Palácio de Belém

Palacio-Belem02

A história do Palácio de Belém, atual residência do Presidente da República portuguesa, está intimamente ligada à do Museu dos Coches. Ambos estão localizados na Zona de Belém, compartilhando um percurso cheio de vicissitudes que atravessa mais de cinco séculos da vida portuguesa.

Quem diria que um símbolo da Monarquia se tornaria, cinco séculos depois, na moradia oficial dos Presidentes da República ? Ou que o antigo picadeiro deste Palacete do século XVI se transformaria no magnífico Museu dos Coches, o monumento português mais visitado ?

Para conhecermos melhor a evolução improvável destes dois ícones da arquitectura nacional, temos de recuar ao ano de 1559. Foi nessa data que o fidalgo D.Manuel Portugal o mandou construir, na zona de Belém.

No século XVIII, o rei D.João V comprou-o ao Conde de Aveiras, o seu proprietário na altura, remodelando-o e acrescentando-lhe uma Escola de Equitação. Dessa extensão resultaria o magnífico Museu dos Coches, um dos museus portugueses mais visitados.

Quando ocorreu o terremoto de Lisboa, em 1755, a família real e o rei D.José encontravam-se na zona de Belém e decidiram ficar em tendas nos jardins do Palácio, transformando o seu interior num Hospital. O Palácio passava a fazer parte do património régio, construindo-se nos seus anexos o Picadeiro régio.
Maria II habitou durante alguns anos o Palácio – foi o epicentro de uma revolta militar, a Belenzada – e serviu como local de recepção dos convidados reais durante o reinado de D.Luís. A partir de 1888, o Palácio de Belém torna-se na residência oficial do rei D.Carlos e da sua jovem esposa D.Amélia de Orleães, nascendo lá os seus fihos Luís Filipe e D. Manuel II, que foram baptizados na capela Palatina.

Em 1905, por iniciativa da rainha D.Amélia, o Picadeiro real converteu-se no Museu dos Coches reais. O Palácio de Belém continuou a receber os visitantes ilustres – a 2 de Outubro de 1910 recebeu o Presidente da República brasileira, o marechal Hermes da Fonseca – e foi nele que D.Manuel II foi informado da Revolução republicana e do assassinato do seu pai e irmão.

 

A partir de 1912, o Palácio de Belém é designado como residência oficial dos Presidentes da República. Para evitar comparações com o regime monárquico, os Presidentes eleitos pagavam ao Estado uma renda para o habitar – e nas duas primeiras décadas da República sucederam-se, no seu interior, acontecimentos marcantes como o velório de Sidónio Pais ou a renúncia ao cargo de Bernardino Machado, em 1926.

Durante o Estado Novo,  Belém  perdeu importância. Os Presidentes da República, no Salazarismo, eram figuras decorativas e só Craveiro Lopes fez de Belém sua residência oficial entre 1951 e 1958 – Américo Tomás apenas utilizava o Palácio nalgumas recepções oficiais .

Com o 25 de Abril de 1974, o Palácio de Belém recuperou a sua dignidade institucional – a Constituição de 1976 assinalava-o como residência oficial do Presidente da República . Dessa data até à atualidade, apenas o Presidente Ramalho Eanes habitou a tempo inteiro em Belém – todos os demais Presidentes o usam ou usaram  como local de trabalho.

Palacio-Belem04

Símbolo da História de Portugal, o Palácio de Belém sobreviveu à mudança dos regimes, às crises, às guerras. Ele é a marca perene de um país que se afirma, geração após geração, como uma Nação orgulhosa do seu passado histórico.

António Santos

www.facebook.com/sotaques – A revista da nossa cultura !
‪#‎sotaques‬ ‪#‎Brasil‬ ‪#‎Portugal‬ #‎sotaquesbrasilportugal‬ #belém #Lisboa

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s