Mário Viegas ator, encenador e recitador português

Mário Viegas

Há 67 anos nascia em Santarém o ator, encenador e recitador português Mário Viegas

António Mário Lopes Pereira Viegas Com IH (Santarém, 10 de Novembro de 1948 — Lisboa, 1 de Abril de 1996) foi um actor, encenador e recitador português.

Considerado como um dos melhores atores da sua geração, Mário Viegas cresceu numa família ligada ao setor farmacêutico e despertou para o teatro numa altura em que era estudante da Faculdade de Letras de Lisboa. Posteriormente inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, tendo a sua estreia profissional no Teatro Experimental de Cascais.

Foi fundador de três companhias teatrais (a última das quais a Companhia Teatral do Chiado) e actuou em Moçambique, Macau, Brasil, Países Baixos e Espanha. Enquanto encenador, adaptou e dirigiu obras clássicas de Samuel Beckett, Eduardo De Filippo, Anton Tchekov, August Strindberg, Luigi Pirandello ou Peter Shaffer. Pela sua atividade foi distinguido, diversas vezes, pela Casa da Imprensa, pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Secretaria de Estado da Cultura, que lhe atribuiu o Prémio Garrett (1987). No estrangeiro foi premiado no Festival de Teatro de Sitges (1979), com a peça D. João VI de Hélder Costa, e no Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha (1978), com filme O Rei das Berlengas de Artur Semedo. O seu último êxito teatral foi a peça Europa Não! Portugal Nunca (1995).

A sua carreira no cinema começou com o filme O Funeral do Patrão, de Eduardo Geada (1975). Participaria em seguida em mais de 15 películas, entre elas O Rei das Berlengas de Artur Semedo (1978), Azul, Azul de José de Sá Caetano (1986), Repórter X de José Nascimento (1987), A Divina Comédia de Manoel de Oliveira (1991), Rosa Negra de Margarida Gil (1992), Sostiene Pereira de Roberto Faenza (1996), onde contracenou com Marcello Mastroianni. Teve uma colaboração regular com José Fonseca e Costa — Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991).

Mário Viegas deu-se a conhecer também pela sua admirável forma de dizer poesia, gravando uma extensa discografia, com poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, entre outros. Na televisão contribuiu igualmente para a divulgação da poesia portuguesa, particularmente com duas séries dos programas Palavras Ditas (1984) e Palavras Vivas (1991), onde além dos poetas clássicos divulgou junto do grande público autores como Pedro Oom ou Mário-Henrique Leiria.

Em 1995 candidatou-se a deputado, como independente nas listas da União Democrática Popular, e à Presidência da República Portuguesa (também apoiado pela UDP), adoptando o slogan O sonho ao poder, e buscando apoio no meio universitário lisboeta. Também foi colunista do Diário Económico, onde escreveu sobre teatro e humor, e publicou uma autobiografia, intitulada Auto-Photo Biografia (1995). Recebeu a Medalha de Mérito do Município de Santarém (1993) e o título de comendador da Ordem do Infante D. Henrique (1994), das mãos de Mário Soares. O seu jazigo está no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Em 2001 o Museu Nacional do Teatro dedicou-lhe a exposição Um Rapaz Chamado Mário Viegas.

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