Maestro João Carlos Martins toca uma Sinfonia luso-brasileira

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Com origens e ligações familiares a Portugal, o Maestro brasileiro João Carlos Martins foi condecorado, em 2014, com a Ordem do Infante, uma das mais importantes condecorações portuguesas. Nada estranho para um pianista que é um exemplo de excelência artística, sendo considerado o melhor intérprete vivo de Bach.

A precocidade é apanágio dos talentos. Na música, o virtuosismo está associado aos mais jovens, aqueles que aprendem, desde a infância, o poder mágico  e sedutor das notas musicais, quer sejam compositores ou toquem um instrumento.

João Carlos Martins não foge à regra. O Maestro brasileiro com raízes portuguesas nasceu em São Paulo em 1940 e, ainda criança começou a tocar, vencendo um concurso para intérpretes de João Sebastião Bach.

Aos 11 anos estudava piano seis horas por dia. O seu talento também era reconhecido internacionalmente e tornou-se um dos representantes das Américas no Festival Casals, apresentando o recital final em Washington.

Com apenas 20 anos tocou numa das salas míticas dos Estados-Unidos, o Carnegie Hall de Nova Iorque sob o patrocínio da primeira dama norteamericana, Eleanor Roosevelt. Tocou com as grandes bandas americanas e gravou integralmente a obra de Bach, e foi ele quem inaugurou o prestigiado Glen Gould Memorial em Toronto.

Não se pense, porém, que João Carlos Martins não enfrentou obstáculos durante a sua carreira. Sofreu vários problemas físicas e doenças que condicionaram a sua actividade artística.

A primeira ocorreu quando foi convidado a integrar um jogo treino da equipa de futebol da Portuguesa dos Desportos – de que é fiel adepto – no Central Park em Nova Iorque. Como consequência perfurou o braço direito e provocou-lhe a atrofia de três dedos – esteve um ano sem poder tocar e limitando-o nos seus recitais até aos trinta anos.

Em 1995, em Sofia, foi agredido no decorrer de um assalto, que lhe provocou sequelas no uso do braço direito. Com limitações na mão direita, passa a tocar só com a mão esquerda e apresentou, em 2000, o espectáculo “Só para a mão esquerda” escrito por Paul Wittengstein, que tinha perdido a mão esquerda na primeira guerra mundial.

Um novo problema de saúde, uma contratura, no braço esquerdo. Julgou que não voltaria a tocar, mas após uma nova operação regressou ao seu amado piano.

Em 2004 gravou dois CDS de Bach. Ele que é considerado o maior pianista vivo do grande Compositor alemão – contasse até que o pintor Salvador Dali lhe teria dito isso mesmo quando o ouviu tocar num Concerto.

Este adepto incondicional da Portuguesa dos Desportos de São Paulo tocou, em 2007, o hino brasileiro no jogo em que a equipa regressava à Série A do campeonato brasileiro. E foi alvo de uma homenagem carnavalesca pela Escola de São Paulo “Vai Vai”, com o enredo ” A música venceu”, desfile em que o Maestro tocou a bateria durante alguns instantes .

A vida de João Carlos Martins foi abordada num documentário franco-alemão intitulado “Paixão segundo Martins” exibida em vários canais europeus e na televisão brasileira. Também se deve realçar o seu papel solidário, já que é o mentor de um programa de introdução à música para jovens carenciados na Faculdade de Música da Faculdade da Amazónia.

O Maestro João Carlos Martins continua a tocar e a vencer as contrariedades. É um símbolo dessa Sinfonia luso-brasileira que é a nossa cultura.

Arlequim Bernardini

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