Jorge Amado, o mestre que  (re)descobriu a sensualidade brasileira

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Jorge Amado é uma espécie de patriarca da Literatura brasileira do século XX. Ele está para o Brasil como Eça de Queiroz esteve para o Portugal do século XIX – abriu-nos, através da sua obra, a porta dos prazeres que estavam, mais ou menos ocultos pela censura, mas que fazem parte da identidade de ser brasileiro.

Nascido em Itabuna em 10 de Agosto de 1910, na Bahia, Jorge Leal Amado de Faria foi o escritor brasileiro mais influente do século XX. A comprová-lo estão as inúmeras obras baseadas nos seus romances  adaptadas para a televisão, o cinema ou o teatro.

Jorge Amado foi um escritor e jornalista sem medo, quando o medo estava instalado na sociedade brasileira.Foi um desmitificador de todas as censuras – fossem políticas como por exemplo na trilogia “Subterrâneos da liberdade” ou a nível dos costumes, da sexualidade, da liberdade em obras como “Gabriela”, “Tieta do Agreste” ou “Tocaia Grande” ou “Dona Flor e seus dois maridos”.

“Gabriela” é um livro revolucionário porque nos revela como o povo quebra as  convenções sociais.A trama centra-se  na história de uma jovem mulher que chega a Ilhéus na Bahia, começa a trabalhar no local do turco Nacib e, com a sua natural sensualidade, vai derrubando a rigidez de uma sociedade amordaçada pelos coronéis e ricos fazendeiros.

Com a chegada de Gabriela, a hipocrisia da Bahia dos coronéis , que é uma metáfora do Brasil,  prisioneiro da Ditadura militar – que, de dia assumem um moralismo inquisitorial e, à noite, se juntam no mítico Bataclan, uma casa de pecado e de prazer – cai como um castelo de cartas. Os prazeres da vida estão ligados e vivê-los, sem medo, é o destino dos brasileiros.

Curiosamente, o prazer também uniu o grande romancista baiano a Portugal. Sobretudo dois prazeres – o da amizade com escritores portugueses como José Saramago ou José Cardoso Pires ou políticos como Mário Soares,  e também o prazer da gula e do apetite da doçaria portuguesa – é conhecida a sua devoção à doçaria do seu amigo Natário, pasteleiro de Viana do Castelo, a quem pedia que enviasse para o Brasil os seus doces, imortalizando-o no livro “Tocaria Grande” como o capitão Natario.

Jorge Amado foi o escritor que (re)descobriu a sensualidade brasileira, vencendo através da escrita todos os constrangimentos políticos e sociais do seu tempo.

Paulo César

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