IN-LIBRIS Páginas de Encontro

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O nome é In-Libris e situa-se na Rua do Carvalhido, número 194, uma zona sobretudo habitacional, cujos estabelecimentos comerciais consistem maioritariamente em mercearias, confeitarias, lojas de chineses e boutiques de roupa. O mote são os livros antigos, o alfarrabismo e a arte. A In-Libris aparece, pois, como uma pérola cultural, rara e preciosa, um lugar fora do contexto em que se encontra, uma espécie de oásis que passa a princípio despercebido, mas que nos encanta assim que entramos.

Paulo Ferreira, cujo pai já se dedicava ao alfarrabismo, e Paula Ferreira criaram este lugar de encanto em 1996, inicialmente na esfera virtual, área em que foram pioneiros, uma vez que foram os primeiros a disponibilizar um website como montra para os seus livros. Entretanto, já passaram  por vários locais, nomeadamente pela Rua Formosa e pela Rua da Torrinha, tendo-se agora estabelecido no Carvalhido.

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Em conversa com o repórter da Sotaques, Paulo e Paula explicaram a sua visão e a experiência que querem transmitir a quem visita a In-Libris. O primeiro ponto a ter em conta é a criação dum ambiente intimista e confortável que parte de pormenores aparentemente sem importância mas que fazem toda a diferença: luzes fluorescentes são impensáveis, a iluminação deve ter uma temperatura cromática natural e acolhedora; o soalho é de madeira maciça; as estantes Olaio têm o certificado de qualidade da marca;  o mobiliário é escolhido como se fosse destinado à sua própria casa e toda a decoração do espaço é pensada de forma a transmitir uma sensação calorosa e familiar. Procura-se que seja um local de encontro, de conversas, sem ruídos e distracções, onde a prioridade é a vivência do espírito que se quer comunicar. Depois, há uma atenção à forma como os livros são dispostos, usando um método a que Paulo chama de livraria-jardim. Ao contrário daquilo a que o público está habituado, as obras, que são peças raras e até únicas, não estão organizadas por secções, mas sim duma forma aparentemente caótica que permite ao visitante “passear-se” pelo jardim de livros à procura do que pretende e, mais importante, ter agradáveis surpresas! “O livro ou está ali ou não está” e, na sua proliferação de assuntos, seria limitativo condicioná-lo apenas a um tema. “A In-Libris não é uma livraria para procurar livros, é uma livraria para encontrar livros”.

Como complemento ao alfarrabismo, e reflectindo as muitas áreas de interesse do casal, os livros são enquadrados por inúmeras obras artísticas e, uma vez que a In-Libris é também uma galeria de arte, há sempre uma exposição patente. Aquando da nossa visita, por exemplo, estava exposto o ciclo “Arqueologias”, de Avelino Sá, um conjunto de “desenhos, ruínas, micro-paisagens, arqueografias, lugares de exílio, onde o tempo e a memória nos traem e atraem. Lugares de atracção e repulsão, por onde se traçam os mapas de uma terra sem tempo, de uma memória sem chão, de um desenhar sem fim”.

Numa perspectiva pessoal, a In- Libris reveste-se de fascinação para todos aqueles que têm nos livros lugares de encantar por excelência! Todavia, e depois dessa primeira motivação, as várias dimensões do espaço vão surgindo: é um sítio onde vamos para partilhar paixões, para ouvir histórias, para admirar arte, para aprender, para sair da azáfama do quotidiano. O Paulo e a Paula Ferreira são obviamente pessoas apaixonadas pelo que fazem, com visões próprias e que gostam genuinamente de comunicar. Enquanto falavamos sobre a livraria, a conversa fluiu e viajou até assuntos tão variados como o sistema educativo, as múltiplas referências ao burro na literatura e na sabedoria popular, livros banidos e liberdade, o futuro do livro impresso (em relação ao qual estamos todos optimistas!) e a dificuldade que as actuais formas de registo trarão aos historiadores de amanhã, entre outros. A In-Libris é um lugar de encanto que proporciona lugares de encanto: as letras, o espaço, a arte, a conversa, as ideias, e, com sorte, cavaquinhas para acompanhar e o cheiro de folhas de limonete.

Sugestão de outro lugar de encantar por Paulo Ferreira: Restaurante Torreão. R. das Virtudes, 37. Situado num torreão medieval da Muralha Fernandina, este restaurante está ligado à SAOM , envolve um projecto de economia social e resulta da evolução de um restaurante pedagógico de elevada qualidade.

Texto | António Granja

Fotos: Rita Soares

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