Viva Camões !

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Lendo os Lusíadas somos levados a pensar que o grande poema épico português foi escrito por um autor querido do poder. Por alguém que servia os nobres  e  o rei, e só pretendia  desenhar um panegírico dos Descobrimentos portugueses.

Nada mais errado ! Luís Vaz de Camões foi um rebelde, um insubmisso, um homem que enfrentou os poderes estabelecidos, apontando as causas da decadência de um reino que perdia, ano após ano, importância no quadro das nações europeias.

Segundo as biografias mais credíveis, o nome Camões era originário da Galiza,  e teria ascendência no trovador e poeta galego  Vasco Pires Camões. Este ramo paterno da família atravessou a fronteira e passou a viver em Portugal,  em 1370.

Não se sabe se o poeta nasceu em Lisboa ou  Coimbra em 1524, apenas que estudou nesta segunda cidade sob a orientação do seu tio Bento. O estilo erudito de Camões faz supor que teria estudado na Universidade de Coimbra, embora não haja provas documentais que atestem a frequência de estudos superiores.

Com cerca de vinte anos, o jovem poeta  muda-se para Lisboa. Na capital procura aproximar-se da corte de D. João III, ao mesmo tempo que se envolve em duelos e zaragatas de rua – convivem já  nele o erudito com o popular, uma simbiose que o vai acompanhar toda a vida.

Os amores impossíveis e a procura de fortuna – consta que em relação a uma dama da alta sociedade, Catarina de Ataíde – terão levado Camões ao exílio e a embarcar para Ceuta. Posteriormente, perde um olho numa batalha naval no estreito de Gibraltar.

Regressa brevemente a Portugal, mas volta a alistar-se desta vez para seguir viagem para a Índia. Terá sido nesta época – a partir de 1555 – que começou a escrever os Lusíadas.

Na viagem de volta a Goa, o navio em que viajava naufragou, salvando-se apenas Camões e o manuscrito de Os Lusíadas. Este episódio terá inspirado as redondilhas camonianas “ Sobre os rios que vão”.

Resgatado do Oriente e após uma  breve passagem pela Ilha de Moçambique, Camões voltou  definitivamente a Portugal. Apresentou os Lusíadas ao rei D. Sebastião que providenciou que publicassem a obra em em 1572, e a atribuição de uma pequena pensão ao poeta.

Os últimos anos foram muito duros para ele. Viveu numa casa próxima da Igreja de Santa Ana “ sem um trapo para vestir”, segundo narra a tradição.

Camões morreu em 1580, após a derrota de Alcácer Quibir, curiosamente no ano em que Portugal perdeu a independência, e foi integrado no reino de Espanha. No entanto, o seu espírito insubmisso e rebelde é um exemplo para todos os portugueses: o de alguém que venceu todas as contrariedades e nos legou uma magnífica obra-prima, os seus textos e a sua vida.

Celebremos este 10 de Junho de 2014, Dia de Camões, da língua portuguesa e das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo  como merece: com optimismo mas sem perder o  sentido crítico!

www.facebook.com/sotaques – Entre na rede que divulga os vultos da cultura portuguesa!

R. Marques

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