ou a luta de classes contra o Brasil dos coronéis.

Outro factor importante foi a excelência do elenco : de Sónia Braga no inesquecível papel de Gabriela a Armando Bónus que interpreta o turco Nacib, a Paulo Gracindo, que representava o vilão Coronel Raimundo Bastos ou José Wilker como José Mundinho, jovem idealista que desafia o poder do coronel sobre a pequena localidade de Ilhéus. Na galeria de atores extraordinários constavam ainda Art Fontoura, Marcos Nanini, Milton Gonçalves, Heloísa Machado, Nívea Maria ou Elisabeth Savala, entre outros.

Também podíamos falar da magnífica banda sonora que acompanhou “Gabriela” ao longo dos 135 episódios. Para além dos já citados Doryval Caymmi e Gal Costa, participavam musicalmente nomes como Maria Bethânia, Djavan, João Bosco, Fafá de Belém ou Alceu Valença.

No Brasil, a censura da Ditadura militar também estava atenta à novela. Numa das mais famosas cenas da trama,o estudante Juca Viana e a jovem Chiquinha, amante do coronel Coreliano eram apanhados na cama e obrigados a sair à rua, nus, empurrados pelos jagunços do coronel e humilhados pela população.

Por imposição da censura, o Diretor Walter Avancini filmou a grande distância os atores. O objectivo era que não se distinguisse se estavam nus.

Apesar disso, “Gabriela” afirmou-se como um marco da dramaturgia brasileira.Foi eleita em 1975 o  melhor programa de televisão pela Associação Paulista de críticos de arte, e foi reposta quatro vezes nos anos 80.

Foi a primeira novela brasileira a ser vendida ao nosso país, estimulando a  relação com a cultura brasileira. Para promover a novela a RTP chegou a organizar um espectáculo com Vinicius de Moraes, Toquinho, Maria Creuza e os atores Elisabeth Savala e Fúlvio Stefanini, que foram recebidos por uma multidão no aeroporto de Lisboa.

O rasto cultural e sociológico de “Gabriela” também se prolongou no cinema. O filme “Gabriela” realizado por Bruno Barreto em 1982,  foi protagonizado por Sónia Braga e pelo ator italiano Marcelo  Mastroianni.

Em 2012, realizou-se uma nova novela “Gabriela” que foi transmitida no Brasil e em Portugal. Com Juliana Paes no papel de Gabriela e um êxito assinalável nos dois países.

“Gabriela” foi muito mais que uma telenovela. Foi uma musa que nos fez descobrir a sensualidade, o prazer, o exotismo, a cidadania, a vida.

Foi a musa luso-brasileira por excelência. A Gabriela que cheirava a cravo e canela, e que nos trouxe a beleza intemporal da Baía imortalizada pela escrita de  Jorge Amado.

Rui Marques

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Carrossel do Amor

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Santos Júnior vive junto à praia. Arranca acordes tropicais da guitarra portuguesa ao fim da tarde. A hora é da galera.

Homens e mulheres de todas as raças, cores e feitios rodeiam Júnior. A cerveja abundante escorre entre os lábios e as pernas dos banhistas. A espuma do dia,  prepara a noite de amor louco. A lua samba com o sol.

As formas redondas da lua decoram o céu. Surgem novas geometrias de prazer. Os corpos fintam-se uns aos outros. As almas esperam que as estrelas mudem de posição táctica.

A bola roda no céu. O sol tenta resistir. Santos agarra-se à viola e mantém a equipa focada, para que o sol se afunde no mar. O esférico acaba no fundo das redes de um barco de pesca.

A noite avança sobre o dia, mas a festa continua. As estrelas surgem no firmamento como bandeiras feitas de mil cores, feitas do mesmo pó dos grãos de areia.

As almas vibram com aparição da escuridão. A noite é feita de mil olhos. Cada um imagina novos campos de flores.

Os banhistas perfumados são personagens de uma novela. Santos Júnior hipnotiza a galera com o seu virtuosismo. Dedilha as ondas. A lua cheia ilumina os corpos dos veraneantes.

Enrolam-se na areia. É a carne que vale. O mar beija a praia, vai e vem, chega e volta a partir. A noite não tem fim e o prazer não apaga toda a dor, como  se toda a garota vertesse as lágrimas salgadas do oceano,  enquanto dança em redor do eterno carrossel do amor …

Jon Bagt

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Passatempo Vou Seduzir-te

passatempo

 

Participa no passatempo da revista Sotaques e ganha livros da escritora Maria Antónia Jardim. Escritora, pintora e docente universitária, Maria Antónia Jardim tem uma escrita que explora a imaginação e o poder da metáfora e da palavra para mudar o mundo.

O último livro da autora ” Vou Seduzir-te ” com o pseudónimo Anaoásis, situa-se numa cidade conhecida como a cidade luz cujo símbolo mais emblemático é a Torre Eiffel.

Estamos a falar de :

  1. a) Londres
  2. b) Nova Iorque
  3. c) Londres

Envia a tua resposta para o nosso facebook http://www.facebook.com/sotaques ou para o correio electrónico antonio.sotaques@gmail.com, junto com um número de contacto.

A revista Sotaques anunciará os vencedores do passatempo e contactará os premiados.

Participa !

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