Entrevista com Sotaques – Gobi Bear

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Quem é Gobi Bear ?
Gobi Bear é a minha one man band, ou banda de um homem só. No
fim da adolescência comecei a tocar guitarra e pouco tempo depois
comecei a dar concertos com alguma regularidade. As coisas começaram
a surgir a partir daí. Comecei a lançar discos e acabei por lançar 6
discos num espaço de 3 anos, que foram acompanhados por mais de 200
concertos e de uma tour internacional.
Como caracteriza o seu estio musical?
É uma pergunta complicada, porque nunca fui muito dado a rótulos.
Diria que faço uma mistura de Indie Folk com Loop Music.
Porque uma banda de um homem só?
As músicas que escrevo são muito íntimas e sinto que a forma mais
verdadeira de as compor/tocar é a solo.
Qual recurso tecnológico utiliza para criar música?
Bom, uso muitos. O principal é um pedal de loops, à volta do qual
grande parte das minhas músicas são compostas.
Conseguiria viver sem computador?
Conseguiria, mas a minha vida seria muito diferente. Utilizo–o para
compor, gravar, produzir, tocar ao vivo e também para efeitos de gestão
de carreira, visto que se trata do meu principal meio para me manter a
par do que se passa, em contacto com as pessoas que gostam de saber
e ouvir o que faço e também para agendar concertos.
Um som que não goste de ouvir?
Não há.
A ligação artística luso-brasileira precisa de ser mais estimulada?
Essa questão é muito pessoal. Sinto que há uma ligação luso-brasileira
crescente, mas a vontade de a estimular partirá sempre de vontade
própria. Pessoalmente, tenho planos traçados para uns primeiros passos
de colaboração com artistas brasileiros. Mas cada coisa a seu tempo.
Qual é o Sotaque do Urso?
Sou vimaranense, mas nunca tive grande sotaque do Minho, infelizmente.
Como viajo muito, diria que tenho mais sotaque de todo o lado do que
de algum lado.
Projectos para 2017?
Continuar a tocar, começar a mostrar alguns dos meus projectos
paralelos e lançar o segundo LP do Gobi Bear.

|Arlequim Bernardini

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Revista Sotaques Brasil Portugal Nº14

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Leia aqui a edição de Fevereiro da Revista Sotaques Brasil Portugal
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Paola Giometti , A Fera Intrínseca

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Paola Giometti nasceu em São Paulo, Capital, em 1983. É graduada em Biologia, mestre e doutoranda em Ciências. Colaborou com a Revista Mundo dos Super-heróis na edição 57 com uma matéria sobre o papel da mulher nos quadrinhos. Em eventos sobre a cultura nerd, Paola é cosplayer da personagem Lara Croft, sua heroína nos games e HQs desde a infância. Publicou o livro O Destino do Lobo e O Código das Águias da série Fábulas da Terra, além de ter participado das coletâneas literárias Xeque-mate, Horas Sombrias, Aquarela, Círculo do Medo, King Edgar Hotel, Legado de Sangue, Outrora e Sede, todas da Andross Editora. Paola não só participou com contos das coletâneas Fogo de Prometeu, Céus de Chumbo, Outrora, Sede como também foi a organizadora dessas antologias.

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Produção de utensílios de pedra, domínio do fogo e aquisição da linguagem; uma das conquistas fundamentais do homem primário adquiridas por entre os milhões de anos. E foi em decorrência desses conhecimentos que ele, o homem, passou a defender-se dos animais ou caçá-los, cozinhando seus alimentos, aquecendo-se ao fogo e disseminando a experiência entre gerações. A necessidade levou o homem a domesticar alguns animais. Temos como exemplo inicial os lobos; seres humanos e selvagens teriam vivido lado a lado durante um longo tempo, numa relação onde os animais forneciam mantimentos, prestavam serviços de transporte, serviam de estimação ou até para fins ornamentais. Como resultado da manipulação do homem sobre animais, podemos hoje, considerar por análises genéticas, os cães como descendentes dos lobos encontrados entre 15 e 36 mil anos atrás no oeste Europeu e Sibéria. É nessa ambientação fria, milenar e animalesca que conversamos com a escritora Paola Giometti; bióloga por formação, conduz um minucioso processo de pesquisa técnica antes de escrever suas fábulas, como em suas obras: “O Destino do Lobo”, “O Código das Águias” e o recente conto “A Inconfundível Canção”.

 

 Sotaques: fábulas, geralmente, possuem uma lição de moral ao final da narrativa; o que podemos extrair de “O Destino do Lobo e “O Código das Águias”?

 Paola Giometti: diferente das fábulas clássicas, onde a lição de moral é dirigida ao público infantil, esses dois livros possuem lições de moral mais voltadas para os jovens e adultos. O Destino do Lobo vai abordar a nossa responsabilidade como domesticador e a dependência dos cães por nós. O Código das Águias já vai questionar o quanto estamos dispostos a abandonar a nossa liberdade em prol de algo maior. A importância da amizade e da família, o respeito pelos que já foram, também são assuntos tratados paralelamente. 55

Sotaques: escreveu em primazia seu romance aos 11 anos de idade e, desde então, deixou por aí uma pilha de livros publicados. O que demonstra seu aprimoramento na escrita hoje?

Paola Giometti: meu aprimoramento na escrita se deve por conta do incansável exercício de leitura de inúmeros gêneros da literatura, bem como o devorar de livros que ensinam técnicas de escrita (como a importância das viradas nas histórias, personagens fortes etc) e roteirização para cinema. Essas práticas são ótimas parceiras do escritor. ~

Sotaques: como definiria a premissa da série “Fabulas da Terra”?

Paola Giometti: a série Fábulas da Terra traz três histórias independentes sobre diferentes animais selvagens (o lobo, a águia-dourada e o bisão-americano) e que também apresentam crossovers, pois um ambiente ou animal pode aparecer mais de uma vez em outro livro. Isso enriquece o universo criado e oferece ao leitor uma ideia de cronologia. Ao final dos livros, certamente o leitor terá ampliado o seu conhecimento sobre o reino animal, já que os comportamentos dos personagens, as descrições, são todas inspiradas no mundo selvagem real com uma pitada de fantasia.

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Sotaques: em “O Destino do Lobo”, por exemplo, alguns personagens possuem características bem marcantes. Há algum significado por trás dessas personalidades?

Paola Giometti: sim. Nesse livro, os lobos foram todos inspirados nos meus cachorros. Quem já teve muitos cães sabe que cada animal tem uma personalidade diferente. Em O Destino do Lobo temos lobos idosos e que melhor entendem as situações; lobos impetuosos e que não gostam de conversa; lobos curiosos e estabanados; lobos fortes e que inspiram respeito. No total, temos 8 lobos com características distintas.

 

Sotaques: no primeiro volume do “Fábulas da Terra”, em “O Destino do Lobo”, há um momento solene que é sobre como os lobos compreendem a hora da refeição. O que essa parte em específico significa a você?

Paola Giometti: na vida selvagem, os animais não desperdiçam comida e todos dependem direta ou indiretamente uns dos outros para sobreviverem. Na nossa sociedade o ato de comer quase virou uma atividade relacionada ao entretenimento e diversão, esquecendo- se que alguém teve que morrer para nos satisfazer. Acho que se todos pensássemos assim, talvez não houvesse desperdício. Na hora de comer, quase todos os animais fazem uma reverência ao alimento: eles abaixam a cabeça para pegá-lo. Não podemos esquecer que também somos animais, e esse ato também praticamos: nós abaixamos nossas cabeças na direção do prato.

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Sotaques: como funciona o processo de pesquisa e quanto seu conhecimento da ciência tem contribuído em suas obras?

Paola Giometti: o fato de ser da área científica me proporcionou um conhecimento de onde buscar as informações corretas e verdadeiras sobre os animais. A vantagem de ser bióloga me faz observadora, pois consigo melhor aproveitar o cenário com os fatores climáticos, vegetação e os relacionar com os comportamentos animais. Faço um levantamento de artigos científicos e vídeos na internet que sejam relacionados ao comportamento do animal que vou expor. Acredito que tentar usar a fantasia num modo mais próximo da realidade pode deixar a história mais atraente, rica em situações que vão fazer o leitor não se sentir enganado ou diante de uma história absurda e forçada.

Sotaques: logo na capa do livro lemos: “Com ilustrações da autora”. Qual a sensação de desenhar em seu próprio livro?

Paola Giometti: no início eu não estava muito segura de que isso era uma boa ideia, pois não sou profissional apesar de que conseguia fazer algumas coisas bonitas. Mas o Edson Rossatto, que é meu companheiro e também é escritor, me encorajou a seguir esse caminho e acabei indo fazer cursos de desenho em academias de arte. Minha ideia é sempre refazê- los a cada nova edição, pois assim sempre teremos um desenho mais aprimorado do que o da edição anterior. Sempre é um grande orgulho para o escritor também poder ilustrar o seu trabalho.

Sotaques: em “O Código das Águias”, o que constrói o sentido da falcoaria na visão das águias?

 Paola Giometti: o sentido que a falcoaria na visão das águias, em meu livro, é o abandono da liberdade por uma causa maior. O companheirismo e a fidelidade são importantes na falcoaria, pois uma águia, se descobre que está sem amarras, pode ir embora por livre e espontânea vontade. 57 Sotaques: não pude deixar de notar a exacerbada presença feminina em suas obras, tendo como exemplo Kushi, protagonista de “O Destino do Lobo” e Tuska do mesmo universo. Você se considera feminista? Paola Giometti: eu não me considero feminista, pois acredito que ser feminista é uma forma de discriminação de gênero, da mesma forma que o machista faz. A escolha de uma fêmea protagonista (Kushi) e de uma mentora (Tuska) foi pelo simples fato de que as mulheres têm uma sensibilidade para o espiritual maior do que os homens, além do que costumam ser mais preocupadas com seus filhotes e o destino deles.

Sotaques: o conto do filhote Julieta, no início de “A Inconfundível Canção”, nos deixa a questão: até quanto tempo aproximadamente um cão sente falta da mãe?

Paola Giometti: é inevitável que um filhote sinta muita falta de sua mãe pelo menos até o terceiro ou quarto mês de vida (no caso dos que são adotados). Ele associou o cheiro e a presença dela, a sua sobrevivência e completa dependência. Mas depois que ele percebe poder buscar seu alimento e se aventurar por aí, vai perdendo esse sentimento de dependência pela mãe e a tendência é se ligar no ser humano.

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Sotaques: Lara Croft e Supergirl; quando começou sua experiência cosplayer? Frequenta muitos eventos nerds?

 Paola Giometti: costumo ir a muitos eventos nerds e sempre vou de cosplay. Quando o Anime Friends nem era um evento conhecido, eu já frequentava. Ia de Jill Valentine do Resident Evil 1 e Mamba Negra, do Kill Bill. Mas a Lara Croft foi a minha heroína mais importante, pois me ajudou numa época em que eu me sentia um nada e passava por uma crise de depressão. Depois, o Edson me motivou a ser a Supergirl, desenvolvendo a roupa para mim, pois diziam que eu lembrava um pouco a atriz do seriado. Assisti a todos os episódios e acabei virando fã, afinal, a personagem é bem carismática.

Sotaques: o que você pode nos adiantar de lançamento seu nesse ano de 2017?

Paola Giometti: em agosto será lançado O Chamado dos Bisões: uma história que foi inspirada nas migrações familiares. Terá como protagonista um filhote de bisão que fica para trás durante uma jornada migratória. Como o livro se encontra em processo de edição, ainda não é possível contar muitos detalhes — apenas que haverá um forte crossover com os personagens de O Destino do Lobo.

Sotaques: nos dê três dicas de escrita.

Paola Giometti: 1- Leia muito o estilo literário que quer começar a escrever, pois é preciso aprender a falar a língua do seu público. 2- Estude livros como “Story” de Robert McKee; “A Jornada do Escritor” de Christopher Vogler e “O Poder do Mito” de Joseph Campbell. 3- Escrever com o coração é importante. No entanto, deve-se pensar no seguinte: o leitor irá comprar o seu livro, ler a sua história e tem que sair satisfeito. Se ele sentir que perdeu tempo com o seu livro, ele nunca irá indicá-lo a ninguém. Portanto, escrever só com o coração e intuição não basta. Tem que estruturar bem o texto e sair dos clichês.

 

Sotaques: organizou e participou de algumas coletâneas literárias da Editora Andross; qual a sensação de presenciar o interesse pela escrita através dos escritores inscritos no projeto?

Paola Giometti: a parte que mais gosto no processo de produção dos livros da Andross é a ajuda e orientação aos autores que se inscreveram. Não são apenas os melhores contos a serem selecionados. Nós damos a oportunidade de o autor aprender e crescer com críticas e sugestões, reescrevendo o seu conto ou produzindo um novo. Oriento cada autor, quando necessário, e o resultado muitas vezes é surpreendente. Eu me sinto realizada por poder mediar a primeira publicação de muitos autores. Estar num livro é como deixar a sua marca para a posteridade.

 

| Pablo Santos

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Singularidade: o avanço nas mãos de protótipos

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Uma questão nunca se tornou tão corriqueira, “o que nos torna seres humanos”?

O processo de evolução dirige-se vorazmente à singularidade; máquinas inteligentes logo vão nos permitir conquistar nossos maiores desafios, não apenas a cura de doenças, mas o fim da pobreza e da fome. A cura do planeta, e a criação de um futuro melhor para todos nós.

Expressar emoções e ter autoconsciência são habilidades que, em breve, não será privilégio do homem, porém, a pergunta que permeia é: quando a inteligência artificial irá superar a inteligência humana? Bem, esses e outros questionamentos acerca de nosso futuro, podem ou não ser vislumbrados através do conto de Fernando F. Morais, em “O Despertar Cyberpunk”, coletânea “Fogo de Prometeu (Andross Editora, 2016)”.

Sejam eles pró ou contra tecnologia, os Hackers invadiram as obras cinematográficas. De onde surgiu a ideia do termo “Surfista da Grade”, e oque acha da atuação dos programadores atuais perante os usuários de código aberto?

Fernando F. Morais: bem, assim como William Gibson encontrou o termo “cowboy” para se referir aos hackers de Neuromancer, eu também estava procurando algo para ser usado da mesma forma. Para criar o termo “Surfista da Grade”, utilizei a velha expressão do início dos anos 2000 “surfar na web” e busquei em Tron a palavra “grade”, que no filme é referenciado como a fronteira digital em que os programas ficam. Na história, quis ampliar o sentido da palavra “grade” para me referir à rede global de computadores. Em um mundo cada vez mais conectado, a demanda por programas de livre acesso cresce no mesmo ritmo que as empresas desenvolvedoras de software querem lucrar com programas de alta performance. A questão dos programas com direitos autorais é que eles, geralmente, alcançam maior público por conta do dinheiro que as grandes empresas investem e pelos inúmeros testes pelos quais passam antes de serem lançados no mercado, garantindo uma maior qualidade.  Já os programas de código aberto podem sair em benefício daqueles que buscam melhorias que todos os usuários buscam, mas que as empresas raramente fazem. Outro peso para a balança dos programas de código aberto é a produção colaborativa de um produto que pode ser distribuído de forma universal e gratuita. Pessoalmente, eu não me vejo muito qualificado para falar a respeito disso, pois envolve filosofias muito mais complexas, às quais não  sou muito familiarizado.

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Supondo que pudéssemos mensurar a quantidade suficiente para a criação de uma consciência perfeita, quantas mentes brilhantes você sugere para  tal?

Fernando F. Morais: um número não alcançado ainda pela matemática e um pouco mais. A perfeição é algo impossível.

Pode-se levar um longo tempo até que neurocientistas e especialistas  alcance o sucesso para o procedimento de transferência mental, mas, assim como o personagem Ian, você estaria preparado para esse processo?

Fernando F. Morais: acho que ninguém estaria (nem o próprio Ian estava). Dentro do meu ponto de vista, um processo desse tipo resultaria em total fracasso. A transferência de consciência seria algo tão complexo no mundo real que, mesmo com séculos de esforço e empenho, a ciência apenas colheria frustração.  Pense em tudo que envolve tal feito
científico; os padrões cerebrais teriam de ser copiados com total  exatidão; os fatores psicológicos  e biológicos teriam que ser recriados em um software dentro de um processador infinitamente mais complexo do que os que temos atualmente. Isso tudo sem contar o  fato de que seria preciso conhecer o cérebro humano de uma maneira que apenas Deus conseguiria.  A inspiração: “É difícil escrever esta nota, pois não me lembro ao certo como tive a ideia para esse conto…

Na verdade, essa história faz parte de um universo de ficção científica que comecei a criar há pouco mais de um ano. Penso constantemente nas histórias desse mundo e os personagens que o compõem. Na trama do Ian, especificamente, veio até mim de forma quase cem por cento natural. É claro, tive muitas influências que colaboraram para o processo de criação.  Na época em que escrevi a história (início de 2016), eu estava simplesmente obcecado pela temática  cyberpunk. Isso já vinha de anos, mas se intensificou a partir daí. Foi a mesma época na qual comecei a assistir a série Ghost in the
shell: stand alone complex (1989).Outra grande fonte para mim foi a obra de William Gibson, Neuromancer (1984). Essas histórias a respeito de como os seres humanos conseguem interagir com a tecnologia em seus respectivos universos, me fizeram elaborar minha própria ideia de simbiose entre homens e máquinas. Juntando as ideias que já tinha
com as novas vindas de Ghost in the shell e Neuromancer, consegui criar a história que me levou à minha primeira publicação profissional.”

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Reger uma nação não é simples, você acha que uma máquina apenas com superinteligência seria capaz de estabilizar a economia de um país?

Fernando F. Morais: essa pergunta me fez lembrar de “O conflito evitável”, um dos contos que compõem o livro Eu, Robô, de Isaac Asimov. No conto de Asimov, as máquinas projetam a economia e produção humana, de uma forma que gere um equilíbrio global e não cause conflitos. O fato de as máquinas não possuírem uma forma de consciência como a humana as torna obsoletas para agirem de forma a modificar nossas vidas em um nível político. Uma máquina poderia sim estabilizar a economia de um país, mas a que preço? Talvez cortando benefícios sociais, regrando gastos e controlando as contas de cada indivíduo no país. Quando são pessoas que fazem isso, as coisas são feitas pensando na qualidade dos cidadãos de uma nação (ou pelo menos é assim que deveria ser). È interessante o quão imprevisível pode ser o caminho para que o escritor alcance o desenvolvimento do escrever.

Quando surgiu o interesse pela escrita, e por que ficção científica?

Fernando F. Morais: sempre gostei de criar histórias, e a escrita surgiu apenas após os meus dezessete anos. Pelo que me lembro, histórias de ficção-científica sempre estiveram presentes na minha vida desde a infância. Aos dez anos de idade eu era obcecado por ciborgues e robôs por causa dos filmes do Robocop dos anos de 1980 e 1990. É claro, também havia os desenhos animados como Batman do futuro e Projeto Zeta (alguém se lembra?). Com o tempo fui adquirindo outras referências. Graças a trabalhos que tive de fazer no ensino médio, criei um gosto por escrever as histórias que surgiam na minha mente. Mas podem vocês, leitores, imaginar um escritor que não lê? Este era eu aos meus dezessete anos. Nessa mesma época comecei a escrever a minha primeira história, era uma ficção científica que abordava manipulação genética e criação de super humanos. A ideia da história pode até ter sido boa, mas a escrita era horrível! O importante é que não foi um daqueles projetos que você começa animado e depois joga no fundo da gaveta, eu continuei escrevendo ao mesmo tempo que mergulhava em livros de ficção científica e fantasia.
Estou nessa até hoje. Processo de escrita: Escrever é uma arte, não um dom. Há quem possa discordar da minha afirmação, total ou em parte, mas o processo de criação de uma história requer muito mais que uma simples inspiração (concordo que seja muita válida e importante essa parte), porém, o escritor não vive apenas de inspiração. Ter uma boa ideia não é suficiente para se tornar um bom escritor. Se me perguntarem qual é o segredo para se tornar um grande escritor, direi o seguinte: “Não sei! Ainda não sou um grande escritor”.  Mas há duas coisas que acho fundamentais a qualquer escritor: prática e
persistência.”  Como leitor de sua obra, digo que foi um pouco angustiante, senão
doloroso, ver Sebastian e Arthur Cline sob a posse da consciência.

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Você pretende dar continuação, ou seja, entregar a “alma” de Ian? (risos).

Fernando F. Morais: na verdade, ainda não sei se a história terá continuidade eu já tenha a ideia. A história de Ian se passa em um universo que estou criando composto de várias histórias que montam uma linha do tempo e levam tudo a final. Ian seria uma peça essencial para a construção da história que tenho em não tenho certeza se darei continuidade especificamente a essa história. Eu desenvolver mais contos parecidos para dar ao leitor mais peças para montar o responder algumas perguntas dos leitores como, por exemplo, o que acontece depois? que aconteceu? Para onde vai a consciência de Ian? Gostaria muito de responder através de novas histórias.

Com a língua em constante processo de desenvolvimento, o que tem a dizer neologismos como o termo “presidenta”?

Fernando F. Morais: é natural que uma língua sofra modificações através do tempo, a criação e incorporação de novos termos. No Brasil, há uma pequena polêmica palavra “presidenta”. Alguns acham feia ou incorreta a estrutura do termo, enquanto relacionam a repulsa ao fato de a presidenta Dilma Roussef ter feito um pedido referida com a utilização da palavra em sua forma de gênero feminino. Não estou a presidenta afastada, mas a utilização de tais termos pode ir além de uma no processo linguístico, o argumento pode estar na luta das mulheres, por exemplo, mercado profissional e uma sociedade ainda muito machista. A palavra “presidenta” ela já existe há décadas e é reconhecida pelo nosso país na forma padrão da debate pode ser longo e envolve questões mais amplas do que uma simples mudança linguístico do português.

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Sobre o autor: Fernando F. Morais nasceu em Brasília, Distrito Federal, em 1995. do curso de Letras e professor de inglês. O Despertar Cyberpunk, por Fernando F. Morais, é um conto de “Fogo de fantásticos. Organizado por Paola Giometti e publicado sob Andross Editora, SP, continuidade ou não, embora  criando aos poucos, a um ponto só no mente, mas ainda espero conseguir o quebra cabeça e depois? E antes, o responder essas perguntas dizer a respeito de tempo, assim como polêmica ao redor da enquanto que outros público para ser estou aqui defendendo uma simples mudança exemplo, contra um
presidenta” não é nova, da língua. Enfim, o mudança no processo 1995. É acadêmico
Prometeu: contos SP, 2016.

|Pablo Santos

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Homem Português -Fernando Barbosa O Senhor dos Gelados !

Fernando Barbosa herdou de seu avô o gosto pela gastronomia. Assim, inicia a sua carreia aos 16 anos como pasteleiro  na pastelaria dos pais, mas como sempre foi empreendedor
trilhou seu próprio caminho .

” Põe o máximo de ti em tudo que fazes “

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Foto: Miguel Barbosa

Hoje em dia, é responsável pela marca de gelados artesanais “Bianco” e é o criador da receita de gelados artesanais que conquistam os portuenses e turistas que passam por esta gelataria, na cidade do Porto.

A “Bianco Vicent” conta com cinco lojas espalhadas desde norte a sul de Portugal e os seus gelados marcam presença em grandes cozinhas e restaurantes com estrela Michelin.
Há 10 anos atrás, Fernando Barbosa resolve criar uma fábrica de gelados, sendo por isso, chamado muitas vezes  de “louco”, uma vez que era um negócio visto apenas para a época do verão. Contudo, decidiu seguir em frente e deu vida ao seu projeto. Hoje, vemos que era um visionário.

Como nasce a Marca Bianco?
Há 10 anos atrás, fui para Itália onde tive contato com alguns dos maiores fabricantes de gelados italianos e  trouxe na bagagem uma receita de uma das mais antigas gelatarias italianas. Ao chegar a Portugal, adaptei-a e reinventei-a dando –lhe um toque português.

“Fazer um bom gelado não é para todos”

Quais foram as dificuldades que teve no início do negocio ?
Não foi fácil montar uma fábrica de gelados, até porque para se fazer um bom gelado é preciso utilizar produtos de qualidade. Tive que ir à procura de bons fornecedores, mas até hoje sou eu que vou fazer a seleção dos produtos.  Outra dificuldade foi montar uma boa equipa de trabalho.  Um dos alicerces da Bianco é minha esposa, Susana Maria, que comanda a produção da fábrica. Como sempre, atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. “Eu gosto de formar pessoas e ajudá-las a encontrar um bom
caminho“. Uma das qualidades que admiro é polivalência.

Como surge o convite para trabalhar com chefs e restaurantes de estrela Michelin?
Um chef de um restaurante de estrela Michelin experimentou um dos nossos gelados numa das nossas monstras, no  Algarve, e ficou maravilhado com a sua textura e sabor.Assim, surgiu o convite para criar um gelado para um  prato que ele estava criar , e desenvolvemos um gelado de azeite para acompanhar um prato de bacalhau. Depois,desenvolvemos o gelado de azeite balsâmico para acompanhar saladas e pratos do género.

Como internacionalizou a marca?
Com boas parcerias e bom produto. A Bianco está presente em Angola através de parceiros locais e em 2017 vamos inaugurar a primeira loja Bianco no continente africano, que será em Moçambique. Já estamos em negociação para abertura de uma loja Bianco em Paris.

Como foi criar a loja Bianco Vincet ?
Começa com a pesquisa de um espaço no centro do coração da cidade do Porto, um lugar com história. Não foi fácil montar esta loja. Fiquei dois anos à espera que ela ficasse livre, mas valeu a pena. Hoje a Bianco Vincet é a loja mais nova da marca e é a  menina dos meus olhos.

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Foto: Miguel Barbosa

 

De onde vem a inspiração para criar uma gama de gelados
tão vasta?
Juntamente com a minha esposa, Susana, criamos os sabores da Bianco. Muitas vezes vamos tomar um chá ou comer algo, daí surge a ideia de criar um novo sabor. Um dos sabores mais exóticos que criamos foi o de moscatel. Por ano desenvolvemos entre 8 a 15 sabores. Em 2017, vamos lançar o gelado de açaí.

Qual o segredo dos gelados Bianco?
O segredo está bem guardado, mas posso revelar que para criar um bom gelado, além da receita, é preciso fazê-lo com muito amor.

O que diferencia os gelados da Bianco dos das outras marcas?
O gelado Bianco é feito com amor.

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Foto: Miguel Barbosa

Um sonho?
Um dos meus sonhos é abrir uma loja Bianco em Londres,  Paris e Nova Iorque. Outro sonho é ter um restaurante  com 40 ou 50 lugares, e poder criar pratos para pequenos
grupos de pessoas.

Um lugar?
Algarve, porque está sempre presente nos momentos mais importantes da minha vida. Desde dos dois anos de idade vou para o Algarve. A Bianco está presente em grandes hotéis e tem uma gelataria em Vila Moura, onde surgiu o primeiro convite para trabalhar com um chef com Estrela Michelin. Para além de tudo isto, é onde tenho muitas recordações do meu avô.

Um conselho para os Jovens empreendedores?
Ter um compromisso consigo mesmo. Não parar no primeiro obstáculo, estabelecer um objetivo e segui-lo. Ter auto confiança, não ficar parado e não ter medo do “não”.

Vou partilhar um pensamento: Uma menina e um senhor, cada um com uma corda. A menina pega na corda e faz dela  um baloiço. O senhor pega na corda e faz dela um laço e
enforca-se. Moral da história: os dois com a mesma coisa, mas fazem algo diferente bem diferente.

“ Nós temos escolha. “

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Foto: Miguel Barbosa

Editorial:Homem Português
Produção: Arlequim Bernardini
Fotografia: Miguel Barbosa
Cabelos /Caracterização: Alexandre Santos

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4 Estações: valores do senso comum em esquetes

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Rousseau, filósofo suíço, século 18, sugeria que a natureza humana era de origem pura, mas a sociedade a perverteria. Convivemos sob o que é negativo como se não houvesse relevância. É a banalização do horror, da violência, da morte de terceiros, do estereótipo porque muito do que é feito para sociedade faz-se para o crescimento do eu, a “consciência humanística” (se é que os seres humanos a possua) ainda o deixa descansar.

A busca do homem pelo conhecimento que dá sentido à vida define o conceito de “humanismo”, na qual o programa 4 Estações exibido na TV Marília, em base na ética, assume a responsabilidade social de apresentar em formato de esquetes pândegas, vídeos com temas transversais e cotidianos para se alcançar a realização pessoal e profissional num mercado ríspido e desumanizado da urbis.

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Idealizado por Márcio Medeiros, apresentado por Thaís Vendramini e, com Bruno Gordon atuando, o programa 4 Estações do canal 4 tem de paródia de Taylor Swift até reflexões recorrentes da praxe social. A redação da revista Sotaques conversou um pouco com Bruno Gordon, o ator, youtuber e designer sobre o processo de funcionamento do programa. Acompanhe a seguir a pequena entrevista:

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Sotaques: o programa promove constantemente a oportunidade de meditar perante a abordagem de valores morais, éticos e sociais, você se pega pensando em suas atitudes?

Bruno Gordon: sim, o programa visa sempre abordar questões sociais importantes e valores éticos da nossa sociedade. Com os temas abordados no programa sempre acabo me questionando sobre os assuntos que são ditos e propostos. Através do programa, com um esclarecimento dos profissionais da área e também com a produção da esquete, acabo me deparando com situações e comportamentos que sequer tinha notado antes.

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Sotaques: descrever a problemática intrínseca do ser humano no processo de integração e unificação na sociedade homogeneizadora é um dos intuitos do programa. Para você, as pessoas estão propensas a serem mais humanas?

Bruno Gordon: acredito que com a ilustração de um tema social/moral, muitas pessoas acabam se identificando com situações já vivenciadas e/ou presenciadas e isso acaba refletindo no modo de pensar e agir das pessoas impactadas com o conteúdo proposto e consequentemente levando-as a reavaliar seus comportamentos, propiciando sim mais humanidade em suas ações.

Sotaques: as redes sociais são fontes de exemplos de afirmações de estereótipos, preconceito e individualismo. Como elas contribuem para o conteúdo?

Bruno Gordon: através das Redes Sociais fica claro muitos comportamentos que as pessoas carregam consigo sem sequer notarem e, através disso, trago alguns exemplos para a produção do conteúdo das esquetes, como por exemplo foi o caso da esquete com tema preconceito, onde pude ver vídeos sobre o temas e ler comentários muitas vezes extremamente preconceituosos nas redes sociais.

O programa 4 Estações apresentado por Thaís Vendramini é exibido todas as quintas-feiras no Canal 4 de Marília-SP e, também, pela internet através do site http://www.universo4.com às 21h30. Traz assuntos variados do comportamento humano como por exemplo: altruísmo, medo, egoísmo, etc. Os temas apresentados são discutidos com profissionais e especialistas da área como psicólogos e coaches, sempre ao vivo. Além do bate papo, o programa conta com o quadro “Fala Povo” onde pessoas da rua comentam o que acham sobre o tema e, além de uma esquete do “Canal do Gordon” que propõe sempre ilustrar o tema através de um vídeo, onde Bruno Gordon atua na maioria das vezes, ilustrando o tema discutido com muito bom humor.

|Pablo Santos

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A arte ecológica de Valter Nu

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“Glub”, a arte ecológica de Valter Nu cria raízes em São Paulo

Valter Nu, um artista brasileiro com forte ligação a Portugal – viveu e trabalhou no nosso país – continua a deslumbrar com as suas criações artísticas invulgares. A  Exposição ” Glub” exibida na semana do Metro de São Paulo, com curadoria de Marcelo Glycerio,  é a última manifestação artística de um criador que vê a ecologia como uma forma de arte e que deseja, brevemente, trazer para Portugal as raízes do seu novo  trabalho.

A revista Sotaques entrevistou-o e conheceu melhor esta arte ao serviço dos valores ecológicos e do cidadão.
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P- Em que consiste a Exposição “Glub” ?

VN – É uma instalação  sobre quesões ambientais : pensámos neste trabalho há 2 anos, no começo da crise hídrica que o estado de São paulo enfrentou. A  ideia consistiu   em criar  um globo feito com sucatas hídricas,sendo afogado  num aquário gigante cheio de seres híbridos entre tecnologia e peixes, com  uma enorme serpente que representa Oxumaré .

A mensagem desta instalação é tentar empurrar o mundo de volta para  cima. Tudo com um pensamento, uma  dramaturgia que integra o  meu trabalho : eu sempre escrevo um roteiro,uma  história, antes de criar o projecto da peça.

P – Esta Instalação foi  inserida na semana de meio ambiente do Metro São Paulo.Qual é a importância deste evento para os artistas brasileiros ?

VN – Eu acho importante, porque é a ideia de produzir instalações fora dos  espaços tradicionais, onde o público costuma ir em busca de arte. Neste caso, a arte vai ao encontro do público,que está  a passar a caminho dp o trabalho, o de outra atividadade.

De  repente,  ele é apresentado a uma obra de arte. É a democratização e acessibilidade do trabalho do artis para todos,  sem distinção, a mesma executiva que frequenta galerias vê o  meu trabalho no metro,o estudante vê ,o professor vê ,a empregada domestica vê , acho bem legal,  super abrangente.

P – A natureza volta a estar no centro deste trabalho artístico. Considera que a ecologia parte de uma visão artística do mundo  ?

VN – Sim claro,penso que as questões ecológicas tem grande importância na vida do cidadão,do século 21,e o artista não tem mais como se abster deste dialogo em seu trabalho, nos dias atuais.

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P – Que materiais utilizam nesta instalação ?

VN – Sucata de chuveiros, pias, torneiras,galões  de água,filtros,tanques,máquina de lavar roupa, de lavar louça,várias tecnologias criadas para serem usada com água, e sem a água elas perdem a ultilidade.

P – Que responsabilidade social e artística tem o artista ou o curador de arte num mundo em que a poluição é um problema crescente ?

VN – Acho que o artista, por ser um cidadão que tem possibilidades de diálogos com a sociedade,  para além  das formas convencionais, pode sim afectar muitas pessoas com o  seu trabalho, e de alguma forma levar as pessoas a questionarem a quantidade de lixo que produzem .

Isto polui o mundo em que vivemos – como podemos fazer para minimizar o impacto  destes resíduos, desta poluição –  nas nossas  pequenas ações, no  nosso quotidiano,como podemos exigir  das empresas poluidoras mais cuidado com  o planeta.

Quanto à  questão do curador é muito bom ver pessoas como  Marcello Glycerio, do metro de São Paulo, a ter esta visão ampla sobre questões ambientais e artísticas . Entende-se que o diálogo sobre meio ambiente com os cidadãos, também pode acontecer nos  espaço  públicos. e que usar a arte como meio para comunicarmos  é uma forma mais humana e sensível de afectar as pessoas, e  tornar o dia-a-dia do transeunte mais leve, mais bonito.

Deveríamos ter mais pessoas como Marcello Glycerio, a pensar  os espaços públicos do mundo.Com certeza que o mundo seria um lugar melhor para se viver e transitar.

P – Ponderam trazer esta Instalação para Portugal ?

VN – Adoraria! Estou aberto a convites!

P – O desenvolvimento de novas parcerias com artistas portugueses ou com espaços culturais portugueses é uma possibilidade no futuro próximo ?

VN – Sim, acho muito importante este vínculo cultural entre Brasil e Portugal.Não é só a língua que nos aproxima : quando estive em Portugal tive uma sensação de confortabilidade e curiosidades,para além das explicações óbvias – acredito também que as questões ambientais e artísticas, que são  os pilares do meu trabalho,hoje são ideias universais,  e penso  que os artistas portugueses  também estejam em sintonia com estas ideias .

Estou aberto a propostas.Já imaginou o  “Glub” na estação do  Oriente do metro de Lisboa,  em parceria  com obras de artistas Portugueses?

Rui Marques

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Duo Strangloscope ou o prazer de  um  cinema sem limites

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Experimentar é o verbo que melhor se conjuga com  a criatividade   do duo  brasileiro Strangloscope. O evento Shortcutz Porto, uma referência incontornável  para os cinéfilos da Invicta,  encerrou  com uma última sessão,  no espaço Maus Hábitos ,  onde estiveram presentes os  cineastas brasileiros  Rafael Schischting e Cláudia Cárdenas.

A revista Sotaques entrevistou o duo Strangloscope a propósito dos dois filmes que apresentaram, “The Gap” e “Child the World”, da sua filosofia alternativa de cinema e de arte,  e da “Carta a Pêro Vaz de Caminha” que escreveram, em forma de filme, num diálogo entre o Brasil e Portugal.

P – O que diferencia o cinema experimental do cinema convencional ?

RS – O cinema experimental tem uma dimensão lúdica, que aproveita os recursos da era digital para criar novas linguagens. Fugimos ao storytelling, ao guião clássico para mostrar aquilo que o cinema tradicional, mais formatado, oculta.

CC – Há 13 anos que trabalhamos em conjunto no Duo Strangloscope, desenvolvendo esta narrativa alternativa. Não é fácil : o cinema que não é comercial, que não adopta a linguagem televisiva, tem dificuldades de exibição .

Nós mostramos que é possível fazer outro cinema, que repense o real e revele a riqueza que existe no quotidiano. A realidade é infindável e não se esgota naquilo que vemos reflectido nos gostos da maioria.

P – Como surgiram estes dois filmes ?

CC – Tudo nasceu da oportunidade que tivemos de filmar em Detroit, captando a atmosfera de decadência que sofreu a cidade após a crise financeira. Em vez de desenvolver uma narrativa convencional, optamos por aproveitar o facto de haver uma grande quantidade de imagens da cidade – que as pessoas nos forneceram – e montamos um filme diferente do habitual.

RS – Estas  curta-metragens  simbolizam  uma certa  morte da linguagem cinematográfica. Fomos buscar imagens que estavam perdidas, que eram desinteressantes e constituíam o lixo e o desperdício, para criar dois filmes que reflectissem a degradação provocada pelo colapso capitalista.

P – Este intercâmbio cultural luso-brasileiro, no cinema, também é muito estimulante ?

CC – Esta vinda ao Porto resultou do convite de dois cineastas portugueses – a Tânia Dinis e o João Quintela. Estávamos num Festival de cinema na Corunha –  o S8 – e surgiu a oportunidade de virmos aqui.

A Tânia é a realizadora, aliás, do documentário “Não são favas, são feijocas” que teve um grande sucesso no Brasil. É a primeira vez que estamos em Portugal e foi muito gostoso mostrar ao público português o nosso trabalho.

P – Realizaram um filme a partir da carta de Pêro Vaz de Caminha. Como surgiu esta ideia ?

RS –  Tomamos como referência a carta de Pêro Vaz de Caminha, que fala da exuberância e da beleza das indígenas que receberam os portugueses, quando chegaram ao Brasil, e fizemos um filme  bem humorado sobre essa troca de impressões entre os dois países .

O filme ainda não foi visto em Portugal, mas gostávamos que fosse exibido cá.

Uma hipótese que está em aberto  é que seja exibido no próximo Festival Desobedoc,  que se realiza no Porto em 2016.

P – A revista Sotaques procura revelar os diferentes sotaques portugueses e brasileiros. Como é o vosso sotaque ?

CC – O meu sotaque é do Rio de Janeiro. É um sotaque parecido com o do Porto, na medida em que as pessoas não têm receio de dizer palavrões, sem censuras.

Essa espontaneidade é comum ao carioca e ao portuense.

RS – O meu sotaque é de Santa Catarina. Sou de Chapecó, uma região  em que há uma grande influência católica e alemã, um pouco pesada.

É um sotaque arrastado com  várias misturas e expressões curiosas como “ah Homem” ou ” fazendo nas coxas” que entraram na linguagem popular.

Rui Marques

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O preto e branco dá cor ao Porto

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Cidade com uma cor especial, o Porto é alvo de uma homenagem especial na edição de 2015 do Black & White. Falámos com Jaime Neves, Diretor do evento que decorre entre  20 e 23 de Maio, na Escola de artes da Universidade católica,  e que projectou essa simbiose entre a urbe e um dos seus mais prestigiados Festivais cinematográficos  – o Black & White 2015  contará, novamente, com uma notável presença de artistas brasileiros, mostrando o crescente interesse que o imaginário a preto e branco suscita  no Brasil.

P – Quais são as novidades desta edição do Black&White ?

JN – O Porto vai ter um grande destaque nesta edição. A cidade está a atravessar um momento de grande visibilidade nacional e internacional, e quisemos fazer uma homenagem a uma Instituição, o cineclube do Porto, que tem contribuído, decisivamente, para estimular a relação do público com o cinema.

Teremos testemunhos de algumas das pessoas que estiveram ligadas  à direção do cineclube e antigos sócios. Recordaremos alguns dos momentos da sua história através de cartazes e documentos.

Também será exibido o filme “Bicicleta” realizada por Luís Vieira Campos, com argumento de Valter Hugo Mãe. Uma curta-metragem inspirada no filme “Ladrões de Bicicleta” de Vittorio de Sica,  e que acompanhou a demolição do Bairro do Aleixo.

Outro momento significativo do Black & White será a exibição de filmes que marcaram os últimos 12 anos do Festival.

P – Está também prevista uma homenagem a Manoel de Oliveira, que era Presidente honorário do Black & White ?

JN – Preparamos uma homenagem muito especial a Manoel de Oliveira. Não haverá a exibição de filmes dele, mas vamos recordá-lo de um modo muito carinhoso e íntimo – não posso revelar como será esta evocação, mas passará pelo recurso à música.

Ele foi uma figura muito importante para o cinema, em geral, e para o cinema a preto e branco em particular. Filmes como “Douro, faina fluvial” ou “Aniki Bobo” duas das suas obras mais significativas, eram da fase em que imperava o preto e branco.

P – O Brasil também está presente neste Black & White ?

JN – Temos dois filmes brasileiros. “Preto e Branco” de Alison Zago e um filme de animação de muita qualidade – “Castillo y el armado” de Pedro Hárres. Na competição de áudio também participa outro criador brasileiro, Vitor Galvão, que estará no Festival.

P – O que o público pode esperar dos filmes em competição ?

JN – Há grande qualidade nos 26 filmes seleccionados. Já os visionei  e é difícil  escolher um vencedor óbvio, porque há muito por onde escolher.

Por outro lado, fico muito satisfeito pela presença de vários filmes portugueses na competição oficial. É sinal da qualidade e vitalidade dos cineastas nacionais.

Rui Marques

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Quarta edição do  Fashion Day com muita fantasia

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“Fantasy” é o tema que inspira a  4ª edição edição do Fashion Day 2015. O evento vai-se realizar no Convento Corpus Cristy, em Vila Nova de Gaia, este sábado a partir das 16h00, com entrada livre.

Falámos com o mentor do projecto, Rui Pinho, no Hotel NH Batalha, numa entrevista em que desvendou as novidades que os amantes da moda podem esperar deste evento que promove os novos valores da moda nacional.

P – Que novidades vamos ter nesta 4ª edição edição do Fashion Day ?

RP –  Iremos ter a desfilar jovens modelos coordenados por nove criadores : uma das criadoras selecionadas apresentará dois desfiles, um de bijuteria e outro de peças de vestuário de cortiça. Escolhemos o tema “Fantasy” para a Estação Primavera/Verão 2015, que funciona como um mote para eles criarem peças diferentes, se inspirarem e mostrarem, nesta iniciativa, aquilo que são capazes de fazer.

Houve um processo de selecção que avaliou 65 candidaturas e, depois de escolhidos os modelos e estilistas, tivemos um período bastante moroso em que se procurou aperfeiçoar qualidades como a postura, a coordenação, a logística do próprio desfile.

Uma novidade será o local onde se realizará o evento : o Convento Corpus Cristy, um espaço maior que também reflecte o crescimento, ao longo dos últimos anos, do Fashion Day.

P -O tema “Fantasy” está presente no evento de que forma  ?

RP – Fizemos um estudo de marketing e concluímos que este tema é atractivo e desafiante. Daí o facto da fantasia estar omnipresente, quer através da decoração, da valorização temática da ecologia e das florestas, ou da utilização das   cores inovadores e nítidas que os criadores vão propor nesta quarta edição .

P – Após o Fashion Day que acompanhamento terão estes criadores ?

RP – O nosso objectivo é que este evento seja uma rampa de lançamento para a carreira deles. Teremos, por exemplo, um Showroom onde as pessoas poderão apreciar as suas criações e, no dia 15 de Maio, haverá um cocktail no Eskada, no Porto,  com a presença de 8 criadores do Fashion Day.

Procuramos que eles  possam ter sucesso de um modo contínuo e sustentado.

 P – O Fashion Day é um evento aberto à participação de criadores de outros países como o Brasil ?

RP – Sem dúvida. Nesta edição os criadores são nacionais – de diversos locais do país como Aveiro, Leiria, Famalicão ou Braga – mas estamos abertos à participação de jovens valores de qualquer parte do mundo. A nossa filosofia é ajudar a promover quem enfrenta dificuldades para mostrar o seu talento, e que encontra no Fashion Day um espaço de promoção.

P – Esta é a 4ª edição do evento . Que balanço pessoal faz desta iniciativa ?

RP – Comecei como produtor de moda, no Fashion Day e, ao longo destes anos, tem sido muito importante a nível profissional. É uma forma de valorização no mercado – minha e de todos os profissionais e criadores que aderem ao projecto – e também uma iniciativa que revela as dificuldades que existem no meio da moda.

Se nos unirmos e aproveitarmos as nossas qualidades, podemos vencer essas dificuldades e conquistarmos o nosso espaço.

P – Exportar o conceito do Fashion Day para o Brasil seria uma hipótese futura ?

RP – Seria um bom projecto até porque o Brasil é um país em que a moda é muito importante a nível social e cultural.

P – Os   portugueses estão na moda ?

RP – Estão cada vez mais na moda. E não só as mulheres.

Os homens deixaram para trás preconceitos e procuram cuidar-se mais a nível de vestuário, de depilação, informar-se mais sobre os cuidados de saúde.

P – O que representa a moda para para o Rui Pinho ?

RP – A moda veste-se por dentro. É uma forma de estar, de sentir, uma filosofia de vida que define o que somos como pessoas.

Rui Marques

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Mestre Chapão ensina a magia da capoeira em Portugal

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A capoeira tornou-se, recentemente, património imaterial da humanidade. Fomos falar com o Mestre Chapão, um nordestino que vive e ensina capoeira na cidade do Porto, e que nos revelou os segredos de uma história riquíssima.

Leia esta entrevista com um doutorado em capoeira, que vive há  mais de duas décadas entre nós,  e  ensina aos  portugueses e brasileiros esta arte secular.

P – Teve a sua primeira experiência com a Capoeira aos 12 anos. Como se recorda desse momento ?

MC – Surgiu por acaso num dia em que estava na rua, e vi um grupo a fazer uma roda de capoeira. Fiquei fascinado com esta manifestação cultural, identifiquei-me com a sua filosofia de vida, e quis aprender mais.

Na altura eu admirava muito o Bruce Lee, queria aprender Kung Fu, mas isso era impossível no Nordeste brasileiro. Por isso, fiquei entusiasmado com a capoeira, por ser uma arte marcial e uma dança ao mesmo tempo, que podia praticar.

P – O que torna tão especial a Capoeira ?

MC – A capoeira é uma arte em que o adversário é um camarada e não um inimigo, é uma arte defensiva não de ataque.

A história da capoeira é muito antiga. Ela foi trazida pelos escravos negros para o Brasil que, após a lei de abolição da escravatura em 13 de Maio de 1888, se espalharam pelo território brasileiro.

Foi nas ruas que cresceu a capoeira, uma arte marginal, que as autoridades começaram a reprimir. Uma figura que teve um papel fundamental na história da capoeira foi o Zumbi dos Palmares : era um homem muito culto e e um líder que, no século XVII, comandou o Quilombo de palmares na resistência às forças portuguesas.

No Quilombo de Palmares conviviam negros, índios e portugueses, e utilizavam as técnicas de capoeira para combater.

Nos anos 20 e 30 a república brasileira proibiu a capoeira. Getúlio Vargas legalizou-a nos anos 30.

Mais recentemente, Gilberto Gil quando foi ministro da cultura, conseguiu que a roda de capoeira se transformasse numa expressão cultural brasileira, que pode ser praticada  da em qualquer parte do mundo.

P – Quem são as suas referências a nível pedagógico – de mestres desta arte – na capoeira ?

MC – Tenho de referir o Mestre Sombra, que me influenciou muito. Também o Mestre Camisa e o Mestre Suassuna.

P – Obteve um grau de doutoramento nesta área. Isso mostra que a capoeira tem uma história e uma complexidade cultural muito maior do que pensamos à partida  ?

MC – Foi um reconhecimento que obtive pela Universidade católica do Recife e pelo Governo de Pernambuco. É sempre uma valorização do nosso trabalho e da capoeira como forma de arte.

P -É mestre de capoeira na Associação Capoeiraarte na cidade do Porto. Na sua escola tem muitos alunos portugueses ?

MC – A maioria dos meus alunos são portugueses.Revelam muito interesse em aprender capoeira e espero que, dentro de alguns anos, possa haver mestres portugueses.

A Associação capoeiraarte conta actualmente com dezenas de instrutores e formados, quatro monitores, dois professores, dois contra mestres e um mestre sombra recém – formado. Também desenvolvemos uma graduação criada por nós, dois CD ‘S do grupo, e temos uma filial mais nova em Milão, Itália.

P – A revista Sotaques fala nesta edição dos prazeres luso-brasileiros. Que prazeres portugueses o conquistaram ?

MC – A gastronomia portuguesa tem muita qualidade: gosto muito de bacalhau e da típica francesinha.

Também há lugares nesta cidade onde gosto de passear. Os Clérigos, a Rua das Galerias Paris, a Ribeira.

P -A capoeira foi elevada à condição de património imaterial da humanidade. Que importância tem este reconhecimento ?

MC – É muito importante porque reconhece um trabalho de muita gente para mostrar esta arte. É um momento histórico.

P -Qual é o sotaque do mestre Chapão ?

MC – Eu sou nordestino, natural do Recife. Portanto o meu sotaque é nordestino.

Embora com a vinda à Europa e, designadamente a Portugal, já tenha outras influências que se notam quando falo.

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P – Quais são os projectos de futuro do Mestre Chapão  e da Associação Capoeirarte ?

MC – Em Abril teremos um encontro de capoeira  no Porto, onde se reunirão mestres brasileiros vindos do Brasil e da Europa, e que será um momento de partilha de experiências – também gostávamos de que houvesse um encontro da arte da capoeira com outras artes portuguesas como os Pauliteiros de Miranda.

Também queremos retomar o nosso projecto de ter uma revista de Capoeira e estamos a preparar um CD com vozes femininas.

Quem quiser saber mais sobre nós pode consultar ao nosso  Facebook ou ir ao site http://www.capoeirarte.com .

Arlequim Bernardini 

 

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 Santiago Belacqua, o artista que fez regressar Amália a Paris

xxSantiago Belacqua é o mentor do projecto Portugal Monumental. Um projecto em que este artista plástico mostra o património cultural e arquitectónico do país, com quadros de alguns dos maiores ícones culturais portugueses.Conheça melhor o artista que fez regressar Amália a Paris.

 

P- Como caracteriza o seu estilo como artista plástico ?
SB –O meu “estilo” é pintar o que tento encontrar nos olhares… de outros. Que sejam outros olhares a carecterizar o que pinto.

P -Quais são as suas obras que mais prazer lhe deram criar e com as quais mais se identifica?
SB – A maior paixão, e dedicação, é pintar Portugal Monumental. Tenho muito gosto em visitar as nossas terras, envolver os seus residentes, até mesmo autarcas, para desenvolver este conceito.
Agora estou a pintar a “outra portugalidade”.

P – Que temas aborda na sua obra ?
SB – Vários : figuras públicas, heróis do nosso país, mas também o anónimo, e os meus amigos, a quem estou a dedicar um álbum: Os Intocáveis.
Eu pinto o mundo que me rodeia, e o mundo é enorme!

P – O projecto ” Portugal Monumental” procura mostrar a cultura portuguesa ao mundo. Pode falar-nos deste projecto ?
SB – Não pensei, nunca, mostrar a cultura portuguesa ao mundo! Quem sou eu para representar a cultura portuguesa?? Eu só mostro uma coisa da nossa cultura: o nosso património arquitectónico. Parcialmente, pois jamais terei oportunidade de retratar todo o país.
Havendo convite consistente e sem prejuízo para mim de mostrar Portugal Monumental ao mundo, cá estarei!
P- Que importância tem esta ligação com a Atlas Violeta para a divulgação do seu trabalho artístico ?
SB -Tendo a Atlas Violeta como objecto a projecção da cultura dos países lusófonos, tornou-se para mim de grande importância. Sendo que, quando aderi a esta associação, não a encarava como um mecanismo de divulgação do meu trabalho, zero, gostei, e gosto, muito das pessoas que a lideram!
Achei o projecto de grande importância, que está a crescer, e notei que a Atlas tem um lema importante, também meu desde sempre: fazer.

P – Quais são as suas grandes referências artísticas ?
SB – Várias e nenhuma. A História mostra-nos trabalhos de muitos fantásticos artistas, mas também conheço artistas com belíssimas pinturas, que a História nunca revelará. E eu estou no seu meio. A minha referência artística é simples: Quando alguém diz sobre uma tela minha “isto é brutal”, sei que ao criar essa emoção num olhar me obriga a fazer melhor.

P – Que importância teve a presença da sua obra na exposição no Carrousel do Louvre em Paris ?
SB –A ida ao Carrousel du Louvre, que agradeço à Cristina Bernardini e à Atlas Violeta, prende-se com um ícone português: A Amália regressou, desta vez em tela, a Paris!
Em off the record : vim com uma nova ideia que já estou a desenvolver…

 

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Maria Helena Rocha, uma artista à procura da sinfonia das cores

 

maria helena (2)Maria Helena Rocha descobre, no íntimo das formas, a sinfonia das cores. Interrogámos o silêncio criativo desta artista plástica, nascida em Angola, para sabermos mais sobre a sua arte subtil, que mistura o sonho, o devaneio, a fantasia, o prazer recreativo de pintar.

 

P -Como caracteriza o seu estilo como artista plástica ?
MHR- Sempre tive a dúvida do estilo ou estilos. Nas minhas obras identifico diferentes áreas/famílias de comunicação. Criativa, e recreativa, aproveitando e transpondo o que sinto e o que imagino.
Uma dicotomia entre a realidade, o sonho e a contemplação idealista.

P -Quais são as suas obras que mais prazer lhe deram criar e com as quais mais se identifica?
MHR- Na verdade identifico –me com quase todas ( excepto com as pinturas abstractas ) Se observar o meu website http://www.mhchroa diria que são dois grandes temas: FANTASIAS E DEVANEIOS.
P- Que temas aborda na sua obra ?
MHR – O meu trabalho é centrado numa diversidade de elementos inspirados na sintonia carismática de um dialogo intransponível entre agentes construtores de um significado e de um silêncio escondido na sinfonia de cores , nascendo assim espaços de lazer mágico-simbólicos, com uma leitura ou interpretação individual.

P – Como vê o atual estado da arte portuguesa?

MHR- Em crise , apesar dos novos valores que vão surgindo , e que por isso mesmo raramente encontram receptividade
P – É natural de Angola . De que forma a paisagem angolana influenciou a sua obra artística ?
MHR – Talvez pela liberdade do pensamento, devido à grandiosidade da paisagem e de ter tido a oportunidade de coabitar com a natureza.

P- Que importância tem esta ligação com a Atlas Violeta para a divulgação do seu trabalho artístico ?
MHR- É um canal em que quero acreditar e para o qual estarei disponível para dar a minha modesta contribuição.
P-Quais são as suas grandes referências artísticas ?
MHR- O MUNDO DO M.C.ESCHER
P – Que relevância teve a participação nesta exposição no Carrousel do Louvre em Paris.
MHR – Embora com o mercado em baixa ,Paris é sempre Paris, uma grande aposta! Estou confiante que iluminará as artes!…

 

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Texto: João Castro

Pedro Monteiro: um construtor de imagens de moda

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Sem os fotógrafos, a moda morreria na passarela: são eles que lhe pintam o rosto, que disponibilizam para a opinião pública as imagens que fazem sonhar homens e mulheres em todo o mundo . Falámos com o conceituado fotógrafo Pedro Monteiro, com uma dilatada carreira em eventos como o Portugal Fashion, para saber mais sobre esta actividade tão importante para definir o que é, afinal, a moda .

 

P- O que é mais fácil e mais difícil no seu trabalho ?

PM-Para mim, não existe o mais facil ou o mais dificil, existem objectivos pessoais que têm de ser alcançados, mas se tivesse que definir o mais facil seria a comunicação entre fotógrafo e a modelo, o mais difícil seria fazer uma fotografia perfeita.

P – Quem são as suas grandes referências a nível profissional ?
PM-As minhas referência a nível de fotografia são os grandes fotógrafos de moda/beauty Fernando Bagnola, o Carlos Ramos, Max Moor e Fernanda Sá Motta

P – Estabelecem-se relações de amizade entre quem trabalha na moda ou há uma distância entre as várias actividades – estilistas, modelos, fotógrafos, maquilhadores ou cabeleiros ?
PM-
A fotografia de moda/beauty é um trabalho de uma grande equipa, sem ela não há fotografia de moda.
Assim, se a equipa funciona, começa haver uma relação de amizade, por outro lado, se a equipa não funciona não haverá esse relacionamento.

P – Como é um dia típico de trabalho num evento . Quando começa e quando acaba ?
PM- Fotografar eventos não é tarefa facil, primeiro tens de traçar os objectivos, se captas moda, se captas os estilistas, se captas figuras públicas ou se captas tudo.
No meu caso, tento captar tudo. Gosto ser sempre o primeiro a chegar, nalguns casos chego 3 horas antes do início do evento, para haver tempo de ver a luz, o ambiente entre outros pormenores .
Normalmente somos um dos ultimos a sair.

P-Em que eventos de moda vai trabalhar nos próximos meses ?
PM- Ainda não tenho uma agenda definida, mas vem aí novidades .

P – Que aspirações gostaria de realizar como fotógrafo de moda ?
PM- Gostaria de trabalhar com a revista Vogue Italiana, fazer catálogos para o estilista Carlos Gil ou trabalhar com Jóias do Eugénio Campos. Ir à semana da moda Francesa ou de Nova Iorque .

 

Texto: João Castro

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Patrícia Bastos, o canto da Amazónia que chega a Portugal

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Na Amazónia a música e a natureza andam de mãos dadas. A cantora brasileira Patrícia Bastos que obteve um extraordinário reconhecimento nos prémios da música brasileira em 2014,  chega a Portugal, no âmbito do Festival Misty Fest . Uma oportunidade única para conhecermos melhor uma artista que representa, orgulhamente, os valores ancestrais da sua cultura e da História do Brasil.

P -Foi premiada pelo álbum ” Zulusa” nas categorias de melhor álbum e melhor cantora regional nos prémios da música brasileira de 2014. Que importância teve este reconhecimento?
PB- Tem o tamanho de uma nação, de um motivo de cantar. Eu canto o Amapá, a amazónia, a nossa cultura, e fazer com que eles possam chegar, de alguma maneira, aos grandes centros é o meu presente.
É o meu reconhecimento como cantora, como artista que canta aquilo que vive.

P- Como caracteriza o álbum ” Zulusa”?
PB- Um disco que canta a cultura do povo do norte brasileiro. Mas um norte que pode ser encontrado em todo o mundo. Um álbum de música regional que se tornou universal pelo tratamento dos arranjos, e por cantar uma verdade.
P- O nome ” Zulusa” junta o nome Zulu e lusa – as origens indígenas e portuguesas do Brasil. Sente essa ligação na sua região ?
PB- Sentimos bastante, a nossa cultura é exatamente essa identidade, o índio, o negro, os pardos de origem portuguesa, todos juntos no traço, no rosto do povo da Amazónia.

P- A identidade regional está muito presente no seu trabalho. O que a inspira na sua terra e região como criadora?
PB- Só de olhar o Rio Amazonas já me sinto inspirada a cantá-lo, a falar daquela região, do amor que a gente tem pela nossa cultura. São tantos poetas, são tantos sotaques musicais que existem na Amazónia, que é até um pecado a gente ignorar isso e não inserir no nosso trabalho.

P- Quais são as suas referências musicais no Brasil?
PB- As primeiras referências foram as cantoras como Elis Regina, Clara Nunes, depois passei a me interessar por trabalhos inovadores, e que até hoje são referências para mim, como as cantora Ná Ozzetti e Ceumar, os compositores Itamar Assumpção e Vitor Ramil.
Procuro sempre estar atenta ao que acontece de novidade, e de certa forma me influencio por artistas que estão sempre reinventando a música brasileira como a própria Ná Ozzetti, Felipe Cordeiro, Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Jussara Marçal, Criolo, Luiz Tatit, entre outros, mas também os compositores da minha região, como Ronaldo Silva, Enrico de Miceli, Paulo Bastos e Joãozinho Gomes.
P- Vem agora apresentar o seu trabalho em Portugal. Que expectativas tem em relação aos espectáculos no nosso país?
PB- As melhores expectativas possíveis. Estou muito feliz.
Portugal faz parte deste disco tanto quanto o índio. Fazem parte da nossa Nação.
Então poder ir com o meu trabalho é um presente.

P- Que referências têm da cultura portuguesa ? E da música ?
PB- Sempre ouvi música portuguesa, desde criança, através de radios AM e de alguns Cds. O primeiro que conheci foi o Roberto Leal, que cantava nos programas de TV, aos sábados.
Depois Amália Rodrigues e, na adolescência, passei a conhecer Dulce Pontes, Carlos do Carmo. E gosto muito da voz do António Pinto Basto, que já ouvi cantar ao vivo.

P- Gostaria de fazer uma parceria com músicos portugueses ?
PB- Com certeza. Seria um presente.

P- Na sua biografia é referido que a Patrícia é património de Amapá, a sua terra natal. Podia falar-nos um pouco deste Estado?
PB- O Amapá é um estado que foi separado há pouco tempo do Estado do Pará. No Amapá, a cultura dos índios e do povo africano é ainda muito forte.
Há quilombos e danças que mostram isso : é um povo simples, muito festeiro e temos um rio lindo, o rio amazonas. E lá só podemos chegar de avião ou de barco. É muita água ao redor!

P- Em que projectos está a trabalhar neste momento ?
PB- Estamos ainda na divulgação do CD Zulusa e já pensando na continuidade dessa proposta para o próximo CD.

P – Podia enviar, através da revista Sotaques, uma mensagem aos portugueses sobre a sua música ?
PB- Portugal, é com muita felicidade que vamos levar o nosso trabalho para vocês. Vamos celebrar o que também lhes pertence, a cultura de vocês faz parte da nossa e vai ser uma alegria mostrar a Amazónia pra vocês.

Texto: Arlequim Bernardini 

 

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O voo apaixonado de William Gavião pelo Teatro

William Gavião 04

Actor, encenador, professor, o brasileiro William Gavião é uma das vozes mais respeitadas no meio teatral português. Vivendo em Matosinhos, elege esta cidade e o Porto como lugares de eleição, já entranhou o sotaque português, casou com uma portuguesa, e sente que descobriu no nosso país uma velha paixão: a arte de ensinar o amor pelo Teatro.

P – William:  pode fazer uma breve apresentação do seu trabalho profissional?

WG – Me formei como actor no Brasil, na escola de teatro Martins Pena, Rio de Janeiro em 1986/7, a escola muito conceituada e a mais antiga da América Latina. Tive uma carreira consolidada como profissional no meu país, onde integrei diversos espectáculos e projectos teatrais.

Vim ao FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica) no Porto, em 1986, com um espetáculo premiadíssimo no Brasil, foi quando conheci Portugal e minha esposa. Retornei ao Brasil, onde ainda participei como actor em outros espetáculos, mas o Brasil vivia um momento muito difícil economicamente, onde a arte e a cultura, como de costume nestes momentos de crise, sofria brutalmente.

O país vivia uma de suas maiores crises políticas e sociais, qua agravava ainda mais qualquer vislumbre de futuro. Tinha ambições e planos maiores de poder criar outras oportunidades de vida  e,  se para isso, fosse necessário mudar de país e recomeçar tudo de novo, estava disposto a fazê-lo, tinha construído algumas pontes e amizades em Portugal, o caminho estava feito, as oportunidades surgiram, e não pensei duas vezes, vim para Portugal de armas e bagagens.

Sem medo de me reinventar, fui construindo aqui, do zero a minha carreira no teatro. Dei continuidade ao meu trabalho como actor, e em Portugal também me descobri como encenador e professor de teatro. Fundei a minha própria companhias de Teatro de pesquisa – Teatro Reactor de Matosinhos, onde dei continuidade no meu trabalho e pude, de forma autónoma,  ,construir meus espectáculos, projetos e parcerias com o Brasil, estreitando sempre os laços que nos unem e alimentam culturalmente estas duas pátrias, e lá se vão 22 anos de Portugal…

P – Vive desde 1992 em Portugal. Como foi a adaptação ao nosso país?

WG- Não posso dizer que tive uma adaptação difícil, pois a  minha mulher é Portuguesa, tive desde sempre toda uma estrutura familiar, da parte dela, que me apoiou e acolheu. Tive também a sorte de conhecer pessoas e artistas interessantes do meio artístico, e sobretudo construir amizades sólidas.

Pude construir e conquistar meu espaço pouco a pouco,  e assim continuar a exercer o teatro e dar corpo aos meus projetos. As saudades do Brasil sempre foram as mais saudáveis, as minhas escolhas de vida e mudança de país, nunca trouxeram me arrependimentos.

Pouco a pouco,  e com o passar dos anos e dos trabalhos, também criei raízes aqui, raízes que hoje se confundem, se entrelaçam com as de minha origem, raízes estas que me deram outra pátria para além da minha. Tornei- me hoje um homem duplamente patriado…e sei bem o profundo sentimento da frase de Caetano Veloso, que diz, “Minha Pátria é minha Língua..”

P – Que diferenças e semelhanças encontrou entre o Teatro português e brasileiro ?

WG – Talvez a maior diferença que tenha sentido,  é a duração de carreira dos espectáculos :  no Brasil podemos estar em cena até mais de 1 ano com um espectáculo :  quando este espectáculo  consegue algum reconhecimento de público  ou no mínimo 3 a 4 meses de temporada.

Em Portugal,  a carreira dos espectáculos é  mais curta ,  raramente chega a mais de 1 mês num mesmo espaço / teatro. Mas a cultura e os mecanismos teatrais em Portugal são diferentes, sempre houve subsídios e apoios para o teatro e suas estruturas, independente da justiça e equidade dos governos e organismos que os gerem.

Em  matéria da qualidade e do poder artístico e intelectual, não vejo diferenças, pelo contrário, o teatro português e alguns projetos e companhias em particular um pouco por todo país, fazem um trabalho teatral de extrema qualidade e com grandes actores. Destaco também as novas companhias, que atualmente, desenvolvem um teatro de grande preocupação do diálogo com a modernidade e com grande responsabilidade e envolvimento com a realidade que estamos inseridos.

Um teatro em sintonia com o seu tempo.

P – O que representam para o William, as cidades do Porto e de Matosinhos ?

WG – São ambas o berço que me acolheu. Duas cidades bem diferentes e igualmente belas, com encantos e recantos únicos. Tanto no Porto, como em Matosinhos, sentimos o peso da suas histórias e da sua gente, do poder avassalador de suas belezas naturais e patrimoniais, as ruelas, o Rio D’Ouro, o sol o mar de Matosinhos. A luz…a penumbra…as texturas…as cores…o cheiro…de tão diferentes cidades…inseridas e parte, ambas, do mesmo concelho, concelho do Porto !

Hoje Matosinhos tornou-se mais a minha cidade, pois nela resido e talvez seja bem suspeito para falar.

P – Quais são os seus lugares de eleição nestas cidades ?

WG- No Porto,  sem dúvida é a Ribeira com vista para rio D’Ouro. Em Matosinhos, gosto de Leça da Palmeira, da luz, as cores, sua costa, suas praias e o Museu da Quinta de Santiago.

P – Encontrou muitas diferenças entre o sotaque brasileiro e português ?

WG –Claro que sim…mas nada demais…que após alguns minutos a ouvir,  não habitue o ouvido e tudo fique natural, sem problema maior. O sotaque português e sua sonoridade, digamos ser um pouco mais dura, em comparação com o sotaque brasileiro, que é mais melodioso e musical.

Mas hoje, meu sotaque brasileiro esta mais aportuguesado, natural, depois de tantos anos. Um amigo meu, dramaturgo paulista, disse-me há pouco tempo, quando cá esteve, que não falo totalmente, nem com sotaque brasileiro e nem com sotaque português, falo com um terceiro sotaque, só não sei como lhe chamar.

P – Há alguma expressão ou palavras portuguesa que o tenha surpreendido?

WG – Prego em prato e a diferença no tratamento entre tu e você.

P – O William é ator e professor. Pode falar-nos um pouco mais da sua actividade docente  ?

WG – Ora bem, aí  está  uma competência que descobri em Portugal, uma facilidade de transmitir “conhecimento”, uma capacidade que estava adormecida, acredito que algo nato, que  já existia, nesta comunicação, neste desejo e felicidade de poder partilhar minha experiência de vida, que nunca esta separada de minha condição de actor.

Algo que fui potencializando ao longo dos anos. Ensinar é um ato de aprendizagem e generosidade infinda. O facto de que tudo aquilo que transmito, tenha vivido na pele, torna o ato da partilha e da troca de ensinamentos, uma experiência viva e única.

Um gesto de amor à  arte  e ao teatro que tenho vivido,  intensamente,  como professor. Creio que tornei me um actor melhor, um homem ainda melhor, aprendi a ver me melhor, vendo os outos.

 

P – Como olha para o ensino artístico em Portugal ?

WG – O ensino artístico em Portugal vem cada vez mais crescendo e criando raízes sólidas. Noto ao longo destes 22 anos que aqui estou, a enorme procura pelo aprendizado, nas mais diversas faixas etárias, pela experiência teatral, seja nas escolas de teatro, seja nas oficinas e Workshops que hoje alimentam esta enorme procura.

Um sinal muito positivo para o universo do teatro, um sinal de que hoje o teatro chega com mais força a muito mais pessoas, sejam elas amadoras, amantes, ou apenas curiosas pelo teatro. Hoje grande parte dos que procuram o teatro, sabem perfeitamente a complexidade, as inúmeras competências e feitos que arte pode surtir e fomentar no individuo. Potencializando o humano, numa libertação e descoberta de si mesmo, ante a vida e o mundo que o rodeia. O teatro é uma arma poderosa ante o pessimismo,  e os limites que a realidade e a  vida, muitas vezes,  nos impõem,  aprisionando-nos .

A arte e o teatro nos tornam mais fortes, críticos e atuantes ante a vida e nós mesmos.

P – E no Brasil ?

WG – O Brasil já tem uma grande cultura na procura do teatro, na arte da representação, muito à  custa da grande indústria do entretenimento e do áudio visual. Novas escolas de teatro surgiram e cresceram nas últimas décadas.

O teatro Brasileiro tem  um grande legado, no início do século, com as grandes companhias de teatro e actores que fizeram história no teatro, com o teatro de resistência política, na época da ditadura, e de todo processo que foi travado. O Teatro pode se estabelecer, crescer, criando bases sólidas e alimentando esta grande indústria da cultura e da arte,  um pouco por todo país.

Para não dizer da grande cultura dramatúrgica e dos novos autores,  que escrevem para teatro, novelas, cinema e outros formatos, uma verdadeira e valorosa safra de grandes autores e sobretudo grandes dramaturgos, a escreverem para teatro.

P – Criou o Projecto “ Salvé a língua de Camões. Em que consiste este projecto ?

WG – É um projecto da minha companhia Teatro Reactor Matosinhos que já vai no seu 10º ano em parceria com a Câmara de Matosinhos e o Museu da Quinta de Santiago. Este projeto acontece durante todo o ano, sempre à última quinta-feira do mês, no Museu.

É um projecto lusófono, que visa única e exclusivamente divulgar os novos autores e dramaturgos, poucos conhecidos entre nós, que escrevem em Língua Portuguesa, oriundos dos países lusófonos. Através de leituras dramatizadas dos textos teatrais destes autores,  contribuímos  para uma nova visão do teatro e da dramaturgia contemporânea de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal e Brasil.

Um projeto que criou parcerias com estes diversos países, que se estendem até  hoje, para além da escrita,  e que tem estimulado  um intercâmbio real em projetos e iniciativas culturais de grande valia para o fortalecimento da língua portuguesa e do teatro.

Deste projecto,  resultou em 2009, a  realização do 1º Festival Lusófono de Teatro Intimista, que tive a felicidade de conceber e realizar com o apoio da Câmara de Matosinhos, onde pudemos receber em Matosinhos companhias de teatro vindas destes países, no então recém aberto teatro Constantino Nery – Matosinhos.

Também  nos proporcionou apresentarmos   os nossos espectáculos no Brasil e em Cabo Verde. Este ano de 2014,  entramos no 11º ano do projeto, com inúmeras surpresas e parcerias…e a  aguardar pelas boas novas.

P – Quais são projectos em que está a trabalhar

WG – Neste momento, trabalho para a 11ª edição do Salvé a Língua de Camões, que começa em fevereiro de 2015, como disse anteriormente, com muitas novidades, colaborações e parcerias, para além da Câmara de Matosinhos e o Museu da Quinta de Santiago, os  nossos parceiros de costume.

Preparo um projeto de um novo espetáculo teatral adulto e para infância, e também acolheremos outros projetos vindos do Brasil. Como professor de teatro, virão novas oficinas de teatro, na ESAG (Escola Secundária Augusto Gomes), onde leciono a 4 anos, a continuação do meu trabalho de 9 anos a dar teatro para as crianças, nas escolas do ensino básico do concelho de Matosinhos, nas actividades de Enriquecimento Curricular.

Mais outros projectos estão a ser cozinhados nos melhores temperos…eu…estarei sempre em movimento ininterrupto…sempre inquieto….assim vive e voa este Gavião.

P – O que representa o Teatro para o William ?

WG – O teatro é o que me move, o que torna minha existência possível e útil. O teatro para mim é como uma missão, de servir, comungar e partilhar com meus semelhantes, de comunicar e dialogar com meu tempo. O teatro reconstitui, dota o Homem – na afirmação total de seu poder de comunicação, expressão, sociabilização, crítica e consolidação de sua identidade cultural, política e social.

O teatro é uma experiência divina, que leva mais do que uma vida inteira, para quiçá podermos alcança-lo, nas suas mais profundas entranhas. Precisaríamos voltar a nascer, recriarmo-nos, reinventarmos -nos para viver totalmente o teatro.

Isso tentámos  fazer, a cada noite, a cada momento que nos entregámos a esta arte.

Para resumir tudo isso, lembro – me de como os Gregos se saudavam uns aos outros antes de entrar em cena, naqueles anfiteatros: cada noite que entravam naquela arena e enfrentavam aqueles milhares de pessoas e imperadores na plateia, diziam simplesmente; “CONHEÇE-TE A TI PRÓPRIO!”. É exatamente isso que venho praticando a 50 anos….

 

Rui Marques

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William Gavião 01

  Tecno-Orixás, a nova linguagem do  artista plástico Valter Nu

Valter Nu 08

Escultor, investigador e  músico, não há linguagem artística que o brasileiro Valter Nu não fale com fluidez e inovação. A revista Sotaques Brasil/Portugal entrevistou o artista de São Paulo, um pioneiro da técnica escultural dos Tecno-Orixás, que junta tradição e modernidade, e  que deixou um repto aos artistas portugueses: fazer uma ocupação da arte urbana do Brasil e Portugal na Estação do Oriente, em Lisboa.

 

P – O que o inspirou para criar esta colecção de esculturas  “ Tecno Orixás” ? 

VN  -As canções  de musicas brasileiras que falam dos orixás  e foram difundidas como musica pop no  Brasil,  a MPB.

P – Como artista o que é que o seduz nos Orixás e na  MPB  como objectos artísticos?

VN –Nos orixás, eu gosto muito mais das histórias das lendas do que do aspecto religioso, gosto muito de mitologia, por um período estudei a cultura asteca  e maia, depois a mitologia grega e a nórdica, fiquei seduzido  pela cultura yoruba.Esta é a origem  a mitologia dos orixás e,  claro, o  meu primeiro contacto com esta mitologia veio pelos afros sambas, de Bande Pawell, depois as músicas de Clara Nunes, os orixás estão  muito presentes na música de Caetano e Gil, Martinho da vila, Rita ribeiro ( agora Rita Benedito) e  vários outros.

 

P – A questão ecológica está muito presente nestas esculturas ? 

VN – Sim, muito trabalho como artista de artes integradas  aqui em São Paulo, num  projecto cultural da Secretaria de cultura. Discutimos estas coisas durante todo o tempo: a arte e as  suas ramificações, vejo o artista sempre como um visionário, o alguém que pensa para além das questões quotidianas, as questões ambientais são muito importante hoje.

Quando comecei a fazer esculturas, nos anos 90,  queria trabalhar com bronze , depois pedra, e por fim esbarrei na sucata, nos resíduos sólidos que descartámos, então transformei estes resíduos na  minha matéria-prima, não existe  o discurso ecológico no meu trabalho, eu simplesmente uso o descarte do consumo, como matéria prima  para criar o que eu faria com materiais extraídos da natureza, logo não existe um discurso,  existe uma prática.

 

P – Este conceito junta a tradição e a modernidade. Sente-se identificado com essa associação ? 

VN – Sim, acho que toda tradição,  se quiser manter-se viva de alguma forma,  precisa  flirtar com o contemporâneo. No caso da cultura dos orixás,  no Brasil,  ela já chega aqui e  transforma-se para sobreviver, ouve o sincretismo religioso, uma forma da igreja católica atrair os negros para as  suas comunidades.

Eles criaram relações entre orixás  e santos católicos, por exemplo,  santa barbara =iansã, são Jorge =Ogum, e por aí fora.

No caso especifico do meu trabalho,  eu tento trazer os orixás para uma cultura urbana: Ogum é feito de placas de computadores,  é um hacker,  e vem em cima de uma moto para abrir caminhos e guerrear nas ruas de são Paulo; oxumare , o orixá do movimento, a cobra que  se equilibra    num skate, para ser rápida e passar por entre os carros;  Iansã,   a rainha dos ventos, tem um vestidos de hélices de ventiladores;  Iemanjá é feita com autos falantes,  porque na cidade de São Paulo,  as únicas ondas que existem são as ondas sonoras do mar da comunicação.

Estou   a  todo o tempo atribuindo novos significados  aos símbolos dos orixás, dando-lhes novos sentidos  para mantê-los  conectados com a vida urbana.

 

P – É artista plástico e DJ . Como consegue ter um interesse por áreas tão diversificadas ? 

VN – Não acho  que sejam tão diversificadas assim. Eu  trabalho num  projecto na Prefeitura de São Paulo  como artista orientador de artes integradas, ou seja,  a  minha plataforma académica  mistura linguagens.

Gosto desta  mistura   do lugar que tudo conversa, se borra, na minha cabeça,  as coisas estão juntas, eu penso música quando crio as esculturas, estou  a esculpir  musicas, quando  estou a produzir  ou a tocar  também  estou a  esculpir.

O  tecno-orixás só aconteceu porque  eu  sou dj e tinha as músicas na cabeça o tempo todo,  e mesmo  no meu projecto de artes plástica  anterior, o tecno -descartável, as peças eram inspiradas  em canções da mpb, por isso   a ideia  do meu trabalho é sempre musical,  antes de ser qualquer coisa.

 

P – Qual foi a reacção do público a esta instalação artística? 

VN – Foi muito calorosa e  surpreendente.  Quando colocámos a instalação  numa estação de Metro muito movimentada, no centro de São Paulo, tive um certo receio, pois o tema orixás, embora esteja em outro contexto e contemporizado, ainda é  um tema que é muito  tabu no Brasil.

Quando a ideia é religião africana,  torna-se   necessário a não demonizar   o tema, o assunto:  tinha receio de que não fosse bem aceite pelas pessoas, mas foi ao contrário,  as pessoas curtiram,  fotografaram, souberam separar arte de religião, embora quando fui retirar a exposição do último local  em que ela ficou exposta, tinha bilhetinhos  nos orixás com as pessoas a fazer  pedidos;  na Iansã,  tinha uma guia ( colar de contas ), que alguém pôs, os seguranças contam que as pessoas  fazem orações , pedidos, acho bonito,  carinhoso.

 

P – A cultura afro-brasileira está em destaque neste trabalho. Que pesquisa fez para realizá-lo e o que descobriu sobre este universo ?

 VN – Eu pesquisei,  primeiramente,  as lendas Iorubá , e depois comecei  a buscar similaridades entre os orixás e e o mundo urbano.  Também descobri que cada orixá  tinha  os seus elementos, busquei colocar este elemento na confecção do  orixá:  por exemplo,  a Oxum  é uma escultura feita com espelhos  de discos rígidos de laptop, e um dos  seus signos é a beleza e o espelho; para o  Oxossi , usei varias lentes e armações de óculos descartáveis, pois queria fazer uma  alusão aos muitos olhos  que um caçador precisa ter.

O  universo dos orixás é  muito rico, ao analisá–lo, lembra a mitologia greco-romana, com a qual estabelece, algumas vezes , paralelismos, como o facto dos seres divinos demonstrarem atitudes e necessidades humanas. 

 P – Como se define artisticamente ?

 VN – Pergunta difícil. Penso que sou um artista contemporâneo, alguém conectado com as inúmeras possibilidades  e linguagens que o fazer artístico oferece.

Gosto da palavra artista de multilinguagens, mas também  sempre digo que sou só artista, e deixo para as pessoas a liberdade para  me catalogarem.  Nunca consigo cercear minha criação,  então não sei onde ela estará daqui a um mês , um ano, pode ser na música, nas artes visuais, na literatura, no audiovisual, eu flirto com muitas linguagens, sempre foi assim, mas hoje estou mais   artista plástico…

 P – A revista Sotaques Brasil/Portugal  faz,  nesta edição de Agosto, uma abordagem ao movimento modernista brasileiro. Que importância teve este movimento para si ?

VN – O movimento modernista é extremamente importante para quem faz arte no Brasil, não só para mim, porque ele representa o fim da estética clássica  europeia, como matriz artística no Brasil, e o início de  um diálogo com a cultura brasileira.

A semana de arte de 1922,   ecoa até hoje,  na vida do brasileiro:  ela  vai-se desdobrar na Tropicália, depois na vanguarda paulista, dos anos 80, o mangue beat dos 90 , na onda de tropicalismo actual no pais, e  redescobre, na minha geração, ligações com géneros como os  os afro –sambas,  e começa uma relação pop  com a cultura ioruba.

 

P – Gostava de apresentar  este trabalho para Portugal ? 

VN – Claro adoro Portugal,  tenho muito carinho por Portugal.

 

P – Já desenvolveu parcerias com artistas portugueses ?

VN –Apenas numa festa como DJ :em 2007 , estive em Portugal, em Évora,  fazíamos uma festa num bar :  o  capitulo 8. Era uma festa que se chamava 3 vezes português : éramos três  um brasileiro,  eu,  um  português,  o Wiil, e um DJ  de cabo verde, tocámos algumas vezes num  evento ligado à   Universidade, a Queima de fitas, foi bem legal.

 

P – A oralidade está muito presente no conceito destas instalações. Os sotaques e os vários modos de falar são muito importantes para definir a cultura afro-brasileira ?

VN – Sim, totalmente. O  primeiro sopro para criação das esculturas começa quando escuto  músicas que falam  dos orixás, da cultura e do folclore africano,  difundido no Brasil através  das músicas cantadas , e dos vários sotaques.

Os negros  não tinham acesso aos livros:  o Brasil foi o último pais a sair do regime escravocrata, há  pouco mais de 100 anos, então a forma que os negros tinha para se expressarem  era  falar das  lendas do seu povo,  da sua cultura,  era através  das músicas.

Os sotaques são muito importantes no Brasil:  já que existe uma unificação da língua  portuguesa, coisa raríssima de se ver em lugares com dimensões territoriais, como o Brasil, o que define as pessoas,  e as identifica a região do pais de onde vem , é o sotaque.

 

 P – Como definiria o seu sotaque ? 

VN – O meu sotaque é paulista: fui criado no abc paulista e depois vim morar no centro da cidade , vibro  muito o ere, coisa trazida pela cultura italiana para  são Paulo, por outro lado,  existe um xiado na minha fala por conta de ser santista de nascimento,  e ter passado parte da primeira infância em Santos, coisa de quem nasce no litoral,  tanto o  rio de Janeiro como Santos, tem este xiado   na fala…

 

P – Quais são os projecto artísticos em que está a trabalhar actualmente ?

 VN – Estou na segunda fase do tecno-orixás , que são mais quatro 7 esculturas, de tamanhos entre 3m e 1.80m.  Também estamos compondo com o curimba elétrica, o colectivo musical que acompanha a instalação, e estou a escrever  o roteiro para uma mini-serie Web, chamada tecno orixás,  com várias linguagens,  mas tudo gravitando no mesmo tema.

 

P – Como artista brasileiro, que mensagem gostaria de enviar aos artistas plásticos portugueses ? 

VN – Vamos fazer uma ocupação de arte urbana do Brasil e Portugal na Estação do  Oriente!

 

Paulo César

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Valter Nu 09

Alua Pólen: um casal com 30 anos de amor à arte

Alua Pólen é um anagrama que junta os nomes do casal de artistas formado por Manuel António e Paula Dacosta. Uma união afectiva e artística com 30 anos de ligação,  que nos tem deixado grandes obras como o famoso Túnel da Confraria de Vizela, em que formaram durante dois anos,  mais de 3000 meninos e meninas, em 2007,  para criar o maior Túnel  do mundo pintado por crianças.

A revista Sotaques falou com o pintor Manuel António,  Pólen, sobre este matrimónio artístico,  consolidado ao longo das décadas.

Alua Polen

P – Como  surgiu este projecto artístico e de vida com mais de 30 anos ?

AP – Tanto eu como a Paula éramos empregados de escritório. Eu, paralelamente, também desenvolvia a minha actividade artística, conheci-a e pedi-lhe que fosse a minha ajudante.

Conversamos muito sobre o futuro,  e daí surgiu este projecto que continua vigente até aos dias de hoje.

P – Que balanço fazem deste projecto ?

AP – Muito positivo. Em primeiro lugar, nunca sonhávamos  que a arte nos desse a autonomia que temos actualmente.

Ao princípio,  pintávamos em papel de embrulhar bacalhau, com poucos recursos, em locais pequenos como cafés ou gelatarias. Mas o nosso trabalho foi sendo reconhecido, pelo público e pela crítica, e foi muito gratificante este reconhecimento.

Em 2012,  fizemos uma retrospectiva em Gondomar da nossa carreira artística, e foi emocionante ver quantas pessoas conheciam a nossa obra.

P – O túnel de Vizela foi um momento especial nessa carreira ?

AP – Sem dúvida. Foi um projecto muito importante.

Vivemos durante 12 anos em Vizela, onde também estivemos ligados à formação e ao ensino, e no âmbito dessa actividade, surgiu o projecto de dar formação a mais de três mil crianças para pintarem o Túnel da Confraria de Pêras, nesta cidade.

O Túnel demorou dois anos a estar pronto, com as pinturas acabadas, e quando foi inaugurado, em 2007, era o maior Túnel de azulejos  pintado por crianças do mundo – com 2000 metros em pinturas.  Foi um momento extraordinário pela experiência e pela autonomia financeira que nos proporcionou, permitindo-nos comprar uma casa no Parque Nacional da Peneda- Gerês, em Castro Laboreiro,   onde vivemos.

P – Ensinar crianças é diferente  ?

AP – Penso que as crianças são pequenos génios. A escola é muito formatadora, molda a sua criatividade, e eu acho que devemos dar liberdade criativa às crianças.

Se o fizermos, elas são capazes de obras extraordinárias.

P – Pode descrever-nos o vosso processo criativo ?

AP –  Nós partimos do abstracto para o simbólico, numa rotação de 360 graus,  que transforma um quadro inicial em algo completamente distinto. Ou seja: juntamos duas ou três cores – o azul e o lilás, por exemplo –  usamos a química e criamos livremente, sem nenhuma imposição, um pouco à imagem do que faziam artistas como o Picasso.

É algo intuitivo, uma herança cósmica que sentimos dentro de nós, e que se vai manifestar numa forma final que nunca sabemos, à partida, como irá ser.

Costumo dizer que eu não sei pintar:  eu disfarço aquilo que sai.

P – Quais foram as suas grandes inspirações na pintura ?

AP – A minha principal referência foi o meu mestre,       Moreira de Azevedo, um académico e  artista português que tinha uma Escola em Brasília,  que nos  dava- uma lavagem mística,  desafiando-nos  sempre a seguirmos o nosso próprio caminho.

P – O intercâmbio entre artistas portugueses e brasileiros é muito importante também nas artes plásticas ?

AP – É vital que os artistas circulem entre o Brasil e Portugal, que dialoguem entre si. Isso só enriquecerá a sua arte.

P – Vivem em Castro Laboreiro, uma zona com uma enorme beleza paisagística. Como é que este meio inspira o vosso trabalho ?

AP – Castro Laboreiro tem moldado a minha arte. Quando olhamos à nossa volta,  sentimos que o olhar do artista está em todo o lado: na textura de uma árvore, nas formas do granito, que são um capricho dos Deuses, e essa é uma engenharia positiva que impele o meu subconsciente a criar.

P – O que é a pintura para o Manuel António ?

AP– A pintura é uma forma de podermos sintetizar a forma poética de estarmos vivos. Desde os catorze anos trabalhei num escritório, mas mesmo nessa fase,  eu tinha necessidade de me expressar através do papel, de desenhar, de tirar essa pressão de estar fechado num local de trabalho.

Quando saio com amigos, não consigo estar mais de duas horas com eles. Tenho um desejo enorme de voltar a pintar.

António Santos

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Anima Luminaria, a arte do invisível que ilumina o Porto

 

O português Paulo Gaspar Ferreira e a brasileira Luciana Bignardi fotografaram, durante cinco meses, milhares de clarabóias. Fruto desta parceria luso-brasileira nasceu um livro,  que reúne a poesia visual desses objectos e as palavras que os poetas lhes dedicaram.capa04

Saiba mais, nesta entrevista, sobre a alma luminosa que se esconde atrás das clarabóias do Porto

P – Paulo e Luciana : para compreender melhor este projecto, é imprescindível conhecermos melhor a vossa trajectória profissional. Qual foi o vosso percurso ?

PF   – Eu não sou apenas fotógrafo, sou várias coisas ao mesmo tempo. O meu pai era alfarrabista e, para mim,  a livraria dele foi uma Universidade, o local onde tirei o meu curso superior através dos  contactos com pessoas ligadas às artes, e a minha actividade profissional está ligada aos livros antigos.

LB– Eu sou natural de São Paulo e tenho uma formação ligada ao Design de ambiente : a arquitectura, o urbanismo  e a pintura eram áreas que me interessavam, mas aquilo que realmente me apaixonava era a fotografia.

P – Como surgiu esta parceria ?

PF – Há trinta anos que comecei a interessar-me por registar visualmente as clarabóias. Essa actividade exigia muitas horas – porque temos de fotografar este objecto a uma determinada hora para captar a luz – e quando conheci a Luciana e o trabalho dela, achei que era a altura ideal para realizarmos, em conjunto, um projecto sobre as clarabóias do Porto.

 

LB – Vivo há muitos anos em Portugal,  e sinto um grande afecto pela cidade do Porto. As clarabóias são também parte dessa cidade que  me diz muito.

Quisemos mostrar estas jóias que o Porto tem, que merecem ser cuidadas e preservadas,  porque muitas não estão num bom estado de conservação.

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P – Vai ter continuidade este projecto  Anima Luminaria ?

PF  – Reunimos um conjunto de milhares de fotografias de clarabóias,  e surgiu a ideia de juntar esse registo fotográfico a poesia ligada a este tema. Curiosamente, existe uma quantidade assinalável de poemas ligados a este assunto, o que mostra que a beleza das clarabóias não passou despercebida aos poetas.

Outra possibilidade que achamos interessante,  é criar um roteiro turístico ligado às clarabóias.

LB– Este é um legado que as pessoas têm de conhecer melhor. Por estarem escondidas, às vezes não nos apercebemos onde estão as clarabóias.

Ainda há poucas semanas, encontrei por acaso uma clarabóia num local bastante curioso, e avisei o Paulo. Esta parceria também pretende dar a conhecer,  não só às pessoas que vivem na cidade, como aos estrangeiros e, naturalmente aos brasileiros, este traço da cultura burguesa que não encontramos num número tão esmagador  em nenhuma outra cidade do mundo.

Rui Marques

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Telmo Pires: um fadista com o mundo na alma

A nova geração do fado não pára de nos surpreender com o seu talento. Telmo Pires é um nome a ouvir com muita atenção: viveu anos na Alemanha, absorveu estímulos variados que influenciaram a sua música, e juntou  toda esta versatilidade nas suas canções.

Agora, no regresso a Lisboa, mostra-nos no álbum “ Fado promessa”,  que é um fadista com o mundo na alma.

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P – Como caracteriza o seu Fado ?

TP – Para ser sincero: não sei. É muito próprio.

Não cresci em Lisboa, não frequentei casas  de fado desde miúdo, os meus pais não estão ligados à arte ou musica. Portanto tive que percorrer sempre caminhos muito próprios, diferentes.

Acho que se sente e ouve neste disco.

P – Que influências principais estão neste Disco Fado promessa?

TP –As minhas influências foram sempre as emoções que sinto na  vida, o amor, a minha história, meu passado, meu presente, o que quero exprimir, o que me toca.

Não gosto de me limitar ou ser limitado. Durante as gravações,  aconteceram arranjos e ideias imprevistas, como trabalhar com várias vozes, mas que fazem sentido   e depois ficaram.

P – Tem alguma música que prefira neste álbum. Qual e porquê ?

TP – Para mim são todas músicas preferidas. Mas há três que estão muito ligadas a mim  e são bastante pessoais: ‘Meu amor’, ‘Morena’ e ‘Os navios’.

P- O Telmo viveu em Berlim 11 anos. Como essa vivência influenciou a sua música  ? 

TP –  Aprendi que música é uma linguagem universal. Conheci tantos músicos, alemães e estrangeiros que vivem lá e com quais trabalhei, a quem mostrei o fado e que compreenderam, que se ligaram ao fado mesmo sem perceberem os poemas. Aprendi que tudo tem que fluir, que a música não conhece barreiras,  e que temos de estar com a mente e coração aberto… na vida e na arte.

P – Os ouvintes alemães interessam-se pelo fado ?

 TP – Sim, há um público para fado,  e está a crescer!  Quando eu comecei a cantar português na Alemanha – antes de me  mudar para Berlim –  em teatros frequentados quase só por público alemão,  o fado ainda era bastante desconhecido.

Os “Madredeus” eram vendidos como “Fado”. Felizmente isso mudou muito. Hoje ainda só ficam admirados, porque não se conhecem homens no fado.

P – Quais são as suas principais referências neste género musical?

 TP- Há três vozes que me levaram ao fado… que me abriram o caminho para o fado. Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Dulce Pontes. Sem o conhecimento destas vozes, a arte desta expressão, de certeza absoluta que hoje não cantaria fado.

P –  Qual é a primeira memória que tem do Fado?

TP –    É de ouvir falar o meu avô duma cantora que ele adorava, que “não havia ninguém que cantasse como ela”, que se chamava Amália. E de ouvir a voz de Carlos do Carmo,  no carro dos meus pais,  nas longas viagens da Alemanha para Portugal,  quando era miúdo.

P – Como olha para o crescente interesse mundial na nossa música mais emblemática ?

TP – Acho que nós todos gostamos muito de ver. Mas também gosto de inovação e novas ideias.

Não gosto de clichés, de ver fazer certas coisas “porque o fado é assim”. Isso para mim não existe:  estamos em 2014,  e uma música para ser autêntica, não se pode referir e até  nos  prendermos  só aos belos tempos passados.

Não podemos negar o dia de hoje, tudo que acontece tem influência no processo de criação. E nós somos criadores. É de nós que depende o futuro.

P – Vive agora em Lisboa. A cidade inspira-o a criar novas músicas ?

TP –  Lisboa é a minha maior paixão… desde que a pisei com 4 ou 5 anos pela primeira vez. Não nasci cá, nasci no norte em Bragança,  onde vou muita vez.

Toda a cidade é inspiradora, cheia de beleza, tristeza, de cores e paladares. Só aqui é que consigo fazer o que faço e ser quem sou.

P – Que outras músicas ouve para além do Fado

TP –  Muita coisa! Gosto de rock, de pop, da  chanson, de música clássica…

P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. Como é que é que caracteriza  o seu sotaque ?

TP – Briganenseboeta. Uma mistura de bracarense e lisboeta.

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P – Gostava de apresentar este seu trabalho no Brasil ?

TP-  Adorava ter concertos no Brasil! Nunca fui, apesar de ter lá família.

P – O que acha da música brasileira e do intercâmbio artístico entre os artistas portugueses e brasileiros ?

TP – Gosto de tudo que sirva para comunicar e aprender uma cultura diferente,  e aprendermos uns dos outros. Tudo que aconteça organicamente. Duetos de artistas que gostam mesmo um do outro, se admiram e juntam a sua arte… é lindo, sente-se a vontade e energia!

Há fusões muito ricas em som e expressão. Seja fado com música brasileira, árabe, com musica electrónica ou clássica.

Tem que fazer sentido. Mas muita coisa está a ser dirigida pelas grandes editoras… aí o interesse é óbvio: é de conquistar novos mercados.

P – Em 2014   onde vamos poder ouvi-lo e como vai ser a sua agenda?

 TP – Estou ainda muito contente de ter tido o convite,  e a minha estreia no auditório do Museu do Fado,  aqui em Lisboa em Julho. Foi uma grande honra e privilégio e reconhecimento.

Este Outono vou entrar em novas gravações e há concertos marcados para a Alemanha, Áustria… e bastante ainda a acontecer. Mas mais fora de Portugal.

Arlequim Bernardini

 

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               Entrevista com António Cândido do Turismo do Norte  

portoO Turismo do Norte de Portugal olha com grande interesse o crescente fluxo de turistas brasileiros. A revista Sotaques entrevistou António Cândido, responsável desta Entidade, no âmbito do Festival de Gastronomia e  Vinho

Wine Fest em Vila Nova de Gaia, e constatou que há um desejo de reforçar esta ligação ao Brasil.

P – Que importância tem os turistas brasileiros para o Porto e Norte ?

R –  Tem uma importância cada vez maior. Nós procuramos oferecer-lhes uma oferta cada vez mais diversificada, com emoções fortes, fazendo com que os turistas brasileiros venham ao Norte do país passar as suas férias.

Tem havido uma crescente procura dos brasileiros pelos destinos a Norte, e queremos incrementar essa quota de mercado.

P- Quais são as  principais mais-valias que a região oferece para os brasileiros?

R – São múltiplas. Antes de mais o riquíssimo património cultural e histórico que possuímos: essa história e ancestralidade exerce um grande fascínio junto dos brasileiros que nos visitam.

Outro factor que nos torna muito atractivos é a simpatia das populações. Essa capacidade de bem receber é crucial para que as pessoas se sintam bem acolhidas, e queiram voltar cá.

Em síntese, poderia dizer que conseguimos criar emoções fortes, proporcionando novas experiências e um conhecimento diversificado de um território surpreendente.

P – O Porto e Norte é um dos organizadores do Festival de Gastronomia e Vinho Wine Fest, em Vila Nova de Gaia. Que balanço faz desta edição do evento que se realizou entre 16  e 20 de Julho?

R – Fazemos um balanço extremamente positivo. Como puderam ver foi um evento que teve uma grande afluência de público, e que juntou vários eventos dentro do Wine Fest, desde moda, provas de vinhos, show – cooking ou  gastronomia.

Julgo que foi mais uma prova de vitalidade desta região, dos produtores e criadores nacionais nas várias áreas turísticas e culturais

P – Que mensagem gostaria de enviar aos turistas brasileiros que tenham curiosidade em vir pela primeira vez ao Norte de Portugal ?

R – Que venham conhecer ao Norte. Serão bem acolhidos por uma região com um património muito rico, com paisagens extraordinárias, e por pessoas muito simpáticas e calorosas, beneficiando de múltiplas experiências que tornarão a sua visita inesquecível.

 

Rui Marques

Entrevista com o cantor Luiz Caracol

Influenciado pelo sotaque doce e  quente da música brasileira.

Luiz e a Fernanda

Luís Caracol é um dos artistas portugueses cuja música tem atravessado o Atlântico, com sucessivas parcerias com músicos brasileiros. São exemplos dessa ligação as colaborações com Fernanda Abreu ou Pierre Aderne.

A revista Sotaques Brasil/Portugal falou com este músico, criativamente influenciado pelo sotaque doce e quente da música brasileira.

P – Teve parcerias com vários artistas brasileiros como Fernanda Abreu ou Pierre Aderne. Como correram essas colaborações?

R – Correram muito bem. Na verdade, nós já eramos amigos antes e já tínhamos uma grande cumplicidade, o que fez com que essas participações fossem ainda mais especiais para mim.
No caso do Pierre, nós somos amigos desde 2001, e foi ele que me apresentou a Fernanda Abreu, mais ou menos em 2012, aquando da gravação de um documentário em que participei com eles chamado “MPB-Música Portuguesa Brasileira”.

Este documentário foi gravado aqui em Lisboa, para homenagear as músicas de Portugal e do Brasil, onde tivemos muitos momentos de partilha musical e artística realmente interessantes. Foi transmitido na televisão, em Portugal na RTP, e no Brasil, no Canal Brasil da Globo.

P- Quais são as referências musicais do Luiz no Brasil?

R – Ui, são tantas… Desde João Gilberto, Jobim, Caetano, Gil ou Chico Buarque, até Zeca Baleiro e Lenine.
Mas poderia ficar aqui a noite inteira citando nomes de grandes artistas do Brasil que admiro.

P – E as referências em Portugal?

R: São muitas também. Zeca Afonso, Fausto, Vitorino, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Trovante, Heróis do Mar, Clã, Sara Tavares, entre muitos outros.
P – Como caracteriza este álbum “ Devagar”?

R – Acho-o mestiço e lisboeta, mas também é urbano, étnico e lusófono.
Onde vão conseguir encontrar uma mistura grande de influências que são também o reflexo do que sou.
P – A ligação à lusofonia está muito presente neste novo trabalho do Luiz Caracol. Que importância tem esta ligação para a sua identidade como artista?

R – Tem uma enorme importância em mim e na música que faço, porque sempre me senti um cidadão lusófono, mais até do que português, talvez seja por isso que a minha música é o reflexo de todas essas influências, e é como dizia Fernando Pessoa ”a minha pátria é a lingua Portuguesa”.
P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. Como é que é o sotaque do Luiz Caracol?

R – Diria que é um sotaque mestiço, onde se misturam Portugal, a Africa lusófona e o Brasil.

P – Como vai ser a sua agenda de espectáculos em 2014?

R: Está a ser boa e vai continuar a ser, com concertos quer em Portugal, quer noutros paises na Europa e em África, e espero ainda este ano poder tocar também no Brasil e talvez noutros paises da América Latina.
P – O que gostaria de realizar, nos próximos anos, no mundo da música?

R – Gostava apenas de poder continuar a fazer a música que sinto e que há em mim, e de poder levá-la a cada vez a mais sitios e a cada vez mais gente.

Texto Arlequim Bernardini

Foto  Alfredo Matos

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Alexandre Borges

“Criar uma personagem  é ter um heterónimo  dentro de nós ”

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Para o ator brasileiro Alexandre Borges, Fernando Pessoa é uma questão muito  pessoal. Apaixonou-se pelo poeta português quando viveu em Portugal, através da leitura de  Álvaro de  Campos, e não tem dúvidas em afirmar que compor uma personagem é como criar um heterónimo.

 P – Como tomou contacto com Fernando Pessoa ? 

Alexandre Borges – Eu vivi no Porto durante um período, em 1989, trabalhei com a companhia Seiva Trupe e, durante essa fase, tomei contacto com os poemas de Fernando Pessoa, nomeadamente com o “ poema em linha recta” de Álvaro de Campos.

Senti imediatamente que tinha encontrado algo muito pessoal, que me enchia a alma, e quis fazer um projecto ligado a Pessoa.

 P – Daí nasceu o projecto poema bar “Vinícius/Fernando Pessoa” que já apresentou várias vezes em Portugal ? 

Alexandre Borges – Foi  apresentado pela primeira vez  há três anos na Casa Fernando Pessoa. Através de uma amiga pianista, a Carla Seixas, conheci um pianista português, João Vasco, e juntamo-nos para criar um espectáculo luso-brasileiro de poesia e música que abordasse a obra de Fernando Pessoa.

Daí resultou este poema bar Vinícius/Fernando Pessoa, procurando mostrar ao público, de um modo mais informal, a obra destes dois grandes escritores da língua portuguesa.

 P –  Tem algum poema preferido de Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes ?

Alexandre Borges – No caso de Pessoa, como referi anteriormente, escolheria o “ poema em linha” porque retrata quem era o Fernando Pessoa e como ele se sacrificou, deu a sua vida pela arte. Em relação ao Vinícius, a minha preferência vai para o Soneto de fidelidade porque é um texto sobre  a força das emoções e do amor.

P – O Fernando Pessoa tinha alma de ator ? 

Alexandre Borges – Não acho. Pessoa era  muito reservado, tinha poucas relações – com escritores e pintores – e não gostava de se exibir.

Através do seu quarto ele viajava pelo mundo através da sua escrita. Tinha uma forma mais íntima de se expressar através da arte.

P – Compor uma personagem também é criar heterónimos?

Alexandre Borges – Sim. Pode-se fazer essa comparação.

Quando criamos uma personagem, carregamos uma vida connosco: sentimos o que ela sente, e vamos construindo-a paulatinamente, acrescentando-lhe camadas de profundidade. De certa forma, é um heterónimo que criamos dentro de nós.

P – O que significa  Portugal para si ? 

Alexandre Borges – Eu julgo que Portugal me trouxe maturidade, e foi muito importante para mim. Quando vivi cá era muito jovem – tinha 23 anos – vinha de um país irreverente como o Brasil, e foi muito interessante conhecer o passado do Brasil, a ancestralidade, a língua, a gastronomia, essa herança cultural que  nós brasileiros temos aqui.

P – Qual é o sotaque de Alexandre Borges ?

Alexandre Borges – Eu diria que tenho um sotaque mais universal em função da minha carreira como ator.

O meu sotaque tem misturas de Santos – onde nasci e que é uma cidade com profundas influências portuguesas – de São Paulo – na qual trabalhei e que é um espaço neo-babilónico, com imensas culturas – e também do Porto, cidade onde morei um ano e que também influenciou a minha forma de falar.

 Qual é o sotaque de Alexandre Borges ? 

Alexandre Borges – Eu diria que tenho um sotaque mais universal em função da minha carreira como ator.

O meu sotaque tem misturas de Santos – onde nasci e que é uma cidade com profundas influências portuguesas – de São Paulo – na qual trabalhei e que é um espaço neo-babilónico, com imensas culturas – e também do Porto, cidade onde morei um ano e que também influenciou a minha forma de falar.

 

Texto Rui Marques

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Ricardo Gordo Inventa um Fado metal

 

14Os novos nomes do Fado têm nome e apelido. Como Ricardo Gordo, um artista que aprendeu com o mestre Custódio Galego,  e que criou um estilo próprio – o Fado metal, nome de um dos seus álbuns e símbolo de um fado aberto ao diálogo permanente com outros géneros musicais

P – O Ricardo  Gordo começou a tocar aos dez anos. Como foram os seus primeiros momentos na música ? 

 

RG – Na verdade, o meu primeiro contacto com um instrumento foi por volta dos 7/8 com um flauta de bisel, de plástico, que usei para tocar melodias simples. Aos 9 anos toquei ao vivo pela primeira vez no palco Timor na Expo 98,  e a sensação foi óptima.

Ter pessoas a apreciar a música que fazia, na altura em conjunto com outros músicos, foi muito bom.

 

P – Teve uma formação ecléctica  ao longo da sua carreira– guitarra portuguesa, blues, rock. O que é que aprendeu em cada género musical?

 

RG –  A ser eclético! Absorver estas influências e técnicas musicais permitiram-me fazer esta fusão que é a minha música hoje. Todos os estilos musicais têm características especiais que podem abrilhantar a execução quando usados em ambientes diferentes.

Por exemplo, usar o fraseado do jazz com a guitarra portuguesa.

 

P –Estudou com o mestre Custódio Castelo guitarra portuguesa. O que mais aprendeu com esta grande figura da música portuguesa ?

 

RG –Estudei e estudo. Aprendi acima de tudo a ser humilde e que a música é uma arte sem fim, em constante evolução. É necessário ter uma mente aberta para poder evoluir e inovar.

 

P – Em 2011, tocou o clássico “ Verdes anos” de Carlos Paredes num filme. Que importância tem esta música para a história da guitarra portuguesa ?

 

RG –Tratou-se de uma peça de teatro. É uma música com um significado político forte.

Carlos Paredes escreveu-a enquanto esteve preso por causa da ditadura. É uma melodia de esperança. Quem é português e pensa em Carlos Paredes, relembra-o com os “Verdes Anos”.

P – O que é que torna a guitarra portuguesa diferente e especial  face a outros  vários instrumentos musicais ?

RG – Segundo Custódio Castelo, é “o instrumento que evoca a saudade”. Pessoalmente, é uma expansão do meu corpo, esta permite-me canalizar as minhas emoções. É difícil não nos apaixonar-mos por este instrumento, a sonoridade é única.

P – A revista Sotaques valoriza o intercâmbio cultural entre o Brasil e Portugal. Gostava de levar este género musical numa digressão ao país irmão ? 

RG – Claro que sim. Um dia espero levar.

P – Que músicos brasileiros admira ? 

RG –  Gosto e respeito muito o Tom Jobim, a obra que ele deixou é maravilhosa. Gosto do misticismo do Raúl Seixas, que a meu ver estava muito à frente para época. Adoro o Yamandu Costa! Tenho pena que ele não seja mais conhecido em Portugal, porque realmente é um executante fora de série.

Por fim, sou um fã acérrimo de Sepultura com Andreas Kisser, Igor e Max Cavalera! Esta é uma das minhas bandas favoritas de Thrash.

P – Divulgar  a  variedade de sotaques portugueses  e brasileiros é uma das missões da nossa revista. Como é que caracteriza o seu sotaque ? 

RG – Português!

P – Gosta de algum sotaque português ou brasileiro em particular ? 

RG – Gosto do sotaque brasileiro do nordeste!

P – Viveu um ano no Porto. Que opinião tem do sotaque portuense e da cultura do Porto ?

RG –  Vivi 4 anos no Porto! Acho o sotaque horrível, mas em compensação têm as raparigas mais bonitas do país.

A cultura é semelhante à do resto do país, pois temos de tudo. Têm uma forte ligação ao futebol, vivem muito o Futebol Clube do Porto.

P – O património musical português está suficientemente promovido. ?

RG – A Amália fez o favor de abrir esse caminho para nós. Apesar de eu achar que a promoção nunca é demais, penso que temos alguma visibilidade lá fora, por parte dos media e de alguns grupos musicais mais conhecidos.

Desde que o Fado foi considerado património mundial, quebraram-se algumas barreiras.

Infelizmente, não há possibilidade para todos os grupos fazerem apresentações lá fora no estrangeiro.

P –Se não está que medidas pensa que se deviam tomar para fazer esta divulgação ? 

RG – Penso que tem a ver com a falta de apoio que existe para grupos novos e mais pequenos. Não há muita gente disposta a investir em projectos que à partida se desconhece se vão ter sucesso ou não.

P – É docente de guitarra portuguesa na Escola Superior de artes aplicadas Castelo Branco. Como classifica as novas gerações que estão a aprender a tocar este instrumento ?

RG –  Continuo a ser aluno da ESART, neste momento no mestrado em guitarra portuguesa. No entanto, enquanto músico, reconheço que há guitarristas novos com muita qualidade, seja no fado, seja noutros estilos. Começa a haver uma certa vontade de levar a guitarra portuguesa para outros estilos e, também uma aceitação da parte das pessoas para a ouvirem noutro contexto que não seja o fado.

P – Quais são as grandes referências musicais de Ricardo Gordo ?

RG –  Muitas! No blues: Stevie Ray Vaughan, Johnny Winter, BB King. No jazz: Birelli Lagrene, Pat Metheny, John Scoffield, Jaco Pastorius. No rock clássico: Jimi Hendrix, Deep Purple, Led Zeppelin, The Doors, Black Sabbath.

No metal: Megadeth, Metallica, Sepultura, Jason Becker. Na guitarra portuguesa: Carlos Paredes, Custódio Castelo, Fontes Rocha. No rock progressivo: Frank Zappa, Pink Floyd, Gentle Giant, Camel, Jethro Tull.

 

P – Depois do aclamado Fado metal, regressou em 2014 com “ Mar deserto”. Como caracteriza este novo  álbum ?

RG – É um disco para mostrar que a guitarra portuguesa pode implementar-se como instrumento solista noutros estilos musicais. Sejam o blues, o jazz, o pop, o metal.

É um álbum cheio de experiências harmónicas e também ao nível das sonoridades. Cheguei mesmo a utilizar efeitos de guitarra eléctrica para explorar novos ambientes. Não se trata de um álbum conceptual, a menos

que o conceito seja usar a guitarra portuguesa em estilos diferentes! Procurei construir um trabalho diferente daquilo que já se conhece, daí não ter gravado nenhum fado tradicional. No geral, estou muito satisfeito com o trabalho.

 P – A guitarra portuguesa é uma parte de si ? Podia viver sem ela ?

RG – Vou utilizar a resposta que lhe dei há pouco noutra pergunta: “é uma expansão do meu corpo, esta permite-me canalizar as minhas emoções.”

 P – Quais são os seus  objectivos musicais  para 2014 ? 

RG –  Promover o novo disco em showcases, tv, rádio e concertos,  e lá para o final do ano começar a pensar no próximo disco.

 

Texto Arlequim Bernardini

 

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Jaime Neves pinta o cinema com as cores da criatividade

 Sotaques entrevista o director do Festival que coloriu o mundo a preto e brancoxxxxl

Jaime Neves, responsável pela organização do Festival Black & White, falou à revista Sotaques sobre a 11ª edição do evento. Este ano a música é a grande protagonista com a presença de Tiago Pereira, mentor do projecto “ A música portuguesa a gostar dela própria”.

P – Que novidades traz esta 11ª edição do Black & White ?

Jaime Neves – É muito importante a reafirmação do festival  com uma nova edição. Este ano vamos ter um Black & White voltado para a música, com a presença de Tiago Pereira, dinamizador do projecto “ a música portuguesa a gostar dela própria”, que recupera num documentário o nosso património cultural e a diversidade da nossa cultura popular.

P – Pode-se dizer que é um projecto com sotaques ?

Jaime Neves – Sem dúvida. Tem valor pelos sotaques que revela e que nos encantam, pelas melodias diferentes que mostra da música do nosso país.

P – A revista Sotaques Brasil fala das relações culturais entre Portugal e o Brasil. Que referências têm do cinema brasileiro?

R – Glauber Rocha é uma referência incontornável quando se fala do cinema brasileiro. Tenho pena que este ano não exista nenhum filme brasileiro a concorrente, nem na pré-selecção.

P – Daria um óscar aos voluntários da Escola de artes que fazem o  filme Black & White  todos os anos ?

Jaime Neves –  Merecem um grande óscar pelo esforço e dedicação que revelam e que faz com que tudo se possa concretizar.

Espero que possam ser  futuros realizadores e que concorram no Black & White.

P – Já está a pensar na 12ª edição do festival ?

Jaime Neves – Sim. Gostávamos de trazer o cinema da América latina, de países como o Chile ou o Peru.

Já fizemos contactos neste sentido.

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R. Marques

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Alexandre Borges

img-448281-alexandre-borgesA equipa do Sotaques conversou esta tarde com o ator brasileiro Alexandre Borges , que está em Portugal a apresentar o espectáculo ” Poema Bar ” .

Não perca brevemente a entrevista com uma das maiores estrelas da dramaturgia brasileira .

Alexandre Borges

 

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Entrevista com a atriz Rita Ribeiro

50x501 “Há muitas Gisbertas à nossa volta”

Gisberta foi um dos maiores desafios da vida artística de Rita Ribeiro. A atriz falou à Revista Sotaques sobre esta peça, encenada pelo dramaturgo brasileiro Eduardo Brandão, que lhe tocou o coração de artista.

A História da transexual brasileira Gisberta Salce Júnior, tragicamente morta no Porto por um grupo de adolescentes, tem uma força que ultrapassa fronteiras, e pode chegar ao Brasil.

P – Qual foi o maior desafio que teve para interpretar a mãe da Gisberta ?

Rita Ribeiro – Interpretar este papel foi um dos maiores desafios da minha vida. Apaixonei-me pelo texto, porque era como uma carta fechada, que exigia de mim não só a vertente interpretativa, mas também tinha uma componente humanitária, de denúncia e reflexão sobre um episódio trágico. Foi como voltar à estaca zero e começar de novo.

P – Como surgiu esta Peça ?

Rita Ribeiro – Eu conheci o Eduardo Brandão na casa de um amigo comum, o Tiago Torres da Silva, num jantar e aí falamos na hipótese de trabalharmos em conjunto. Mais tarde, apresentou-me a ideia e achei interessante interpretar a mãe da Gisberta, que ama a filha ,apesar das diferenças, porque amar é aceitar o outro e não tentar que ele seja como nós queremos.

P- Conhecia a História da Gisberta ?

Rita Ribeiro – Conhecia o que li na comunicação social. É um episódio que nos faz tomar consciência de que existem muitas Gisbertas à nossa volta, e que temos de estar atentos a situações de discriminação e de intolerância.

P – Como foi a recepção do público do Porto ?

Rita Ribeiro – Foi extraordinário ver a sala cheia nos espectáculos: o público do Porto é muito afectuoso, e foi maravilhoso sentir a emoção das pessoas, que voltavam a casa com uma reflexão sobre este episódio que se passou na cidade.

P – A Rita Ribeiro é uma atriz com uma grande carreira no Teatro português. Como vê o panorama teatral na atualidade ?

Rita Ribeiro – Eu vejo o Teatro como a grande Escola de um ator. Estamos a atravessar uma fase tumultuosa, de grandes mudanças, mas não podemos perder o entusiasmo.

P – Sente que estava predestinada a ser atriz ?

Rita Ribeiro – Não acredito na predestinação. Nós somos construtores da nossa vida, e embora tenhamos dúvidas existenciais, ao longo do nosso percurso, tomamos as decisões que nos tornam mais felizes.

Ser atriz é uma escolha que encaro com serenidade e clareza.

P – Quem são as suas referências no Teatro português ?

Rita Ribeiro – A minha mãe e o meu pai são as minhas referências. O meu pai era um homem charmoso e bonito, um grande ator, tal como a minha mãe, que ainda é viva, e era igualmente uma atriz excepcional.

P – Que papéis gostaria de interpretar que nunca fez ?

Rita Ribeiro – O Agostinho da Silva dizia “não faças planos para a vida, porque podes estragar o que a vida tem preparado para ti”. Não tenho papéis de sonho, faço o meu trabalho com paixão e a vida acaba por abrir-me novas portas, novos projectos, novos papéis.

P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. Como é que é o seu sotaque ?

Rita Ribeiro – O meu sotaque é alfacinha. Mas é muito interessante este fenómeno dos sotaques: quando estou no Porto, por exemplo, começo a falar à moda do Porto.

Os Sotaques são como cantigas ou músicas. Na minha carreira, já tive de fazer um sotaque espanhol – para um papel na Relíquia – ou italiano – para interpretar a Maria Callas – e é sempre um desafio especial para um ator conseguir ser credível a falar outra língua.

P – Gisberta poderá ser representada no Brasil ?

Rita Ribeiro – Gostaria muito de fazer uma digressão, com esta peça, no Brasil. Não há brasileiro que não tenha um português na

família, e seria muito gratificante levar um espectáculo com esta qualidade para lá.

P – Para a Rita Ribeiro o Teatro é ….

Rita Ribeiro – O Teatro é a minha vida.

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R. Marques

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Comunicação com Sotaques

0002Entrevista com Bárbara Silva do Programa Burburinho 

Um Burburinho ouve-se nas ondas da rádio Manobras do Porto, há um ano. É o programa apresentado por Bárbara Silva, que vai à procura dos sons dos Bairros da cidade do Porto.
No primeiro aniversário do Programa, a Revista Sotaques foi falar com a mãe desta inquieta criança radiofónica. Leia esta entrevista com muitos Sotaques e Burburinhos à mistura.

P – Como nasceu o Burburinho ?

Bárbara Silva – Eu já fazia Rádio em Coimbra, e quando cheguei ao Porto conheci o Projecto da Rádio Manobras. Senti imediatamente uma atracção grande pelo conceito de fazer uma rádio comunitária, percorri os Bairros da cidade, ouvindo as pessoas, e tive a ideia de criar um Programa que desse voz às pessoas.

P – A Revista Sotaques fala da diversidade dos Sotaques. Quais são os Sotaques do Burburinho ? 

Bárbara Silva – São os Sotaques das pessoas da cidade, dos Bairros, dessa diversidade de sons que recolhemos e amplificamos através do Programa.

P – A Bárbara veio de Coimbra para viver no Porto. Como correu a sua adaptação à Invicta ? 

Bárbara Silva – Sinceramente não senti estranheza ao chegar ao Porto: já conhecia a cidade, estava familiarizada com a realidade que ia encontrar e, desde o início, gostei de ouvir as pessoas e de dar-lhes um espaço para se expressarem na Rádio.

P – Ao longo deste ano, há alguma experiência que a tenha marcado ? 

Bárbara Silva – Posso dizer que gostei de ir a todos os sítios, a todos os Bairros. Se tivesse de destacar uma experiência, provavelmente apontaria o Programa que fiz sobre o Bairro do Aleixo.
Vivi aquilo intensamente, porque na altura a Rádio não tinha um espaço próprio, e o Burburinho era feito nos Bairros. Também contei com a participação do Sociólogo João Queiroz e do cineasta Tiago Afonso – que estava a fazer um Documentário sobre o Aleixo – e impressionaram-me os testemunhos das pessoas incríveis que conheci, com um olhar muito crítico sobre a cidade.

P – Como surgiu a Rádio na vida da Bárbara ? 

Bárbara Silva – Como uma paixão. Há uma magia especial em ouvir alguém que não vemos, e imaginar como é que a pessoa é fisicamente – por exemplo, ouvia o Paulino Coelho e não tinha a ideia de como ele era na vida real.
Esse exercício de imaginação do ouvinte, torna a Rádio um meio diferente e especial. Vejo a Rádio como um éter delicioso, que cria um elo de ligação entre os apresentadores e os ouvintes.

P – Neste Dia de aniversário, que mensagem quer deixar aos leitores da Revista Sotaques Brasil/Portugal ? 

Bárbara Silva – Felicito a Revista Sotaques pela valorização da interculturalidade, da conexão entre o Brasil e Portugal.
Aos nossos amigos brasileiros, peço que estejam connosco, que ouçam a Rádio Manobras, porque vamos continuar a manobrar, a criar e a dar voz às pessoas do Porto.

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Ruth Teixeira, o Sotaque da Solidariedade de Belém do Pará

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Natural de Belém do Pará, Ruth Teixeira vive no Porto há várias décadas. Na cidade Invicta, teve vários trabalhos e abraçou a causa do Associativismo, sendo actualmente a Presidente da Associação Mais Brasil.
No âmbito deste Mês dos Sotaques de Belém do Pará e do Alentejo, falámos com Ruth Teixeira, uma mulher que trouxe para o Porto o Sotaque da Solidariedade de Belém do Pará.

P – A Ruth é natural de Belém do Pará. Como caracteriza a sua Região Natal?

R – É uma região quente e chuvosa

P – Como é o Sotaque das Paraense ? 

R – O paraense não tem um sotaque tão acentuado como no resto do país.

P – Quando chegou a Portugal, sentiu muitas diferenças em relação ao Sotaque e à forma de falar dos portugueses? 

R – Sim, por ter muitas palavras com significado diferente do Brasil.

P – Gosta de algum Sotaque português em particular ? 
R – O sotaque dos Lisboetas

P – Vive no Porto há alguns anos. O que gosta mais e o que gosta menos na cidade?
R – Gosto, da segurança, transporte, saúde.

P – E em relação a Portugal? 

R – Do acolhimento. Sentimo-nos bem tratados pelos portugueses.

P – Como olha para o Brasil actualmente ? 

R – Fico muito triste com o que está a ocorrer, com a actual situação no Brasil principalmente em relação a segurança, saúde, educação e o desperdício do dinheiro público.

P – A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal estimula a relação entre o Brasil e Portugal. Que iniciativas acha que se deviam tomar para promover as relações entre os nossos dois povos ?

R – Uma maior divulgação da cultura Portuguesa no Brasil.

R. Marques

Entrevista com DJ Moreno

Moreno (1)DJ Moreno é uma das grandes referências artísticas alentejanas com uma Projecção a nível nacional e internacional. Nesta entrevista que concedeu à Revista Sotaques Brasil/Portugal, conhecemos melhor este músico que consegue juntar o respeito pelas tradições e um olhar optimista e criativo para o Futuro.
Que inventa o Futuro, em cada nova música, em cada nova mistura, sem perder o Sotaque da inconfundível Cultura alentejana.

P –Évora está em destaque este mês na Revista Online Sotaques Brasil/Portugal. O que significa esta cidade na vida e no percurso profissional do Moreno ?

R – Évora para mim significa passado, presente e possivelmente futuro. Adoro a cidade onde nasci, cresci e se for possível gostaria de continuar, neste momento tenho alguns projectos por aqui em que estou a trabalhar mas o futuro ninguém sabe.

P – O que é que, quem chega a Évora pela primeira vez, não pode perder ?

R – O primeiro conselho que eu dou a quem vêm a Évora é que não venha só um dia, é uma cidade turística e património mundial, com vários monumentos e edifícios antigos, é fácil perdermo-nos na beleza e hospitalidade.

P – O Moreno é um dos Disc Jockeys mais promissores do país. Sempre sentiu vocação para trabalhar nesta área artística ?

R – Antes de responder não posso deixar de agradecer o elogio na introdução e respondendo à pergunta concretamente; não era daquelas ideias que tinha quando era pequeno, sou sincero, nem quando saia com os amigos mas quando começei a trabalhar a noite surgiu a oportunidade, houve pessoas a quem hoje agradeço muito, que na altura acreditaram em mim, me apoiaram e ao olhar para trás acho que fiz bem e espero que as pessoas que me apoiaram se orgulhem de mim.

P – O que mais o apaixona no seu trabalho e aquilo que menos gosta?

R – O que mais me apaixona é a possibilidade de ver o retorno do meu trabalho logo ali, quando o estou a fazer, apesar de termos todo um trabalho de pesquisa e organização, fora da altura em que estamos a fazer o “set”: quando estamos frente a frente com o público, temos feedback do que fazemos, temos uma reacção imediata da parte de quem está a ouvir, e isso é muito gratificante.
Por outro lado, e como não só coisas boas, são por vezes as constantes deslocações , isto é, fazer o que faço permite-me conhecer muita gente e muitos locais or todo o país, o que eu gosto muito, gosto de conhecer pessoas, locais, culturas, no entanto as viagens, por vezes, tornam-se cansativas e esse por vezes é o ponto negativo.

P – Quais são as suas referências musicais na sua área ?

Em Portugal para mim existe uma referência indiscutível na música electrónica que é o DJ Vibe, se olharmos para a carreira dele e se virmos como foi progredindo ao longo dos anos, sempre fiel a ele próprio e sem se deixar influenciar pelas tendências do público, das Editoras, das casas, é de dar muito valor, não só por o fazer mas por o fazer e no final ser a referência que é no mundo da música electrónica.

P – Como se definiria como Disc-Jockey ?

R – Como Disc-Jokey sempre me defini como um Disc-Jokey que trabalha muito para casa, sempre fui residente durante a semana e aos fins de semana trabalho com várias casas e isso dá-me algum conhecimento do público e facilidade para o perceber.

P – A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal procura valorizar as diferenças de Sotaque em Portugal e no Brasil. O que acha do Sotaque alentejano ?

R – O sotaque alentejano penso que é o sotaque mais carismático do nosso país, toda gente conhece e toda gente sabe imitar o sotaque alentejano.

P – E do Sotaque brasileiro ?

Para mim o sotaque brasileiro é quase como se fosse cantado, por vezes se retirarmos o significado das palavras e ficarmos só com a sonoridade parece que é uma melodia.

P – Já trabalhou com Disc Jokeys brasileiros ? Como correu a experiência?

R -Conheço alguns DJs brasileiros que vivem no Brasil, outros que vivem em Portugal, falo com alguns, mas ainda não surgiu oportunidade de trabalharmos juntos.

P – Gostava de mostrar a sua música no Brasil?

R – Claro que sim, o Brasil é um mercado cada vez mais apetecível, tem muito público, é o foco de muitos mercados agora pelo seu desenvolvimento nos últimos anos, toda gente sabe que os brasileiros são um povo que gosta muito de tudo quanto é festa e além disso para nós portugueses é um mercado onde não existe uma barreira linguística o que pode facilitar.

P – Profissionalmente qual é a pista de dança ou de Discoteca dos seus sonhos, onde desejaria mostrar o seu trabalho musical ?

R – Apesar de existirem “locais sagrados” cada vez mais me identifico com as pessoas que gerem os espaços e conceitos, porque os locais estão lá mas são o fruto da criação de alguém.

P – O que representa a música para o Moreno ?

R – Neste momento a música é “um dos elementos mais importante da minha vida”, juntamente com as pessoas que tenho mais perto de mim, isto porque eu sinto que tenho o prazer de trabalhar numa área que gosto, faço aquilo que gosto, o que cada vez é mais difícil e por isso trabalho todos os dias para que possa continuar a fazê-lo.

www.sotaques.pt – Amamos os nossos artistas

R Marques

Ana Santiago à procura da melhor versão de Portugal

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Qual é a nossa melhor versão em sociedade? Foi a partir desta simples pergunta que Ana Santiago, autora do blogue VIPP do Expresso, docente universitária e consultora na área da imagem e relações públicas, partiu em busca da melhor versão dos portugueses. A obra que escreveu “ Qual a sua melhor versão” foi recentemente apresentada na ANJE, na cidade do Porto, e voará com a autora rumo ao Brasil no final do mês de Novembro. 

Qual é o objectivo principal desta obra ? 

 Ana Santiago – Procurei a partir de uma questão “ Qual é a sua melhor versão” propor um conjunto de metas individuais mais próximas da realidade, que permitam às pessoas concretizarem o seu potencial. Estes objectivos não passam pela dependência do Estado ou de Instituições, mas por mudanças individuais que desencadeiem transformações colectivas. 

 P – Quais são essas metas ?

 Ana Santiago – O Livro está dividido em quatro partes onde identifico 24 metas que passam pelo auto-conhecimento, pela vida familiar, pelo relacionamento e comunicação com os outros, pelo empreendedorismo e planificação da carreira que podem representar um salto em frente na nossa auto-estima e, consequentemente, uma significativa melhoria da nossa situação profissional e pessoal. 

 P – Este contexto de crise que estamos a viver torna essa valorização pessoal numa necessidade ? 

 Ana Santiago – A crise pode ser um momento de definição. O importante é que cada um de nós encontre a sua vocação e paixão: por exemplo, eu fiz voluntariado internacional em Cabo Verde em 2010, interrompendo a minha actividade profissional em Portugal, porque senti que necessitava de passar por essa experiência e aprendi muito com ela. 

Temos de nos sentir bem com as nossas opções. Mesmo que, aparentemente, estejamos numa situação estável.  Essa dinâmica, esse gosto por experimentar novos desafios, enriquece-nos pessoal e profissionalmente. 

 P – Vai estar brevemente no Brasil. Como será a sua agenda em terras brasileiras ? 

 Ana Santiago – Vou estar em São Paulo a  28 de Novembro – na Casa de Portugal em São Paulo – e nos dias 25 e 26 desse mês em Alagoas a convite da Associação brasileira de Recursos Humanos. 

Tenho uma excelente relação com os colegas brasileiros, e será uma óptima oportunidade para estreitar laços e mostrar o meu livro. Já estive antes no Brasil- fui entrevistada pela TV Globo, em Pernambuco – e foi uma experiência muito interessante.

 P – Uma última e obrigatória pergunta: qual é a melhor versão de Ana Santiago ? 

 Ana Santiago – É uma versão optimista, positiva e lutadora. De uma pessoa assertiva que procura  sempre superar-se e valorizar-se com as experiências que vive. 

 R. Marques 

 

Curso de Gestão de Eventos com nota excelente

Curso de Gestão de Eventos – AnjeCurso de Gestão de Eventos com nota excelente 

Os alunos do Curso de Gestão de Eventos da ANJE e seus respetivos  formadores estão de parabéns. Organizaram como trabalho final, na passada quinta-feira, o Evento de apresentação do livro de Ana Santiago ” Qual é a tua melhor Versão” com qualidade e profissionalismo.
Parabéns a todos por um Evento onde mostraram atenção aos detalhes, fizeram uma apresentação individual da sua melhor versão, e souberam estar sempre à altura dos desafios que encontraram. É este profissionalismo que faz toda a diferença !!!
Parabéns a todos e todas por esta excelente versão do que é uma Gestão de Eventos de sucesso !!!

www.sotaques.pt – Eventos com Sotaques

R. Marques

Carlos Gil

1381377_10151805567178751_15762963_nEntrevistas com Sotaques: Carlos Gil 

Foi uma das sensações do Portugal Fashion 2013. A colecção do estilista Carlos Gil para a Primavera/Verão 2014 juntou o Norte do país e a Índia, e impressionou o público pela exuberância e pela diversidade de tons e cores que revelou.
Entrevistamos Carlos Gil, um estilista que se inspira nas viagens que faz para criar novos conceitos, para olhar a Moda com uma visão muito própria, aberta às influências do Mundo

P –Como surgiu esta ideia de se inspirar na Índia ? 

R – Para mim, viajar é o maior luxo que podemos ter. Fascina-me conhecer outras culturas e, foi a partir dessas viagens, que me surgiu a ideia do tema da Colecção “ Juntar o Norte de Portugal e a Índia”, onde mostrasse o glamour que essa mistura de estilos pode trazer.

P – A Participação no Portugal Fashion é muito importante para um estilista ? 

R – Sem dúvida. Este reconhecimento que é estar aqui, com todas as dificuldades e todo o trabalho que exige preparar uma Colecção, é uma enorme satisfação.

P – O Brasil é uma referência na Moda mundial. Gostava de apresentar o seu trabalho no Brasil ? 

R – Eu sou um apaixonado pelo Rio de Janeiro e tenho em mente até um Tema para uma Colecção que se inspiraria na Amazónia, uma Região muito especial que me fascina como criador.

P – A Revista Sotaques Brasil/Portugal fala da diversidade de Sotaques que existem em Portugal e no Brasil. Qual é o Sotaque de Carlos Gil?

R – Eu diria que o meu Sotaque é um Sotaque do Mundo. Nasci em Moçambique, fui viver para o Norte do país e o meu trabalho inspira-se em múltiplas influências espalhadas por vários Continentes .

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R. Marques

Pedro Crispim

IMG_0217Entrevista com Sotaques : Pedro Crispim

Nome incontornável na definição das tendências da Moda no país, Pedro Crispim esteve no Portugal Fashion 2013 e falou com a Revista Sotaques Brasil/Portugal. Leia esta entrevista cheia de estilo.

P – Que balanço faz deste Portugal Fashion 2013 ?

R – Acho que tem sido um Evento bem organizado e com qualidade que, fruto de um crescimento sustentado, se tem consolidado não só a nível nacional como internacional. Também noto que o público está cada vez mais atento às novas Colecções, e que o nível dos modelos e dos criadores tem sido excelente.

P – Destaca algum criador em particular ?

R – Destacaria vários nomes. Gostei por exemplo da colecção de Elisabeth Teixeira, por explorar um estilo desportivo e urbano para homem e mulher, também apreciei Ricardo Preto por ter criado uma colecção leve e divertida que se adapta à mulher moderna, segura de si.
Poderia acrescentar a Katty Xiomara pela criatividade da sua colecção de desenhos geométricos, inspirada nos azulejos portugueses, que me fez lembrar a grande Escola de Bauhaus.

P – O Brasil é actualmente uma referência no Mundo da Moda ? 

R – Sem dúvida. Tanto a nível de modelos como de criadores o Brasil é um país que se tornou numa referência a nível mundial, além de ser uma fonte de inspiração, de cor, de criatividade que inspira os criadores.

P – É importante que existam mais Parcerias entre designers portugueses e brasileiros ?

R – Essas Parcerias são vitais para que a nossa Moda cresça. Porque nos permitem projectar para fora a qualidade que possuímos e, simultaneamente, receber novas propostas de designers brasileiros que enriquecem as nossas criações.
Este intercâmbio criativo faz com que cresçamos em conjunto.

www.sotaques.pt – Uma Revista cheia de estilo

R. Marques com Daila Lupo

Carine Zanatta

IMG_0117Entrevistas com Sotaques: Carine Zanatta

Modelo e apresentadora de programas de Televisão sobre Moda, Carine Zanatta foi um dos rostos em destaque no Portugal Fashion 2013. Desfilou numa colecção do estilista Carlos Gil, que impressionou o público pela criatividade e exuberância.
Leia esta entrevista com Sotaques e muita Moda com um dos grandes valores da Moda nacional.

P – Esta colecção destaca-se pela inspiração na Índia. Como se sentiu na passerelle ao vestir os modelos de Carlos Gil ? 

R – Foi uma sensação óptima. Acho que esta colecção é especial porque vai buscar inspiração fora e traz esse perfume diferente que vem da Índia, traduzindo-se numa roupa leve e elegante, com uma luz própria.
Como Modelo senti-me muito cómoda com esta roupa, e julgo que ela é sedutora para mulheres que gostam de mostrar um estilo diferente, de manifestar a sua personalidade na roupa que usam.

P – Carlos Gil disse que esta colecção juntou o Norte de Portugal e a Índia. Sentiu essa proximidade ? 

R – Sem dúvida. Esta mistura de estilos, de referências é que torna a Moda um Universo fascinante, é ela que nos alimenta e torna o nosso trabalho – de criadores e modelos – mais rico e produtivo.

P – Como está a ver o Portugal Fashion 2013 ? 

R – Está a ser um Evento muito interessante. Não só em termos de organização, que cada ano é melhor, mas também em relação à qualidade das Colecções e ao profissionalismo dos modelos.
Julgo que há um salto qualitativo da Moda portuguesa que é visível neste Evento.

P – A Carine é brasileira e já trabalhou no Brasil e em Portugal. Como acha que a Moda podia estreitar as relações entre os dois países? 

R – Acho que a Moda é uma área em que temos tudo a ganhar se tivermos uma relação mais próxima. Estão a dar-se passos neste sentido : há cada vez mais designers e modelos que trabalham nos dois países, e sabe-se mais das criações, modelos e criadores portugueses no Brasil e brasileiros em Portugal.
Esse é o caminho que devemos seguir: até porque para além da Língua, partilhamos ligações profundas a nível da sensibilidade, do gosto, do estilo, que se reflectem na Moda que criamos.

www.sotaques.pt – A Moda em Revista

R. Marques

Adriano Eysen Rego

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Entrevista com Sotaques: Adriano Eysen Rego, um escritor com paixão pela Heteronímia pessoana 

Escritor de múltiplos recursos e Professor universitário, Adriano Eysen Rego é também um apaixonado estudioso de Fernando Pessoa e de Mário de Sá Carneiro. O Sotaques falou com este escritor brasileiro que se desdobra em vários personalidades literárias, à imagem dos heterónimos do seu admirado Fernando Pessoa. 
P – O Adriano é poeta, contista e crítico literário, ensaísta, além de escrever crónicas e artigos na Imprensa. Em que área literária e jornalística se sente mais cómodo? 

R – Eu diria que a Poesia é a actividade literária em que me sinto mais à vontade. Exemplo disso, são obras como “ Cicatriz do silêncio” ou “Espelho D’ Água” uma colectânea de poemas que também foi editada em CD, onde declamo a minha poesia.
Isto sem desprimor por outros géneros literários, que vão do Conto ao Ensaio ou artigo jornalístico, que também cultivo com prazer.

P – Como é que o Professor universitário Adriano Eysen vê o escritor ? Que características destaca na sua escrita ? 

R – Eu afirmaria que é uma relação ambígua: o escritor mexicano Octávio Paz falava da dupla face da Literatura, já que esta é indissociável das nossas memórias literárias. Julgo que esta dupla condição, gera uma maior auto-exigência do autor.
Quando escrevo, tenho dentro de mim os ecos dos autores que li – por exemplo, Pessoa e Sá Carneiro – e, por isso, vou construindo, com cautela, a Obra através de uma carpintaria específica, em que as palavras tem de ter um valor próprio, único, para fazerem sentido.

P – Quais são as suas grandes referências literárias entre os escritores portugueses, brasileiros ou de outras nacionalidades ? 

R – No campo do Ensaio, eu assinalaria Octávio Paz, por causa de Obras como a Dupla Chama ou o Arco e a Lira, que me impressionaram pela erudição e clareza literário. Também destaco ensaístas brasileiros como Afonso Roman Santana ou Cleonice Bernardelli, ou portugueses como Jorge de Sena e Teresa Rita Lopes.
Na poesia tenho de destacar em Portugal, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro ou Camões e, no Brasil, sou um admirador do poeta Castro Alves, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto ou o poeta baiano Rui Espinheira Filho.

P – Eça e Jorge Saramago também são admirados no Brasil ? 

R- Sem dúvida. Eça, mais propriamente o “ Primo Basílio”, é estudado nas Universidades na cadeira de português.
Também existem agremiações literárias que falam de Eça. Quanto a José Saramago, os livros dele são muito lidos pelos brasileiros, nomeadamente o “ Ensaio sobre a Cegueira”, que foi adoptado para o cinema pelo Fernando Meireles.
É um escritor fundamental, porque nos transmite uma mensagem humanista, em que o ser humano tem de ser colocado no Centro do Mundo.

P – A escrita para si é um dom natural ou é um trabalho de persistência ?

R – O escritor é um “fatalizado”. Ou seja: há sempre um processo de amadurecimento, de trabalho e persistência, portanto o talento tem de se pôr à prova, de se aperfeiçoar para gerar frutos.

P – O ensino da Literatura no Brasil é o adequado ou acha que deveria haver mudanças ? Se sim, quais ? 

R – Tem melhorado muito. Nos Cursos universitários da Baía, por exemplo, temos procurado repensar os programas, com o objectivo de acompanhar as próprias mudanças do Mundo.
Acho que há Universidades brasileiras que tem feito um trabalho sério, repensando os programas e as referências, e procurando manter-se actualizadas.

P – Lê em formato digital ou prefere sempre o formato em papel, mais tradicional ? 

R – Prefiro o papel, porque tenho uma relação sinestésica com a Literatura. Necessito sentir aquilo que leio e, nesse aspecto, o papel é essencial e único.

P – Que papel tem as redes sociais no desenvolvimento da forma como escrevemos romances ou livros de poesia ? 

R – Antes de mais, como disse atrás, a linguagem está num processo dinâmico e, nesse sentido, podem ser interessantes os contributos das redes sociais. Desde que não levem à banalização e à exposição da vida privada.

P – O espaço da Literatura nos Jornais vai acabar ? 

R – É inegável que a Literatura tem perdido espaço nos Jornais e essa tendência é perigosa. Por isso, creio que devemos respeitar essa tradição literária – de juntar Jornalismo e Literatura – porque foi graças a ela que tivemos, no século XIX, uma grande Geração de escritores a escrever folhetins que marcaram a História das nossas Literaturas.

P – A Revista Sotaques Brasil/Portugal valoriza as diferenças de Sotaques em Portugal e no Brasil. Há algum Sotaque brasileiro que aprecie particularmente ? 

R – No Brasil há uma enorme diversidade dialectal de sotaques, mas se tivesse de escolher um, diria que o nordestino, pela sua musicalidade.

P – Como encarou as últimas manifestações no Brasil ? 

R – Vi-as como uma reivindicação natural dos brasileiros, que aspiram a beneficiar dos progressos do país em áreas essenciais para as suas vidas como a saúde, a educação ou o combate à corrupção.

P – Que opinião tem de Portugal ? Como tem visto o nosso país ? 

R – Fiquei com a impressão de um país denso, com muita História. Aqui no Porto tive uma recepção calorosa e participei em Eventos que me marcaram como as “ Janelas do Fado” em Matosinhos, onde tive o privilégio de ouvir cantar o Fado.

P – Quem foi para si Fernando Pessoa ? 

R – Pessoa foi um Universo em ebulição,tanto filosófica como poeticamente. Foi uma centelha de vida que nos iluminou e continua a assombrar até hoje.

 

www.sotaques.pt – Entrevistas com Sotaques

Festival Black & White

Black & White02(Entre) (Vista) com Sotaques e Cinema a Jaime Neves, Diretor do Festival Black & White

Créditos iniciais:

Imagem em Grande Plano: Jaime Neves, Diretor do Festival de Cinema Black & White

Diretor: Jaime  Neves

Filme: Black & White, Dez anos de Paixão a Preto e Branco

Atores: Todos os Voluntários que participam na organização do Black & White, os alunos, professores e responsáveis  da Escola de Artes da Universidade Católica do Porto e  os patrocinadores

Local de realização: Instalações da Universidade Católica

Público: Amantes do Cinema em todo o Mundo

Sinopse: Esta é a História de uma Paixão de um Homem e de uma Escola de Artes pelo Preto & Branco e do modo como conseguiram dar cor, em dez anos, a um Festival de Cinema na cidade do Porto

Género: Filme/Entrevista

Luzes, Câmara, Ação !!!!

Cena um – Esta é a 10ª Edição do Festival Black & White. Quais foram os melhores e os piores momentos  ao longo deste percurso ?

Diálogo de Jaime  Neves – O melhor momento foi o primeiro minuto  do Black & White em 2004. Foi conseguir realizar este projeto,  que  muita gente pensava  que era  uma loucura, que não teria sucesso e que, afinal, apesar de todas as vicissitudes, tem crescido todos os anos e hoje é uma referência incontornável a nível internacional.

Quando se fala, lá fora, num Festival a Preto e Branco, há uma imediata referência ao Black & White, o que é um motivo de orgulho. Quanto ao pior, tenho de referir há dois ou três anos, quando o Vulcão na Islândia fez com que um membro do Júri não pudesse vir, e afetou as Viagens de muitos convidados que estariam cá durante o Festival.

Também posso falar do ano passado, quando tivemos quatro dias de Chuva no período do Festival.

Cena dois – Qual é a Cor do Black & White ?

Diálogo de Jaime  Neves – O Preto e Branco reinventa todas as cores. Eu diria que é a cor da imaginação, e essa tem sido a filosofia deste Festival: apostar na criatividade, na capacidade de reinventar uma Estética que está cada vez mais forte e que nos dá a liberdade, como espectadores, de ver a cor que quisermos.

Há alguns anos temia-se que o Preto e Branco pudesse desaparecer. Mas felizmente isso não aconteceu, e há cada vez mais obras com estas características.

Cena três – O cinema a cores é daltónico ?

Diálogo de Jaime  Neves – Eu gosto e vejo cinema a cores. Admiro, por exemplo, realizadores italianos como o Visconti, que trabalham admiravelmente a imagem.

Agora acho que o cinema a Preto e Branco é mais puro no sentido em que, como disse anteriormente,  nos permite recriar as imagens, trabalhá-las de uma forma muito especial.

Cena quatro – O que destacaria nesta 10 ª Edição ?

Diálogo de Jaime  Neves – Para além das secções competitivas habituais  nas áreas do vídeo, do áudio e da fotografia, destaco a presença do Lauro António, cineasta, crítico e professor de cinema muito prestigiado  que nos mostrará dois dos seus filmes “ Vamos ao Nimas” e “ Manhã Submersa de Vergílio Ferreira”,  e dará uma conferência  sobre Cinema, interagindo com o público, e  teremos palestras como a que dará o fotógrafo esloveno Even Bavcar, cego desde  a infância, e que é uma referência na fotografia mundial com várias Exposições reconhecidas internacionalmente.

Realçaria também a parceria que temos com um Festival a Preto e Branco – o Ciné Rail em Paris – que está dedicado aos filmes sobre comboios com esta estética e que será alvo de uma atenção particular – o Diretor do Ciné Rail vem ao Festival e faz parte do Júri  do Black & White– e o Festival de Arte digital – Interactive- que apresentará alguns trabalhos e obras premiadas no decorrer do Evento.

Também haverá uma mostra de filmes, resultante de uma parceria com a CP, de filmes nacionais sobre a temática dos comboios.

Cena cinco – Quanto tempo demora a preparar um Black & White e quantas pessoas participam na realização do Festival ?

Diálogo de Jaime  Neves – Exactamente um ano, desde que acaba o Festival, começamos a preparar o ano seguinte. Relativamente à organização, são sete pessoas que definem a estratégia do próximo Evento, e além disso temos os voluntários, alunos da Católica, largas  dezenas que nos ajudam a preparar o Festival e a ter tudo pronto  para receber o público.

Cena seis – Como vê esta nova Geração de cineastas ?

Diálogo de Jaime  Neves – Eu acho que há muita  qualidade nas  novas Gerações . O essencial, julgo, é que não tentem copiar o cinema americano, por exemplo, é que consigam retratar a nossa realidade, língua e cultura.

Esse é o nosso caminho, o que dá identidade ao cinema português.

Cena sete – Qual é o Filme a Preto e Branco da sua vida ?

Diálogo de Jaime  Neves – Posso referir Manhattan de Woody Allen. Pelas imagens belíssimas de Nova Iorque que, com a música de George  Gerschwin, criam uma envolvência muito rica que seduz os espectadores.

Também gostei muito de Café e Cigarros de Jim Jarmusch e impressionou-me o Cavalo de Turim do realizador Húngaro Bela Tahar, um filme muito recente, que me emocionou.

Cena oito – Que título daria ao Filme Black & White ?

Diálogo de Jaime  Neves – A Paixão. A Paixão a Preto e Branco.

Este Filme não acaba aqui. Preparem-se para a 11ª Parte em 2014

www.sotaques.pt – O Filme da sua Cultura

R. Marques

Entrevista com Sotaques: Lene Silva

LeniSilvaGrooveDaNegona (2)Um Furacão de optimismo e felicidade. Assim é Lene Silva, a artista nascida no Estado do Piauí, que pôs todo o Brasil a dançar com o seu êxito “ Rala com Coxa”.

A Revista Online Sotaques falou com uma cantora que se encantou com Portugal, e que encontrou nos portugueses o optimismo característico do seu Brasil Natal. E, para a qual, Portugal passou a ter um lugar no seu coração e no seu percurso artístico, prometendo voltar cá muitas vezes.

P – Como está a correr esta Promoção do seu trabalho  em Portugal ?

LS – Está a correr  tudo melhor do que eu imaginava : a aceitação foi  maravilhosa , os portugueses e brasileiros aprovaram e gostaram   do estilo das músicas, o que me deixa muito feliz. Obrigada a Deus e à  minha representante,  Ritmos e temas e  à Vanguarda,  que muito têm feito pela promoção do  meu trabalho.

P – Com que impressões ficou da cidade de Lisboa e dos portugueses ?

LS – Lisboa é linda, as pessoas são  muito simpáticas: tive uma recepção calorosa numa estação fria, fiquei encantada  com a Gastronomia, a Cultura, os Monumentos históricos, enfim,  tive uma troca de conhecimentos com amigos que fiz, e  fiquei com uma enorme vontade de conhecer alguns lugares onde não estive.

Por isso, a expectativa é enorme   para que eu volte brevemente.

P – A Lene começou muito nova na área da música. Como foi essa aprendizagem ?

LS – Foi fantástica,porque comecei no coral da igreja católica  : a minha família é muito católica, depois fiz barzinhos, e  fui  crescendo  gradualmente.

Na verdade,  aprendo todos os dias algo novo,  e estou focada nesse trabalho em Portugal,  porque sei que tenho muito a oferecer e a receber.

P – Sente que estava predestinada a ser artista ?

LS – Sim,acredito que cada um de nós nasce com um dom.A arte completa a minha  vida. A vida no Mundo  precisa da arte,  ela envolve  o nosso dia a  dia.

Ela está em todo o lado: numa simples música que você escuta para se animar ou para comemorar algo especial. A minha missão é levar alegria às pessoas,  sejam elas quem forem.E aqui estou eu para fazer o verdadeiro fuzuê!

P – O seu êxito “ Rala com coxa” tornou-se um sucesso no Brasil. Estava à espera deste sucesso tão imediato ?

LS – Tudo que eu faço,além de amor,faço com muita fé.Então se o público está a gostar,   é sinal que consegui atingir o coração de cada um.

Quero levar essa energia positiva além do Brasil, fazer com que Portugal dance e se divirta comigo.  Vamos ralar com coxa !!!

P – Onde vai procurar inspiração ? Em que artistas se revê ?

LS – Tenho minha própria essência, fruto de todas as minhas experiências musicais,  que são variadas.Mas gosto de  Gilberto Gil, da  colega Ivete Sangalo,Danyela Mercury, por que não mencionar o rei do baião,  Luis Gonsaga,  que escutei muito  quando criança, Madonna e tantos outros.

Apesar de muitos deles,  não terem muito a ver com o meu estilo. Mas onde eu encontro a minha maior  inspiração , que me permite fazer  tudo com simplicidade,  amor e fé, é Jesus Cristo

P – Que características  tornam  a sua música tão popular ?

LS – O sentimento, a alegria e amor,a forma de interpretar e levar a mensagem até ao coração das pessoas.

P- Conhece a Música portuguesa e gosta de algum músico português em particular ?

LS – Sim aqui no Brasil desde criança escutávamos muito o vira-vira de Roberto Leal, mas amo o trabalho de Tony Carreira. Como vocês dizem: Tony Carreira é muito giro!

P – Estaria disponível para ter uma parceria musical com um artista português ?

LS – Sim com certeza! Seria um imenso prazer.

P – A Lene é do Piauí. Como é a sua Terra e o que a torna especial para si ?

LS – O povo piauiense é muito acolhedor e feliz. O nosso Estado é lindo:  tem muitas riquezas naturais, minerais, gastronómicas e culturais.

Como o famoso delta do Parnaíba,  que é o terceiro maior delta oceânico do mundo. A Serra da capivara em São Raimundo Nonato, Teresina,  a capital do Piauí é a única capital do nordeste que não possui litoral,mas essa falta  é compensada com a natureza e dois importantes rios o Parnaíba e Poty.

O nome Teresina é uma  homenagem à  mulher de Dom Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina: as suas ruas têm  nomes portugueses. É possível passear por Teresina, pela  sua cultura, história, artesanato, folclore, gastronomia típica, a sua natureza, os  seus Parques que formam extensos cinturões verdes, praticar desporto, e conferir a hospitalidade do seu povo.

No Piauí,  encontram-se os mais antigos sítios arqueológicos do Brasil e da América, considerados entre os mais importantes do mundo.Isso é apenas um pouco do Piauí,  que me vêm  na memória neste momento.

Existe muito mais. Espero que,  com o  nosso intercâmbio,  eu possa levar,  cada vez mais,   informações sobre meu Estado que tanto amo,  e outras maravilhas do Nordeste do Brasil.

P – Como é o Sotaque dos naturais do Piauí? A Lene conserva esse Sotaque ?

LS – Varia de região a região: há  lugares em  que o DE é DÍ,o Te é Tí,uns são normais,  outros  mais carregados, parecem cantados,mas que não têm nada a ver com o sotaque de Chayene da novela,  cheia de charme,  que está  a passar atualmente em Portugal.

Até porque em Sobradinho,  que é vizinho a Luis Correia litoral,  onde reside a minha mãe , as pessoas não falam daquela forma que é interpretada na Novela.

P – Como vai ser a sua agenda de espectáculos em 2013 ?

LS –Vou  dividir a  minha Agenda entre Brasil e Portugal.

P – Que mensagem gostaria de deixar  aos seus fãs  portugueses através da Revista Sotaques Brasil/Portugal ?

LS – Quero agradecer o carinho dessas pessoas maravilhosas, que continuem a acompanhar-me ,a gostar do meu trabalho. Tenho muito o que mostrar,muita alegria a levar.

Na vida,  aprendi que não podemos baixar a cabeça e entristecermo-nos  com os problemas: temos de  erguer a cabeça,  e dar o máximo de nós, fazer a nossa  parte,  e ter esperança que  amanhã  tudo dará  certo.

Como dizem os Brasileiros, numa frase que é muito utilizada: “Sou brasileiro com muito orgulho e muito amor,  não desisto nunca”.

Apesar dessa crise, encontrei pessoas felizes em Portugal, lindas,  e com muita força de viver, esse optimismo  típico em  nós,  Brasileiros. E aguardem que “EU CHEGUEI PRA FAZER FUZUÊ”.

Obrigada à  minha representante Ritmos e temas,Vanguarda e à Revista  Sotaques por essa entrevista.Beijinho,  beijão,  e fiquem com Deus.

www.sotaques.pt – O Palco dos Artistas Portugueses e Brasileiros

R. Marques

 

 

 

Primitive Reason

Primitive Reason @ Music Box 28 12 2012Entrevista com Sotaques:  Primitive Reason 

Os Primitive Reason regressam em força com um novo Disco que é uma declaração de intenções. “ Power to the people” é uma mensagem em favor da liberdade individual, e da necessidade de tomarmos o destino nas mãos.

A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal falou com o vocalista da Banda, Guilhermo de Lera,  para conhecer melhor esta Filosofia de Vida e de Música, que conquista fãs em todo o Mundo.  E que promete, brevemente, chegar ao Brasil.

P – O título deste novo Álbum chama-se “ Power to the people”. É uma mensagem que querem enviar aos poderes estabelecidos ?

GDL –  Não necessariamente. Utilizámos o “Power to the People” como uma metáfora para sugerir, ou incentivar,  uma maior responsabilização pessoal perante os problemas que assolam o nosso país,  e o mundo em geral. O ser humano moderno,  precisa de assumir uma postura de envolvência muito maior com a direção que o seu destino pessoal toma. Dar o poder de decisão aos poderes estabelecidos sobre como viver a nossa vida,  e no que acreditar,  é um erro crasso, pois com o ‘tomar as rédeas’ e decidir  por nós,  é atingida a verdadeira liberdade.

Simultaneamente,  exerce uma pressão necessária sobre os governantes. Só porque a lei o diz, não significa que seja certo, justo ou correcto, em particular quando a lei é feita por pessoas que não provaram ser merecedoras desse poder de decisão. Só a um nível político se tem este tipo de poder sem nunca se ter provado ter como objectivos a justiça, o altruísmo e defesa dos mais necessitados. Se as  palavras alimentassem, não haveria fome no mundo.

“Power to the People” simboliza, portanto o poder de decisão do indivíduo,  acima dos poderes estabelecidos.

P – Que características tornam este Álbum singular e único  no meio da vossa Discografia ?

GDL – Este álbum chega depois de uma ‘travessia no deserto’ de alguns anos sem lançar discos no mercado. Nestes anos nunca parámos de compor e isso fez com que este disco se tornasse uma seleção, um género do melhor  dos últimos 5 anos de composição,  que deram origem a mais de 24 canções,  entre as quais tivemos de escolher as eleitas. 

P – Tocaram recentemente num  lugar emblemático da Música na cidade do Porto – o Hard Club. A escolha deste espaço teve a ver com a vossa filosofia musical ?

GDL – A tradição de Primitive Reason no Hard Club é de longa data. De facto a maioria dos concertos que fizemos no Hard Club ao longo dos anos foram deveras memoráveis, e por isso a escolha foi fácil e veio-nos com muita naturalidade e à vontade. Regressar ao Porto foi um momento mágico para nós. A ausência foi longa,  mas o regresso fantástico.

P – Os Primitive Reason possuem uma legião de fãs não só em Portugal como em Espanha e nos Estados Unidos. Sentem-se uma banda global que tem capacidade para ser ouvida e  respeitada em vários países ?

 GDL – Sem dúvida. Primitive Reason não só é,  e sempre foi uma banda global, como também é uma banda que reflecte as ideias e os valores dos ‘cidadãos do mundo’, ou seja, gente que não acredita em fronteiras  como fins, que vê o mundo como sua casa,  e a sua nação de nascença como o seu bairro dentro dum macrocosmo mundial.

P – Para quem não conhece a vossa Música, como a definiriam ?

GDL – Música mestiça e sem fronteiras.

P – Juntam várias Nacionalidades e Sotaques na formação da Banda. Como é a convivência entre tantas linguagens  de países diferentes ?

GDL – Na realidade o Português e o Inglês são as línguas de comunicação dentro dos Primitive Reason. O Espanhol,  junta-se às outras duas na comunicação  com o mundo exterior através de algumas letras. 

P – O Brasil é um local onde gostariam de tocar ?

GDL – Gostaríamos, adoraríamos, desejaríamos, iremos!

P – Admiram algum músico ou banda brasileira em particular ?

GDL – Eu acho que todos admiramos a música Brasileira em geral mas mais do que isso admiramos a musicalidade do povo Brasileiro,  e a importância que a música tem no dia a dia desse país tão maravilhoso. Acho que a nível individual,  cada membro da banda terá músicos preferidos da música Brasileira,  dado o nível de excelência musical e técnica que existe no país. 

P – Como vêem o presente e o futuro da música portuguesa e da vossa Banda nos próximos anos ?

GDL – O futuro dos Primitive Reason é sempre em frente,  e sempre a subir. Estamos em fase ascendente e encaramos o futuro com muita esperança e positividade.

Quanto ao futuro da música Portuguesa… não prevejo muitas inovações e surpresas nos próximos anos,  mas acredito que melhores dias virão.

P –  Como vai ser a agenda dos Primitive Reason em 2013 ?

GDL – Neste ano,  iremos tocar cada vez mais enquanto o álbum se faz ouvir em Portugal. Apostaremos também na internacionalização da banda, começando pelo lançamento de “Power to the People” noutros países da Europa e continente americano.

www.sotaques.pt – O Site da Música com Sotaques

R. Marques

 

Sotaques entre os 10% mais vistos no Linkedin em 2012

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A Revista Online Sotaques Brasil/Portugal continua a quebrar barreiras e a conquistar públicos. Desta vez o reconhecimento veio da Rede profissional Linkedin, que comunicou que o Sotaques está entre os perfis mais vistos na Rede – entre os 10% mais visualizados.

É um prazer obter esta consagração pública de uma Rede que,  só em 2011, foi visualizada por 33, 9 milhões de usuários em todo o Mundo e que cresceu 63 % face ao ano anterior. Obrigado Linkedin por esta valorização,  e os nossos agradecimentos também vão para todos os que fazem parte da Família Sotaques, que nos leem, que interagem connosco e que fazem da nossa Revista Online uma referência cultural indispensável na relação luso-brasileira e no Universo da Língua Portuguesa.

OBRIGADA COM MAIÚSCULAS !!!

www.sotaques.pt – Sotaques Brasil/Portugal , Viaje pelo Universo da Língua Portuguesa em primeira classe

R. Marques

Miguel Maat, um talento multifacetado

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 Entrevistas com Sotaques: Miguel Maat, um talento multifacetado

Miguel Maat é aquilo que podemos chamar um músico dos sete instrumentos: cantor com uma enorme versatilidade, combinando estilos como o pop, o jazz e o Funk, também é um magnífico instrumentista que gosta de experimentar sons nada convencionais – o Didgeridoo, instrumento aborígene da Austrália, é a última novidade musical deste artista invulgarmente criativo. A Revista Online Sotaques falou com Miguel Maat e desvenda, nesta entrevista, alguns dos segredos do seu Universo musical,  que não para de crescer e ganhar visibilidade,  com presença  em programas como “  Portugal no Coração” da RTP.

P – Como se define musicalmente, Miguel Maat?

Miguel Maat – Considero que a minha música assenta numa estrutura Rock, com influências de Funk, Swing, Jazz e World music, numa espiral Pop criativa.

P- Que referências musicais mais o influenciaram?

Miguel Maat – Ao longo do meu crescimento individual como pessoa e como músico, fui sendo influenciado por diversos estilos e autores. Desde o Rap e o Break Dance, numa fase inicial, passando pelo Heavy Metal e o Hard Rock, numa fase posterior,  e pelo Pop, Rock sinfónico, música latina e World music numa fase mais avançada,  foram várias  as influências. A nível internacional,  tenho como referências Jack Jonhson, John Butler e Xavier Rudd. Já  a nível nacional considero como referências, Entre Aspas, Pedro Abrunhosa e João Pedro Pais.

P- O Miguel Maat tem uma ligação forte à música instrumental. Que instrumentos toca,  e tem algum em particular que prefira?

Miguel Maat – Nos temas que componho existe uma preocupação em “criar momentos de respiração”,  permitindo protagonismo individual aos diversos instrumentos, para que juntos possam criar uma harmonia intensa, intrinsecamente amarrada à parte vocal. Quanto a instrumentos, a minha preferência vai para a guitarra acústica, agora complementada com o didgeridoo.

P – A edição do seu primeiro  CD “ O silêncio dos teus olhos”  foi  um momento importante na sua carreira ?

Miguel Maat – Sem dúvida. É o meu primeiro CD de originais e um sonho tornado realidade. É com muito orgulho que apresento o meu álbum publicamente e espero que seja do agrado do público em geral. 

P – O título do seu vídeoclip é “ Faz-te gritar”. Que grito temos de dar para sermos ouvidos?

Miguel Maat – Este tema é sobre a noite e tudo o que ela representa em termos de libertação pessoal. Um momento de extravasamento de emoções e excessos, de introspeção, e calmaria, de alegria e tristeza. No fundo, sermos nós próprios e gritar bem alto, “estou aqui e estou vivo”.

P – O Sotaques valoriza a diferença de Sotaques em Portugal e no Brasil. Sendo lisboeta tem Sotaque alfacinha?

Miguel Maat – Bem… não sabia que os Alfacinhas tinham sotaque (risos). Na verdade, embora tenha nascido e estudado em Lisboa, desde cedo passei a morar no Cartaxo e por isso considero-me também Ribatejano. Quanto a sotaque, terão de ser vocês a julgar!

P – Já agora, estando no Norte do país, o que acha do Sotaque tripeiro?

Miguel Maat – Fantástico! A família da parte da minha mãe é de Paços de Ferreira e já estou habituado. Considero que falam a cantar e,  por isso (entre outras coisas),  sinto-me bem no Norte.

P – Admira algum músico brasileiro em particular ? Com quem gostava de fazer uma parceria se pudesse escolher?

Miguel Maat – O Brasil tem músicos fantásticos e uma riqueza cultural muito heterogénea. Espero um dia poder vir a tocar com alguns destes músicos: Djavan, Tom Jobim, Adriana Calcanhoto, Vanessa da Mata ou Elis Regina.

P – Como é que um jovem músico como o Miguel encara a actual conjuntura que atravessa o país?

Miguel Maat – Com apreensão e esperança. Apreensão,  principalmente pelas dificuldades que os mais jovens e os mais idosos estão a atravessar. Esperança numa sociedade forte, com uma geração de novos empreendedores que possam dar a volta a esta situação. Portugal possui potencialidades que só agora começam a ser aproveitadas, quer no âmbito das energias renováveis (vento, mar, sol), quer no que respeita à exploração do leito submarino que, estou em crer, irão possibilitar uma retoma consistente e estável. 

P – A nível pessoal, se excluirmos a faceta musical, como é Miguel Maat? O que é gosta de fazer fora do Palco?

Miguel Maat – Tenho uma paixão já antiga pela Caça Submarina, que pratico sempre que possível. Para além disso sou um apaixonado e estudioso das terapias naturais, nomeadamente da Naturopatia, Iridologia e Aromaterapia.

P – Que sonhos acalenta no mundo da música?

Miguel Maat – Poder tocar pelos diversos palcos do mundo, mostrando a minha música em português!

P – Qual é o Palco dos seus sonhos, onde gostaria de actuar acima de todos os outros locais?

Miguel Maat – Na verdade,  não tenho nenhum palco de eleição, mas por uma questão cultural gostaria de pisar o palco do Rock in Rio em Portugal e no Brasil.

P – Como é que vai ser a sua agenda de espetáculos em 2013?

Miguel Maat – Iniciaremos 2013 ainda no âmbito da promoção deste álbum, com concertos nas FNAC e salas de espétaculos um pouco por todo o país, para depois empreendermos uma  digressão nacional e internacional com este projeto.

www.sotaques.pt – Um site que é música para os seus ouvidos

R. Marques

Emília Silvestre : uma atriz total que tem o Teatro no sangue

Emília .Silvestre

Entrevista com Sotaques a Emília Silvestre :  uma atriz total que tem o Teatro no sangue

É uma das grandes referências do Teatro português. Emília Silvestre compõe em “ Casas Pardas” uma espantosa personagem: a granítica Maria do Carmo, uma mãe fria e distante cuja única preocupação é manter as aparências, sacrificando tudo e todos se for necessário.

Entrevistamos Emília Silvestre, uma atriz total que experimentou, brilhantemente, todos os os géneros – Teatro, Cinema e Televisão. Mas que gosta de estar em Casa – e a sua Casa é o Teatro onde vai  continuar a receber o público,  como boa anfitriã,  e a  proporcionar-lhe  momentos inesquecíveis e personagens únicas

P – Em “ Casas Pardas interpreta três personagens – a mãe, Maria do Carmo, a Mulher II e uma das Carpideiras. Como correu este desafio ?

Emília Silvestre – É sempre estimulante para um ator fazer várias  personagens diferentes na mesma Peça. Sobretudo quando há uma certa perversidade nelas, designadamente na Maria do Carmo, que é uma esposa com um casamento infeliz, de fachada, e à  Mulher II, uma figura retrógrada.

P – Concorda que as personagens más são as mais estimulantes para os atores ?

Emília Silvestre – Adoro fazer personagens más, porque sinto que puxam mais  pelo ator, obrigam-no a ter uma elasticidade maior, a ser mais completo, a exprimir-se mais profundamente.

P  – O contexto temporal de “ Casas Pardas” situa-se nos anos finais do Salazarismo. Que recordações tem dessa época ?

Emília Silvestre – Guardo boas memórias porque era ainda criança. Lembro-me dos meus avôs, do ambiente familiar

P – E em relação à Peça  “ Casas Pardas” como foi o trabalho para materializar  o texto ?

Emília Silvestre – Foi um desafio permanente: isso vê-se no texto que é muito exigente e difícil, e nós sentimos que tínhamos de passar essa reflexão, esse espírito de indagação sobre esse período para o público.

Por outro lado, este é um Espetáculo visto muito sobre o lado feminino. São sete mulheres em palco a representar personagens, portanto esse desafio foi ainda maior.

Também pesquisei outros Livros e Romances que abordam temas ligados ao Estado Novo, para compreender melhor a mentalidade de personagens como a Maria das Dores.

P – A Emília é natural do Porto. Gosta do Sotaque tripeiro e dos outros Sotaques ?

Emília Silvestre – Adoro o Sotaque tripeiro. É tão característico que gosto muito de ouvi-lo.

Mas também gosto de interpretar Sotaques – já fiz Peças em que tive de interpretar um determinado Sotaques e é um prazer para um ator poder fazer isso, porque desafia-o  a conhecer melhor a sua Língua, as diferenças no modo de falar das várias Regiões.

P – Conhece o Teatro Brasileiro ? Tem algum autor ou atriz brasileira que admire ?

Emília Silvestre – Autor diria que o Nelson Rodrigues, que tem Obras muito fortes e visuais. Enquanto atriz já tive a oportunidade de trabalhar com a Eva Wilma na Peça “ Turismo Infinito”, que já foi apresentada no Brasil, que é uma excelente atriz,  e outra grande referência do Brasil é a Fernanda Montenegro.

P – Gostava que esta Peça fosse representada no Brasil ?

Emília Silvestre –  Gostava muito. Já tive a oportunidade de trabalhar em Peças que foram apresentadas no Brasil e gostei imenso da experiência, do contacto com o público brasileiro.

P – Tem algum papel de sonho que gostasse de representar em 2013 ?

Emília Silvestre – Para o ano vou participar em  em duas peças que admiro muito – “ Dias Felizes” de Samuel Beckett e “ Macbeth” de Shaekspeatre onde vou interpretar Lady Macbeth.

São dois papéis magníficos que estou certa me vão dar grande satisfação fazer.

www.sotaques.pt – Entrevistas com Sotaques

R. Marques

Nuno Carinhas, em Busca da Música da Língua Portuguesa

NunoCarinhas

Entrevista com Sotaques:  Nuno Carinhas,  em Busca  da Música da Língua Portuguesa

A Peça “ Casas Pardas” é uma revisitação de uma das obras-primas   da Literatura Portuguesa do século XX. Partindo da Obra homónima de Maria Velho da Costa, publicada em 1977, adaptada por Luísa Costa Gomes, fazemos uma viagem pelo Salazarismo através dos diálogos de várias personagens que se fecham  em Casas Pardas,  claustrofóbicas, onde tudo  funciona numa lógica aparentemente eterna e asfixiante.
Conversamos com Nuno Carinhas, Diretor do Teatro Nacional de São João, responsável pela Encenação do espectáculo, sobre esse Tempo passado cuja memória ainda nos fere, nos dias de hoje, e que é também uma homenagem à Música poderosa, incontornável, única que possui a Língua portuguesa,  e que o Teatro recupera como legado para o Futuro, para as Gerações vindouras.

P – Que contacto tinha com esta obra Literária de  Velho da Costa “ Casas Pardas”, escrita em 1977,  e como foi o desafio de traduzir este texto para o  Palco?

Nuno Carinhas – Este Projecto nasceu a partir da ideia do cruzamento de  vários autores,  traduzindo  textos emblemáticos da Literatura Portuguesa para a linguagem mais específica do Teatro – por isso, quisemos que o Jacinto Lucas Pires adaptasse o “ Nome de Guerra do Almada Negreiros e a Luísa Costa Gomes   “ Casas Pardas”, de Maria Velho da Costa.

Relativamente a “ Casas Pardas” é um Livro que admiro, um romance charneira na ficção nacional que além de espelhar esse Tempo cinzento e triste, o faz com um grande domínio da Linguagem e elegância.

P – Luísa Costa Gomes fala-nos de um Romance Teatral na abordagem da Obra. Concorda  com esta definição ?

Nuno Carinhas – Sem dúvida. É um romance teatral porque ensaia várias formas de Literatura no seu interior.

Isso fez com que sentíssemos que tínhamos em mãos um Texto invulgar , que devíamos respeitar ao máximo. Procuramos na Peça uma certa economia,  para que não houvesse repetições nem pleonasmos,  palavras ou  gestos a mais, para que o espectador fruísse a beleza dos diálogos e monólogos das várias personagens. 

P – “ Casas Pardas” aborda o Portugal anterior ao 25 de Abril. Que memórias guarda desse Tempo e como era a atividade Teatral então ?

Nuno Carinhas – Eu era relativamente jovem nesta altura e lembro-me que havia um crivo muito forte da parte da censura, existiam autores malditos, proibidos e tínhamos a presença constante dos censores no Teatro. Eles eram pessoas lá de casa, uns privilegiados, e claro,  essa  falta de liberdade prejudicava a nossa atividade.

P – Até que ponto o Portugal de Salazar, com as suas encenações – o próprio Ditador quando já estava doente, na cama, era visitado pelos ministros que o tratavam como se ainda estivesse no Poder – era uma gigantesca  Peça de Teatro no sentido mais profundo do termo ?

Nuno Carinhas  – Julgo que havia uma sensação de imutabilidade no regime. O Estado Novo condicionava a liberdade de expressão e de criação das pessoas, havia uma repressão surda que fazia com que  elas falassem  baixo e tivessem  medo do vizinho, do colega, sentiam-se constrangidas.  

P – A Revista Online Sotaques procura aproximar a Cultura Portuguesa e Brasileira. Aprecia o Teatro Brasileiro e algum autor em particular  ?

Nuno Carinhas – O Nelson Rodrigues é um nome incontornável porque é um autor com uma linguagem própria, mas também posso falar de outro criador como Ariano Suassuna, com um registo mais local. Creio que o Teatro brasileiro tem uma variedade de propostas e autores muito interessante.

P – Valorizamos a língua e a diversidade de Sotaques. Como cultor da palavra,  por excelência, que se dedicam à exploração do texto e da fala,  gosta de algum Sotaque português em particular ?

Nuno Carinhas –  Os Sotaques são essenciais porque nos mostram as possibilidades da Língua. Por exemplo, quando encenamos um Auto de Gil Vicente estamos a recuperar um Património Cultural da nossa forma de falar, das nossas origens. Nos Sotaques há essa musicalidade das palavras que enriquece a nossa ação como criadores. 

P – O Teatro Nacional de São João tem boas relações com o Brasil ?

Nuno Carinhas – Desde 2008, assinamos um Protocolo de colaboração com o Serviço Social de Comércio de São Paulo, no âmbito do qual temos desenvolvido várias parcerias.

No âmbito desse Protocolo,  o TNSJ já apresentou  no Brasil Peças como “ Turismo Infinito” ou  “ Sombras – A nossa tristeza é a nossa alegria” da autoria do Ricardo Pais, um tributo que junta   textos de  escritores como o Padre António Vieira, Garrett ou António Ferreira e o universo do Fado. Também já recebemos criações do SSCSP aqui .

P – As parcerias com o Brasil podem ser uma saída para a crise que atravessa o Teatro nacional  ?

Nuno Carinhas – São importantes para podermos fazer essa troca de experiências, de criatividade que é fulcral nesta conjuntura difícil.

P – O TNSJ tem um especial cuidado com os Projectos educativos ?

Nuno Carinhas – Procuramos que as Escolas possam ter um contacto regular com o Teatro Nacional de São João. Através da vinda dos professores e alunos para assistir aos ensaios, da organização de oficinas sistemáticas, de Masterclass,  enfim toda uma série de atividades que aproxima o Teatro aos jovens e que estimula a sua curiosidade e gosto.

P – 2013 está aqui ao virar da esquina. Que balanço profissional faz de 2012 e como projeta a  atividade do TNSJ  em 2013 ?

Nuno Carinhas – Faço um Balanço positivo e reconfortante  de 2012: realizamos os trabalhos que desejávamos e cumprimos o nosso papel de proporcionar uma programação de qualidade aos vários públicos.

Quanto ao próximo ano espero que,  apesar das conhecidas restrições orçamentais, possamos dar continuidade ao nosso trabalho. A Cultura e as artes são essenciais para o país,  e é fundamental termos estratégias comuns para valorizá-las.

www.sotaques.pt – O site que divulga a sua Cultura

R. Marques

Dama do teatro português – Emília Silvestre

Rui.Marques e Emília Silvestre

O Sotaques esteve à conversa com  a grande  dama do teatro português, a  atriz Emília Silvestre, que integra  o  elenco da Peça” Casas Pardas”,  um  espectáculo que revisita o Portugal de Salazar através da adaptação de Luísa Costa Gomes do romance de Maria Velho da Costa.

Conheça melhor uma das maiores atrizes do nosso país, com uma carreira extraordinária cheia de papéis marcantes no Teatro, Cinema e Televisão. Não se atrase porque o pano vai subir, e esta bela peça jornalística começa já esta sexta-feira.

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www.sotaques.pt – O Cenário ideal para a sua Cultura

R. Marques

O ritmo baiano de Chico Moreno

chico-morenoEntrevista com Sotaques ao ritmo baiano de Chico Moreno

O Sotaques esteve à conversa com o cantor baiano Chico Moreno. Um cantor que conquistou Portugal e o Brasil e que faz a Ponte Cultural entre os dois povos, com a sua música alegre e contagiante.
Leia a entrevista aqui com um artista que tem a música no sangue e que começou a cantar aos 16 anos.

P – Começou a cantar muito jovem – aos 16 anos . Como foram os primeiros anos da sua carreira ?

R – Sim, muito jovem. Na verdade, na Bahia tem um ditado que diz “baiano não nasce, estreia, o dom vem no sangue”. No início era um desejo de estar no meio da festa, desejo dos palcos, logo se transformou em algo mais sério e profissional.chico-moreno2

P – O Chico Moreno teve vários êxitos em Portugal. Quais as razões para uma ligação tão forte com o nosso país ?

R – Portugal é a história do Brasil. Todo o brasileiro tem vontade de conhecer mais não só a música, mas também o país, cultura etc. Eu tive a oportunidade de vir em 1999 trabalhar com música, numa experiência de 6 meses, que se transformaram em 14 anos. No início era complicado pelo clima, saí da Bahia com 30º e aqui era inverno com menos de 10º. O povo Português aderiu ao nosso estilo rapidamente, nos deram um carinho enorme que virou paixão por Portugal.

P – Da sua Biografia consta que atuou ao lado de grandes nomes da música. Com quem teve mais prazer em tocar em conjunto ?

R – Na verdade, para nós artistas é sempre uma emoção muito grande dividir o mesmo palco com artistas conceituados e fazer um duo. A primeira vez que tive uma participação num álbum foi logo de um cantor e de uma banda conhecida no mundo por ser a maior banda de samba-reggae do mundo, o Olodum com voz do grande Mestre Tonho Materia, seguido de Flaviana Fernandes, Margareth Meneses, Ricardo Chaves, etc. Em Portugal foram vários artistas Brasileiros e Portugueses, como por exemplo o Toy, e o cantor Leonardo.

P – A Bahia é um dos destaques este mês no Sotaques. O que é que a Bahia e os baianos tem de especial que os tornam num povo único ?

R – A energia positiva dos baianos, a alegria. Nós somos acolhedores, tudo é motivo de festa. Como um bom baiano: Axé.

P – Se pudesse definir o Carnaval da Bahia o que diria ?

R – O melhor do mundo. Festa e alegria sem fim.

P – O Sotaque baiano é muito musical. Concorda ?

R – Sim, nós baianos falamos cantando.

P – Quem são as suas grandes referências musicais ?

R – Eu me espelho pelos grandes nomes da música popular brasileira, em vários ritos. Ex. Djavan, Roberto Carlos, Caetano Veloso, etc. Embora cante um pouco de cada estilo.

P – Como é que vai ser a sua agenda em 2013 ?

R – 2013 está chegando, espero que venha com muita força. Acreditamos sempre em bons resultados, estamos trabalhando para que seja melhor a cada ano. Para iniciar o ano estarei na minha terra natal e retornarei com muita força e energia a Portugal, com novo álbum e novas surpresas.

P – Prevê voltar a actuar em Portugal no próximo ano ?

R – Sim, como disse anteriormente retornarei com muita força e energia para que possa dar mais alegrias ao povo português e a todos os imigrantes. Gostava ainda de agradecer à revista Sotaques e a todos os meus fãs e aproveito para desejar as Boas Festas!

www.sotaques.pt – A Música com Sotaques toca aqui

Paulo César

Jornalismo de excelência em nome da Mãe Natureza

0000 Entrevista com Sotaques: Luís Henrique Pereira, Jornalismo de excelência   em nome da Mãe Natureza

Ninguém fez mais pela divulgação televisiva  da vida natural em Portugal, nas últimas décadas, do que Luís Henrique Pereira. Este jornalista da Televisão Pública, nascido na cidade do Porto em 1970,  é o autor do programa “ Vida animal” da RTP, o único programa das Televisões portuguesas que, em permanência, nos revela as singularidades das várias espécies animais em Portugal e fora do nosso país.

O Sotaques falou com este repórter  global dos ecossistemas naturais, que mostra nesta conversa a sua paixão pela Amazónia e o Brasil, a sua ligação a ícones dos documentários como o mítico David  Attenborought,  e o seu compromisso firme em continuar a fazer Serviço público e aproximar os cidadãos da sua Mãe , a Natureza.

P –  “Vida Animal em Portugal e no Mundo” é um programa singular no contexto da Televisão Portuguesa. Como surgiu a ideia do programa e por que etapas passou até ser materializado?

L .H. Pereira – Desde muito pequeno que tenho fascínio pelos animais, pela vida selvagem. Recordo-me de ir para a que chamo de “Selva Urbana”, uma vez que nasci na cidade do Porto, e nos jardins capturar os animais mais variados entre abelhas, escaravelhos, formigas entre outros, devia ter nessa altura uns 8,9 anos. A ideia era só uma: observá-los mais de perto. Nessa altura,  coleccionava cromos de borboletas, mamíferos, insectos, peixes, enquanto que os meus amigos coleccionavam cromos de futebolistas ou corredores de Fórmula 1.

A seguir,  veio a fase dos livros que mais me marcaram. São exemplo disso :  “O Grande Livro dos Oceanos”, “A Vida na Terra” e o Planeta Vivo” de Sir David Attenborough, livros como “Os animais da Terra”,  as mais variadas Enciclopédias  da vida animal, tudo isso eu devorava.

Lembro-me de me levantar cedo, por volta das 7 da manhã,  aos fins-de-semana, para entrar nesse mundo encantatório que existia dentro dessas milhares de páginas dos mais variados autores como Jane Goodall,  que durante 40 anos,  estudou o comportamento dos chimpanzés em Gombe, na Tanzânia, Gerald Durrel, famoso divulgador e naturalista,  assim como o grande Félix Rodríguez de la Fuente. Outro dos meus adoráveis autores era, sem dúvida alguma,  Jacques-Yves Cousteau e o seu admirável “Mundo Submarino”.

Ora,  nos anos 70, 80 passavam na televisão algumas séries feitas por grandes cadeias internacionais de televisão como é o caso da BBC e,  em concreto,  a série de 13 episódios,  idealizada por Sir David Attenborough,  intitulada “A Vida na Terra”. Um sucesso mundial visto por mais de 500 milhões de telespectadores, em praticamente todo o mundo.

Lembro-me de nessa altura, ainda  não existiam  os primeiros vídeo gravadores, eu gravava junto ao altifalante do televisor o áudio dos programas com um gravador,  para a seguir reproduzir a narração e os sons,  a fim de “rever” as imagens do programa ou série.

Respondendo mais directamente à pergunta: entrei na RTP em 1994. De vez em quando,  lá ia fazendo um ou outro trabalho relacionado com a vida selvagem. Sempre entendi que a televisão, neste caso a RTP,  deveria ter desde o seu início uma unidade de História Natural, o que nunca aconteceu.

O “Vida Animal em Portugal e no Mundo”,  nasce como uma primeira série,  que juntava vários mini documentários em várias partes do país e do mundo. A partir daí,  deu-se a metamorfose e,  desde 2008,  que temos o PRIMEIRO PROGRAMA DA HISTÓRIA DE TODA A TELEVISÃO EM PORTUGAL DE PRODUÇÃO NACIONAL E EM CONTINUIDADE sobre vida animal, sobre vida selvagem.

Alimenta noticiários na RTP 1, o próprio programa na RTP Informação e RTP Internacional…enfim, praticamente é visto em todo o mundo,  através também dos canais e das antenas internacionais da RTP. No espaço de 5 anos,  já produzimos 140 documentários, entre formatos de 20 a 25 minutos e (a maior parte) formatos que não ultrapassam os 10 minutos.

A ideia, a minha ideia é acabar os meus dias a fazer documentários sobre a vida selvagem. É esse o meu grande objectivo em termos profissionais.

P – As questões relacionadas com a biodiversidade acompanharam a sua formação jornalística e pessoal ? Desde quando são temas que lhe interessam ?

L.H.Pereira – Posso dizer que desde sempre. Estudei na área de saúde, no Secundário,  que era a única que dava acesso à Biologia, ora eu sempre quis ser biólogo, mas a matemática não deixou, como costumo dizer, mas ainda bem.

Perdeu-se o biólogo,  ganhou-se o jornalista, um conservacionista, um naturalista e investigador, licenciado em Ciências da Comunicação (com média de 15 valores),  e com um Projeto Científico Final de Graduação intitulado “Vida Selvagem em Documentário”, que me valeu 19 valores como nota final.

Vai de resto agora ser passado a livro, também ele um guia pioneiro para os que querem enveredar por este mundo,  uma vez que se trata de uma recolha exaustiva dos conselhos e das técnicas dos mais prestigiados produtores,

realizadores, guionistas e autores de documentários da vida selvagem em todo o mundo. Muita bibliografia e outra tanta filmografia. Quase dois anos de trabalho de investigação e pesquisa.

P – Quem foram os seus modelos ou referências televisivas que o estimularam a desenvolver este programa?

L.H.Pereira –  Sem dúvida,  a escola da BBC, o chamado formato “Blue-Ship”: é uma filosofia  em que   há claramente o  máximo de ética, de espera, de brio, e da procura DA imagem, não DE UMA imagem. Sir David Attenborough,  que já tive o prazer de entrevistar em exclusivo para a RTP,  foi desde sempre para mim “A referência”.

A ideia de levar o espectador ao cenário e não o cenário ao espectador. Esse é ,para mim,  o maior desafio e quando é bem  conseguido, a maior das conquistas.

P – Como vê o estado da conservação da Vida Animal em Portugal?

L.H. Pereira – Não temos grande tradição no que à conservação da natureza diz respeito, ao contrário, por exemplo,  dos nossos vizinhos espanhóis. “Conseguimos” extinguir praticamente o Lobo Ibérico do nosso território, a Águia-real no Parque Nacional da Peneda Gerês, o Lince Ibérico…e  por aí fora.

Não há efectivamente, em minha opinião,  uma Legislação que possa, por exemplo, dissuadir os caçadores furtivos, os nossos Parques Naturais carecem de vigilância mais apertada, há na minha opinião tudo ou quase tudo por fazer e o que se faz…pelos vistos é raro resultar. É com muita mágoa que o digo, acreditem! Muita.

P – Quais são as espécies animais ameaçadas no nosso país? Sente que as autoridades têm desenvolvido um trabalho meritório na sua preservação?

L. H. Pereira – Infelizmente há muitas. Vou dar dois exemplos em que o Estado pouco ou nada interveio no sentido de “dar a mão”,  no sentido de salvar duas espécies. A Primeira é uma ave, o Priolo que só existe na Ilha de S. Miguel, nos Açores, o outro,  o cagarro, também ele ave,  que se encontra em território açoriano, depois a rola-brava que a sobre – caça quase fez desaparecer.

Entre as muitas Entidades que lutaram e  continuam a lutar,  para evitar que espécies como estas não desapareçam para sempre do nosso território  está, por exemplo,  a “Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves”, a “Associação Ambientalista Quercus”, entre outras.

Têm muito trabalho feito no terreno,  e lá vão pressionando os governantes a olharem com mais atenção as temáticas ambientais.

P – Tem uma ligação forte ao Brasil e um conhecimento das paisagens naturais mais conhecidas mundialmente como o Amazonas. O Brasil é um país especial em termos de riqueza natural de espécies animais e vegetais?

L.H. Pereira – Quando estamos a falar,  por exemplo,  da Floresta Amazónia, estamos a falar de algo que sabemos muito importante, mas que conhecemos muito mal. Seis milhões de quilómetros quadrados de verde, o tamanho de meia Europa…inacreditável !!!

Acredita-se que só estejam descobertas apenas 20 por cento das espécies de animais e plantas que lá habitam. Fantástico.

A Amazónia Brasileira,  onde tive o grande prazer de estar e conhecer apenas “uma ínfima gotinha”, assim como a Amazónia Colombiana e Peruana, são um MUNDO. Não há palavras para descrever tanta maravilha junta, não se conseguem encontrar palavras. Impossível.

P – A Revista Online  Sotaques aposta na divulgação dos vários Sotaques portugueses e brasileiros. Ao longo das suas reportagens, em Portugal e no Brasil, qual foi o Sotaque que mais o surpreendeu ?

L.H.Pereira – O sotaque nordestino, gosto particularmente de sotaques também aqui em Portugal, sou também um apaixonado por vozes! Enfim uma outra paixão “oculta”.

P – E o Sotaque do Luís Henrique Pereira?  É tipicamente tripeiro ou tem outras influências?

L. H.Pereira – Repare:  eu fiz rádio e tenho ampla formação na colocação de voz, respiração, postura etc. Mesmo nascido no Porto há muita gente que garante que nasci em Lisboa! Mas eu acho que o meu sotaque é praticamente inexistente, em todos os sentidos.

P – Que paisagem, em Portugal e no estrangeiro, mais o deslumbrou no decorrer do programa ou nas suas viagens como turista?

L . H. Pereira -Respondo com uma palavra:Amazónia 

P – O Luís trabalha na redacção do Porto da RTP, nos estúdios localizados no Monte da Virgem, em Gaia. O Porto e Vila Nova de Gaia são bons exemplos a nível de respeito pela diversidade natural e animal?

L.H.Pereira  –  Resido em Gaia e em Espinho. Em Gaia tem havido nos últimos anos um esforço enorme em prol do ambiente e da educação ambiental.

No espaço de 8 anos, por exemplo,  80 por cento do saneamento estava por fazer. Hoje rara será a habitação que não o tem. O Parque Biológico de Gaia tem-se expandido, tem implementado um enorme esforço na criação de novos espaços verdes na cidade.

As melhores praias de Portugal  são as de Vila Nova de Gaia, no que à qualidade das areias e das águas diz respeito.

Para trás,  há um imenso trabalho ligado ao saneamento e construção de ETAR´s,  que depois vem dar ao concelho bandeiras azuis, acho que são 17 praias para 17 bandeiras azuis. Gaia é, de facto,  um bom exemplo no que à preservação ambiental diz respeito,  e também na  à constituição de novos projetos ambientais.

P – Que locais, no Porto e em Gaia, recomenda para os amantes da natureza fazerem uma visita?

L.H.Pereira  – Em Gaia  desde logo o Parque Biológico e a obra que lá está,  que remete o visitante também para a restante obra ambiental no Concelho. A Reserva Natural Local do Estuário do Douro, a primeira a nascer em Portugal.

No Porto, a Zona da Foz e o Parque da Cidade,  a par de outros Jardins maravilhosos como a casa Andresen e a Quinta da Macieirinha, junto à Sé,  por exemplo. Outros dos meus locais de eleição é o Passeio Alegre e as suas palmeiras,  que nos remetem para um exotismo tropical encantatório.

Era, de resto, o lugar predilecto do falecido poeta portuense Eugénio de Andrade.

P – Que opinião tem das paisagens do Douro e da região Duriense?

L.H. Pereira – Apaixonei-me eternamente pelo Douro, especialmente pelo “Canyon” do Douro Internacional. Absolutamente recomendável! Imperdível. Mágico!!!! 

P – Relativamente aos animais que filmou. Qual ou quais foram os que mais o impressionaram?

L.H. Pereira –Adoro aves, por isso diria que, se fosse um animal,  adoraria ser uma Águia-real ou então um golfinho, animais que filmei e que observei em estado selvagem com tempo e paixão.

P – Existem lugares onde gostaria de gravar o seu programa e aonde ainda não foi. Quais?

L. H. Pereira – Muitos…Muitos…Muitos. Deixo apenas dois exemplos: Bornéu e Papua Nova Guiné, para ver “cara a cara” as maravilhosas aves do paraíso.

P – Se lhe pedissem para fazer um programa que representasse o Planeta Terra como um todo, qual seria o lugar que escolheria para filmar?

L.H. Pereira – Boas parcelas dos fundos marinhos, uma vez que pelos visto conhecemos melhor o espaço do que as nossas profundezas oceânicas e,  por outro lado,  todas as zonas de Montanha que me fascinam,  e que remetem também não só para a vida selvagem mas para a História Natural,  para as alterações de que o planeta foi alvo ao longo de muitos milhões de anos.

P – O que representa a natureza para si?

L.H.Pereira – A Mãe…como todos lhe chamamos. Dela fazemos parte. Só que nunca demos conta disso.

R. Marques

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Katherine Mateus, retrato de uma escritora apaixonada

Foto EntrevsitaEntrevistas com Sotaques: Katherine Mateus, retrato de uma escritora apaixonada

É um  jovens valores da Literatura portuguesa mas também  é, claramente, uma mulher apaixonada. Pela escrita, pelas pessoas, pela música, pela vida.

Acompanhe-nos nesta viagem, com Sotaques,  pelo universo de uma escritora que procura, antes de mais, a Liberdade como máxima para a  escrita e a existência.
P – O que é diferencia ” O amor entre mulheres”  de todas as outras relações?

R – Julgo que o amor é universal. O que quis mostrar nesta obra “ Amor entre mulheres II”  é que há duas fases na relação amorosa – uma primeira de paixão intensa e uma segunda em que o amor entra na rotina, começamos a notar os pequenos pormenores.

Interessa-me muito esse outro lado, mais cruel, do amor do qual evitamos falar.

P- O que é o amor para a Katherine Mateus  ?

R – O amor é um sentimento vital. Não é um mar de rosas nem um conto de fadas como muitas vezes se retrata, mas é algo que nos torna mais humanos.

Para mim,  quer na escrita, quer na vida, o amor é uma presença forte que sinto em tudo o que faço.

P- Da sua biografia ressalta o facto de ter nascido na Venezuela. Essa origem reflectiu-se a nível da sua escrita e filosofia de vida  ?

R – Talvez o facto de vir de um país com mais calor, com uma mentalidade mais aberta tenha influenciado a minha escrita. Acho que em Portugal ainda há uma sociedade muito estereotipada,  e os meus livros procuram mostrar os temas polémicos que ninguém quer abordar devido à moralidade vigente.

P – Mantêm ligações com a Venezuela ? 

R – Sai da Venezuela quando ainda era criança, mas mantenho ligações familiares lá.

P- Como surgiu a escrita na sua vida ? Foi uma vocação ou uma descoberta tardia ? 

R – Mais ou menos. Quando era criança gostava de ler histórias,  mas julgo que foi a partir da adolescência, com a leitura obrigatória dos Maias de Eça, que comecei a ficar encantada com as frases e a desejar, intimamente, escrever.

Mais tarde fui escrevendo e guardando o que escrevia na gaveta. Até que um dia decidi arriscar e mostrar os meus escritos. 

P – Está a escrever algum livro novo ? 

R – Sim. O tema que escolhi é o da violência doméstica que, infelizmente, só se fala uma vez por ano, muitas vezes quando já é muito tarde. Quero mostrar neste novo livro os dois lados – o do agressor e da vítima – e fazer despertar consciências para uma questão que tem de ser sempre debatida e confrontada.

P- O que é que a inspira para escrever ? 

R – Inspira-me sobretudo o mal que há na sociedade. Olho à minha volta e sinto um grande mal estar em relação a determinados temas, e procuro abordá-los sem preconceitos, de um modo radical, que acho que é salutar.

Escrever é uma forma de expressar essa reação perante situações com as quais não concordamos.

P – Que escritores ou escritoras foram referências  para si ? 

R- Antes de mais Júlio Dinis. Já li e reli várias vezes a “ Morgadinha dos Canaviais”, aliás,  vivo num local perto de onde ele se terá inspirado para escrever a Obra.  Admiro muito também  António Lobo Antunes, a forma de escrita tão especial, e igualmente o José Luís Peixoto.

P- O Sotaques valoriza a Língua e as suas diferenças. A Katherine sentiu muitas diferenças no seu Sotaque, pela influência da Venezuela,  quando veio viver para Portugal ? 

R – Como referi numa resposta anterior, vim muito nova para Portugal por isso não senti tanto essa diferença no Sotaque.

P- Que Sotaques portugueses admira ? 

R – Talvez por ser do Norte sempre me chamaram mais  a atenção os Sotaques do Norte – o Sotaque tripeiro, de Trás-Os-Montes e do Minho- embora também ache curiosos outros Sotaques como o Alentejano ou o Açoriano.

P- E Sotaques brasileiros ? 

R – Adoro o Sotaque brasileiro. Parece-me tão musical, os brasileiros falam a cantar e adorava falar com Sotaque brasileiro. 

P – O Brasil é um país onde gostaria de apresentar os seus Livros ? 

R – Gostava imenso. Tenho família em Copacabana e,  além disso,  teria uma certa curiosidade como os brasileiros reagiriam à minha escrita e aos temas de que falo.

P – Fora da Literatura como é a  Katherine Mateus ? Que atividades desenvolve ? 

R – Tenho uma ligação forte à música e a outras formas culturais. O ensino e a pedagogia são também atividades que me fascinam pela importância que a formação artística tem no desenvolvimento dos mais jovens.   

P- Como vê Portugal, atualmente,   na área cultural e literária ?

R – Estamos a atravessar um momento complicado. Para mim, o essencial é que perdemos as referências éticas e morais ao subordinar tudo à economia.

Não vivemos bem connosco próprios e temos de nos reencontrar. Nesse sentido, a Cultura desempenha um papel fundamental nessa busca interior de saídas para a crise.  

P- Uma escritora sonha com os seus livros ou só pensa neles quando os escreve ?

R – Já me aconteceu a meio da noite acordar e pensar numa frase, numa situação, num momento que ocorreu durante o dia, que achei que seria interessante aparecer num livro.

Quando escrevemos,  ficamos mais atentos ao que nos rodeia. A Literatura, no fundo, alimenta-se das nossas experiências pessoais.

 P- Que Livro ideal  gostava de escrever no Futuro ? 

R – Não tenho propriamente um livro ideal em mente. Gostava de continuar a escrever,  e que cada vez mais  leitores se identificassem com os temas que abordo.

www.sotaques.pt – Paixão pela escrita e pelos nossos escritores

 

R. Marques

Entrevistas com Sotaques

Sotaques entrevista escritora Katherine Mateus

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O Sotaques entrevistou a escritora Katherine Mateus, que publicou recentemente a sua obra “ Amor entre mulheres II”. Não perca, na próxima semana, esta entrevista com Sotaques, com uma autora que vai dar muito que falar no panorama literário nacional.

www.sotaques.pt – Escreva que nós divulgamos

 

 

Entrevistas com Sotaques: Joaquim Agostinho da Rocha

Joaquim Agostinho da Rocha, memória viva de Melgaço

Joaquim Agostinho da Rocha não esconde a sua intensa paixão por Melgaço. Divulgador incansável da História de uma das Vilas mais antigas de Portugal, com vá

rios livros publicados, desvenda-nos, nesta entrevista, a ponta do véu de um percurso histórico riquíssimo deste Concelho do Alto-Minho, que se confunde com a própria sobrevivência e consolidação de Portugal como Nação independente.

P – Nasceu em 1944, em Cristóval, Melgaço e sei que sempre teve um fascínio pela História. Quando começou a interessar-se por temas históricos ?

R – Desde a infância que me interesso pela História. Aos 12 anos já tinha lido o D. Quixote de Melgaço, e nunca deixei de procurar saber mais sobre a História universal, mas também sobre a História local do Concelho em que nasci.

P – Teve um percurso profissional intenso. Pode-nos falar dele?

R – Tive várias actividades ao longo da vida. Depois da quarta classe, fui aprender o ofício de sapateiro e alfaiate e, aos 17 anos, abri uma oficina própria de Mestre sapateiro.
Aos 20 anos fiz a tropa, durante um ano e, a partir de 1967, fui viver e trabalhar em Lisboa como Técnico de contas e tirei o Curso comercial.

P – Entretanto o apelo da História chamou forte por si e passa a frequentar, em horário nocturno, o Curso de Línguas e Literaturas modernas na Faculdade de Letras de Lisboa. Como foi essa experiência ?

R – Extremamente enriquecedora. Tinha professores que me marcaram profundamente, e que eram figuras eminentes da Cultura portuguesa.
Lembro-me de António José Saraiva, que nos dizia para nos abstrairmos do mundo que nos rodeava, e para pensarmos de um modo original. Também do poeta e Professor David Mourão Ferreira, que nos recomendava que separássemos o ensino da sua faceta de poeta, porque éramos cientistas da Literatura e do conhecimento.
Também me recordo com saudade de Mário Dionísio, que defendia intransigentemente o rigor na linguagem, que evitássemos o desperdício e o ruído no uso da palavra.

P – O Sotaques Brasil/Portugal aposta no reforço das ligações entre Portugal e o Brasil. Também estudou a Literatura brasileira na Faculdade ?

R – Sim. Tive o professor Gilberto Mendonça Teles, na cadeira de Literatura brasileira, que era um homem muito erudito.
Ensinava-nos a dissecar um poema, e a compreender as partes que o compõem. Acho que é indispensável existir uma relação próxima entre Portugal e o Brasil, até pelos laços históricos que nos unem.

P – Como surgiu o seu interesse pela História de Melgaço ?

R – Depois de escrever “ Frágeis elos ( uma história familiar), uma genealogia da minha família, senti a necessidade de aprofundar a minha investigação sobre Melgaço.
Daí resultaram várias obras publicadas como “ Escritos sobre Melgaço”, “ A origem de algumas famílias melgacenses” “ Gentes de Melgaço” ou o “ Dicionário Enciclopédico de Melgaço”, bem como o livro de poemas “Os meus poemas” ou romances como “ Entre mortos e feridos”, entre outras obras.

P – Uma História de Melgaço que é riquíssima?

R – Sem dúvida. O Foral de Melgaço foi concedido em 1183, por D. Afonso Henriques, o mesmo rei que mandou construir a Fortaleza, que foi vital para suster as investidas dos castelhanos, nos primeiros séculos da independência de Portugal.
Mas há muito mais: as várias Igrejas medievais como a Igreja Matriz, espalhadas pelo Concelho, o percurso do Caminho de Santiago pela Geira romana, que passa na Estrada real 23, em Melgaço, o Castelo e os vestígios pré-históricos que existem em Castro Laboreiro, as Termas do Peso, e o próprio Santuário da Senhora da Peneda que, apesar de se situar geograficamente nos Arcos de Valdevez, é visto pela população local como fazendo parte de Melgaço.
E também podemos falar no presente, nos Museus da Emigração e no Museu do cinema, que prestigiam a Cultura da Vila de Melgaço. Bem como de grandes figuras vivas de Melgaço – como um dos mais eminentes Historiadores medievais portugueses, o Dr. José Marques

P – O mito da Inês Negra também pertence a esse património histórico ?

R – A Inês Negra nasce de uma história contada na crónica de D. João I do Fernão Lopes, em que se relata que, em 1387 no seguimento da crise de 1383-1385, quando Melgaço era governada por um Alcaide castelhano e estava cercada pelas forças do Rei, “ escaramuçaram duas mulheres bravas, uma da Vila outra do Arraial”.
O Conde de Sabugosa, na obra “ Neves de Antanho” , editada em 1910, assinala a Lenda da Inês Negra como um episódio patriótico com uma grande carga mítica. O triunfo da Inês Negra sobre a Renegada, uma portuguesa que teria lutado pelo lado castelhano, simboliza a vitória das forças portuguesas.

P – O ensino da História de Melgaço nas Escolas do Concelho é para si um imperativo ?

R – Acho que é indispensável. Mas essa necessidade é referida há décadas: na década de 40, uma figura notável da nossa Cultura, o Dr. Augusto César Esteves apontava que essa era uma prioridade.
Os documentos mais importantes da nossa História estão acessíveis: por exemplo, o Foral de Melgaço está traduzido para português – um trabalho em que colaborei com dois latinistas franciscanos. Com a facilidade de acesso às fontes, que existe na atualidade, não há razão nenhuma para que as novas gerações não tenham acesso a esta rica história que possuímos.

R. Marques

www.sotaques.pt – Paixão pela História

Sotaques – Entrevista Marcus Baby

 

A  Grande arte de Marcus Baby

Na arte  o tamanho não conta. Exemplo disso é Marcus Baby, um artista brasileiro que se transformou num fenómeno mediático, pelas suas criações de bonecos,  que representam figuras da sociedade brasileira.

O Sotaques    Brasil/Portugal  falou com ele e soube, entre outras novidades, que está a pensar em criar um boneco de uma figura portuguesa e, que defende o aprofundamento das parcerias artísticas,  entre os artistas portugueses e brasileiros. Leia esta entrevista sobre a grande arte,  em ponto pequeno,  com o Sotaque gostoso do Natal.

P – No seu site vem explicado que as suas bonecas não estão à venda. Encara-as como obras de arte   ? 

R – Sim, com certeza! São obras de arte que possuem apenas valor emotivo e não financeiro. Nunca criei nenhuma boneca na intenção de vender, faço tudo para minha colecção particular, eu sou o meu maior fã!

P – Como é o seu processo criativo   ?

R – Preciso antes de tudo gostar da personagem,  na qual vou recriar como boneco. Daí passo bastante tempo,  no processo de pesquisas de vídeo e fotos,  até realmente começar a construir a réplica. Preciso me sentir inspirado,  também para poder criar minhas bonecas.

P – Como surgiu esta vontade de homenagear celebridades  ? 

R – Na realidade,  eu sempre penso em “ter” a celebridade na minha colecção, assim como um objecto de coleccionador exclusivo. Mas é claro que com a fama, a mídia, a expressão virou “homenagear”,  já que eu não dou e nem vendo os bonecos para ninguém,  muito menos para a celebridade inspiradora.

P – Criou uma boneca a homenagear a Presidente Dilma Roussef. Foi especial esta criação    ? 

R – Minha intenção com a boneca da Dilma Rousseff era de registrar um fato histórico, a primeira presidente mulher do Brasil, eu não poderia deixar passar desapercebido! No final,  o sucesso ultrapassou fronteiras:  fiquei 2 dias seguidos dando entrevistas para muitos países e,  ela acabou se transformando na minha boneca mais conhecida no mundo todo,  e é chamada  de “Barbie Dilma”!

 P – O Marcus é de Natal,  no Rio Grande do Norte. O que é que o Sotaque da sua terra tem de mais peculiar  ?

R – O pessoal de Natal tem um sotaque “meio arrastado”, falam como se estivessem cantando alguma música… Existe também muitas gírias e palavras típicas daqui que só mesmo quem é da terra consegue decifrar. Temos um Sotaque gostoso que as pessoas de todo Brasil gostam de imitar , é bem peculiar.

P –  O Sotaques Brasil/Portugal aposta num aprofundamento da relação entre os nossos dois países. Como é que acha que nos poderíamos aproximar no mundo artístico? 

R – Acredito que arte não possuí fronteiras, limites ou nacionalidade. Aqui no Brasil,  os artistas portugueses são muito bem recebidos e queridos,  assim como os brasileiros em Portugal. Somos todos irmãos no meu entender.

P –  Há alguma celebridade portuguesa que gostasse de homenagear através das suas esculturas ? 

R – Eu quase criei um boneco do ator Paulo Rocha,  quando ele fazia o “Guaracy” em “Fina Estampa”,  mas acabei por adiar a ideia  por completa falta de tempo! Mas pretendo, ainda,  fazer um boneco dele e do ator Ricardo Pereira,  que são muito conhecidos aqui no Brasil,  devido as telenovelas brasileiras.Os dois são homens bonitos,  que possuem uma  identidade visual forte,  e requisitos básicos para se tornarem bonecos meus!

R. Marques

www.sotaques.pt – Crie que nos divulgamos !!!