Dina Sache, uma criadora sem fronteiras estéticas

 

Dina Sachse2Dina Sache é uma artista que faz da ligação ao fantástico e ao lado lúdico e onírico da arte um permanente desafio. Esta criadora multifacetada já ilustrou para crianças e  participou no Porto Cartoon,  e continua a desenvolver o seu percurso artístico sem balizas  e fronteiras estéticas.

P – Como caracteriza o seu estilo como artista  ?

DS- O meu estilo passa por um processo de evolução pessoal e maturação artística. É um processo em constante mutação e eu simplesmente deixo fluir.

A cor é um elemento sempre presente e eu gosto que as obras tenham profundidade, tanto a nível de conceito como visual. Por isso cada peça é feita de várias camadas que ora revelam ora ocultam parcialmente.

Tenho um gosto particular pelas texturas. Uso diferentes técnicas e linguagens estéticas, consoante aquilo que quero “dizer” numa peça.

Estou sempre à procura de aperfeiçoar as técnicas que uso para que possa acrescentar algo novo à minha Arte. Como cada peça que faço é sentida com o devido tempo, quando passo à concretização,  ela fica marcada com um cunho muito pessoal.

P – Quais são as suas obras que mais prazer lhe deram criar e com as quais mais se identifica?

DS- – Mentiria se não dissesse todas. Nos últimos tempos,  tenho-me dedicado à criação de objectos de arte e a perspectiva que obtenho da passagem do bidimensional do desenho à tridimensionalidade da escultura é indescritível.

Por isso posso destacar dois trabalhos que me deram particular prazer a criar: o “Jardim Suspenso”,  e as duas peças que criei para a cena do chá da história Alice no Pais das Maravilhas.

O “Jardim Suspenso” é uma instalação composta por sete chávenas vintage todas diferentes e trabalhadas com motivos florais e pequenos personagens que as habitam, num mundo de fantasia. Quando montei a instalação na galeria e pude ver as chávenas suspensas a intervalos e alturas diferentes,  é que tive a real noção do aspecto do que eu tinha idealizado.

Toda a instalação resultou muito delicada e poética,  e é um trabalho pelo qual tenho um carinho especial. As duas peças que idealizei para recriar a cena do chá da Alice no Pais das Maravilhas foram talvez as mais desafiantes e exigentes que já realizei.~

Quis captar a personagem do Mad Hatter (o Chapeleiro Louco) e explorar a irreverência e a loucura que lhe estão inerentes, na desproporcionalidade dos membros, no movimento, na expressão e na obscuridade que a peça pede porque não quer demasiada luz, precisa de uma certa penumbra para criar o ambiente de mistério,  e depois ter ao lado uma gaveta que sai da parede, de uma outra dimensão e que,  na realidade,  é um cenário de floresta onde o pequeno Dormouse dorme tranquilamente num colorido bule, envolto de um cenário de fantasia.

Neste trabalho pude explorar a teatralidade e o dramatismo em peças,  que me elevaram a um nível de dificuldade técnica totalmente diferente.

 

P – Que temas aborda na sua obra ?

DS- Os temas que abordo estão ligados ao fantástico, ao imaginário dos Fairy Tales, a uma natureza etérea. Gosto de pincelar uma estética vitoriana, de representar uma beleza misteriosa.

Sou muito observadora, vou acumulando imagens e,  ao mesmo tempo,  colecciono cheiros, cores, sensações, formas soltas, sabores, memórias de infância, sentimentos e uso todo esse material quando estou a criar.

No fundo,  gosto de contar histórias com imagens e esconder nelas o meu universo pessoal, as minhas mundividências.

 

Revista Sotaques – Venceu em 2010 o prémio Ilustra Futuro e foi seleccionada para o Porto Cartoon. Esperava este reconhecimento da sua obra ?

Dina Sachse – Honestamente foi uma surpresa boa, isto porque me lancei e esses desafios na esperança de um dia vencer por mérito e assim foi. Tenho a perfeita noção que,  quando se fala em concursos, há ali a hipótese imediata de se poder corromper todo o propósito da iniciativa e  “fabricar” um vencedor, deixando pelo caminho tantos bons talentos.

O Ilustra Futuro, foi um concurso de ilustração, uma área que é uma paixão para mim,  e fiquei radiante com o primeiro lugar, no Porto Cartoon explorei uma área da ilustração à qual nunca me tinha aventurado: criar um cartoon,  com aquela carga de humor sarcástico e uma certa critica social e politica.

Para primeira experiência foi muito gratificante o facto de ter sido seleccionada e ter feito parte da exposição e catálogo, acrescentando com orgulho o pormenor de ter sido a única mulher,  de entre os doze artistas portugueses seleccionados

P – Tem uma experiência na ilustração de livros para crianças. Qual é o maior desafio que enfrenta neste trabalho ?

DS- Ilustrar para crianças implica uma boa capacidade de interpretação de textos, para depois conseguir sintetizar uma ideia chave, adicionar-lhe algo mais e criar assim uma narrativa visual rica de tal forma que, para além de materializar o texto que lhe está adjacente, possa acrescentar algo novo ao próprio texto, criando quase uma história dentro da história.

É esta riqueza visual, de pormenor, do fazer sonhar e entrar na imagem e viver a história que alimenta o imaginário da criança. É disso que ela está à espera, de viver a história pela imagem.

Ao contrário do que se possa pensar, o público infantil é muito exigente, pela sinceridade que é tão característica das crianças. É esse desafio que encontro nos textos infantis, olhar para eles com olhos de artista e senti-los com um coração de criança.

 

P-  Que importância tem esta ligação com a Atlas Violeta para a divulgação do seu trabalho artístico ?

DS- A relação com a Atlas Violeta é recente, mas neste pouco tempo pude aperceber-me do dinamismo que existe nesta Associação. Não tem uma filosofia de promessas mas sim de acções e, realmente, cria sinergias para divulgar os artistas, para levar a Arte mais além.

Há uma relação de respeito para com a Arte e os artistas. Estou muito feliz com esta ligação,  e é notória a divulgação que fazem do meu trabalho.

Esta minha participação na exposição no Carroussel do Louvre é uma prova disso.

 

P- Quais são as suas grandes referências artísticas ?

DS- O surrealismo de Salvador Dali sempre me fascinou, pela criação de mundos diferentes feitos à base da distorção da própria realidade. Depois, claro, os grandes nomes como Leonardo da Vinci, Bosch, Picasso, e muitos outros que, para quem quer seguir a vertente Artes Plásticas, tem por obrigação conhecer o obra. Afinal, o Futuro não se faz sem Passado.    Como dou muito valor ao que é português, admiro alguns ilustradores contemporâneos como, por exemplo, Teresa Lima, André da Loba, Alice Geirinhas, João Vaz de Carvalho. Mas vou buscar, também, referencias ao cinema, Tim Burton, à literatura em Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner.

Depois há todo um universo de coisas que se podem converter em referencias, os contos tradicionais que passam na tradição oral, a música, a dança, o teatro, os museus. Tenho formação em música clássica (violino) e isso também me influencia na criação artística. Um artista tem, na minha opinião, de procurar manter-se actual e absorver o máximo de experiências culturais para conseguir alimentar a inspiração.

 

P – Que importância tem esta oportunidade que teve de  poder expor o seu trabalho no Stand da Atlas Violeta,  numa  exposição no  Carrousel do Louvre em Paris ?

DS-Estou bastante entusiasmada por esta oportunidade de ter duas peças minhas em Paris. É uma experiência nova,  e é a primeira vez que o meu trabalho sai de Portugal e isso para mim é já muito gratificante. As expectativas que tenho é que o meu trabalho tenha boas críticas e seja reconhecido.

João Castro

 

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