A filosofia do espírito santo que iluminava Agostinho da Silva

ES01 Compreender Agostinho da Silva implica perceber a importância que tinha a filosofia do espírito santo no seu pensamento. Uma filosofia espiritual que teve e tem uma profunda influência no modo como vemos a evolução histórica de Portugal e do Brasil.

Agostinho da Silva tinha uma natureza intrinsecamente religiosa e providencialista. Não de uma religiosidade formal, mas de uma crença que via na história sinais de permanente mudança, de um sentido último que se materializava através da acção dos homens.

Nesse sentido, é exemplar o testemunho que ele dá na obra “Agostinho por si próprio” ao realizador de cinema António Escudeiro, e que só foi publicada após a sua morte,  em 2006. Nesse livro em forma de entrevista, o filósofo fala da ligação umbilical que os portugueses têm em relação ao Espírito Santo: ele vê nessa Entidade uma força que move o povo português, que lhe estimula os dons mais generosos, a sua capacidade, associando-o ao movimento dos Descobrimentos portugueses.

Agostinho da Silva assinala que o culto do Espírito Santo, celebrado nos Açores, se expandiu para o mundo. E que era essencial que o culto não fosse uma mera festa anual, repetida com os mesmos símbolos, mas que se torne num novo tempo, numa nova filosofia de vida que pratiquemos quotidianamente.

A este respeito dizia Agostinho que o homem “era o único ser que nascia de graça e passava a vida a ganhá-la”. Tinha a certeza do advento da idade do espírito santo que faria a síntese da Santíssima Trindade e permitiria ao homem ser plenamente humano e imaginativo.

Elogiava o povo português e o povo brasileiro como povos que possuíam essa imaginação e vontade de criar. Criticava quem achava que a produtividade era o fim último da humanidade, porque essa forma de pensar desvalorizava o imprevisível, a criatividade, as ideias que existiam no mundo.

A filosofia do Espírito Santo não colidia, porém, com as crenças locais. Noutro enxerto desta entrevista publicada em  livro e em vídeo, contava a história de franciscanos alemães que não compreendiam os rituais do enterro da população negra na Bahia.

Sugeria aos franciscanos que  tinham de boiar e não de nadar. Ou seja tinham de respeitar a cultura local, em vez de impor a sua própria cultura.

As festas do Espírito Santo têm  uma grande importância nos Açores. Segundo as fontes históricas, estas festas terão origem medieval, em 1321, quando o convento franciscano de Alenquer sob a protecção da rainha Isabel de Portugal e Aragão, passou a celebrar o Divino Espírito Santo, arrecadando bens para a população mais carenciada.

Nos Açores a festa é celebrada anualmente cinquenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecostes quando o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os Apóstolos, segundo o Antigo Testamento. No Brasil a tradição foi levada pelos portugueses, e é celebrada em Estados como Santa Catarina e a Bahia.

João Castro

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