Evezel e a fantasia cinzenta

 

Evezel (3)

@pablobpsantos

É curioso o fato de como a escrita reivindica seu posto na vida de algumas pessoas, caso do autor graduado em música, Eduardo Heldt Urban, mais conhecido pelo seu pseudônimo “Evezel”. Escrita e música são umas das habilidades artísticas presentes na vida do autor, com duas obras publicadas, “Origem do além” e seu mais recente, “A valsa eterna”, ambas do universo fantasioso a qual se apoia, com temas que vão de mitologia, astrologia, até morte e ocultismo, assim descrito pelo próprio escritor.

Sotaques: é difícil não notar a grande voz que foi dada aos animais e a natureza nas páginas iniciais de “A valsa eterna”. Tendo como exemplo o contexto ambiental atual brasileiro, o que podemos extrair da obra para reflexão?

Evezel: a principal lição, acima de tudo, é que tudo o que é finito segue um ciclo. Seja o molde de um rochedo através das eras pelas águas, seja o nascimento de uma planta ou até mesmo a morte dos animais. Precisamos estar cientes de que nossa humana consciência é mais elevada do que a de outros seres vivos e que, com isso, podemos fazer bom uso dela.

Sotaques: como pioneiro da exobiologia, tendo relevantes pesquisas sobre vida além da terra, o cientista Carl Sagan já poetizava a ideia de que somos feitos de poeira estelar. Analisando a proposição, para Sirius, o que é Deus, e como essa composição química nos une a ele?

Evezel: não afirmo nada com essa resposta, mas uma válida suposição, ao menos para mim, é a de que Deus é a unidade de tudo e de todos, mas o que seria isso, afinal? Eu não sei dizer… mas tento brincar com essa ideia através de meus livros, seja criando uma entidade ou transformando Deus em um elemento químico. Talvez ele seja a esperança para uns, talvez outros nem acreditem nele, mas o seu principal propósito seria, pelo menos para mim, a compreensão de que somos diferentes e que precisamos todos aceitarmos nossas diferenças.

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Sotaques: é claro que, para os protagonistas da trama, o conhecimento é a única ferramenta capaz de desequilibrar os detentores do monopólio comercial; para você, como o governo poderia ser mais justo?

Evezel: em relação ao comércio, eu acredito que regularizando pouco, de uma forma que fique justa para o empregador e para o empregado, já teríamos um certo avanço e que esse maniqueísmo entre patrões vs empregados, com isso, cessaria, de uma vez por todas.

Sotaques: assim como os empreendimentos de sucesso entre a família de Sirius e Sophia, há alguma história a qual se orgulhe e queira compartilhar?

Evezel: baseei muito do que molda os pais de Sirius e os de Sophia também, por que não?, da história de vida dos meus pais. Mas não sei se esse é o momento certo de contar, pois essa história, por si só, já renderia outro bom livro.

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Sotaques: como você disse, a ficção fantástica, no Brasil, ainda é uma grande ilha a ser explorada; quais autores do meio você nos sugere para leitura?

Evezel: existem muitos ótimos autores a serem lidos do gênero, aqui, no Brasil. Deixo aqui a recomendação de Jadna Alana, Letícia P. S. , Lucas de Lucca, Karen Soarele, Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Eduardo Spohr, Affonso Solano. Opção é que não falta e, é claro, além destes existem muitos outros. Histórias de brasileiros para brasileiros para qualquer gosto dentro da fantasia.

Sotaques: a respeito do processo de escritor, como prepara o terreno para a inspiração, e quem é a sua influência, direta, quando escreve?

Evezel: eu gosto de dizer que minha inspiração vem através do estudo. Gosto de escrever sobre assuntos que domino ou estudo bastante, como é o caso da Cosmogênese de Blavatsky e os doze signos do zodíaco em Origem do Além, quanto a Antropogênese teosófica em A Valsa Eterna. É claro que sou um ávido apreciador das belas (e não tão belas assim) artes e, com isso, a trilogia “O Refúgio da Arte” está chegando.

Sotaques: o chamado “bookstagram” está em alta; desde pessoas resenhando livros, sugerindo lançamentos das editoras, ou até postagens com montagens criativas, e seu perfil está repleto delas. Quais são as inspirações, e como é o processo de edição?

Evezel: sigo muitos igs literários para me inspirar, sejam brasileiros ou gringos e, com alguns deles, inclusive, fiz até certa amizade e consegui trocar umas figurinhas, como dizem por aí. O processo de montagem era simplesmente cansativo, com horas no Photoshop dedicadas exclusivamente à uma única foto. Por isso parei com elas, demandavam muito do meu tempo e, agora, prefiro tirar fotos mais simples, mas que ainda falem sobre literatura.

Evezel (2)

Sotaques: dando uma olhada em seu perfil do instagram (@Evehimself), é interessante acompanhar um padrão que se renova a cada fase, sob o que chamamos de call to action, no marketing, e palheta de cores. Quando surgiu o interesse de utilizar essas estratégias para impulsionar sua imagem?

Evezel: o instagram, em especial, é uma rede social de fotos e é preciso, como qualquer outra coisa da vida, observar o que dá certo e o que não dá certo na plataforma. Apenas fui tentando ousar coisas diferentes e mantive o que dava certo. Hoje está daquela maneira, sempre seguindo uma métrica. O famoso “feed organizado”.

Sotaques: já são dois livros publicados na conta; “A origem do além” e “A valsa eterna”. Há alguma obra em processo de escrita? Sobre o que é o tema?

Evezel: sim, a trilogia “O Refúgio da Arte” está sendo escrita. Já estou finalizando o primeiro e já escrevi metade do segundo volume (chamado Galeria Egotista) e pretendo publicar o primeiro nesse ano de 2020. É uma fantasia que tem a arte como tema central.

Sotaques: algo que é bastante comum e, às vezes, de sucesso, são as colaborações musicais; achas que na escrita é algo que vale a pena?

Evezel: sim, mas não só no musical. Hoje em dia só com muita sorte para escrever um livro e obter sucesso. Eu, por exemplo, com Origem do Além, encomendei 18 ilustrações exclusivas do livro e, ainda por cima, fiz um jogo e toda a trilha sonora deste para divulgar a história. É preciso fazer o possível para atrair a atenção dos leitores, hoje em dia. Basta usar das armas que tem.

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