Livros Digitais independentes: uma nova forma de aproximar escritores e leitores

Hermany

 

Num mercado influenciado por modismos editoriais, é um grande desafio para novos escritores conseguir, ao menos, uma simples avaliação por parte das editoras. Ou se escreve o que o mercado pede, ou nada feito! Isso fere a liberdade de quem escreve, pois impede que cada autor(a) desenvolva seu estilo próprio, e assim cative seu público leitor.

A liberdade de expressar sensações, emoções, reflexões entre outras coisas é fundamental para aqueles que entendem a Literatura como uma “razão de ser”, para aqueles que mantêm uma relação de amor com as palavras, e para aqueles que entendem o sentido transcendente de todas as Artes.

Uma alternativa viável a todas as pessoas que sonham alcançar o reconhecimento literário,  é lançar livros digitais  de forma independente e divulgá-los nas redes sociais. É o que faz a professora, poetisa e escritora Maria Cleide da Silva Cardoso Pereira, que por meio do seu projeto de incentivo à leitura e à escrita, divulga suas obras literárias de modo a conquistar leitores, e incentivar novos escritores.   Formada em Letras pela Universidade Federal do Pará, Maria Cleide menciona que, desde a infância,  tinha paixão pela leitura. As suas  grandes influências foram on seu avô materno, Josué, a quem sempre chamou de pai, e a  sua mãe, Águeda. Ambos liam e declamavam poesias, com muita expressividade e sentimento. Isso foi marcante para a trajetória  da futura escritora.

Os  seus primeiros versos surgiram em 1990 e foram dedicados à mãe. A menina apreciava escrever no  seu diário e, a cada dia, registrava suas impressões sobre a vida, as pessoas e os acontecimentos.

Em 1994, começou a compor as primeiras canções autorais e a fazer paródias das  músicas que gostava. Ela relembra um episódio em que se divertia com os primos, cantando juntos uma paródia de um grande sucesso dos Beatles.

Também cita alguns momentos da adolescência, em que vendia as  suas poesias de amor para as amigas, que ofereciam os poemas apaixonantes aos namorados, em datas especiais. “Fazia um grande sucesso e era bem divertido, pois era eu mesma quem os escrevia e minha letra não era bonita! (risos).

Foi uma fase óptima!”. comenta a escritora. No entanto, ela também revela que se  arrependeu de algumas coisas: “Por causa de uma briga que tive com um antigo namorado, queimei os meus diários e agendas que continham minhas mais queridas poesias.

Noutro  momento, fui um tanto ingénua e tive de sofrer com  o roubo de meus textos. Foi horrível, uma pessoa se passou por amiga, roubou a minha criação e até venceu um concurso com minha obra. Houve até prémio em dinheiro!”

Dona de uma personalidade forte e carismática, Maria Cleide desenvolveu um estilo próprio, que é a marca registrada de todos os seus textos. A sua  escrita é intensa, envolvente e polissémica.

Toda sua produção literária é divulgada virtualmente,  e inclui contos, crónicas, cartas, discursos, pensamentos, letras de música e, lógicamente,  poesias! Infantis, religiosas, sociais, eróticas, líricas e amorosas… cada poesia carrega um universo particular e desperta diversas sensações nos  seus leitores. “Escrever é um acto de amor, é uma busca pela eternidade almejada, é ser livre de todas as convenções para seguir o rumo da poesia latente ao nosso redor. Escrever é contemplar o Divino Mistério presente em tudo, é entender o porquê de ‘No início, era o Verbo’, é tornar uníssonas as vozes que ecoam pelo espaço a nos lembrar de que a vida nunca termina.” comenta.

Maria Cleide ou MCSCP (o seu acrónimo), publica os  seus textos em diversos sites literários: Recanto das Letras, Luso-Poemas, Mar de Poesias, O Melhor da Web, Autores.com.br entre outros. Também integra a Associação Internacional Poetas del Mundo e o Portal Cá Estamos Nós (CEN), a maior ponte literária entre Brasil e Portugal. Muitas de suas poesias e alguns de seus contos foram publicados nas antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. A autora já obteve reconhecimento nacional por meio de concursos literários.

Recebeu os Prémios Sarau Brasil e Rima Rara, ambos em 2013. Também participa das antologias virtuais do portal CEN.

“Eu sempre gostei de escrever e meu sonho era publicar um livro, não sabia como nem quando, mas tinha certeza de que conseguiria”, afirma. Em 2009, ao participar do Fórum Social Mundial que decorreu  em Belém do Pará,” tive a oportunidade de declamar uma de minhas poesias”.

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Foi aí que o seu  sonho começou a tomar forma,  contactando  com muitas pessoas quea  ajudaram a seguir em frente: “uma moça  indicou-me  o site Recanto das Letras e eu comecei a postar minhas poesias”, recorda  a aurora.

“Na época, eu estava  noiva de um professor e escritor chamado Fábio Calliari, cujo pseudónimo era Filício Albara, e  incentivei-o  também apublicar seus textos” .” O Recanto foi uma grande experiência para nós:ficávamos radiantes com o número de leituras dasnossas obrase o nosso grande sonho era publicar os nossos livros, um dia, relata a escritora.

Eu torcia pelo sucesso dele e ele, pelo meu. Ele criou um blog fantástico e recebia milhares de visitas. Mas a vida separou-nos  e, tempos depois, casei-me com meu melhor amigo, João, com quem cursei Letras na universidade. Depois de dez anos de amizade, casamo-nos e tivemos nosso querido Elias.

Os sonhos nunca morrem e, mesmo à distância, eu desejava muito que Fábio conseguisse publicar os seus livros infantis. No entanto, sua morte prematura o impediu de editar a obra. Foi um choque para mim. Eu já não falava com mais ninguém davnossa antiga turma de amigos, nem falava com a família dele. Soube do ocorrido por meio de uma mensagem enviada pelo Facebook.

Chorei compulsivamente, lamentando pelo sonho que ele não conseguiu realizar. Quando ele morreu, eu já não escrevia mais, nem publicava nada no Recanto. Então, tudo voltou de repente.

Meu filho passou a ser minha inspiração e uma nova fase literária despontava.

Passei a escrever tudo o que sentia e pensava. Hoje, o meu recanto conta com mais de 300 textos. Também comecei a participar em  concursos literários, o que me ajudou a publicar meus poemas e contos. No total, são 13 livros que guardo com carinho: 10 com poesias e 2 com contos.

Nos últimos tempos,  percebi uma tendência muito forte: inúmeras pessoas usam celulares para realizar downloads de e-livros. A partir daí, surgiu a ideia de lançar as minhas obras de forma independente e gratuita, no intuito de estimular a leitura e a produção escrita autoral. Assim, organizei meu material e publiquei 3 e-livros por meio do Recanto das Letras.

O primeiro, foi a monografia com a qual recebi nota máxima ao fim de minha graduação: O universo simbólico da obra O Saci: um estudo junguiano sobre a obra infantil de Monteiro Lobato; o segundo, foi o meu livro de poesias religiosas: Versos que edificam a alma: a fé em poesia e, por fim, publiquei meu livro de pensamentos e poesias: Jardim de Pensamentos: cultivando sementes da alma.

Tenho estimulado a prática da leitura e da escrita de um modo dinâmico, inovador e interativo. Recebo comentários de meus textos e troco ideias com outros escritores. Incentivo parentes, amigos e alunos a divulgarem suas obras literárias virtualmente. Para mim, não há sonho impossível. Afinal, as Escrituras Sagradas revelam que ‘tudo é possível ao que crê’.

Gosto de lutar por meus objetivos e sei que quem semeia, colhe os frutos do seu trabalho. Sou pós-graduada em Gestão de Pessoas e sei o quanto é importante estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de todos que nos cercam. Por isso,os  meus textos conversam com a alma, inspiram atitudes positivas, elevam a autoestima e estimulam pensamentos repletos de unidade e sinergia, afinal, somos interdependentes.” Para ler as produções literárias da autora, basta aceder seu perfil literário no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autores/mariacleidescp.

A todas as pessoas que desejam, um dia, publicar o próprio livro, a escritora recomenda:

“eu sugiro que cada pessoa busque o meio que lhe for mais conveniente; eu  optei por distribuir minha obra de forma independente e gratuita para facilitar o acesso e tornar a leitura mais dinâmica.

Há muitos sites literários confiáveis e de cadastro gratuito. Não é necessário ter muito dinheiro quando se tem vontade e criatividade.

Há quem opte por fazer livros artesanais e de excelente qualidade. O fato é: todos precisamos realizar os sonhos que nos motivam e dão sentido à nossa vida.

Outro conselho: nunca devemos queimar nossas poesias! Elas são expressões de nosso eu-lírico, e revelam-nos muitas coisas ao longo dos anos. De resto, desejo a todos muito sucesso!

Abraços carinhosos e poéticos!

Maria Cleide

Entre na rede que está a estimular as relações luso-brasileiras
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