O Amante Hostil | Pablo B.P. Santos

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Eles estão por toda parte: por trás do caixa de uma banca, gerenciando uma empresa ou regendo um país. Sem empatia e nem remorsos por seus atos, e com distúrbios de personalidade, vivem sob suas próprias regras e apenas sentem culpa quando ferem seus princípios intrínsecos.

Rousseau, filósofo suíço, século 18, sugeria que a natureza humana era de origem pura, mas a sociedade a perverteria. Mesmo sem o pudor por mentir, manipular ou machucar para conseguir o que querem, a maioria não comete crimes. Para os psicopatas as pessoas são como objetos que servem para satisfazer seus interesses, conseguem viver perante a sociedade porque se adaptam e consideram as regras sociais.

Essas e outras questões se levantam por meio do livro “Dentro da Noite”, que apresenta a busca pela satisfação sexual da elite na classe baixa. Lançado pela H. Garnier Editora, 1910 (268 páginas), e republicado mais tarde sob domínio público pela biblioteca nacional em versão PDF (83 páginas), o conto relata a história de um homem e seus atos de tortura para alcançar o êxtase do prazer.

A obra é exibida por uma sequência de falas e explicações longas. O foco é o diálogo entre os personagens, Rodolfo, Justino e os acontecimentos que ocorrem no decorrer da narração do mesmo.

Rodolfo era um homem de boa família e que namorava Clotilde, porém, tudo começou quando eles compareceram ao baile do Praxedes. Clotilde aparecera com decote, de braços a mostra, o que instigou um ciúme no Rodolfo desenvolvendo um desejo doentio de ter os braços da mesma para feri-los com alfinetes. Ele conteve-se durante um período.

Com o tempo, o desejo de espetá-la e fazer-lhes manchas negras só aumentava. O ciúme era tão intenso que até de mangas compridas ele a via com braços nus. Foi quando num evento da Viscondessa de Lajes que ele insistiu para perfurá-la para compensar a sua exibição corporal; atordoada e, sem entender, aceitou.

Era uma noite tempestuosa, Rodolfo contava a sua história para Justino por volta das onze da noite. Seu amigo alimentava seu sadismo interligando seus atos a normalidade e o comparando com filósofos e posições pomposas.

As visitas na casa da moça começaram a se tornar frequentes; as perfídias também. A sordidez aumentou tanto que até se comprazia em saber se sangrou, doeu, fez machucado. Sempre a noite, sendo vigiados por longe, os dois ficavam num sofá que tinha nos fundos enquanto o pai conversava na sala. Rodolfo aproveitava-se da penumbra e fincava as agulhas.

Em um mês Clotilde começou a adoecer. Sem vida no rosto, e repleta de olheiras, sofria calada. A sua rotina era acordar e ouvir o berro de sua mãe avisando que Rodolfo chegara, para trancá-la no quarto e começar o tormento. Até que um dia a criada viu os braços e contou tudo ao pai de Clotilde. Nessa tarde, Rodolfo recebeu uma carta do pai de Clotilde desfazendo o casamento e lhe ameaçando citando crimes com penas no código.

Para esquecê-la, Rodolfo procurava prostitutas para regozijar sua alma insana, alugando por dinheiro a dor das mulheres. Vagava as ruas da Suburra atacando mulheres sem dó. Gostava mais das magras, as que pareciam doentes. Rodolfo estava em um dos vagões do trem contando sua história a Justino, naquele desejo insano, quando o trem para numa estação e uma menina loira adentra num vagão. Subitamente, despede-se de Justino e vai ao encontro da moça com os alfinetes e, Justino, curioso, observava a dor da pobre moça.

Dentro da Noite é um Thriller instigante, inteligente e insano ao seu tempo. Com personagem psicopata coberto por pele de cordeiro, o conto traz um gosto da noite  londrina ocultada pela fumaça do crime com ambiente de interior brasileiro.

João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto foi um jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo brasileiro (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1881 — 23 de junho de 1921) e tinha João do Rio como seu pseudônimo mais conhecido. Prestou concurso ao Ginásio nacional e se aventurou no mundo jornalístico, colaborando para várias companhias da imprensa carioca. Foi eleito para a Academia de Letras em sua terceira tentativa, em 1910.

 

Pablo B.P. Santos

 

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