Mestre Chapão ensina a magia da capoeira em Portugal

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A capoeira tornou-se, recentemente, património imaterial da humanidade. Fomos falar com o Mestre Chapão, um nordestino que vive e ensina capoeira na cidade do Porto, e que nos revelou os segredos de uma história riquíssima.

Leia esta entrevista com um doutorado em capoeira, que vive há  mais de duas décadas entre nós,  e  ensina aos  portugueses e brasileiros esta arte secular.

P – Teve a sua primeira experiência com a Capoeira aos 12 anos. Como se recorda desse momento ?

MC – Surgiu por acaso num dia em que estava na rua, e vi um grupo a fazer uma roda de capoeira. Fiquei fascinado com esta manifestação cultural, identifiquei-me com a sua filosofia de vida, e quis aprender mais.

Na altura eu admirava muito o Bruce Lee, queria aprender Kung Fu, mas isso era impossível no Nordeste brasileiro. Por isso, fiquei entusiasmado com a capoeira, por ser uma arte marcial e uma dança ao mesmo tempo, que podia praticar.

P – O que torna tão especial a Capoeira ?

MC – A capoeira é uma arte em que o adversário é um camarada e não um inimigo, é uma arte defensiva não de ataque.

A história da capoeira é muito antiga. Ela foi trazida pelos escravos negros para o Brasil que, após a lei de abolição da escravatura em 13 de Maio de 1888, se espalharam pelo território brasileiro.

Foi nas ruas que cresceu a capoeira, uma arte marginal, que as autoridades começaram a reprimir. Uma figura que teve um papel fundamental na história da capoeira foi o Zumbi dos Palmares : era um homem muito culto e e um líder que, no século XVII, comandou o Quilombo de palmares na resistência às forças portuguesas.

No Quilombo de Palmares conviviam negros, índios e portugueses, e utilizavam as técnicas de capoeira para combater.

Nos anos 20 e 30 a república brasileira proibiu a capoeira. Getúlio Vargas legalizou-a nos anos 30.

Mais recentemente, Gilberto Gil quando foi ministro da cultura, conseguiu que a roda de capoeira se transformasse numa expressão cultural brasileira, que pode ser praticada  da em qualquer parte do mundo.

P – Quem são as suas referências a nível pedagógico – de mestres desta arte – na capoeira ?

MC – Tenho de referir o Mestre Sombra, que me influenciou muito. Também o Mestre Camisa e o Mestre Suassuna.

P – Obteve um grau de doutoramento nesta área. Isso mostra que a capoeira tem uma história e uma complexidade cultural muito maior do que pensamos à partida  ?

MC – Foi um reconhecimento que obtive pela Universidade católica do Recife e pelo Governo de Pernambuco. É sempre uma valorização do nosso trabalho e da capoeira como forma de arte.

P -É mestre de capoeira na Associação Capoeiraarte na cidade do Porto. Na sua escola tem muitos alunos portugueses ?

MC – A maioria dos meus alunos são portugueses.Revelam muito interesse em aprender capoeira e espero que, dentro de alguns anos, possa haver mestres portugueses.

A Associação capoeiraarte conta actualmente com dezenas de instrutores e formados, quatro monitores, dois professores, dois contra mestres e um mestre sombra recém – formado. Também desenvolvemos uma graduação criada por nós, dois CD ‘S do grupo, e temos uma filial mais nova em Milão, Itália.

P – A revista Sotaques fala nesta edição dos prazeres luso-brasileiros. Que prazeres portugueses o conquistaram ?

MC – A gastronomia portuguesa tem muita qualidade: gosto muito de bacalhau e da típica francesinha.

Também há lugares nesta cidade onde gosto de passear. Os Clérigos, a Rua das Galerias Paris, a Ribeira.

P -A capoeira foi elevada à condição de património imaterial da humanidade. Que importância tem este reconhecimento ?

MC – É muito importante porque reconhece um trabalho de muita gente para mostrar esta arte. É um momento histórico.

P -Qual é o sotaque do mestre Chapão ?

MC – Eu sou nordestino, natural do Recife. Portanto o meu sotaque é nordestino.

Embora com a vinda à Europa e, designadamente a Portugal, já tenha outras influências que se notam quando falo.

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P – Quais são os projectos de futuro do Mestre Chapão  e da Associação Capoeirarte ?

MC – Em Abril teremos um encontro de capoeira  no Porto, onde se reunirão mestres brasileiros vindos do Brasil e da Europa, e que será um momento de partilha de experiências – também gostávamos de que houvesse um encontro da arte da capoeira com outras artes portuguesas como os Pauliteiros de Miranda.

Também queremos retomar o nosso projecto de ter uma revista de Capoeira e estamos a preparar um CD com vozes femininas.

Quem quiser saber mais sobre nós pode consultar ao nosso  Facebook ou ir ao site http://www.capoeirarte.com .

Arlequim Bernardini 

 

Entre na rede que está a estimular as relações luso-brasileiras www.facebook.com/sotaqueswww.sotaques.pt
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