Cláudia Gutierrez Santana – Empoderamento Feminino

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Texto: Hernany Fedasi  | @hernany.fedasi

Minha relação com o esporte, na verdade, faz parte de uma relação maior, com o movimento e com a arte: com a vida!

Antes mesmo de saber o que era dança, por volta dos três anos de idade, me lembro que já gostava de dançar. Mas, meu primeiro sonho mesmo, foi ser ginasta. Ficava deslumbrada assistindo a ginasta Nadia Comanetti pela TV e queria muito fazer aquilo. Embora eu tivesse sempre muita flexibilidade, na minha família, o esporte, a arte e os estudos, ou seja, tudo o que me interessava fazer, era malvisto por “não dar futuro” e, desde cedo sofri o preconceito por gostar de sonhar de olhos abertos.
Aos doze anos, consegui negociar com minha mãe, comerciante, para fazer aulas de dança, em troca de cuidar do comercio dela num turno e ir para a escola no outro para fazer aulas de dança à noite. Nesta época, eu já organizava, festivais de dança na escola, mas era um desastre em esportes coletivos, pois eu era muito pequena e magricela, apanhava das boladas das colegas e sofria bulling, antes mesmo deste termo existir. Adivinha: era boa em ginástica e atletismo.
Meus estudos de dança continuaram e, em dois anos eu estava numa das melhores escolas de dança de São Paulo e um ano depois, aprovada nos exames da Royal Academic of Dancing e dando aulas. Nesta época, pude ver o melhor da dança no mundo e me profissionalizei.

Quando fui para o Teatro, corria em torno do Ibirapuera para melhorar minha
performance nos palcos. Foi um caminho bastante solitário e sem apoio familiar. Quando meu filho nasceu, já havia parado com a atividade artística e me mudei para Curtiba. Após varias tentaticvas de fazer algo “rentável”, voltei a ensinar dança e abri um espaço de artes, chamado K do Movimento, criei um grupo de dança, coreografei e dancei por algum tempo.

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Cursei a faculdade de Dança e de Pedagogia, concluindo a última, deixando a atividade física e artística para lecionar.

Foi assim por cerca de dez anos, até que minha coluna se recusou a colaborar e comecei a ter crises seguidas de lombalgia que chegaram a me impedir de andar. As alternativas eram medicamentos cada vez mais fortes e a possibilidade de cirurgia. Passei por infinitas sessões de fisioterapia e acupuntura. Quando eu já estava um pouco melhor, o meu ortopedista me indicou a natação. Quando fiz quarenta e seis anos, tive a oportunidade de recomeçar e de aprender a nadar.

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No começo, ainda tive diversas crises de coluna, bursites e tendinites em várias partes do corpo. No mesmo ano, fiz uma incrível viagem de canoa para um trabalho voluntário em comunidades isoladas e, mesmo limitada fisicamente, remei por duzentos quilometros em treze dias.
O mar, se apresentou à minha frente e, quando eu soube das travessias em águas abertas, quis logo participar. A ideia de estar junto da natureza me encantava e não parei mais!
Tenho participado de circuitos de travessias em águas abertas, no Paraná e em Santa Catarina e algumas provas de aquathlon, de corrida e de revezamento no triathlon, a última, numa  equipe com meus primos, pois, sim! a familia agora tem uma equipe de atletas que praticam esporte regularmente.  No último mês de agosto, realizei o Desafio de 8Km de natação, na volta à Ilha do Macuco, em Santa Catarina. Desacreditada por muitos e encorajada por meu experiente treinador Cassio Ricci realizei a prova, sem me preocupar com os resultados. Queria viver esta experiência junto à natureza, sentir a transparência da água tocando meu corpo, a grandeza dos rochedos da ilha vistos do mar, os cardumes de peixes, o sol sobre a cabeça, amenizando a água congelante de inverno.

Cheguei! E esta foi uma celebração à vida e uma homenagem que pude fazer aos meus antepassados indígenas, especialmente minha avó paterna, que sempre me incentivou e acreditou no meu êxito. Nadar, especialemnte em provas de longa distância em mar aberto, tem sido uma grande experiência que me fortalece e faz seguir adiante, não importa as limitações, a idade e o preconceito. Todos podemos ser melhores quando fortalecemos nossas próprias braçadas.

 

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Fotos: Andreia Antunes – Fico Radical Cláudia Gutierrez Santana (Selfie)

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