A arte ecológica de Valter Nu

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“Glub”, a arte ecológica de Valter Nu cria raízes em São Paulo

Valter Nu, um artista brasileiro com forte ligação a Portugal – viveu e trabalhou no nosso país – continua a deslumbrar com as suas criações artísticas invulgares. A  Exposição ” Glub” exibida na semana do Metro de São Paulo, com curadoria de Marcelo Glycerio,  é a última manifestação artística de um criador que vê a ecologia como uma forma de arte e que deseja, brevemente, trazer para Portugal as raízes do seu novo  trabalho.

A revista Sotaques entrevistou-o e conheceu melhor esta arte ao serviço dos valores ecológicos e do cidadão.
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P- Em que consiste a Exposição “Glub” ?

VN – É uma instalação  sobre quesões ambientais : pensámos neste trabalho há 2 anos, no começo da crise hídrica que o estado de São paulo enfrentou. A  ideia consistiu   em criar  um globo feito com sucatas hídricas,sendo afogado  num aquário gigante cheio de seres híbridos entre tecnologia e peixes, com  uma enorme serpente que representa Oxumaré .

A mensagem desta instalação é tentar empurrar o mundo de volta para  cima. Tudo com um pensamento, uma  dramaturgia que integra o  meu trabalho : eu sempre escrevo um roteiro,uma  história, antes de criar o projecto da peça.

P – Esta Instalação foi  inserida na semana de meio ambiente do Metro São Paulo.Qual é a importância deste evento para os artistas brasileiros ?

VN – Eu acho importante, porque é a ideia de produzir instalações fora dos  espaços tradicionais, onde o público costuma ir em busca de arte. Neste caso, a arte vai ao encontro do público,que está  a passar a caminho dp o trabalho, o de outra atividadade.

De  repente,  ele é apresentado a uma obra de arte. É a democratização e acessibilidade do trabalho do artis para todos,  sem distinção, a mesma executiva que frequenta galerias vê o  meu trabalho no metro,o estudante vê ,o professor vê ,a empregada domestica vê , acho bem legal,  super abrangente.

P – A natureza volta a estar no centro deste trabalho artístico. Considera que a ecologia parte de uma visão artística do mundo  ?

VN – Sim claro,penso que as questões ecológicas tem grande importância na vida do cidadão,do século 21,e o artista não tem mais como se abster deste dialogo em seu trabalho, nos dias atuais.

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P – Que materiais utilizam nesta instalação ?

VN – Sucata de chuveiros, pias, torneiras,galões  de água,filtros,tanques,máquina de lavar roupa, de lavar louça,várias tecnologias criadas para serem usada com água, e sem a água elas perdem a ultilidade.

P – Que responsabilidade social e artística tem o artista ou o curador de arte num mundo em que a poluição é um problema crescente ?

VN – Acho que o artista, por ser um cidadão que tem possibilidades de diálogos com a sociedade,  para além  das formas convencionais, pode sim afectar muitas pessoas com o  seu trabalho, e de alguma forma levar as pessoas a questionarem a quantidade de lixo que produzem .

Isto polui o mundo em que vivemos – como podemos fazer para minimizar o impacto  destes resíduos, desta poluição –  nas nossas  pequenas ações, no  nosso quotidiano,como podemos exigir  das empresas poluidoras mais cuidado com  o planeta.

Quanto à  questão do curador é muito bom ver pessoas como  Marcello Glycerio, do metro de São Paulo, a ter esta visão ampla sobre questões ambientais e artísticas . Entende-se que o diálogo sobre meio ambiente com os cidadãos, também pode acontecer nos  espaço  públicos. e que usar a arte como meio para comunicarmos  é uma forma mais humana e sensível de afectar as pessoas, e  tornar o dia-a-dia do transeunte mais leve, mais bonito.

Deveríamos ter mais pessoas como Marcello Glycerio, a pensar  os espaços públicos do mundo.Com certeza que o mundo seria um lugar melhor para se viver e transitar.

P – Ponderam trazer esta Instalação para Portugal ?

VN – Adoraria! Estou aberto a convites!

P – O desenvolvimento de novas parcerias com artistas portugueses ou com espaços culturais portugueses é uma possibilidade no futuro próximo ?

VN – Sim, acho muito importante este vínculo cultural entre Brasil e Portugal.Não é só a língua que nos aproxima : quando estive em Portugal tive uma sensação de confortabilidade e curiosidades,para além das explicações óbvias – acredito também que as questões ambientais e artísticas, que são  os pilares do meu trabalho,hoje são ideias universais,  e penso  que os artistas portugueses  também estejam em sintonia com estas ideias .

Estou aberto a propostas.Já imaginou o  “Glub” na estação do  Oriente do metro de Lisboa,  em parceria  com obras de artistas Portugueses?

Rui Marques

http://www.facebook.com/sotaques – Estamos com os artistas do Brasil e de Portugal !

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