Duo Strangloscope ou o prazer de  um  cinema sem limites

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Experimentar é o verbo que melhor se conjuga com  a criatividade   do duo  brasileiro Strangloscope. O evento Shortcutz Porto, uma referência incontornável  para os cinéfilos da Invicta,  encerrou  com uma última sessão,  no espaço Maus Hábitos ,  onde estiveram presentes os  cineastas brasileiros  Rafael Schischting e Cláudia Cárdenas.

A revista Sotaques entrevistou o duo Strangloscope a propósito dos dois filmes que apresentaram, “The Gap” e “Child the World”, da sua filosofia alternativa de cinema e de arte,  e da “Carta a Pêro Vaz de Caminha” que escreveram, em forma de filme, num diálogo entre o Brasil e Portugal.

P – O que diferencia o cinema experimental do cinema convencional ?

RS – O cinema experimental tem uma dimensão lúdica, que aproveita os recursos da era digital para criar novas linguagens. Fugimos ao storytelling, ao guião clássico para mostrar aquilo que o cinema tradicional, mais formatado, oculta.

CC – Há 13 anos que trabalhamos em conjunto no Duo Strangloscope, desenvolvendo esta narrativa alternativa. Não é fácil : o cinema que não é comercial, que não adopta a linguagem televisiva, tem dificuldades de exibição .

Nós mostramos que é possível fazer outro cinema, que repense o real e revele a riqueza que existe no quotidiano. A realidade é infindável e não se esgota naquilo que vemos reflectido nos gostos da maioria.

P – Como surgiram estes dois filmes ?

CC – Tudo nasceu da oportunidade que tivemos de filmar em Detroit, captando a atmosfera de decadência que sofreu a cidade após a crise financeira. Em vez de desenvolver uma narrativa convencional, optamos por aproveitar o facto de haver uma grande quantidade de imagens da cidade – que as pessoas nos forneceram – e montamos um filme diferente do habitual.

RS – Estas  curta-metragens  simbolizam  uma certa  morte da linguagem cinematográfica. Fomos buscar imagens que estavam perdidas, que eram desinteressantes e constituíam o lixo e o desperdício, para criar dois filmes que reflectissem a degradação provocada pelo colapso capitalista.

P – Este intercâmbio cultural luso-brasileiro, no cinema, também é muito estimulante ?

CC – Esta vinda ao Porto resultou do convite de dois cineastas portugueses – a Tânia Dinis e o João Quintela. Estávamos num Festival de cinema na Corunha –  o S8 – e surgiu a oportunidade de virmos aqui.

A Tânia é a realizadora, aliás, do documentário “Não são favas, são feijocas” que teve um grande sucesso no Brasil. É a primeira vez que estamos em Portugal e foi muito gostoso mostrar ao público português o nosso trabalho.

P – Realizaram um filme a partir da carta de Pêro Vaz de Caminha. Como surgiu esta ideia ?

RS –  Tomamos como referência a carta de Pêro Vaz de Caminha, que fala da exuberância e da beleza das indígenas que receberam os portugueses, quando chegaram ao Brasil, e fizemos um filme  bem humorado sobre essa troca de impressões entre os dois países .

O filme ainda não foi visto em Portugal, mas gostávamos que fosse exibido cá.

Uma hipótese que está em aberto  é que seja exibido no próximo Festival Desobedoc,  que se realiza no Porto em 2016.

P – A revista Sotaques procura revelar os diferentes sotaques portugueses e brasileiros. Como é o vosso sotaque ?

CC – O meu sotaque é do Rio de Janeiro. É um sotaque parecido com o do Porto, na medida em que as pessoas não têm receio de dizer palavrões, sem censuras.

Essa espontaneidade é comum ao carioca e ao portuense.

RS – O meu sotaque é de Santa Catarina. Sou de Chapecó, uma região  em que há uma grande influência católica e alemã, um pouco pesada.

É um sotaque arrastado com  várias misturas e expressões curiosas como “ah Homem” ou ” fazendo nas coxas” que entraram na linguagem popular.

Rui Marques

http://www.facebook.com/sotaques – Divulgamos o melhor da cultura luso-brasileira !

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