Singularidade: o avanço nas mãos de protótipos

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Uma questão nunca se tornou tão corriqueira, “o que nos torna seres humanos”?

O processo de evolução dirige-se vorazmente à singularidade; máquinas inteligentes logo vão nos permitir conquistar nossos maiores desafios, não apenas a cura de doenças, mas o fim da pobreza e da fome. A cura do planeta, e a criação de um futuro melhor para todos nós.

Expressar emoções e ter autoconsciência são habilidades que, em breve, não será privilégio do homem, porém, a pergunta que permeia é: quando a inteligência artificial irá superar a inteligência humana? Bem, esses e outros questionamentos acerca de nosso futuro, podem ou não ser vislumbrados através do conto de Fernando F. Morais, em “O Despertar Cyberpunk”, coletânea “Fogo de Prometeu (Andross Editora, 2016)”.

Sejam eles pró ou contra tecnologia, os Hackers invadiram as obras cinematográficas. De onde surgiu a ideia do termo “Surfista da Grade”, e oque acha da atuação dos programadores atuais perante os usuários de código aberto?

Fernando F. Morais: bem, assim como William Gibson encontrou o termo “cowboy” para se referir aos hackers de Neuromancer, eu também estava procurando algo para ser usado da mesma forma. Para criar o termo “Surfista da Grade”, utilizei a velha expressão do início dos anos 2000 “surfar na web” e busquei em Tron a palavra “grade”, que no filme é referenciado como a fronteira digital em que os programas ficam. Na história, quis ampliar o sentido da palavra “grade” para me referir à rede global de computadores. Em um mundo cada vez mais conectado, a demanda por programas de livre acesso cresce no mesmo ritmo que as empresas desenvolvedoras de software querem lucrar com programas de alta performance. A questão dos programas com direitos autorais é que eles, geralmente, alcançam maior público por conta do dinheiro que as grandes empresas investem e pelos inúmeros testes pelos quais passam antes de serem lançados no mercado, garantindo uma maior qualidade.  Já os programas de código aberto podem sair em benefício daqueles que buscam melhorias que todos os usuários buscam, mas que as empresas raramente fazem. Outro peso para a balança dos programas de código aberto é a produção colaborativa de um produto que pode ser distribuído de forma universal e gratuita. Pessoalmente, eu não me vejo muito qualificado para falar a respeito disso, pois envolve filosofias muito mais complexas, às quais não  sou muito familiarizado.

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Supondo que pudéssemos mensurar a quantidade suficiente para a criação de uma consciência perfeita, quantas mentes brilhantes você sugere para  tal?

Fernando F. Morais: um número não alcançado ainda pela matemática e um pouco mais. A perfeição é algo impossível.

Pode-se levar um longo tempo até que neurocientistas e especialistas  alcance o sucesso para o procedimento de transferência mental, mas, assim como o personagem Ian, você estaria preparado para esse processo?

Fernando F. Morais: acho que ninguém estaria (nem o próprio Ian estava). Dentro do meu ponto de vista, um processo desse tipo resultaria em total fracasso. A transferência de consciência seria algo tão complexo no mundo real que, mesmo com séculos de esforço e empenho, a ciência apenas colheria frustração.  Pense em tudo que envolve tal feito
científico; os padrões cerebrais teriam de ser copiados com total  exatidão; os fatores psicológicos  e biológicos teriam que ser recriados em um software dentro de um processador infinitamente mais complexo do que os que temos atualmente. Isso tudo sem contar o  fato de que seria preciso conhecer o cérebro humano de uma maneira que apenas Deus conseguiria.  A inspiração: “É difícil escrever esta nota, pois não me lembro ao certo como tive a ideia para esse conto…

Na verdade, essa história faz parte de um universo de ficção científica que comecei a criar há pouco mais de um ano. Penso constantemente nas histórias desse mundo e os personagens que o compõem. Na trama do Ian, especificamente, veio até mim de forma quase cem por cento natural. É claro, tive muitas influências que colaboraram para o processo de criação.  Na época em que escrevi a história (início de 2016), eu estava simplesmente obcecado pela temática  cyberpunk. Isso já vinha de anos, mas se intensificou a partir daí. Foi a mesma época na qual comecei a assistir a série Ghost in the
shell: stand alone complex (1989).Outra grande fonte para mim foi a obra de William Gibson, Neuromancer (1984). Essas histórias a respeito de como os seres humanos conseguem interagir com a tecnologia em seus respectivos universos, me fizeram elaborar minha própria ideia de simbiose entre homens e máquinas. Juntando as ideias que já tinha
com as novas vindas de Ghost in the shell e Neuromancer, consegui criar a história que me levou à minha primeira publicação profissional.”

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Reger uma nação não é simples, você acha que uma máquina apenas com superinteligência seria capaz de estabilizar a economia de um país?

Fernando F. Morais: essa pergunta me fez lembrar de “O conflito evitável”, um dos contos que compõem o livro Eu, Robô, de Isaac Asimov. No conto de Asimov, as máquinas projetam a economia e produção humana, de uma forma que gere um equilíbrio global e não cause conflitos. O fato de as máquinas não possuírem uma forma de consciência como a humana as torna obsoletas para agirem de forma a modificar nossas vidas em um nível político. Uma máquina poderia sim estabilizar a economia de um país, mas a que preço? Talvez cortando benefícios sociais, regrando gastos e controlando as contas de cada indivíduo no país. Quando são pessoas que fazem isso, as coisas são feitas pensando na qualidade dos cidadãos de uma nação (ou pelo menos é assim que deveria ser). È interessante o quão imprevisível pode ser o caminho para que o escritor alcance o desenvolvimento do escrever.

Quando surgiu o interesse pela escrita, e por que ficção científica?

Fernando F. Morais: sempre gostei de criar histórias, e a escrita surgiu apenas após os meus dezessete anos. Pelo que me lembro, histórias de ficção-científica sempre estiveram presentes na minha vida desde a infância. Aos dez anos de idade eu era obcecado por ciborgues e robôs por causa dos filmes do Robocop dos anos de 1980 e 1990. É claro, também havia os desenhos animados como Batman do futuro e Projeto Zeta (alguém se lembra?). Com o tempo fui adquirindo outras referências. Graças a trabalhos que tive de fazer no ensino médio, criei um gosto por escrever as histórias que surgiam na minha mente. Mas podem vocês, leitores, imaginar um escritor que não lê? Este era eu aos meus dezessete anos. Nessa mesma época comecei a escrever a minha primeira história, era uma ficção científica que abordava manipulação genética e criação de super humanos. A ideia da história pode até ter sido boa, mas a escrita era horrível! O importante é que não foi um daqueles projetos que você começa animado e depois joga no fundo da gaveta, eu continuei escrevendo ao mesmo tempo que mergulhava em livros de ficção científica e fantasia.
Estou nessa até hoje. Processo de escrita: Escrever é uma arte, não um dom. Há quem possa discordar da minha afirmação, total ou em parte, mas o processo de criação de uma história requer muito mais que uma simples inspiração (concordo que seja muita válida e importante essa parte), porém, o escritor não vive apenas de inspiração. Ter uma boa ideia não é suficiente para se tornar um bom escritor. Se me perguntarem qual é o segredo para se tornar um grande escritor, direi o seguinte: “Não sei! Ainda não sou um grande escritor”.  Mas há duas coisas que acho fundamentais a qualquer escritor: prática e
persistência.”  Como leitor de sua obra, digo que foi um pouco angustiante, senão
doloroso, ver Sebastian e Arthur Cline sob a posse da consciência.

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Você pretende dar continuação, ou seja, entregar a “alma” de Ian? (risos).

Fernando F. Morais: na verdade, ainda não sei se a história terá continuidade eu já tenha a ideia. A história de Ian se passa em um universo que estou criando composto de várias histórias que montam uma linha do tempo e levam tudo a final. Ian seria uma peça essencial para a construção da história que tenho em não tenho certeza se darei continuidade especificamente a essa história. Eu desenvolver mais contos parecidos para dar ao leitor mais peças para montar o responder algumas perguntas dos leitores como, por exemplo, o que acontece depois? que aconteceu? Para onde vai a consciência de Ian? Gostaria muito de responder através de novas histórias.

Com a língua em constante processo de desenvolvimento, o que tem a dizer neologismos como o termo “presidenta”?

Fernando F. Morais: é natural que uma língua sofra modificações através do tempo, a criação e incorporação de novos termos. No Brasil, há uma pequena polêmica palavra “presidenta”. Alguns acham feia ou incorreta a estrutura do termo, enquanto relacionam a repulsa ao fato de a presidenta Dilma Roussef ter feito um pedido referida com a utilização da palavra em sua forma de gênero feminino. Não estou a presidenta afastada, mas a utilização de tais termos pode ir além de uma no processo linguístico, o argumento pode estar na luta das mulheres, por exemplo, mercado profissional e uma sociedade ainda muito machista. A palavra “presidenta” ela já existe há décadas e é reconhecida pelo nosso país na forma padrão da debate pode ser longo e envolve questões mais amplas do que uma simples mudança linguístico do português.

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Sobre o autor: Fernando F. Morais nasceu em Brasília, Distrito Federal, em 1995. do curso de Letras e professor de inglês. O Despertar Cyberpunk, por Fernando F. Morais, é um conto de “Fogo de fantásticos. Organizado por Paola Giometti e publicado sob Andross Editora, SP, continuidade ou não, embora  criando aos poucos, a um ponto só no mente, mas ainda espero conseguir o quebra cabeça e depois? E antes, o responder essas perguntas dizer a respeito de tempo, assim como polêmica ao redor da enquanto que outros público para ser estou aqui defendendo uma simples mudança exemplo, contra um
presidenta” não é nova, da língua. Enfim, o mudança no processo 1995. É acadêmico
Prometeu: contos SP, 2016.

|Pablo Santos

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