A cena ou o labirinto da linguagem 

A Cena

Oito atores dividem um palco como animais aprisionados numa cadeia de palavras, que vão soltando, espontaneamente, no mundo. Todas elas falam porque se não falarem, cairão no vazio profundo, na inexistência.

Vivemos no labirinto da linguagem. Existimos porque falámos, mas essa existência é efémera e limitada às palavras que dizemos – Ludwig Witgenstein afirmava, sabiamente, que os limites da nossa vida eram os da nossa linguagem.

Entre estas personagens que se sucedem num carrossel de palavras, há uma que exemplifica esse paradoxo. É aquela, ironicamente, que dá as notícias, numa crítica cruel aos meios de comunicação social, e que gradualmente vai perdendo credibilidade, tornando-se um porta-voz da irrealidade, da invenção de novos factos cada vez mais fantasiosos.

Destaque-se, além naturalmente, do magnífico trabalho dos atores, da direcção da encenadora brasileira Renata Portas. Consegue, com um equilíbrio notável, aproveitando muito bem os jogos de linguagem, a diferença de sotaques, adoptar simultaneamente o texto original do francês Valère Novarina e recriar uma peça, indo buscar novas referências a Portugal e aos portugueses.

O verdadeiro encenador é também um (re)criador, alguém que insufla nova vida aos textos que adopta. Foi uma grande noite de teatro, e “ A cena” é uma deliciosa Peça sobre esse labirinto primordial, habitado por todos os homens e mulheres, chamado linguagem.

R. Marques

www.facebook.com/sotaques – A arte na internet 

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