A joia recôndita do diligente ventre

@pablobpsantos

(Hilda Hilst. Frame do filme Hilda Hilst pede contato, 2018.)

Extinção, talvez o vocábulo que mais tenha assombrado Hilda Hilst durante os seus bem aproveitados anos de vida como escritora. Sua escrita, restrita aos críticos literários e escritores, perpetuou por esta bolha até quarenta anos depois de sua morte, ora, a visita do anjo da morte tem sido uma grande mão amiga dos criadores de arte, tendo em vista as recorrentes aclamações póstumas.

Dentre os picos de conotação quanto sua visibilidade, Hilst solta: “O escritor deseja ser lido. Sem isso, não adianta dizerem para mim que sou excelente. Quero ser lida no bonde, no avião, no banheiro”. A sua história nos mostra o quão dividiu opiniões, sendo vítima do patriarcado, quando fora constantemente posta em análise por seu estilo de vida hedonista.

A imponência de suas palavras para com o sensualismo, nos redefine a ideia da famigerada abordagem indecente para o sexo, como no poema “Amavisse”, que demonstra o anseio agoniante de se envolver tomando uma parte essencial de alguém, ou em “Tenta-me de novo”, onde temos o senso celestial de que há uma conexão espiritual e uma troca energética entre os indivíduos durante a prática sexual.

Imbuída de desejo e sedução sob o feeling libertador e antagonista, é feito o equilíbrio dos personagens. Aquele deleitar imprudente do momento carnal, não dando a mínima para incidentes terrenos, ou burburinho externo, preenche o apocalíptico poema “Árias Pequenas. Para Bandolim”, mas há também aquele contraste da Hilda despreocupada: na poesia “Aquela”, ela evoca os receios de não atender as expectativas do amado, de não ser a mulher que arranca amores até a eternidade, de ser o modelo perfeito de uma dona de casa, do padrão errôneo da mulher reprodutora e temente ao homem.

O escrever em elo do questionamento existencial também mostra-se de interesse de Hilda, que no poema “XXXII” enxerga a mortalidade em tudo que há, num “íntimo laço” até o “gozo colada entre eu e o outro”, assim como a jornada individual e divina na poesia “Passeio”, ressignificando o sentido do viver durante suas experiências de exílio, talvez o almejado isolamento de que sempre projetou e nunca teve em vida.

FONTE: FUKS, Rebeca. Os 10 melhores poemas de Hilda Hilst.

Texto: Pablo B.P. Santos 

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