Independência ou morte?

Eu estava trabalhando, estudando e me empenhando muito em meus deveres esses dias. Meu senso de tempo já tinha se esvaído e eu estava mecanizado em um padrão de ações que já não saía mais. Meus passos eram predeterminados pelas ações contínuas do tempo, o que me deixou desligado, em estado de transe, como se meu corpo tivesse tomado as rédeas do meu próprio ser, e não minha mente. Eu não sorria, e quando sorria, era de forma automática ao passar por um conhecido, ao chegar no caixa da padaria ou quando, de forma retórica, respondia “sim” a perguntas como “você está bem?”. Ninguém está necessariamente bem, mas como um costume social estabelecido, respondemos sempre a mesma coisa.

Essa noite, dia sete de setembro, notei algo peculiar na tão famosa frase “independência ou morte”. Aconteceu, segundo românticos, em um dia glorioso, ensolarado, às margens de um rio com ninfas fantásticas. Foi belíssimo. Mas sobre a frase, o que me deixou encucado foi pensar numa sociedade atual, onde as pessoas se estabeleceram de uma forma forçada, aprenderam a sobreviver e tentam acompanhar todo esse processo. Seríamos realmente livres? Será que a nossa liberdade é algo realmente valorizado? Percebi que não.

Sobrevivo estático, não vivo, não esboço reações e o que me diferenciava dos animais era justamente a racionalidade. Desliguei-me por completo, faço dos meus dias algo produtivo socialmente, mas improdutivo pessoalmente. Se por um acaso, eu decidisse largar tudo e viver apenas da terra, das plantas, numa praia ou no interior, certamente recairia sobre mim um termo bem abrangente de forma pejorativa, defeituoso e preconceituoso. Ser vagabundo. Vadiar não é de um todo mal. Sair por aí, sem preocupação com horários, com datas e entregas de documentos, um lugar onde você pode se sentar e ver a sua vida de acordo com você mesmo, e não uma vida baseada na ação do trabalho, como se sua essência só valesse em um padrão socialmente aceito. Ninguém é livre pois estamos, desde a infância, sendo treinados e avaliados continuamente para que sejamos colocados uma espécie de máquina. É horrível pensar nisso.

Mas, depois de uma análise, também percebi que isso tudo não é um problema da sociedade em si, mas da vida mesmo. Algo ainda inexplicado, mostrado pra gente pela religião, pela ciência, pelas histórias de pessoas da família. Estamos presos nisso, não tem como sair, por isso Platão, com todo aquele pensamento, pôde ser entendido por mim. A verdadeira felicidade não está presente nesse plano, mas em um plano ideal, num pós-morte ou algo relativo a isso. Enquanto vivos, não merecemos a liberdade e a felicidade. Temos apenas duas escolhas que se relacionam intrinsecamente, não tenho dúvidas: independência ou morte.

Texto: Alex G. Silva

sotaques#Revistaonline#arlequim13#Homemportuguês#brasil#portugal#brasilportugal🇧🇷🇵🇹#claricelispector

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s