Kah Grigori: o real através das lentes

 

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@pablobpsantos

 

A arte e sua faceta diversa nos rodeia por qualquer caminho que seguirmos; fotografia, literatura, música, pintura, dança e afins. Emprestar sua perspectiva de vida pode mudar como alguém se sente consigo mesmo,  sendo isso o que a Kah Grigori, fotógrafa, videomaker, graduanda em Psicologia e  Criadora de Mídias Digitais, anda trabalhando com seu público. Com numerosos seguidores nas redes sociais, a fotógrafa trabalha com registro, edição e divulgação de conteúdos digitais bem como projetos voltados à autoestima de mulheres através da fotografia.

 

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 Sotaques: é interessante o modo a qual a foto, com o tempo, tem se ajustado e aprimorado ao nosso mundo desenfreado e globalizado. Como as redes sociais têm ressignificado a fotografia?

Kah Grigori: as redes sociais, assim como outras questões relacionadas à tecnologia, ressignificaram muitas partes do processo; uma delas é que antes você comprava um filme, fazia doze fotos, saberia se ficou boa após a revelação, e havia poucas pessoas para mostrar. E se o clique ficasse bom, você se achava a pessoa mais criativa do universo. Hoje você já consegue ver o trabalho de pessoas no mundo inteiro trabalhando com temáticas diversas. O conceito de criatividade muda; o que você acha que faz uma coisa super diferente, descobre que não é bem assim, ou o que você acha muito interessante, é apenas interessante para um grupo seleto de pessoas, e a arte é apreciada de maneiras diferentes. Descobre-se muita coisa nessa possibilidade de se comunicar com o mundo inteiro através das redes sociais.

Sotaques: diante da sua formação acadêmica, psicologia, como funciona o processo de trabalho da autoestima?

Kah Grigori: acredito que, em termos simples, poderíamos chamar de autoestima uma avaliação (positiva ou negativa) que cada um faz de si mesmo. No processo desse trabalho, nós mexemos em alguns pontos relevantes para uma melhoria desta autoavaliação, entre eles a autoaceitação e autoconfiança junto a uma rede social de pessoas com esse interesse em comum, todas em diferentes fases dele e sendo exemplo para as demais. Na Psicologia temos atividades similares denominadas de “avaliação e intervenção em grupos”.

Sotaques: a sociedade ainda insiste em nos jogar determinados padrões, seja no intuito de obter lucro, ou empoderar o nome de uma marca. De acordo com a sua visão, por que as pessoas temem em aceitar a diversidade?

 Kah Grigori: a meu ver, a diversidade é uma construção social, o que significa que as distinções não existem em si mesmas. Somos nós quem construímos os grupos de parâmetros e segmentos para medir o belo e o feio, o errado e o correto e até mesmo o comum e o estranho. Aí entram as relações humanas, que são, essencialmente, relações de poder. E, quem tem poder, o tem sobre algo ou alguém. Ao longo da história, uma determinada maioria entra em acordo que suas características são superiores às demais e, sendo maioria, acabam validadas pelo seu grupo, e utilizam disto como um posto de superioridade sobre os demais, e lutam para manter tudo assim para manutenção de seu ego.

Sotaques: Beleza é de caráter subjetivo, contudo, pressionadas pelo padrão perfeito, as pessoas tendem a editar e corrigir a imagem, seja afinando a cintura, diminuindo o tamanho do nariz, ou utilizando filtros que limpam sinais, manchas de pele e afins. Qual a sua opinião a respeito, e como lida com isso no dia a dia do trabalho?

Kah Grigori: as pessoas que me procuram, atualmente, normalmente já sabem: a proposta é sempre “me permita emprestar os meus olhos para mostrar que você é magnífica, com tudo isso que chama de defeitos”. Sempre há a opção de manipular digitalmente a maioria das características de uma pessoa, e eu o faço em trabalhos com outras demandas sem problemas, mas, ao fazê-lo com a imagem de alguém que, por pressão social, comprou a ideia de que sua beleza não é válida, reforçamos esta construção. Com esse trabalho trocamos o “eu seria bonita se mudasse isto” para um “caramba, não é que eu sou, mesmo, um arraso!?”

Sotaques: mulheres com obesidade, câncer, depressão e ansiedade são uma das suas clientes. Qual a importância de contribuir para com a visibilidade das minorias, e como tem sido a repercussão?

 Kah Grigori: as mulheres que estão passando por um momento difícil no âmbito do psíquico, provavelmente não revelarão isto nas fotos. Isto porque a depressão, a ansiedade, o luto, a ideação suicida e tantas outras coisas, não necessariamente tem cara. Para estas pessoas, o trabalho é mais um momento para dar atenção a si mesmas, ter um momento que seja para se amarem e se valorizarem e, quem sabe, aliviarem seu sofrimento, ainda que um pouco. Para as mulheres cuja processo de aceitação é físico, o impacto é muito diferente, pois não é exclusivamente da fotografada. Mulheres com diversos manequins, com perda de cabelo pela luta contra o câncer, com idade acima de 50 anos, com diversos tons de pele, todos os dias mostram para outras mulheres como elas, que dá pra ser feliz e se sentir bem se você se aceitar e se amar. E fazer parte do processo que leva isso para essas mulheres é gratificante. Todas as vezes que eu recebo mensagens de uma dessas mulheres, que elas me contam suas histórias, eu ganho mais força para continuar tentando alcançar mais delas, ainda que elas não cheguem a ser fotografadas. Mas que, minimamente, se sintam representadas, onde estiverem no mundo.

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Sotaques: o que o processo fotográfico representa para você, e quando surgiu a inclinação para tal arte?

Kah Grigori: hoje, a fotografia para mim é uma forma de guardar e mostrar para o mundo as coisas que estou vendo, e manter elas ali para sempre. Emprestar meus olhos para que outras pessoas vejam o que eu vi da forma que eu vi. Usar a lente com olhos que eu possa emprestar para quem não estava lá, ou para quem não pode ver de onde eu estava vendo. Eu acho que, desde muito pequena, sempre fui muito apaixonada pela fotografia, pois tinha uma necessidade de guardar aquilo que eu estava vendo, como se a memória não fosse suficiente. E, também, se desse as costas para determinado lugar, determinada situação, acabava ali, e não teria mais. Sempre tinha essa vontade; tudo o que eu achava interessante, de objetos a paisagens a certos horários do dia, eu queria registrar para guardar aquilo para mim de alguma forma. Então fotografo desde antes de saber o que é um equipamento fotográfico. Com os primeiros celulares que tive acesso, as primeiras tecnologias, já fazia muito isso.

Sotaques: deve ser comum, no seu trabalho, receber pessoas tímidas; como consegue deixá-las calmas para conseguir boas imagens?

Kah Grigori: varia de pessoa para pessoa. Normalmente, já dá para ter uma ideia sobre a timidez de alguém, quando ela não tem uma noção sobre as vestimentas ou o tipo de ensaio. Se ela parecer muito acanhada, sugiro um ambiente pouco movimentado para que ela foque em mim, sem muita preocupação com os demais olhares. Converso muito com ela antes do dia para dar dicas, conforme a personalidade dela e as fotos mostrem fielmente quem ela é. No ensaio, falo bastante, vou usando frases positivas pra ela saber que está fazendo tudo certo e ficar à vontade, faço graça pra conseguir uns sorrisos e faço algumas poses pra ela espelhar-se. Os resultados são ótimos e, em poucos minutos, já dá para sentir que a modelo está mais solta.

Sotaques: qual a região onde seus trabalhos de fotografias são realizados, e como podemos entrar em contato com você?

Kah Grigori: normalmente, atendo na capital, Brasília, e regiões metropolitanas do Distrito Federal. Mas, sempre que estou viajando para outros estados, deixo todos os meus contatos informados previamente para que pessoas interessadas no meu trabalho, e que residam em outra localidade, não percam a chance de ter essa experiência comigo. O jeito mais simples de conhecer um pouco desse projeto, e entrar em contato comigo para fazer parte dele, é através do meu perfil no Instagram: @kah_grigori ou do e-mail grigorikah@gmail.com .

 

PABLO B.P. SANTOS

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