Patrícia Bastos, o canto da Amazónia que chega a Portugal

PATRICIA BASTOS_2

Na Amazónia a música e a natureza andam de mãos dadas. A cantora brasileira Patrícia Bastos que obteve um extraordinário reconhecimento nos prémios da música brasileira em 2014,  chega a Portugal, no âmbito do Festival Misty Fest . Uma oportunidade única para conhecermos melhor uma artista que representa, orgulhamente, os valores ancestrais da sua cultura e da História do Brasil.

P -Foi premiada pelo álbum ” Zulusa” nas categorias de melhor álbum e melhor cantora regional nos prémios da música brasileira de 2014. Que importância teve este reconhecimento?
PB- Tem o tamanho de uma nação, de um motivo de cantar. Eu canto o Amapá, a amazónia, a nossa cultura, e fazer com que eles possam chegar, de alguma maneira, aos grandes centros é o meu presente.
É o meu reconhecimento como cantora, como artista que canta aquilo que vive.

P- Como caracteriza o álbum ” Zulusa”?
PB- Um disco que canta a cultura do povo do norte brasileiro. Mas um norte que pode ser encontrado em todo o mundo. Um álbum de música regional que se tornou universal pelo tratamento dos arranjos, e por cantar uma verdade.
P- O nome ” Zulusa” junta o nome Zulu e lusa – as origens indígenas e portuguesas do Brasil. Sente essa ligação na sua região ?
PB- Sentimos bastante, a nossa cultura é exatamente essa identidade, o índio, o negro, os pardos de origem portuguesa, todos juntos no traço, no rosto do povo da Amazónia.

P- A identidade regional está muito presente no seu trabalho. O que a inspira na sua terra e região como criadora?
PB- Só de olhar o Rio Amazonas já me sinto inspirada a cantá-lo, a falar daquela região, do amor que a gente tem pela nossa cultura. São tantos poetas, são tantos sotaques musicais que existem na Amazónia, que é até um pecado a gente ignorar isso e não inserir no nosso trabalho.

P- Quais são as suas referências musicais no Brasil?
PB- As primeiras referências foram as cantoras como Elis Regina, Clara Nunes, depois passei a me interessar por trabalhos inovadores, e que até hoje são referências para mim, como as cantora Ná Ozzetti e Ceumar, os compositores Itamar Assumpção e Vitor Ramil.
Procuro sempre estar atenta ao que acontece de novidade, e de certa forma me influencio por artistas que estão sempre reinventando a música brasileira como a própria Ná Ozzetti, Felipe Cordeiro, Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Jussara Marçal, Criolo, Luiz Tatit, entre outros, mas também os compositores da minha região, como Ronaldo Silva, Enrico de Miceli, Paulo Bastos e Joãozinho Gomes.
P- Vem agora apresentar o seu trabalho em Portugal. Que expectativas tem em relação aos espectáculos no nosso país?
PB- As melhores expectativas possíveis. Estou muito feliz.
Portugal faz parte deste disco tanto quanto o índio. Fazem parte da nossa Nação.
Então poder ir com o meu trabalho é um presente.

P- Que referências têm da cultura portuguesa ? E da música ?
PB- Sempre ouvi música portuguesa, desde criança, através de radios AM e de alguns Cds. O primeiro que conheci foi o Roberto Leal, que cantava nos programas de TV, aos sábados.
Depois Amália Rodrigues e, na adolescência, passei a conhecer Dulce Pontes, Carlos do Carmo. E gosto muito da voz do António Pinto Basto, que já ouvi cantar ao vivo.

P- Gostaria de fazer uma parceria com músicos portugueses ?
PB- Com certeza. Seria um presente.

P- Na sua biografia é referido que a Patrícia é património de Amapá, a sua terra natal. Podia falar-nos um pouco deste Estado?
PB- O Amapá é um estado que foi separado há pouco tempo do Estado do Pará. No Amapá, a cultura dos índios e do povo africano é ainda muito forte.
Há quilombos e danças que mostram isso : é um povo simples, muito festeiro e temos um rio lindo, o rio amazonas. E lá só podemos chegar de avião ou de barco. É muita água ao redor!

P- Em que projectos está a trabalhar neste momento ?
PB- Estamos ainda na divulgação do CD Zulusa e já pensando na continuidade dessa proposta para o próximo CD.

P – Podia enviar, através da revista Sotaques, uma mensagem aos portugueses sobre a sua música ?
PB- Portugal, é com muita felicidade que vamos levar o nosso trabalho para vocês. Vamos celebrar o que também lhes pertence, a cultura de vocês faz parte da nossa e vai ser uma alegria mostrar a Amazónia pra vocês.

Texto: Arlequim Bernardini 

 

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