A Cultura e a Dança Popular do Brasil e a Influência portuguesa

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Muitas danças brasileiras vieram de Portugal.  Aqui ficam alguns exemplos de danças que permaneceram até à actualidade, e se integraram no folclore brasileiro.

As danças constituem um importante componente cultural da humanidade. E, no caso do Brasil, que possui uma cultura tão rica e diversificada, a gama de modalidades são enormes, e muito importantes para a cultura brasileira. O folclore brasileiro é rico em danças que representam as tradições e a cultura de uma determinada região.

Estão ligadas aos aspectos religiosos, festas, lendas, fatos históricos, acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. As danças folclóricas brasileiras caracterizam-se pelas músicas animadas (com letras simples e populares) e figurinos e cenários representativos. Estas danças são realizadas geralmente, em espaços públicos como: praças, ruas e largos.

As danças folclóricas são uma forma de desenvolver essa expressão artística com base em tradições e costumes de um povo. Elas podem ser executadas de várias formas com pares ou em grupos e a forma original de dançar e cantar permanece praticamente a mesma. Em diversos países, a dança folclórica é a expressão daquele povo.

No Brasil, as danças folclóricas sofreram influências das tradições dos estados, dos povos africanos e europeus, como Portugal. Dessa forma, dependendo do Estado, as danças podem ser mais influenciadas pelos africanos, indígenas ou europeus.

Algumas dessas danças vieram de Portugal: é o caso da Caninha Verde,  Dança portuguesa que foi inserida no país durante o Ciclo do Açúcar. Também foi praticada em colónias de pescadores, festa de casamento e cordões. Também podemos referir o Fandango, que chegou à região sul do Brasil por volta de 1750, e foi trazida pelos portugueses.

Os dançarinos recebiam o nome de folgadores e folgadeiras, dançavam em festas executando diversos passos. Atualmente, permanece preservado na região com passos, música e canto.

Os instrumentos mais usados são as violas, a rabeca, o acordeão e o pandeiro. Os dançarinos vestem roupas típicas da região e rodam próximo ao seu par, mas sem se tocar.

Movimentam-se  para atrair a atenção do outro e os homens sapateiam de forma contínua. A dança contém traços de valsas e bailes e forte presença de sensualidade.

 

Outra dança é o Arraial  do  Pavulagem,  grupo musical de Belém do Pará. Tem este nome derivado do arraial (local onde se realizam os festejos, nas festividades dos santos) e de pavulagem, neologismo originário de pavão, que significa o formoso, bonito, e pomposo e, que na linguagem popular,  tem o significado de “o que gosta de aparecer”, ou o fanfarrão.

Esta dança nasceu na Praça da República  onde se  reuniam  os mais variados artistas e cantavam enquanto decorria o arraial. O  o boi era chamado “Pavulagem do Teu Coração”, e só a partir de 1987, passou a ser chamado de “Arraial do Pavulagem”.

A mudança foi devida ao  facto de se ter uma visão mais ampla do contexto cultural podendo, assim trazer um universo de elementos populares para o Arraial,  e não se limitar somente à cultura do boi-bumbá.

Após 17 anos de vivência o grupo musical resolve fortalecer as ações públicas criando para isso o “Instituto Arraial do Pavulagem” em 2003. Esta Entidade dedica-se à pesquisa, à produção e à valorização da cultura popular de raiz feita na Amazónia, utilizando as linguagens, os ritmos, elementos simbólicos de folguedos, as danças e a religiosidade popular como base de referência para a difusão das tradições culturais, ao mesmo tempo em que dá continuidade ao seu processo criativo.

Procura harmonizar o tradicional e o moderno,  aprimorarando  sua linguagem musical e buscando o fortalecimento da identidade cultural paraense, oferecendo ao público um trabalho criativo e original.

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O Arraial realiza inúmeras atividades socioculturais direcionadas à comunidade tais como o Cordão do Peixe-Boi . Trata-se de  um cortejo popular de cunho cultural, ambiental, aç ão educativa, artística e de mobilização sócio-ambiental que antecede os preparativos do Carnaval. E que sai pelas ruas do centro comercial e na Cidade Velha.

Os cordões de bichos são formas de carnavalização populares e a festa se realiza na rua,  com os  seus formatos coloridos, manifestações cénicas e musicais espontâneas.

A escolha do peixe-boi também é estratégica. O brinquedo de rua, confeccionado todo em armação de arame, ganhou uma roupagem que alia arte e reciclagem. Tratando um olhar para a responsabilidade ambiental, num cenário lúdico de símbolos da natureza, feitos com materiais reaproveitados como PET e papelão.

O grande cortejo reunindo todos os integrantes das atividades, que mostrarão tudo o que aprenderam nas oficinas de ritmo e percussão, cantos populares, sopro em metais e confecção de objetos simbólicos.

Durante o cortejo, o peixe-boi é levantado pelos brincantes que fazem à festa descendo a escadinha do Cais do Porto (na Praça Pedro Teixeira), onde estão  concentrados cerca de quatro mil pessoas,  e o Cortejo seguirá pelas ruas do Comércio, até a dispersão na Praça do Carmo.

O  cortejo é formado pelo estandarte, pelas marujas, máscaras que vestem participantes, lembrando seres encantados da natureza, o Peixe-Boi (boneco confeccionado pela In Bust Teatro), o peixinho, o efeito de água, bichos da água, canoa de miriti com flores, canoa com frutas, rede de pesca e bandeiras coloridas.

O Cordão do Peixe-Boi é a primeira das atividades do calendário anual do Instituto Arraial do Pavulagem que inclui ainda dois outros cortejos populares, nos meses de Junho e Outubro.

No segundo domingo de Junho sai um barco da Praça Princesa Isabel, no bairro do Condor (Belém), transportando o Boi Pavulagem e convidados (Boi Malhadinho e Boi Orube) juntamente com o mastro de São João rumo à escadinha do cais na Praça Pedro Teixeira, seguindo até a Praça da República onde o mastro é fixado, permanecendo lá até o final da quadra junina, quando é derrubado .

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O carimbó, o siriá e as toadas de boi deram o tom ao arrastão do mês, realizado pelo Arraial do Pavulagem, na Praça da República, para resgatar a essência da cultura paraense e festejar a quadra junina.

Hoje essa grande festa da tradição popular chega a reunir num  único domingo mais de quinze mil pessoas, entre participantes e foliões, que aderem ao cortejo, que tomou conta da Avenida Presidente Vargas desde a escadinha da Estação das Docas. A grande apoteose do arrastão aconteceu com a cerimónia dos mastros de São João e o espectáculo  da banda Arraial do Pavulagem, em um palco na praça.

Os Santos da época, cavalinhos e os tradicionais “cabeções”, além de adereços relativos à festa junina, e às bandeiras,  fazem parte dos grupos do arrastão, valorizando os ritmos da terra e a cultura amazónica.

O Arrastão do Círio (Arrastão da Cobra Grande) . Em outubro acontece às vésperas do Círio de Nazaré, percorrendo o centro histórico de Belém, logo após a chegada da romaria fluvial. O tradicional cortejo que o Instituto faz, na véspera do Círio de Nazaré, em homenagem à padroeira dos paraenses, tendo como brinquedo uma imensa cobra de miriti de trinta metros, simbolizando os tradicionais brinquedos do círio oriundos do município de Abaetetuba.

Quando a imagem da Santa chegar à Escadinha do Cais, após a romaria fluvial, os foliões e os músicos Batalhão da Estrela e convidados farão soar o hino “Vós Sois o lírio mimoso” de suas barricas, e começa o trajeto até a Praça do Carmo.

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O cortejo sai da Praça dos Estivadores rumo a Praça do Carmo, encerrando com um espectáculo  cultural. Na praça, acontece o encerramento do cortejo com um concerto  da banda Arraial do Pavulagem, que traz para a rua um repertório de boi, carimbó, mazurca, xote bragantino, retumbão e as músicas dos cortejos populares.

O Largo do Carmo também foi escolhido para ser o local do fim  do Arrastão do Círio, porque tem uma relação muito forte com a festa religiosa. É lá que, tradicionalmente, os romeiros e artesões de Abaetetuba  expõem e comercializam seus brinquedos de miriti, numa grande feira de produtos.

A Roda de boi é  o encontro para a diversão e mobilização de todas as pessoas interessadas em conhecer e participar dos trabalhos do Arraial do Pavulagem e para divulgar o ritmo da região através do boi-bumbá, carimbó, lundu, retumbão, xote e outros.

Em 2006, o enredo que foi apresentado pela Lins Imperial, no carnaval carioca , cujo enredo é um passeio de descobrimentos pela rica e colorida história do folclore, costumes, cantigas, e crenças do Estado do Pará e de suas micro-regiões.

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Em 2007 através da Lei nº 7.025 de 30 de junho de 2007, foi reconhecido como utilidade pública para o Estado do Pará.

Para finalizar, sabemos que é notória a relação entre Brasil e Portugal em vários aspectos e é isso que enriquece, engrandece e aproxima cada vez mais tanto a cultura Brasileira com a Portuguesa.

 

Texto:Hernany Fedasi

Fotos: Hernany Fedasi.

 

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