Importância da poesia em tempos de crise

@alexgds0

(Elisa Lucinda. Foto: Acervo Lucinda, para Templo Cultural Delfos, 2016.)

Assim, de começo, um discurso já clichê de qualquer texto informal: “Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!”, de Elisa Lucinda. Elisa Lucinda, escritora, atriz, mulher, brasileira; tudo aquilo que não é bem visto por muitos. Aquilo, dessa forma, concebida por homens que temem mulheres fortes, pois sabem que mulheres ao todo são fortes. Esses homens, que na maioria das vezes, suprem das necessidades com patifaria, agressividade, calam e amordaçam companheiras, e digo isso não somente remetendo à ideia de agressividade física, mas de ideal.

Elisa Lucinda, essa mulher conhecida por muitos brasileiros pelas novelas e programas de Tv, recebe a graça da poesia ao nascer e, em tempos difíceis como esse, consegue transportar nossos pensamentos a longínquas indagações sobre esse desconcerto que passamos nessa vida gauche por meio de textos. Textos esses que, modestos, fáceis e profundos, nos mostram um lado de transformação pessoal e social.

Como demostrado em “Só de sacanagem”, Elisa abre algumas interpretações que não te traz segredo algum com “cuecas que voam entupidas de dinheiro”, ou quando diz “desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”. É claro o entendimento disso, mas o que se esperava é que ninguém entendesse tão fácil assim. “líderes do governo roubando dinheiro?! Como assim?”. Nesse tapa de inconformidade, ela nos mostra que estamos aí, sem qualquer reação, sem gritar, sem ir às ruas, vivendo e fingindo que vivemos. Esse é o estado de espírito do brasileiro, afinal. Viver e fingir que vive. Apesar deste contexto, Elisa ainda mostra que não é só isso, afinal ela traz consigo a esperança, tanto que se pergunta quantas vezes ainda terá que por esta esperança à prova? Eu digo, Elisa, que sinceramente, não sei.

Não sei.

Reconheço e tenho total admiração por pessoas como você, Elisa, que quebram essa parede e tentam chamar atenção de pessoas descuidadas. Afinal, nesse momento tão obscuro, nosso medo é ficar ainda mais na escuridão. Espaço falta, mas mulheres como você, Elisa, não se importam.

Drielly Neres sabe muito bem disso, outra escritora com força e vitalidade de que esse país precisa. Não é necessário explicar muito, mas uma mulher que bate todos os dias nesse padrão de normalidade social com outra mulher ao lado, casadas no amor e na dor, já se percebe que força de vontade é algo rotineiro. A poesia já vive só nisso, mas é claro, Drielly quer mais, e ela pode mais. Falar, por exemplo, que o “amô” pode nascer nas mais singelas letras de um cordel, personificar rios e mares para demostrar isso e nos agraciar com imagens leves de imaginação doce, faz qualquer pessoa esquecer dos milhares de problemas e se perder numa noção de tempo finito. A poesia de Drielly proporciona total apego a coisas boas, e faz, é claro, refletir sobre o que é realmente importante a traçar linhas de prioridade num mundo tão desconcertado. Esse é o papel dessa escritora, e percebe-se isso quando “não tinha as respostas nas mãos, mas tinha desejo nos olhos”, na obra “cordel do amor encantado”. Tão doce, simples, que acalenta e transforma. É isso que esse texto quer mostrar. É isso que esse texto quer para o futuro do país. Mulheres, homens, pessoas que querem um final diferente diante de tantos finais óbvios. Queremos gritar assim como você, Elisa, que nossa esperança é imortal.

FONTES: LUCINDA, Elisa. Só de sacanagem. Jornal de poesia

Texto: Alex Gomes

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