Que música você come? A gastronomia dos espaços musicais

 

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“Jazz on the river”, Manhattan, New York – EUA. Fonte: http://www.dcahlo.com119Gastronomia

Desde os ritos mais antigos que faziam os povos celtas em seus rituais pela deusa, os egípcios em suas cerimônia religiosas – muitas com sacrifícios humanos-, os reinados da Idade Média com seus banquetes comemorativos e para mostrar poderio que música, como entretenimento na gastronomia, tem sido difundida e executada. Sempre pensamos em um restaurante com música suave e confortável aos ouvidos, combinando com as vontades, os desejos e boa mesa. A tarantela nas casas de Nápoles; o coco, no Norte do Brasil; a quadrilha junina Nordestina todas danças envoltas de experiências gastronômicas locais, regionais e muito ricas. Não necessitamos ir muito longe: uma comemoração simples em casa, com amigos, envolve música, bebida e comida. Celebrando essa união, vamos entender um pouco de três polos contemporâneos que envolvem música, política e gastronomia: o jazz, o tango e o samba.
Jazz: tragos e tapasA origem do jazz tem raízes muito mais ancestrais que os bares de Manhattan. A maior parte do som foi uma mescla criada entre os o que africanos, haitianos e os cubanos, inclusive com alto teor de crítica à vanguarda europeizada, unindo as forças entre os negros que era excluídos pelo racismo iminente no início do século XX – e que infelizmente não foi erradicado até hoje. Talvez o que os brancos poderosos americanos insultavam consideravam “zumbido selvagem” seja hoje um dos maiores tesouros artísticos culturais do país. O jogo sempre vira.
A cozinha de um jazz café, nome que esses espaços ganharam com a difusão do gênero pelo mundo, costuma ser dinâmica e rápida. Com tapas, hambúrgueres, e finger food que sejam servidas rapidamente, para se comer com a mão e sem o rigor de uma cozinha de restaurante. O importante é que harmonizem com cerveja, whisky e drinks como Cosmopolitan e Manhattan, essenciais acompanhantes de um bom jazz. A comida frita e mais condimentada, de larga influência cubana, ganha hoje um destaque especial, tendo como público cativo os amantes de boa música e turistas que frequentam New York.
Tango: vinho e carne
Impossível não se apaixonar pela sensualidade e leveza de um bom espetáculo de tango em Buenos Aires e, muitas vezes, não é preciso ir a uma casa especializada. Meu tango preferido – talvez por ser circunstancial – acontece próximo aos muros do famoso Cemitério da Recoleta, área nobre da capital portenha. Quase todos os dias, ao final da tarde, é possível sentar em um bar ou café próximo, pedir um trago e apreciar ao espetáculo das cores do sol que se põe ao redor da dança. Sua origem, bastante enigmática, tem uma conexão forte com os movimentos de resistência afroargentinos e os prostíbulos com influência dos europeus. É uma dança de origem marginal, por trabalhar corpo e sexualidade dominadora feminina e muitas vezes era tratada como profana ou vulgar. Resistiu por muito tempo e vive até hoje, a ponto de ser patrimônio histórico argentino.

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Piazzolla Tango, Buenos Aires – Argentina. Fonte: http://www.mibuenosairesquerido.com

Em Buenos Aires há dezenas de casas especializadas em oferecer show excelentes de Tango e boa carta de comidas e bebidas. O que prevalece na experiência portenha, para a maioria dos turistas, resume-se em comer boa carne e tomar um tinto malbec de Mendoza. Não que seja uma má opção, mas a cozinha argentina é muito mais que isso. Porém é muito provável que esses espaços tenham essa pegada mais mítica, por motivos mercadológicos e econômicos. Não da pra oferecer algo muito alternativo e perder o cliente em um país incrível, com cultura a cada esquina e educação inclusiva (material para uma longa matéria posterior) mas que tem passado por dias ruins a algum tempo. Todavia, um bom vinho mendoncino – ou espumantes de Salta, que são incríveis, cítricos e mais refrescantes – com uma típica parrillada com carnes de qualidade inigualáveis são de encher barrigas, olhos e corações de qualquer um.

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Dona Ivone Lara. 1970, Rio de Janeiro – Brasil. Fonte: http://www.ceert.org.br

 

Samba: carnaval, cachaça e sexismo (não é tudo)
A origem do samba é evidente: surge como resistência para os negros que se amontavam nas periferias cariocas quando, com o fim da escravidão, o Brasil despejou-os à rua sem ter formação, dinheiro ou para onde ir. Muitos batuques do samba surgem em mescla com religiões iorubás, advindas dos povos escravizados na Bahia que migraram para a construção da capital carioca. Sambar tem como significado brincar, ou em outra origem proposta, coração. Pode ser por isso que tantos sambistas brasileiros tenham criado canções que são de profunda melodia, paixão e afeto. As rodas de samba começam com homens tocando as canções e mulheres se revezando ao centro da roda. Um gênero que pauta na coletividade, na essência de Noel Rosa e tantos nomes que afloraram durante séculos de existência e até hoje resiste. Muitos nomes masculinos são citados e com louvor; mas a revolução do samba, desde o início do século XX – quando cantar era assinar seu diploma de meretriz no Brasil -, veio mesmo com nomes como Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Tia Ciata, Leci Brandão e Tereza Cristina.
Samba: carnaval, cachaça e sexismo (não é tudo) A origem do samba é evidente: surge como resistência para os negros que se amontavam nas periferias cariocas quando, com o fim da escravidão, o Brasil despejou-os à rua sem ter formação, dinheiro ou para onde ir. Muitos batuques do samba surgem em mescla com religiões iorubás, advindas dos povos escravizados na Bahia que migraram para a construção da capital carioca. Sambar tem como significado brincar, ou em outra origem proposta, coração. Pode ser por isso que tantos sambistas brasileiros tenham criado canções que são de profunda melodia, paixão e afeto. As rodas de samba começam com homens tocando as canções e mulheres se revezando ao centro da roda. Um gênero que pauta na coletividade, na essência de Noel Rosa e tantos nomes que afloraram durante séculos de existência e até hoje resiste. Muitos nomes masculinos são citados e com louvor; mas a revolução do samba, desde o início do século XX – quando cantar era assinar seu diploma de meretriz no Brasil -, veio mesmo com nomes como Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Tia Ciata, Leci Brandão e Tereza Cristina.

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Feijoada clássica com samba de ro 122oda. Fonte: http://www.vaidancar.com.br

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